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quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Um quinteto de primeira

O Quinteto em Branco e Preto quando surgiu para a mídia viraram logo os mais queridos do samba. O grupo foi formado em 1997 por jovens músicos que se conheceram no bar Boca da Noite, na boêmia área do Bixiga, em São Paulo. No início começaram a ser chamados de Quinteto Café com Leite.  Integravam o grupo os irmãos Yvison (percussão), Everson (violão) e Vitor Pessoa (surdo) , de São Mateus, Zona Leste de São Paulo e Magnu Sousá (pandeiro) e Maurílio de Oliveira (cavaquinho), de Santo Amaro, Zona Sul. São bons, muito bons, daqueles tipos de artista que você tem orgulho de dizer que tem o CD deles em casa. E realmente era isso, o Quinteto dava orgulho ao samba/sambista.

Ouso até dizer que muitos pagodeiros depois se tornaram “de raiz” quando escutaram-nos.  Definições a parte, o próprio Sousá afirmou certa vez que o até o grupo Negritude fez samba de raiz, quando eles cantavam a Cohab, estavam cantando a raiz deles também. O certo é que o Quinteto tinha o feeling musical para um samba todo próprio, digo o verbo no passado, pois o grupo se desfez recentemente.

Outra coisa admirável era que o Quinteto musicalmente era tradicional, mas o discurso era consciente de eles tinham essa maneira de compor e cantar, mas escutaram dentre outras coisas na favela, os samba rocks, a nostalgia e não só o samba carioca.  Maurilio e Magno formaram a dupla Prettos, Yvison gravou um solo, Everson e Vitor estão envolvidos em outros projetos ligados a musica e ao samba.

O blog dimiliduques coloca a disposição o primeiro CD da rapaziada, Riqueza do Brasil lançado em 2000, pela gravado CPC-UMES. Com direção musical e arramnjso de cordas e sopros do mestre Luizinho Sete Cordas, que também tocou seu violão de 7 no disco. E participações luxuosas nos vocais de Almir Guineto, Beth Carvalho e Wilson das Neves. No estúdio além do próprio Quinteto, participaram músicos criados nas rodas de samba das periferias e músicos já tarimbados como; Mauro Diniz no cavaco, Da Lua na percussão e efeitos, Chocolate na cuíca, Sandoval cavaquinho em bandolim, Totty no trombone, Andrezinho Amorim no cavaquinho, Toco no banjo, Pratinha na flauta, JG no clarinete, Barba no surdo, Odair Menezes ganzá e reco-reco, Gerson Martins no repique, Flavinho ganzá e outros.

As letras, maioria composições dos próprios integrantes, contém um retrato do cotidiano humano e crítica social com costuras de lirismo popular. O disco musicalmente é muito acima da média, calcado na simplicidade, porém quem escuta já entende que ali é coisa lapidada no talento. No samba Fetiche Real (Magnu Sousá, Maurilio de Oliveira, Everson Manoel e Edvaldo Galdino) eles cantam: “Não há país de Cardoso em que Fernando não Henrique” música que ainda é atual. Em Nova Psicologia (Magno Sousá) um solo de cavaco dá a entrada de um dos melhores partidos que já ouvi, sobre  burocracia e outras “ias” do Brasil. Outro que destaco é a romântica Sempre Acesa (Sombra e Luiz Carlos da Vila), também com um lindo solo e participação certeira da madrinha Beth Carvalho. O disco tem dois pot-pourris: o primeiro com composições de Ataulfo Alves, Wilson Batista, Bide, Marçal, Geraldo Pereira, Noel Rosa, Paulo da Portela e Heitor dos Prazeres, e o outro só com composições de integrantes da Velha-Guarda da Camisa Verde e Branca, tradicional escola de samba de São Paulo. Vou encerrar por aqui, porque é uma Riqueza do Brasil que descobri na época e até hoje escuto e não canso. 

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quarta-feira, 16 de novembro de 2016

O Rei que é Principe do Pagode

Ninguém é príncipe à toa e o que o diga Reinaldo o Príncipe do Pagode que já tem idade e nome de Rei e continua no principado. O carioca erradicado em São Paulo começou por aqui sua carreira com o lançamento do LP Retrato Cantado de Um  Amor em 1986!. Em 1990 foi indicado ao Prêmio Sharp de Música de melhor cantor, pelo álbum Coisa Sentimental que havia sido lançado um ano antes.

Seu nome completo é Reinaldo Gonçalves  Zacarias e cresceu no bairro de Cavalcante no Rio de Janeiro. É do bairro também a escola de samba que ele frequentava, a G.R.E.S. Em Cima da Hora. Formou então o Grupo  O Samba Nosso de Cada Dia e acompanhou sambistas importantes como Dona Ivone Lara, Roberto Ribeiro e João Nogueira. Reinaldo que trabalhava no Citibank, largou o emprego para vir pra São Paulo, pelos idos de 1982, e fazer sua carreira. E o que o trouxe foi a vontade de desbravar, já que o movimento Pagode (nos anos 80) no Rio estava com muitas e muitas figuras, já em São Paulo a coisa estava no começo. Bom pra ele que poderia trazer a experiência das rodas de samba que vivenciou e começar um movimento por aqui.

Mas o que chama atenção em Reinaldo é sua voz potente e afinada, que parece cantar sorrindo. Sem contar que seu carisma de ser uma pessoa do bem, gentil, também atrai as pessoas.

Na parte musical além de sempre estar  acompanhado de bons músicos, que fazem questão de tocar com ele, Reinaldo também esta sempre abrindo oportunidades para os mais jovens entrar em sua banda. E seu repertório é outro caso a parte, sempre com ótimas músicas e que parecem ser escolhidas a dedo para sua voz.  E o outro detalhe é que são canções de compositores diversos e não se rende ao banal, sempre apostando em belas canções e letras com certa poesia.

Um momento marcante de sua carreira foi o disco de ouro com Coisa Sentimental de 1989, mas outros êxitos foram os três volumes do Pagode Pra Valer. Esses vinham num formato ao vivo, mas com arranjos e dando ênfase aos instrumentos mais percussivos e harmonia do pagode (cavaco, banjo, violão e violão de 7). Nesses trabalhos dispensaram-se o uso de teclados, baixo e guitarra, por exemplo, instrumentos que sempre foram bem usados em suas produções de estúdio, foi uma volta a raiz literalmente.

O Blog dimiliduques coloca o primeiro trabalho de Reinaldo intitulado Retrato Cantado de Um Amor. Foi lançado em 1986 pela gravadora Continental com direção de produção de Mauro Diniz. Destaques para os sucessos Retrato Cantado de Um Amor (Adilson Bispo/Zé Roberto) e Ô Irene (Reinaldo/ Geovana). Mas tem também as faixas PT Saudações (Jorge Aragão/Paulinho Rezende), Teu Jeito - participação Djane (Arlindo Cruz/Sombrinha/Acyr Marques) e Gostar Como Eu Queria (Arlindo Cruz/Sombrinha). No estúdio teve participação dos músicos; Jorge Simas (Violão de sete cordas), Paulão (Violão), Mauro Diniz (Cavaco e banjo), Luca (Contrabaixo), Evaldo (Teclado), Gordinho (Surdo), Marcos Alcidesd, Claumir e Bira Hawai (Percussão Geral) Waltinho (Bateria), Fuxico (Congas), Felipe (Cuíca), Dinora, Leila, Telma, Tavares, Rixxa, Zelia, Elson, Nô e Bira Hawai (Coral).


Clique na capa Veja Bem nosso post é perfeito pois até nos defeitos sabemos nos superar








sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Repost: É bem maior que um tom é o Mé Maior

Em 1981 amigos e familiares comemoravam o aniversário de um sobrinho e formaram um grupo de samba para tocar nessa comemoração. E esse grupo acabou seguindo e se apresentando numa festinha ali, sendo convidado por outra ali... Até que foram tocar num bar na Avenida Paulista e o grupo ainda se chamava O Musical Paulista. Nesse mesmo bar além de diversos artistas estava o radialista Estevam Sangirardi (um dos precursores do humor no rádio).  Gostando da apresentação do grupo ele os convida a participar de seu programa de paródias “Show de Rádio” na Jovem Pan, onde o mote era o humor e o futebol. Sangirardi com seu jeito brincalhão acabou rebatizando o grupo de Mé Maior, fazendo um trocadilho com a nota musical. Em seu programa ele até anunciava: Para festas em geral, músicos que não dão despesas: já vem jantados!. Diz a lenda também que o nome saiu de um fato corriqueiro, uma noite os amigos estavam reunidos e o garçom servindo a cachaça num copo pequeno e um deles disse: o garçom! tem como trazer um Mé Maior?.  

Bom o importante era que o grupo estava formado e começou se apresentar em diversos locais na capital paulista. Tempos depois eles foram convidados por Benê Alves a participar no LP Pagode Pra Valer Vol. 1 da Bandeirantes (1985/Disco Ban) com a faixa Quero Ver Você Fazer. Com o sucesso, a gravação do primeiro trabalho solo era uma questão de tempo. E chegou em 1991 pela RGE com o LP Raízes do Futuro, álbum esse que consta um dos maiores êxitos do grupo que foi a música Janaína (Doce Presença) de composição do componente Lyra. O blog dimiliduques põe a disposição o LP Pra Você gravado em 1992 pela gravadora BTB. Foi um disco em que o grupo literalmente meteu a mão na massa. A produção foi de Ricardinho e Benê Alves com arranjos de Eduardo Neto e Lyra. 

Além dos componentes do grupo foram convidados como músicos adicionais, Edmilson e Benê Alves no violão, Eduardo Neto nos teclados, Ocimar no contrabaixo e Max na percussão. Nas composições além dos componentes do grupo, músicas de Benê Alves, Antonio Luiz, Gambier, Laércio e Wilson Miranda. O grupo era muito falado no meio do samba por ter uma qualidade musical afiada. Desse disco destaco as balançadas Momentos Lindos (Antonio Luiz/Gambieira)  e Menina Linda (Benê Alves) que tocou muito nas rádios e saiu até em coletânea da Band Brasil. Mas tem outras belas músicas como Chama (Tinho), Elisa (Lyra), Meu Ser (Ricardo Nill) e a regravação de Pra Você (Jerry Fuller versão de Wilson Miranda) que foi sucesso na voz do Trio Esperança. Também gosto muito de Toque Mágico (Lyra) com uma batucada de primeira e coral afinado e pra finalizar se o Fundo de Quintal tem a musica Amizade o Mé Maior tem Amigo (Tinho) que versa sobre o mesmo tema e é muito bacana.

Os componentes do grupo moravam a maioria na região da Vila Santa Catarina na Zona Sul de São Paulo. Na época do disco Pra Você a formação contava com; Ricardinho (vocal, cavaco e teclados), Tinho ( vocal/violão de 7 cordas),Lyra (vocal, guitarra e banjo), Betinho (percussão e bateria), Carlão (vocal e surdo), João (vocal e repique), Miro (vocal e tamborim), Jorge (vocal e reco) e Serginho (vocal e contrabaixo). O grupo tem uma base familiar, forte e unida, das poucas mudanças de formação que teve, entre saídas e entradas podemos citar João Grandão, Tim, Tatu e Jimmy ( cavaco e vocal).

O grupo conta com lançamentos em coletâneas como Pagode Pra Valer vol. 1 (1987/Disco Ban). E teve também destaque em um dos LPs da série de coletâneas da Band FM referente ao programa Band Brasil apresentado por Gleydes Xavier e Benê Alves. Aliás o Tema do programa era do grupo Mé Maior no LP Band Brasil 2 (1990/RGE). A discografia é: Raízes do Futuro (1991/RGE), Pra Você (1992/BTB), Corpo e Alma (1994/Nenê Records), Louco Por Você  (1995/Alpha) e Mé Maior Sucessos (2011/GP Musical). 

Clique no link e beba um litro de mé maior!







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quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Os Melhores do Ano de 1998

Dialogar é bom, trocar ideias, trocar informações...e não é que por uma mensagem de uma frequentadora aqui do blog, a Juliana, me lembrei de um detalhe importante sobre o CD Os Melhores do Ano! Explico, porque realmente há uma certa confusão. Mas vamos botando os pingos nos “is”. Realmente o CD que postamos é o primeiro volume da série Melhores do Ano e não constava na capa se era 1997 ou 1998, teoricamente teria que ser 1997, já que a festa foi nesse ano. Porém o CD dessa primeira festa só foi sair nas lojas no inicio do ano de 1998, por isso muita gente pensa em se tratar de "Os Melhores do Ano" do ano corrente. 

Até aí tudo bem, acostumou-se a chama-lo de Melhores do Ano de 1998, só que a festa relativa ao ano de 1998 aconteceu mais ou menos em setembro e também gravou-se um CD ao vivo. A gravadora agora mais esperta (a mesma Indie Records só que com distribuição da Universal Music),correu para a prensagem, já que o volume 1 foi um sucesso estrondoso, resolveu lançar esse em dezembro com o nome de Melhores do Ano volume II, também não citando “1998” como ano referência (o que aconteceu a partir do volume III que tem o nome na capa como Os Melhores do Ano 1999). Tempos depois foram lançados esses dois primeiros volumes - 97/98 num mesmo CD.   Bom eu não fui nessa festa, uma pena, mas os nomes de peso estavam lá novamente e agora a produção já estava mais esperta resolvendo pontuais problemas. Essa série durou oito edições, entre Cds e DVDs ao vivo. Então é isso, o blog dimiliduques agradece a Juliana pelo toque e deixa o CD para download também. 

Dúvidas sanadas sem pelé e sem problema clique na capa







quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Melhores de 1997 ao vivo de verdade

Os Melhores do Ano de 1997, lá estava eu na Marginal Tietê, na famosa ADPM em São Paulo espremido entre milhares de pagantes (entre  2500 a 3000 pessoas). Curtindo a festa junto com meus amigos Ari Bazão, Agnaldo da 11, Nego Jorge e Lane. Estava tão lotado, mas tão lotado que dependendo onde você estava, para chegar ao banheiro você levava uns 15 minutos. Comprar uma cerveja ou refrigerante era outra tarefa árdua. A maioria esmagadora do publico era feminino, e as meninas estavam bem afoitas, tanto que elas mexiam, levei umas passadas de mão e quando olhava elas ficavam rindo.  Mas enfim mesmo com esses detalhes a festa foi boa, a qualidade do som era uma das que chamava mais atenção, muito bom. 

Os artistas realmente deram seu melhor, gravaram Ao Vivo de verdade, segundo informações não houve nesse primeiro, nenhuma correção no estúdio, a não ser o volume dos gritos do público. Pelé Problema o organizador era quem fazia a apresentação dos artistas que ganhavam um troféu, uma mistura de Oscar com troféu imprensa, aos melhores daquele ano de 97.  Não sei quais eram os critérios, mas provavelmente se baseavam nas paradas do rádio. Quando eu cheguei ao evento ainda estava vazio e o grupo Os Travessos se apresentava para esse pequeno público formado uma maioria pelos fã clubes, isso era umas 10:30 da noite. 

Um dos melhores shows daquela noite que me lembro foi o do grupo Soweto que cantou Negra Ângela com o Neguinho da Beija Flor. Nessa parte o microfone do Neguinho da Beija Flor falhou bem na hora que ele entrou, para dar boa noite, erro concertado rapidamente pela produção.  Meu amigo Ari Bazão passou mal quando o Soweto se apresentava e quase desmaiou, depois ficamos enchendo o saco dele dizendo que ele desmaiou por causa do Belo. Os artistas não faziam um  show completo, nem daria pela quantidade de convidados, mas alguns levaram umas três a cinco músicas para animar a galera. O Exaltasamba foi outro que tocou muito bem, junto com Reinaldo. Um detalhe que infelizmente não lembro com certeza é a respeito da banda que acompanhou os artistas. É que na hora nem me atentei a esse fato, tive a impressão que cada um levou a sua banda, mesmo com a dificuldade de montagem e equalização rápida. 

 Hoje talvez seria impensável pensar nesse formato, já que é mais fácil contratar um arranjador e músicos para fazer essa parte musical, ensaiar e na hora os artistas fazerem o combinado. Mas sentia certo clima de correria no palco de uma apresentação para outra, tanto que uma das apresentações mais confusas foi da Leci Brandão, Almir Guineto e Jovelina Pérola Negra. Com o Guineto suando e com uma toalha em mãos gesticulando nitidamente irritado em ter que voltar a gravação e mandando a percussão  do grupo Sampagode subir o ritmo. Mas são coisas normais em qualquer show, tanto que a gravação deles, mesmo tendo que repetir uma vez, ficou bem legal depois de arrumarem alguns detalhes lá na hora, repare o som do baixo do Pedrinho Sem Braço, coisa linda.  

O CD saiu em 1998 pela Indie Records com o título Os Melhores do Ano e foi distribuido pela Eldorado. O trabalho ficou muito além do esperado, muitos artistas se superaram e muitos estavam no seu auge, tais como grupo Sem Compromisso, Katinguelê, Exaltasamba, Sensação...enfim todos os participantes. E reunir nomes de peso como Zeca, Aragão, Almir, Leci, Beth, Alcione, Fundo de Quintal num mesmo show ao vivo? é tarefa pra poucos hoje em dia, nem sei voltará a ter um time assim numa mesma noite. Para encerrar lembro do Fundo de Quintal cantando Parabéns Pra Você só nas vozes e o público no compasso das palmas. Isso já era umas seis da manhã e parte do público já havia ido embora e outros dormiam nos cantos ou estavam exaustos sentados no chão. Essa imagem não sai da minha cabeça, enquanto eu ia deixando o local para ir ao fusca do Lane, para irmos embora extasiados.


Clique na capa sem problema







segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Forró com pagode, forrogode.




Quando se fala de forrógode pode ser que tudo não passou de uma moda passageira, mas na verdade tem muito mais por trás. A confluência entre os ritmos passa por suas origens europeias e africanas e desagua no Brasil, numa música do povo. No livro Partido Alto de Nei Lopes, li que essa influência do forró no samba veio com os migrantes nordestinos para os morros e favelas do Rio de Janeiro. Numa época em que a população ainda se formava em aglomerações populacionais, por volta da década de 40. Anteriormente já havia muitos nordestinos que vieram na explosão demográfica na década de 20 quando o Rio de Janeiro era capital do Brasil,e por aqui fixaram residência. 


Um dos locais mais frequentados era a área central e dos portos na cidade do Rio de Janeiro, onde negros , nordestinos, marinheiros, estivadores conviviam. E a música muitas vezes refletia essa mistura, imagino a cena onde um vizinho, um amigo nordestino com sua sanfona e um sambista com seu pandeiro ou tamborim versavam e faziam música de improviso. No que se diz respeito aos versos de improviso, importante notar que na cultura nordestina tinha além do forró, xote, xaxado, lundu, baião, os ritmos coco e embolada que eram fortemente calcados em versos criados na hora. 


Um dos grandes da música nordestina, Luiz Gonzaga tinha alguns laços no morro de São Carlos no Rio, seu filho Gonzaguinha foi criado lá. Outros artistas na década de 50 deram continuidade a veia nordestina foram Dominguinhos que tempos depois participou de discos de muitos sambistas. E Jackson do Pandeiro, que só de carregar pandeiro no nome artístico os sambistas ficaram de olho, e volta e meia Jackson é lembrado em regravações e citações em letras de sambas. 


A mistura se dá na métrica, na divisão rítmica , nos temas das letras e principalmente na incorporação dos instrumentos como a sanfona, o triângulo e zabumba  misturados com surdo, tamborim, cavaco, já o pandeiro é um instrumento comum aos dois ritmos.


O termo forrogode é recente, da década de 80 e um dos primeiros a usar o nome e a gravar um trabalho mais voltado ao estilo que misturava samba e forró foi o cantor carioca Elson do Forrogode em 1987 com o lançamento do LP intitulado Forrogode. O próprio diz que a palavra forrogode foi sua criação e a ideia surgiu em suas andanças pelo Brasil e pelo fato de gostar muito dos dois ritmos. Mas podemos também considerar o coco uma das primeiras manifestações que tinham como influencia o samba e o forró, o próprio Bezerra da Silva antes de ser sambista, gravou os seus dois primeiros discos; o Rei do Coco I e II. O certo é que nos anos 80 muitos sambistas/pagodeiros em seus trabalhos solos colocavam um forró com pegada de pagode. Mas antes já tinha sambista fazendo essa mistura, é o caso de Tião Motorista em 1977 com a música Beira Rio e Clara Nunes gravou de Sivuca o forró Feira de Mangaio em 1978. O dimiliduques faz uma..uma não! duas! coletâneas de algumas dessas músicas, para ilustrar um pouco mais a conversa. 

Clique nas capas e Muito forró e muito samba...para todos...for all!


https://www.mediafire.com/view/b92kmz88293zr2k/Volume%201%20Forrogode.rar

Abaixo as musicas do volume 1



https://www.mediafire.com/view/y05q654crrp44o5/Volume%202%20Forrogode.rar

 Abaixo as musicas do volume 2

 

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Repost: Com o grupo Aparrô de Campinas o samba esparramou-se mais



O Grupo Aparrô foi formado no final dos anos 80 na cidade de Campinas-SP. Na época de ouro do pagode fizeram muitos shows na região e também em São Paulo. E junto com os grupos Tom Maior, Clave de Ases e Partido Alto formaram uma base sólida do samba campineiro. O ambiente propício fez com que o espaço fosse aberto em muitos locais e rolavam um pagode por exemplo na Billy Burger, Flor de Liz, Yes Brazil, Sambalá, Quiosque Taquaral, Neon e outros. 

O blog dimiliduques vai falar um pouco sobre o primeiro (e raro) disco do grupo Aparrô intitulado Suave que saiu em 1993 pela gravadora Colors Discos. Conta com as participações  de Mauro Diniz na dolente Sonho de Brincar (Adilson Gavião-J.Leão-R.Guimarães) e de Zeca Pagodinho no pesadíssimo pout porri de partido alto Pega o Lenço (Alcides Malandro Histórico)/ A Maré (Caetano)/ Nega Meu Consolo (Caetano)/ Quem Te Vê Assim, Risonha (Paulo da Portela)/ Chegou a Hora de Caminhar (Chico Santana).  Outros destaques para as faixas Inspiração do Poeta (Niva) , Estrela da Noite (J.Aragão-C.Colla),  Suave (Niva-Paulinho de Jesus) e Cacique em Poesia (Mauro Diniz-Gilberto de Andrade) essa última uma singela homenagem ao Fundo de Quintal. Os arranjos foram de Mauro Diniz. Os músicos participantes: Teclados: Lobão Ramos, Violão de 6: Mauro Diniz, Violão de 7: Jorge Simas, Contra-Baixo: Bororó Felipe, Cavaco: Vicente Felisberto, Banjo: Mauro Diniz, Bateria: Jorge Gomes, Pandeiro: Macalé, Tamborins: Marcelinho, Felipe D'Angola e Macalé, Cuíca e Xique-Xique: Felipe D'Angola.

O grupo Aparrô tinha um samba mais calcado no estilo carioca e de raiz, mas o estilo também sofria influências do swing e balanço. Nas musicas mais de raiz da pra se ouvir a utilização  do violão de sete cordas e repique de anel entre os instrumentos. O grupo ainda lançou o LP “Chic” pela gravadora Five Star/Chic Show em 1995.

Beto Carioca um dos fundadores do grupo Aparrô por muito tempo foi a referência no pagode da cidade em eventos até hoje comentados, como por exemplo os carnavais de Campinas, projeto “Resgatando o Samba”, o baile do Clube Semanal da Cultura Artística. Sem esquecer as festas no ginásio do Guarani e do Sacode Campinas que durante um bom tempo trouxe vários artistas renomados para o grande público.


Clique na capa e cubra-se suavemente


http://www.4shared.com/zip/_CTDgz1Nba/Aparr_-_1993_-_Album_Suave.html?



terça-feira, 2 de agosto de 2016

Repost: Prato musical do dia: Macarrão do Banjo

O chamado pagode paulista invadiu as ondas dos rádios e as rodas de samba do Brasil em meados dos anos 90. Não é novidade que muitos grupos surgiram e quando a onda arrefeceu muitos também ficaram em alto mar à deriva. Mas teve a sua importância nas vidas das pessoas e movimentou o mercado musical (shows, discos, músicos, compositores, arranjadores, instrumentos, estúdios etc...). Hoje olhando pelo retrovisor um sem número de grupos e cantores passaram por essa vertente. Muita gente boa  surgiu, iniciou-se nas rodas de pagode, formou-se musico e depois seguiu seu caminho até para outros gêneros musicais.

 Tiveram seu espaço, gravaram suas composições e alguns até fizeram o seu o pé de meia. Porém para um músico de verdade não importa muito o dinheiro e sim em primeiro lugar a sua música. Alguns acusam os grupos de pagode (rótulo esse criado pela imprensa) de oportunistas. Outros de um movimento circunstancial. Mas de uma coisa ninguém pode discordar, teve a sua identidade. O romantismo piegas muitas vezes era a palavra chave e marca registrada dos pagodes, era amor rimando com flor... Comparando, mas tirando as devidas proporções e importância,  Cartola também falou de amor. 

O blog dimiliduques sempre irá postar alguns desses LPs e CDs de pagode e hoje é o dia do álbum Lição de Amor de Macarrão do Banjo. Gravado em 1989 saiu pelo selo Choppapo. Para quem não conhece o Choppapo era um bar/salão em São Bernardo do Campo onde era um dos pontos altos nos pagodes no ABC paulista. Lá passou gente de grupos como Katinguelê e Pé de Moleque. Uma curiosidade é que o disco foi relançado tempos depois já com o nome de Israel do Carmo.

O disco teve arranjos de Rick Batera e Prateado com participação de músicos como Belôba no tantan e complementos de ritmo, Marcelinho no repique de mão e tantan,   Royce no cavaco, Edmilson violão de 7, Celso violão de 6, Luizinho e Paulinho no cavaco e banjo, François no trombone, Prateado no baixo e complementos de ritmo, Clovão teclados, Rick na batera e complementos de ritmo, Tinho no surdo, Paulinho Pires pandeiro, coral: Cecilia, Claudia, Mônica, Marcelo, Vilma , Fatima, Pinha, Tiziu, Teo,  Xavier, Beiço, Bi do Pandeiro, Deolindo, Luizinho, Vagner Cabeça e Paulinho Pires . Várias composições do próprio Macarrão e nomes como Carica, Prateado, Almir Guineto e outros. Os arranjos, mesmo simples, dão um charme especial as músicas e é bem a cara do início dos anos 90, com solos de teclados em algumas introduções e a formação básica de pandeiro, repique, surdo, tantan ,bateria,  baixo, cavaco, banjo e violão de 6 e 7 cordas.  Destaque para as músicas Frutos da Tamarindeira (Vaguinho/Preto Jóia/Ronaldo), Paira no Ar (Alexandre), Maldade Inocente (Macarrão/Prateado) e Sambeiro (miguel/Ademir). Macarrão do Banjo depois mudou o nome artístico para Israel do Carmo gravando uma faixa na coletânea da Choppapo e trabalhos solos pelas gravadoras RGE, JWC, Sony Music e Premyer.

Clique no link da capa e paire no ar