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quinta-feira, 16 de abril de 2020

Um doce mel de de musicalidade; Grupo Mel na Boca




O Grupo Mel na Boca é oriundo (da zona Norte???) de São Paulo e foi fundado no final dos anos 80. Tinha em sua formação; Kiko (Surdo), Jorginho Cebion (Percussão), Vino (Bateria e voz), Antonio Pastor (Violão 6/7), Luiz "Mel" Augusto (Cavaco e voz) e Dino (flauta/sax). O primeiro trabalho do grupo foi uma faixa na coletânea Band Brasil 3 em 1991, a música intitulada Ensaio de Escola de Samba (Fernando Baster e Pedrinho da Flor) fez um tremendo sucesso e abriu as portas para o grupo no mundo da música.






Com isso se apresentaram em várias casas de shows em São Paulo dividindo palco com Demônios da Garoa, Fundo de Quintal, Jovelina Perola Negra, Royce do Cavaco, Reinaldo, Pedrinho da Flor, Zeca Pagodinho, Agepe, Roberto Ribeiro e outros. Em 1992 veio o primeiro disco solo, sem título, mas ficou conhecido como “Além de Mim”. Saiu pela gravadora BTB Comunicações e teve produção e arranjos do próprio grupo Mel na Boca, exceto a faixa Além de Mim produzida por Marquinhos Silveira. Nesse disco Antonio Pastor tocou o violão e fez os arranjos, Luiz Augusto cavaco/arranjos de harmonia e Dino tocou flauta e fez os arranjos de teclados. Os músicos convidados foram; Arismar do Espírito Santo no baixo, Balto no surdo, André na bateria, Freddy repique de mão, Luciano no bandolim, Walter Righi acordeom, Mauro nos teclados, Maneco violão tenor, Alaor cuíca, Wilson trombone, Lurdinha e Tainah coral.


Nas composições além dos componentes do grupo Antonio Pastor e Luiz Augusto nomes como Jorge Aragão, Cleber Augusto, Arlindo Cruz, Franco, Carlinhos do cavaco e outros. Destaque para as músicas Além de Mim (Jorge Aragão e Nilton Barros), Recomeçar (Antonio Pastor), O Teu Corpo Sorriu (Arlindo Cruz/Sombra/Franco), Pra Minha Amada (Fernando Baster/Luiz Augusto), Pra Se Juntar a Nós (Carlinhos do Cavaco/Nilson Pinheiro), Sonho Maior (Jorge Aragão/Cleber Augusto), pra falar a verdade todas as faixas são boas!





O grupo já esta consolidado e já havia participado de apresentações em grandes casas de show e programas na televisão, como o Perdidos na Noite, Bolinha, Agnaldo Rayol Show entre outros. Em 1993 eles entram em estúdio para gravar o segundo trabalho, que também saiu sem título mas foi chamado popularmente de Mel na Boca 1994. 

Esse um trabalho com mais investimentos, saiu pelo selo Crescent da gravadora Velas dirigida por Ivan Lins e Victor Martins. Os arranjos foram de Lobão e Prateado. E o time de músicos participantes teve Lobão Ramos nos teclados, Luizinho SP cavaco/banjo, Lua violão de 6/7 e tenor, Rick batera, Gazu repique, Gonzales no surdo, Carica banjo/cavaco, Prateado baixo e coral Grupo Mel na Boca , Monica Salmaso e Márcia Lopes. Do grupo Mel na Boca entraram como músicos Dino na flauta, Kiko no tantã e Jorginho Cebion pandeiro e ganzá.

Nas composições novamente Jorge Aragão e Cleber Augusto, mas também nomes pesados como Sombrinha, Royce do Cavaco, Adilson Victor, Mauro Diniz, Douglas Sampa, Luizinho SP, Carica… Destaques para as músicas; Meigo Olhar (Délcio Luiz), Proposta (Royce/Paulo Onça/Adauto Magalha), Perfil de Samambaia (Jorge Aragão/Carlos Colla), Cadê Você (Cleber Augusto/Djalma Falcãp/Bicudo), Vai por Mim (Sombrinha/Adilson Victor), Vertente da Saudade (Marquinhos S.A.).

Se você escutar bem o trabalho, de ponta a ponta, é outro exemplo em que todas as músicas foram bem arranjadas e interpretadas. Preste atenção na linda construção da resposta do refrão das músicas Perfil de Samambaia e Cadê Você.

Curiosidades: Segundo informações o grupo nem chegou a trabalhar muito esse disco, já que encerrou suas atividades no final de 1995. O vocalista Vino Santana já foi interprete nas escolas de samba Rosas de Ouro e Renascença da Lapa. No partido A Lua e o Samba (Cuca e Paquera), os compositores fizeram uma ponta participando também dos vocais. Uma pena que nesse trabalho os músicos Luiz Augusto e Antonio Pastor não foram aproveitados na gravação em estúdio. Em algumas músicas 
dá até pra reconhecer a voz forte da cantora Mônica Salmaso que fez parte do coral em estúdio.










domingo, 3 de novembro de 2019

Eita que venha o volume 17 das regravações


Opa como é que tá rapaziada! vamos para o volume 17 das regravações de sambas e pagodes!!!
E já começa com um sambão Dia de Festa na voz de Zeca Pagodinho e na voz do compositor da música, Efson que nos deixou em 2014 aos 69 anos.

Depois a gente chega com a pancada Sem Retroceder, também na voz do compositor Carica e da cantora Yara Rocha.

Mar de carinhos passou nas rádios na voz de Reinaldo, mas a marrom, Alcione fez sua bela versão.

A música Meteorologia tem duas versões com os grupos, Luance e Lance da Lua, que na verdade são o mesmo grupo, mas aquele velho problema de domínio e donos de nome... 

Deusa ou Menina na versão original com o Katinguelê e com o compositor da música, Salgadinho ex vocalista, que fez também sua interpretação no seu álbum solo.

O pagode dolente, Meu Jeito já era bem bonita na versão do grupo campineiro Tom Maior, mas o Sensação na voz de Klebão fez um bom trabalho revivendo-a.

A Dona do Meu Amor, você escuta com o grupo Ponto de Encontro e com o Àgua na Boca.

Novamente o grupo Tom Maior aparece com Aborrecida, na versão do grupo Solfejo. A belíssima Supra Sumo do Amor nas vozes de Pique Novo e Klariô ambos do Rio de Janeiro.

Fervor e Sussuros saiu com o grupo Toke Divinal e teve saiu como Amor pra Valer no trabalho de Martinho da Vila. Marcas da Paixão em versões com o grupo Alô Som do sobrinho da Alcione e com o experiente grupo Art Final.

A linda Solidão de Um Poeta de Mauro Diniz teve uma  interpretação bem comovente com Chrigor e também com Reinaldo. ambos arranjos são muito bonitos.

E pra encerrar bem iluminado: Candeeiro de Vovó em quatro versões, Dona Ivone, Zeca Pagodinho, Toque de Prima e Adriana Calcanhoto.


















sexta-feira, 1 de novembro de 2019

Regravações volume 16 !

Mais um número da nossa coletânea de regravações de pagodes e sambas, dessa vez ...quer dizer mais uma vez coisas interessantes.  Começamos com Meu Recado de composição do mestre Arlindo  Cruz, gravado pelo Katinguelê e até título do segundo LP da rapaziada da zona Sul de São Paulo, mas da zona Norte o grupo Casa Nossa também regravou-a e com desenvoltura (mesmo eu preferindo a crueza/simplicidade da primeira versão). 

Mas outras coisas também pela frente, já que os anos 90 foram sensacionais para o pagode e suas centenas de grupos pelo Brasil, acho que nunca tanta música em português brasileiro ficaram nas paradas quanto esse período.

 Temos duas versões da música Imagem do Ponto de encontro, uma famosa do LP coletânea que os lançaram em 1992, outra mais obscura, pois era uma tentativa de retomada do grupo com outra formação em CD mas não vingou.

Paramos aqui na letra Q...com Quero Colo do compositor Luiz Claudio Picolé muito linda e com o grupo RG Samba de São Paulo bem antes, grupo que era muito respeitado na noite paulistana por suas apresentações ao vivo. E Quem Dera...duas versões bem bacanas, um sucesso estrondoso nos pagodes.

Pra Desabafar eu conhecia só na voz do Reinaldo sucessão nas rodas de samba, mas o grupo Da Cor do Pagode na década de 90 havia gravado.


Coração de Malandro na voz de duas figuras brilhantes da música brasileira, Martinho da Vila e Jair Rodrigues, enquanto um calmo e malemolente o outro alegre extravagantemente.

Lindo Sonho do grande Mario Sérgio em quatro versões, gravado com propriedade pelo Fundo de Quintal, o Grupo Zoa Samba não zoou não!, fez certinho e cantou lindamente sua versão, Marquinhos do Grupo Sensação não decepcionou e interpretou bem ao lado de Sombrinha e Arlindo Cruz. Já a versão do Grupo Samba de Grife achei que ficou muito pra frente, mas enfim é questão de gosto.

O clássico de Luiz Carlos da Vila/Moacyr Luz; Benza Deus por Luiz Carlos da Vila e também na voz do carioca Marcelinho Moreira.

A dolente Papel de Pão que eu nunca havia imaginado ouvir em outra voz que não fosse Jorge Aragão, mas pois é, Carlão Elegante gravou antes, em 1979! uma interpretação com pegada dos anos dourados do rádio e suas serestas da década de 60.

Imaginação é uma das faixas de destaque (porque esse trabalho é muito coeso), de um dos melhores CD de pagode da década de 90, Soweto - Refém do Coração 1997, aqui interpretada pelos próprios com Belo numa fase espetacular e também pelo Grupo Disfarce dos anos 2000, mais uma espécie de homenagem, e bem feita.

Grande Almir Guineto, interpretando a escrachada Mordomia mas eis que a surpresa ao ouvi-la na voz do futebolista Serginho Chulapa que lançou um LP de samba em 1983.

Falamos a pouco do Soweto, que lançou em 1999 outra pedrada, que consolidava de uma vez o grupo no mundo do pagode antes da saída de Belo. Aqui temos o grupo interpretando Momentos e uma versão bem bonita com a cantora Helena Rangel.

E pra finalizar mais duas cantoras, interpretando Momentos de Candura, Solange ex grupo Fora de Série e a estrela Eliana de Lima.

Clique na capinha pra fazer o download.








domingo, 5 de maio de 2019

Regravações numero 15 !

Quinze é um número em que boa parte das garotas gostam de celebrar, a tal festa de 15 Anos, que é muito bonita por sinal. Eu já passei por isso pois sou pai de uma menina linda, mas enfim vamos ter a nossa festa de 15 também aqui. Mas é a décima quinta coletânea só de regravações!

Tem muita coisa legal, coisas que a gente encontra sem querer e coisas que a gente esbarra nas audições diversas.

Uma delas por exemplo Coral de Anjos do Grupo Sensação que saiu no trabalho do compositor da música. Dedé Paraíso. Outro exemplo é a gravação de Adilson Bispo para Amar é Bom do Fundo de Quintal.

A Seu Balancê (Toninho Geraes e Paulinho Resende) sucesso na voz de Zeca Pagodinho e agora na do compositor Toninho Geraes, diz que quando ele mostrou a musica para Zeca ele só disse, essa é a de trabalho, vamos procurar agora as outras.

Jorge Aragão e Roberto Ribeiro tiveram o bom gosto de ambos gravarem a ótima Resto de Esperança. 


Pingente de Bar que eu só conhecia na voz do Grupo Relíquia achei uma versão rara com Dom Marcos. E outro exemplo como o da Maria Rita que se rendeu ao samba e cantou Pra Declarar Minha Saudade assim como o Grupo Da Melhor Qualidade, ambas com alta qualidade lógico.

O Grupo Cultural Samba gravou Saudade no LP do Festival do bar So Pra Contrariar e tempos depois a colocaram em seu CD.

Deixa Fumaça entrar de Martinho da Vila na voz de um artista da nova geração Alexandre Nunes, arranjo bem feito e batucada de primeira.

A música Sensual e Ardente nas vozes de Pedrinho da Flor e Grupo Tempero, uma música que começa normal, mas tem um refrão pra cima poderoso.

Amar é Bom sucesso nas rodas de samba e radiofônico do grupo Fundo de Quintal, aqui cantado também por um dos autores, o saudoso Adalto Magalha que nos deixou em 2016.

Samba de Lili com Luiz Carlos da Vila e Só Preto.... aqui uma mea culpa, coloquei duas versões da mesma música! peço desculpas, as duas saíram cada qual num disco...

E um dos sambas com melodia e letra que mais adoro, E Fez-se a Luz, nas vozes de Fundo de Quintal e da doce Beth Carvalho.

O saudoso Ed e a Tripulação fez sucesso com o pagode A Hora é Essa e o Grupo Graça do Samba regravou-a, musica que eu sempre achei pop e bem feitinha.

Subtração uma musica composta por Sereno nas interpretações de Casa Nossa e Fundo de Quintal, aqui quando se achava que o arranjo do casa Nossa seria imbatível vem o Rildo Hora e Paulão 7 Cordas e me mandam uma coisa maravilhosa de tirar o fôlego.

Pra encerrar Voltar a Paz gravada por Fundo de Quintal, Grupo Exporta Samba e por fim Leandro Lehart tirando todo o sumo melódico e nuances harmônicos que são possíveis graças ao minimalismo arranjo de voz e violão.







sexta-feira, 15 de março de 2019

O negócio tá quente volume 14

Seguindo a tradição; o volume 14 saindo do forno, alguma coisa atual mas, sempre daquele jeito, regravação, versão. Abri mais uma exceção nessa, já que não costumo colocar nenhum artista fora do samba (lê-se MPB) e também as versões ao vivo procuro evitar, mas...Dessa vez a novidade foi a regravação de uma MPB por dois grupos. No caso falo de Bem Que Se Quis nas versões de Grupo Relíquia e Grupo Sedução.

Nessa coletânea por exemplo o Cleverson Luiz se auto regravou(?).... Homem Perfeito nas duas versões em que ele lançou. E o Martinho da Vila fez igual com Muita Luz em 1985 e 2016.

Céu de Pudor em três versões; uma da década  80 (Roberto Ribeiro) uma de 90 (Grupo Samba nas Coxas) e agora uma de 2018 (Pretinho da Serrinha).

A lindíssima Cada Dia é Mais Amor nas vozes de Reinaldo e Diogo Nogueira, com todo respeito ao Diogo mas o arranjo do Reinaldo esta monstro!

Zé Tambozeiro do Candeia regravada pelo Marquinhos de Oswaldo Cruz mas que foi um enorme sucesso com o Grupo Revelação.

E a música Linguagem do Morro em várias versões, cinco! cada qual com sua beleza e detalhe. Bom tem mais, baixe e escute pra curtir.









Depois de tanto tempo voltou hein! regravações 13

Chegando o volume 13 dos sambas e pagodes regravados e marca também a volta de uma pausa que fiz desde novembro de 2018! Muitas regravações e te conto um segredo (que não é segredo pra ninguém) a lista é imensa!!! e cada dia tem mais.

Vou listar alguns destaques aqui desse volume 13 (ô sorte!), como a regravação da música Pura Emoção, gravada pelo Grupo Raça e depois regravada no trabalho solo de Paulinho Carvalho do cavaco que era do próprio Raça.

 E o partido Mulata Beleza do compositor Zé Roberto, que eu curtia nas rodas de samba e nem sabia de quem era, somente que era do Rio de Janeiro. Mas até que Arlindo Cruz gravou no seu ao vivo dividindo os vocais co Dudu Nobre, qual minha surpresa quando vi a "original" na voz do partideiro Denny de Lima (in memorian), mas o grupo Semente também fez sua versão.

A clássica Minta Meu Sonho nas vozes de dois dos maiores expoentes do samba, Zeca Pagodinho e Jorge Aragão. E JuninhoThybau, que é sobrinho do Zeca Pagodinho, regravou a reflexiva Se Eu for Falar de Tristeza, que aliás é de composição do seu pai (Beto Gago) com Zeca.

No encontro de gerações pode citar Ana Costa regravando As Coisas que Mamãe Me ensinou da Leci Brandão e o grupo Da Melhor Qualidade regravando a Gota de Esperança de Zeca Pagodinho, o Zeca esta presente nessa coletânea!

Acho bacana também quando o compositor regrava sua obra que fez sucesso, é o exemplo de Tempo de Aprender sucesso do Grupo Soweto e agora na voz do compositor Chiquinho dos Santos.

Prestem a atenção na S.O.S. interpretada pelo Grupo Tentasamba e também com Leandro Sapucahy, enfim tem mais outras coisas legais.

Clique abaixo e faça o download






quinta-feira, 6 de julho de 2017

Repost: Exaltações extras para o pagode desse grupo



Um disco para ser lembrado, além de ser bom tem que guardar um pouco de história e memória. E o disco Eterno Amanhecer do grupo Exaltasamba tem um pouco disso. O grupo foi formado em São Bernardo do Campo-SP em meados de 1986. E tocava em várias casas de São Paulo e ABC, tais como Casablanca, Auge Bar, Club House, Viva Brasil, Sambarylove, Contratempos Bar, Só Pra Contrariar, JB Sambar, Andanças Bar, Choppapo e outros. A primeira gravação foi em 1991 na coletânea do Choppapo com a música Deixa Como Está (Juninho/Niltão /Dal). 

Em 1992 lançou seu primeiro trabalho solo  pela gravadora Ritmo Quente/Kaskata´s. Já começa por aí, a Kaskata´s também esta inserida no movimento do “pagode noventista”  e da musica black em São Paulo. E para a época, tudo era descoberta, com os arranjos feitos na raça, no talento e na inspiração. Pessoas simples das periferias compondo, tocando e fazendo suas músicas. E o melhor , criando sem querer um movimento e tendo apoio do público. Mas poucos tem a consciência que foi grande a quantidade de pessoas carentes , principalmente jovens, que tiveram seu primeiro contato com a música através do gênero. Já que nas escolas públicas não há ensino musical. Conheço muito músico bom que começou no pagode ou que pelo menos fez parte por um tempo das bandas de apoio. Só para citar: Bocão, Laércio da Costa, Walmir Borges e Edu Peixe. 

Depois o apoio veio um pouco a contragosto da mídia televisiva e escrita, responsáveis indiretamente pelo rótulo pagode ainda nos anos 80. O país vivia a euforia do plano Real, as gravadoras grandes viram uma mina de ouro e as rádios deram o aval. Até revistas como a Ginga Brasil e Cavaco tinham boas vendagens onde eram publicados matérias sobre os artistas dessa vertente e os acordes das músicas. 

Mas a prova de que o pagode foi algo espontâneo é que, até hoje, há reflexos musicais e uma certa resistência com a formação de novos grupos. O movimento teve seu início na metade dos anos oitenta e a década de noventa como uma espécie de era de ouro. Virou mania e teve seu momento de saturação/transição com a famosa peneira natural, onde ficaram aqueles que realmente tocavam bem ou tinham um bom público. Até mesmo nas rodas de samba se notou a evolução. O que antes era feito com somente com uma caixa acústica, com cavaco e voz, em um certo auge foi feito com violão , cavaco, instrumentos de percussão "microfonados", mesa de inúmeros canais, várias caixas acústicas e outras aparelhagens. Alguns grupos colocavam, até em roda de samba, músicos tocando bateria, contra baixo e teclados, esses apetrechos todos ainda são usados mas somente em shows maiores e em palcos. Hoje uma boa roda de samba tem cavaco, banjo, violão e percussão, mas a herança dos microfones continua...

Voltemos a falar do LP que o blog dimiliduques faz a postagem. Um disco bem legal, gravado no estúdio Cameratti em São Paulo. Soa cru e ao mesmo tempo tem um certo lirismo. A começar pela música título, Eterno Amanhecer, belíssima composição de Péricles, passando pela Luz do Meu Pensar de Cleber Augusto/Djalma Falcão. Tem a bem conhecida Quero Sentir de Novo de Péricles/Juninho (esse último tocava banjo no grupo Katinguelê grupo que tem o irmão do Péricles , o Breno do violão). Por Um Amor Tão Lindo (Lula/Luiz Pintor/Jairo) é também bem romântica numa cadência bem lenta. Sem esquecer as faixas, Bem Súbito (Péricles) e Cartilha do Amor (Royce do Cavaco/Paulo Onça) essa com participação de Royce do Cavaco. Músicas que foram bem executadas nas rádios. Tem dois estilos que foram muito usados nos primeiros trabalhos dos grupos; eram os pout-pourris e os sambas-afoxé (esse último atualmente é raro ver alguém gravar). Chuva Danada/Canavial de Juninho/Salgadinho/Dal/Vicente/Carica é um exemplo de pout-porri e a faixa Angola Nagô (Lula/Luiz Pintor/Jairo) um samba-afoxé. Tem o partido alto Firma Teu Cavalo de Marquinhos Satã/Mario Sergio/Adilson Guedes, enfim, um bom disco.  

No cast de músicos  temos os arranjos de Maestro Jobam que também tocou violão de 6, Luizinho 7 Cordas e Breno no violão de 7 cordas, Brilhantina no cavaco, Mario Testoni Jr. nos teclados, Breno e Pericles no banjo, Fabio Canela no contrabaixo, Toca Martins bateria, Freddy no surdo, Theo na percussão geral, Brucutu nas congas, Mokita, Tortinho e Serginho no pandeiro e Pinha no repique. Note que os componentes do grupo também tinham qualidade e participavam das gravações em estúdio , aqui o coral foi feito pelo grupo Exaltasamba. O grupo nesse primeiro trabalho era formado por  Péricles (violão de 6/7 e vocal),Pinha (repique), Celo (tamborim e vocal), Brilhantina (cavaco), Tortinho (pandeiro e vocal), Theo (bateria) e Marquinhos (tantã e vocal). 

No segundo disco a formação mudou e saíram Tortinho e Celo e teve a entrada de Chrigor no vocal e Izaías no violão em 1994. Em 2001 Marquinhos saiu e em 2002 foi a vez de Chrigor e em 2006 Izaías também deixou o grupo. Thiaguinho assumiu os vocais em 2003 dando um novo pique ao grupo e fazendo-o chegar aos mais jovens. Em 2012 o grupo entrou em recesso e parou de tocar, mas seus componentes continuam envolvidos com o pagode. O Exaltasamba conta em sua discografia com 18 trabalhos e além desse Eterno Amanhecer eu sugiro que escutem Encanto (1994) e Luz do Desejo (1996) esses dois ótimos, mas também vale a pena escutar o Desliga e Vem (1997), Cartão Postal (1998), Mais Uma Vez (2000) e Bons Momentos (2001), da nova fase vale destacar o Ao vivo de 2002, Alegrando a Massa (2003) e Esquema Novo (2005). 

Exalte o pagode e clique na capa

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sábado, 22 de abril de 2017

Marcando um ponto de encontro no pagode

O grupo Ponto de Encontro teve seu embrião no Grupo Miscigenação formado em 1986 em São Paulo capital (foi em 1987 que mudaram de nome). E conforme a repercussão dos pagodes, eles desciam a serra para se apresentar em Santos no Bar Betos Magazine e também no interior. Segundo Valtinho Tato, um dos fundadores do grupo, o nome Ponto de Encontro foi escolhido no Bodegas Bar na Bela Vista onde era um “ponto de encontro” da rapaziada e assim ficou batizado.

Mas em sampa fincaram sua raiz, se apresentando nas casas de shows; Sambaraylove, Bodega´s Bar, Brasileirinho, Clube House, Canoa Quebrada, Botecão/Balancê, Só Pra Contrariar, Bar Avenida, JB Sambar e outros. Locais esses que ficaram para a história e no imaginário do povo do samba e pagode paulista.

Acompanhavam como banda de apoio muitos artistas de renome que vinham na terra da garoa fazer apresentações, tais como Jovelina Perola Negra, Pedrinho da Flor, Dona Ivone Lara, Reinaldo, Sombrinha, Jorge Aragão, Zeca Pagodinho e outros. Naquela época de vacas magras nem sempre os artistas do Rio de Janeiro conseguiam grana para pagar hotel, avião e outras despesas para uma banda inteira, então a melhor maneira era contratar e contar com o talento da rapaziada que já estava por aqui na noitada.

Um dos shows mais lotados que o grupo se apresentou foi no Palmeiras e tocaram no mesmo dia de ... Leandro e Leonardo. Mas fizeram outras apresentações marcantes como em 1989 na quadra da Rosas de Ouro com Biro do Cavaco e Almir Guineto, em 1990 na quadra da Mocidade Alegre com Jovelina e Zeca Pagodinho. Em 1990 no Bodegas Bar com Fundo de Quintal foi muito marcante, já que foi nesse dia que o Fundo batizou o grupo tornando-se padrinhos musicais oficiais. E até numa turnê por Cuba e Caribe o grupo se apresentou na década de 90.

A primeira chance de gravar surgiu em 1991 no LP do grupo Mistura Fina e seus convidados, aliás bem diferente um grupo lançar um disco e dar espaço chamando outros de convidados, nesse caso o cantor João Pedro e o Grupo Ponto de Encontro. A amizade entre eles e a influencia de Jorge Hamilton pesou nessa decisão. No LP a produção foi do Maestro Jobam e o Ponto de Encontro gravou as faixas Toque Divinal (Sereno/Adilson Victor) e Imagem (Marquinho PQD/Adilson Bispo/Chiquinho), essa última cantada lindamente por Valtinho e declamação do poema pelo integrante Benê, a música fez um tremendo sucesso.

Em 1994 o grupo lançou seu trabalho solo pela gravadora Five Star/Chic Show. Um disco muito bem feito com produção de Jorge Cardoso. Na lista de músicos temos muitos talentos, tais como: Mario Testone (teclados), Edmilson Capelupi (violão), Ocimar (baixo) Chiquinho dos Santos (cavaco), Leandro Lehart (banjo), Jorge Gomes (bateria), Gordinho (surdo), Benê (tantanzinho e pandeiro), Valtinho (repique e pandeiro), Marcos Alcides (percussão geral) e por fim Jairo, Neyla e Jorge Cardoso (coral).

O disco é maravilhoso, destaco as músicas Disfarce (Chiquinho dos Santos) – uma dolente de primeira qualidade, Mais Que Um Beijo (Chiquinho dos Santos) – que tem uma boa cadência e chama a atenção pelo início dissonante, Dona do Meu Amor (Leandro Lehart) – que tem um ritmo estilo na levada do agogô no refrão  e o partido alto Roda de Amigos (Chiquinho dos Santos/Claudinho de Oliveira).  Tem também a bela Limites (Chiquinho dos Santos/ Valtinho J) e a faixa Eu e Você (Jorge Cardoso/Lourenço) que tem a participação de Neyla (in memorian) que fazia backing vocal nos shows da Alcione.

Nas várias formações, o grupo teve a passagem de muitos bons músicos: Kiko (ainda no Miscigenação), depois como Ponto de Encontro efetivamente: Primeira formação: Pelé Problema no tantanzinho, Gilson pandeiro, Alemão violão, Ronaldo Luiz no cavaco, Silvinho do reco, Silvio Menudo do tantan e Valtinho repique. Segunda formação: Preá do Pandeiro, Alemão no banjo, Moreira do cavaco, Pelezinho no violão,  Benê no Tantan, Silvinho do reco e Valtinho no repique. Terceira formação; Feijão pandeiro, Alemão do banjo, Benê tantan, Leandro Lehart no violão, Moreirinha no cavaco e Valtinho no repique. Quarta formação; Feijão pandeiro, Alemão do banjo, Tikinho do violão, Chiquinho dos Santos cavaco, Benê tantan e Valtinho repique. Como banda de apoio já passaram na bateria Kinho, Ademir Batera e Rick Batera, nos teclados Serginho, Elias Jó e Claudinho, percussão geral; Gazu, João e Babu, sopros com Denis Christian, o contrabaixo de Lê e violões Pezinho.


O grupo acabou se desfazendo, ainda lançaram de forma independente em 2002 o CD  “Tudo Novo...Contrariando a Regra” que teve a produção de Pezinho mas com pouca repercussão. Da rapaziada, infelizmente Feijão faleceu com um tiro nas costas em 2008 e Moreirinha faleceu em 2016 de infarto, mas deixaram como herança um pagode bem feito e alegre, principalmente em suas memoráveis apresentações ao vivo no bar Sambarylove no bairro do Bixiga em São Paulo.



Ponto de encontro marcado, clique na capa









quarta-feira, 16 de novembro de 2016

O Rei que é Principe do Pagode

Ninguém é príncipe à toa e o que o diga Reinaldo o Príncipe do Pagode que já tem idade e nome de Rei e continua no principado. O carioca erradicado em São Paulo começou por aqui sua carreira com o lançamento do LP Retrato Cantado de Um  Amor em 1986!. Em 1990 foi indicado ao Prêmio Sharp de Música de melhor cantor, pelo álbum Coisa Sentimental que havia sido lançado um ano antes.

Seu nome completo é Reinaldo Gonçalves  Zacarias e cresceu no bairro de Cavalcante no Rio de Janeiro. É do bairro também a escola de samba que ele frequentava, a G.R.E.S. Em Cima da Hora. Formou então o Grupo  O Samba Nosso de Cada Dia e acompanhou sambistas importantes como Dona Ivone Lara, Roberto Ribeiro e João Nogueira. Reinaldo que trabalhava no Citibank, largou o emprego para vir pra São Paulo, pelos idos de 1982, e fazer sua carreira. E o que o trouxe foi a vontade de desbravar, já que o movimento Pagode (nos anos 80) no Rio estava com muitas e muitas figuras, já em São Paulo a coisa estava no começo. Bom pra ele que poderia trazer a experiência das rodas de samba que vivenciou e começar um movimento por aqui.

Mas o que chama atenção em Reinaldo é sua voz potente e afinada, que parece cantar sorrindo. Sem contar que seu carisma de ser uma pessoa do bem, gentil, também atrai as pessoas.

Na parte musical além de sempre estar  acompanhado de bons músicos, que fazem questão de tocar com ele, Reinaldo também esta sempre abrindo oportunidades para os mais jovens entrar em sua banda. E seu repertório é outro caso a parte, sempre com ótimas músicas e que parecem ser escolhidas a dedo para sua voz.  E o outro detalhe é que são canções de compositores diversos e não se rende ao banal, sempre apostando em belas canções e letras com certa poesia.

Um momento marcante de sua carreira foi o disco de ouro com Coisa Sentimental de 1989, mas outros êxitos foram os três volumes do Pagode Pra Valer. Esses vinham num formato ao vivo, mas com arranjos e dando ênfase aos instrumentos mais percussivos e harmonia do pagode (cavaco, banjo, violão e violão de 7). Nesses trabalhos dispensaram-se o uso de teclados, baixo e guitarra, por exemplo, instrumentos que sempre foram bem usados em suas produções de estúdio, foi uma volta a raiz literalmente.

O Blog dimiliduques coloca o primeiro trabalho de Reinaldo intitulado Retrato Cantado de Um Amor. Foi lançado em 1986 pela gravadora Continental com direção de produção de Mauro Diniz. Destaques para os sucessos Retrato Cantado de Um Amor (Adilson Bispo/Zé Roberto) e Ô Irene (Reinaldo/ Geovana). Mas tem também as faixas PT Saudações (Jorge Aragão/Paulinho Rezende), Teu Jeito - participação Djane (Arlindo Cruz/Sombrinha/Acyr Marques) e Gostar Como Eu Queria (Arlindo Cruz/Sombrinha). No estúdio teve participação dos músicos; Jorge Simas (Violão de sete cordas), Paulão (Violão), Mauro Diniz (Cavaco e banjo), Luca (Contrabaixo), Evaldo (Teclado), Gordinho (Surdo), Marcos Alcidesd, Claumir e Bira Hawai (Percussão Geral) Waltinho (Bateria), Fuxico (Congas), Felipe (Cuíca), Dinora, Leila, Telma, Tavares, Rixxa, Zelia, Elson, Nô e Bira Hawai (Coral).


Clique na capa Veja Bem nosso post é perfeito pois até nos defeitos sabemos nos superar








sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Repost: É bem maior que um tom é o Mé Maior

Em 1981 amigos e familiares comemoravam o aniversário de um sobrinho e formaram um grupo de samba para tocar nessa comemoração. E esse grupo acabou seguindo e se apresentando numa festinha ali, sendo convidado por outra ali... Até que foram tocar num bar na Avenida Paulista e o grupo ainda se chamava O Musical Paulista. Nesse mesmo bar além de diversos artistas estava o radialista Estevam Sangirardi (um dos precursores do humor no rádio).  Gostando da apresentação do grupo ele os convida a participar de seu programa de paródias “Show de Rádio” na Jovem Pan, onde o mote era o humor e o futebol. Sangirardi com seu jeito brincalhão acabou rebatizando o grupo de Mé Maior, fazendo um trocadilho com a nota musical. Em seu programa ele até anunciava: Para festas em geral, músicos que não dão despesas: já vem jantados!. Diz a lenda também que o nome saiu de um fato corriqueiro, uma noite os amigos estavam reunidos e o garçom servindo a cachaça num copo pequeno e um deles disse: o garçom! tem como trazer um Mé Maior?.  

Bom o importante era que o grupo estava formado e começou se apresentar em diversos locais na capital paulista. Tempos depois eles foram convidados por Benê Alves a participar no LP Pagode Pra Valer Vol. 1 da Bandeirantes (1985/Disco Ban) com a faixa Quero Ver Você Fazer. Com o sucesso, a gravação do primeiro trabalho solo era uma questão de tempo. E chegou em 1991 pela RGE com o LP Raízes do Futuro, álbum esse que consta um dos maiores êxitos do grupo que foi a música Janaína (Doce Presença) de composição do componente Lyra. O blog dimiliduques põe a disposição o LP Pra Você gravado em 1992 pela gravadora BTB. Foi um disco em que o grupo literalmente meteu a mão na massa. A produção foi de Ricardinho e Benê Alves com arranjos de Eduardo Neto e Lyra. 

Além dos componentes do grupo foram convidados como músicos adicionais, Edmilson e Benê Alves no violão, Eduardo Neto nos teclados, Ocimar no contrabaixo e Max na percussão. Nas composições além dos componentes do grupo, músicas de Benê Alves, Antonio Luiz, Gambier, Laércio e Wilson Miranda. O grupo era muito falado no meio do samba por ter uma qualidade musical afiada. Desse disco destaco as balançadas Momentos Lindos (Antonio Luiz/Gambieira)  e Menina Linda (Benê Alves) que tocou muito nas rádios e saiu até em coletânea da Band Brasil. Mas tem outras belas músicas como Chama (Tinho), Elisa (Lyra), Meu Ser (Ricardo Nill) e a regravação de Pra Você (Jerry Fuller versão de Wilson Miranda) que foi sucesso na voz do Trio Esperança. Também gosto muito de Toque Mágico (Lyra) com uma batucada de primeira e coral afinado e pra finalizar se o Fundo de Quintal tem a musica Amizade o Mé Maior tem Amigo (Tinho) que versa sobre o mesmo tema e é muito bacana.

Os componentes do grupo moravam a maioria na região da Vila Santa Catarina na Zona Sul de São Paulo. Na época do disco Pra Você a formação contava com; Ricardinho (vocal, cavaco e teclados), Tinho ( vocal/violão de 7 cordas),Lyra (vocal, guitarra e banjo), Betinho (percussão e bateria), Carlão (vocal e surdo), João (vocal e repique), Miro (vocal e tamborim), Jorge (vocal e reco) e Serginho (vocal e contrabaixo). O grupo tem uma base familiar, forte e unida, das poucas mudanças de formação que teve, entre saídas e entradas podemos citar João Grandão, Tim, Tatu e Jimmy ( cavaco e vocal).

O grupo conta com lançamentos em coletâneas como Pagode Pra Valer vol. 1 (1987/Disco Ban). E teve também destaque em um dos LPs da série de coletâneas da Band FM referente ao programa Band Brasil apresentado por Gleydes Xavier e Benê Alves. Aliás o Tema do programa era do grupo Mé Maior no LP Band Brasil 2 (1990/RGE). A discografia é: Raízes do Futuro (1991/RGE), Pra Você (1992/BTB), Corpo e Alma (1994/Nenê Records), Louco Por Você  (1995/Alpha) e Mé Maior Sucessos (2011/GP Musical). 

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quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Grupo Arpejo onde o berço do samba foi, literalmente, na maternidade

O Grupo Arpejo foi formado em 1996 em São Paulo e tinha componentes de bairros distintos, como por exemplo, Vila Nhocuné, zona Leste, Vila Clementino, Vila Mariana, Jardim Campanário e Jabaquara na zona Sul.  Mas o nascimento mesmo foi na Vila Clementino, tudo começou na Maternidade Amparo Maternal onde o vocalista Abraão Paiva trabalhava. Um amigo, Reginaldo Silva de Paula, o Viola, sabendo que ele gostava de compor inscreveu sua música, Querubim, no Festival dos Bancários. Nesse mesmo festival ele conheceu o Alexandre Paião do cavaco e para representar a música ao vivo teriam que ter um grupo. Então rapidamente Abraão chamou Wado do pandeiro, Paião chamou o Laércio do banjo que por sua vez trouxe o Mola para tocar tantan e o Carlinhos para o rebolo, estava formado o time. Mas e o nome? Num bate papo surgiu Arpejo, pois procuravam um nome que associasse o grupo com a música e com o samba. A palavra arpejo significa uma técnica musical, um acorde em que sua nota é tocada sucessivamente repetidas vezes.

Folder do CD coletânea Paulicéia Musical
Numa reunião de amigos quase que na pressa, de repente nasceu uma vontade de levar mais a sério o trabalho. Foi quando o grupo começou a ensaiar com bastante afinco e dedicação para tocar nas casas de samba e participar de vários festivais de pagode na cidade de São Paulo. Um dos primeiros festivais em que o Arpejo teve êxito, foi o já citado dos bancários, isso foi em 1996, era uma coletânea onde vários estilos musicais participaram como: rock, MPB e samba. No júri tinha músicos como Adilson Godoy e Zimbo Trio e na noite de encerramento a banda Titãs tocou. O grupo  Arpejo, como único representante do samba,  conseguiu o primeiro lugar em arranjo e quarto lugar geral como melhor música. A gravação do samba intitulado Querubim (Abraão Paiva) teve o registro ao vivo para a coletânea do CD 1ª Paulicéia Musical e chegou a tocar na Band FM no programa do Benê Alves.



Capa do Festival da 105 FM
Outro festival, muito especial, foi feito pela rádio 105 FM, chamado de “1º Festival de Sambas e Pagodes da 105,1 FM É Só Alegria”, o forte da sua programação era o rap mas aos poucos o samba/pagode se tornou um dos segmentos da emissora. Foi considerado um dos maiores festivais do gênero e teve a inscrição de mais de 3000 grupos. As eliminatórias desse festival foram feitas no palco da escola de samba Rosas de Ouro, onde cada grupo apresentava duas músicas, uma aleatória como abertura e uma outra inédita.   Como jurados do festival estavam Eliana de Lima, Almir Guineto e outros artistas do meio do samba. O Grupo Arpejo ficou em primeiro lugar com a música Eu e Você (Abraão Paiva/Alexandre Paião). Eles foram até o estúdio Artemix gravar, onde o arranjador do trabalho era o grande maestro Adilson Victor, com participação de músicos como por exemplo Paulinho Bonfim na bateria e Lobão Ramos nos teclados.  O CD foi lançado pelo selo Butiquim no ano de 1997. Sucesso instantâneo e carro chefe da coletânea, a faixa abriu muitas portas para o grupo, que viajou e fez muitos shows , muitas conexões 105. Não só em São Paulo, mas também interior do estado, como em Sorocaba, onde tinham muitos fãs. Até hoje a música deles é cantada nas rodas de samba de São Paulo e até do país.





Acima o grupo na TV Gazeta 



Tempos depois (1998) tiveram uma proposta para lançar um CD solo, pela gravadora Sony Music que era dona do selo Butiquim. Porém dois anos se passaram e não entraram num acordo comum então a rapaziada teve que correr atrás para tentar  gravar e lançar o trabalho de forma independente. Mesmo em meio a essa decepção ainda tiveram a ajuda enorme do locutor da Gazeta FM,  Marcelo Luiz, que levou algumas vezes o grupo para se apresentar no programa de TV chamado Ligação, onde foi um sucesso.

Então resolveram em 2000, já com repertório escolhido, chamar o músico Ronaldo Gama para efetivar o trabalho e fazer os arranjos. Bom frisar que Ronaldo Gama foi de suma importância para o grupo, pois ajudou não só profissionalmente, mas com sua amizade. Ele colaborou e muito com seu conhecimento musical e conseguiu captar o estilo e a essência musical das composições do Arpejo. Para a gravação foi escolhido o estúdio M.S. (Moving Sound) da família Benes que fez a parte técnica; Dezinho, Fabio Benes, Flavio Benes e Nelson Benes. Os músicos foram aqueles que já eram mais conhecidos e próximos do pessoal do grupo Arpejo, tocando na noite e dos bastidores da música. Tinha o Stenio (cavaco), B.A. (bateria), Michel Fujiwara (violão/cavaco), Ronaldo Gama (baixo),   Mauro Boim (trompete), Mauricio Boim (trombone), Amintas (sax),Victor Ferraz (sax), Marquinhos (trombone),  Marquinho Percussa (tantan e pandeiro), Láercio (banjo),Vitor Alves (bateria), Ed Wath (teclados), Dorca, Jorge Canti, Gerusa e grupo Arpejo (coral). As dificuldades em encontrar um selo para fazer o trabalho burocrático de distribuição acabaram atrapalhando os planos do Grupo Arpejo, o que talvez desmotivou e acabou obrigando o grupo a parar as atividades em 2002. Nessa época a formação do grupo era Laércio vocal/banjo, Alexandre Paião vocal/cavaco, Abraão Paiva vocal/complementos, Carlinhos do rebolo, Wado Du Pand vocal/pandeiro/percussão, Vinícius Mola no tantan, Carlinhos vocal/repique/rebolo, Jorginho bateria e Elizeu no violão.

O blog dimiliduques em parceria com a comunidade no facebook, Planeta do Samba (Juninho Ferracini)  conseguiu contato com um dos ex-integrantes do Arpejo, Laércio, que relembrou  muitos fatos importantes. Através desse contato falamos também com Abraão Paiva, atualmente Brão Paiva,  que foi primordial nas informações desse texto.  Juninho do Planeta do Samba tinha o arquivo contendo o áudio do CD do grupo o qual não saiu oficialmente (iria sair com o título de Sonorização), que disponibilizamos aqui. Sobre as fotos da capa, não teve uma foto oficial, o projeto era colocar instrumentos musicais,  “a nossa imagem era realmente tocar um bom samba, então nossa capa era a música” nos contou Laércio.

Analisando o trabalho solo, não é tão comercial, esse não foi o apelo, é um disco em boa parte romântico com boas melodias e boas letras. Até um pouco dessemelhante se comparado aos fáceis refrãos, bem comuns nos pagodes dos anos 90, é um disco que contém uma poesia. Além disso eles tiveram a expertise de deixar um espaço para bons partidos para equilibrar o clima. No geral esta bem produzido, bem tocado, com um bom corpo no instrumental na maioria das faixas, principalmente a harmonia dos teclados e contrabaixo. Entre as faixas tem uma nova versão do sucesso Eu e Você, com um sax dando um clima legal e o Abraão arrebentando no vocal, aliás muito bom cantor, timbre diferente e afinado. 

Os destaques na minha opinião são a primeira faixa Como é Bom , o partido Gandaia, na música Eu Queria tem dissonantes melódicos e boa letra. Já a letra de Dragões (Abraão Paiva) é bem diferente das composições de que estamos acostumados no pagode, uso de símbolos distintos como trânsito e navios. Querubim é outra faixa que mesmo com uma melodia não casual tinha potencial para tocar na rádio. E no encerramento a música, Sonorização, até o título já é meio diferente, tem uma pegada legal. Vale a pena reviver esse grupo que marcou seu nome no terreno do pagode paulista e na música.

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