quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

(Re)quebrando tudo na coletânea de Break Music



O Break como dança começou no final dos anos 70, principalmente na cidade de New York nos EUA.  Datam de 1978 as primeiras Crews (turmas) de dançarinos (mais conhecidos como B. Boys e B. Girls).  Ele também é um dos quatro elementos que formam o Hip-Hop juntamente com o Graffiti, DJ e MC.   

A dança no início servia como protesto, pois na época acontecia a guerra do Vietnã e teatralmente imitava a maneira dos soldados cambaleando. É até irônico, mas causa reflexão imaginar um moinho de vento como símbolo de um helicóptero, um passo que imita um soldado sem a perna depois de pisar numa mina ou um requebro que pode ser lido como um soldado sendo cravado de balas. Depois o break pegou elementos do cinema e tecnologia, como por exemplo imitação de robôs e androides. O Afrika Bambaata para amenizar as guerras de gangues por disputas de território contribuiu ao fazer uma batalha (Block Parties) de dança ao invés de tiroteio e com isso a violência foi atenuada nos guetos americanos. 

No Brasil o primeiro dos quatro elementos a se destacar por aqui foi o breakdance. Por influência principalmente do filme Beat Street de 1984 do diretor Sidney Portier, que falava do break como um estilo de vida e trazia no elenco representantes da crew New York Breakers. Outros filmes e outras crews também fizeram parte da cena como Rock Steady Crew, os Dynamic Rockers e os filmes Flashdance e Breakin.


O break acabou virando moda por aqui e era frequente as apresentações de grupos de dançarinos nos programas do Bolinha, Show de Calouros, Perdidos na Noite, Viva a Noite e até no programa do Bozo. Nessa época um grupo musical fez sucesso com a breakmusic, o Black Juniors e a música Mas Que Linda Estás.


Os apreciadores do Hip-Hop no Brasil primeiramente começaram em São Paulo na metade dos anos 80. Um dos locais considerados como a Meca do movimento é o Largo São Bento, localizado próximo ao metrô no centro da cidade. Ali surgiu o primeiro embrião do que se tornaria rappers e b.boys. Um dos frequentadores mais conhecidos é Nelson Triunfo que foi um dos pioneiros do projeto da Casa de Hip-Hop em Diadema, mas pela São Bento já passaram Thaíde, Racionais MC´s, MC Jack e muitos outros. O blog dimiliduques fez uma coletânea com algumas músicas internacionais de break dos anos 80, prestem atenção nas instrumentais abusando dos recursos eletrônicos da época.

No moinho de vento ou no robozinho clique na capa e dance!


https://www.mediafire.com/?uxo8xdtuy0p82er
                                     

                                 Set List

 

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Gamação e sua emoção de amar

O Grupo Gamação foi formado em 1990 na Zona Norte de São Paulo, nos bairros da Casa Verde e Peruche. No começo a galera tocava mais no bairro, começaram a ter uma legião de fãs e admiradores. Como primeiro desafio, participaram do Festival Interestadual de Pagode da escola de samba Camisa Verde e Branco. Ficaram em segundo lugar com o swing Te Amo Princesa (que foi gravado depois pelo grupo Negritude Jr.). Com isso as portas foram se abrindo para palcos mais conceituados no pagode paulista como Sambarylove, Mania da Gente, Bierplatz, Mistura Brasileira e outros. A rapaziada era bem entrosada musicalmente e tinha os proeminentes Ademir Fogaça (cavaquinhista e compositor ) e o ótimo timbre do vocalista Alexandre Alê (falecido em 2004 vítima da violência).

O primeiro LP saiu em 1993 com o título de Emoção de Amar pela gravadora Zimbabwe. Os arranjos foram de Prateado e Maestro Jobam que fizeram um disco muito bem feito, swingado e romântico. Podemos destacar os sucessos Grão Sabor (Ademir Fogaça/Leandro Lehart) , Emoção de Amar (Dodo/Marcelino)  e Percepção (Fogaça/Lehart). Mas outras faixas eram muito boas como Tá na Cara (Prateado/Luizinho) que esta mais para uma MPB do que pagode, o swing Louco Para Amar (Dhema), a bela melodia/letra de Romance Mais Bonito (Carica/Prateado) e o samba Coisas do Passado (Cleber Augusto) que depois o grupo Fundo de Quintal regravou no CD Batucada dos Nossos Tantãs.  Enfim foi sucesso nas rádios e o grupo ganhou o seu espaço na mídia, principalmente no segmento do pagode. Na época a formação era Ademir Fogaça (vocal e cavaco), Rogerinho (repique), Chinês (tantanzinho), Alê (vocal e violão), Emerson (baixo e vocal), Reginaldo (reco), Wagner (tantan) e Claudinho (pandeiro).

Depois disso o grupo teve um problema interno que culminou com uma disputa de marcas e patentes. O nome Gamação  havia ficado com os integrantes Wagner e Reginaldo que saíram do grupo. O que restou do grupo mudou por um tempo o nome para Grupo Emoção , chegando a gravar em 1995 o obscuro CD intitulado Shopping, que saiu pela própria Zimbabwe Records. Tempos depois esse entrevero se desfez e conseguiram o nome novamente, já que tinham caído na graça do povo com o primeiro LP. O grupo teve algumas modificações na formação (a mais expressiva foi a entrada do vocalista Waguinho em 2001) e ainda se reúne esporadicamente para apresentações. Mas um dos principais integrantes, Ademir Fogaça, já acenou para uma carreira solo. Eles ainda gravaram mais quatro álbuns: Gamação (Universal/1997), Bilhetes Amorosos (Universal/1999), Vai Nessa (Abril Music/2001) e Gamação ao Vivo (RE/2004).


Clique na capa no Link cedido pelo amigo Robson Sá da comunidade Bandeira do Samba





terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Num passado não tão distante, o futurismo do rap brasileiro

O grupo SP Funk foi formado em 1992, no começo os caras faziam um som com banda e o VJ Primo Preto fazia parte do grupo. Depois em 1993 veio a nova formação com o DJ Q.A.P. , Tio Fresh (que era DJ e integrante do MRN), Maionese e Bomba. Falando em bomba o primeiro Cd dos caras é o que podemos chamar de explosão sonora, embaçado!  Rimas e levadas diferentes das que estavam rolando e um estilo bem inspirado no underground rap norte americano como Def Squad, Wu Tang Clan e EPMD.  Eles batizaram o estilo como canibal,  depois foi conhecido como bate cabeça e rap futurista.  Os caras são um dos representantes da banca Academia Brasileira de Rimas de freestyle. Também caminharam lado a lado com Sabotage, Thaíde, Max B.O., RZO, Záfrica Brasil, Potencial 3, SNJ , Kamal, Doctors Mc’s, Org. Xiita, Jazz Crew e outros.


A primeira gravação do grupo foi em 1997 com Fúria de Titãs que saiu na coletânea Rima Forte do selo Brava Gente/Trama pelo DJ Hum. A estreia em um trabalho solo do grupo foi em 2001 com CD O Lado B do Hip Hop, também no selo Brava Gente pela gravadora Trama (era para sair na gravadora Velas mas...). Na produção além de Bomba teve também as mãos do mestre DJ Hum.    E é esse trampo que blog dimiliduques traz para vocês. 

O estilo já começa pela foto da capa, num prédio e um ar meio sombrio, o cenário e as cores esverdeadas lembraram o game Metal Gear, (caprichei na viagem). Aliás “Viaje” é uma das faixas que destaco, juntamente com Fúria de Titãs, Por Onde For, 4 Cavaleiros, Fora de Foco, Falsidade no Jogo, Cuidado e a ótima Enxame (essa última com participações de Sabotage e RZO). Nessa música tem a contraditória construção “é tipo formiga é o enxame é a zica” que deu um charme a mais e fiquei com a impressão da influência de Killer Bee do Wu Tang Clan.   

Nas letras choque de realidade, críticas a mídia e pitadas de humor com referências na cultura pop (Wando, Ultraman, Vira-lata, supercine, vitasay, alcatraz, olho de tandera, Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado, cascão, Mappin, Bob Marley, Zé Bonitinho, Charles Bronson, muralha da China, Adolfo Hitler, Sansão...). A base de Viaje é um loop da música Se Eu Pudesse Voltar no Tempo de Roberto Carlos.  Mas o álbum todo é da hora, com as levadas loucas e as bases inspiradas (ou vice e versa).  O segundo trampo Tá Pra Nóiz saiu em 2006 de maneira independente (Unimar Music/Bloco B Discos). 




segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

O pagode também teve sua "era dos festivais"



Os festivais de pagode e samba! quanta adrenalina! Amizades, casais de namorados, jurados, músicos, idealizadores, críticos, enfim... Como a década de 90 foi o auge do pagode e o número de grupos iniciantes era alto, esse filão dos festivais foi uma maneira de dar oportunidades a eles (e também de faturar uma grana para alguns). Muita história por aí, desde aqueles festivais pequenos até os de grande repercussão. A maioria dava direito a gravação de uma faixa num LP/CD coletânea e outros ofereciam troféus e prêmios em dinheiro. Sei de festivais que prometeram desde Perua Kombi a micro ônibus (veja bem, prometeram). Infelizmente alguns festivais tinham por trás pessoas oportunistas que arrecadavam o dinheiro da rapaziada e davam no pé.

Os grupos participantes eram meio que obrigados a vender uma cota de convites para cobrir "os custos técnicos" da festa. Então era hora da família, amigos, namoradas, enfim o bairro, se juntar para dar uma força aos garotos (a maioria na época eram grupos formados por garotos de 15 a 18 anos). Alugar os famosos “busões” e assim os convites eram vendidos rapidamente. Além da parte de inscrição, dinheiro, convites, o grupo ficava também responsável pela  parte de ensaiar o repertório, escolher a música inédita a ser apresentada no festival, os figurinos, horários e outros detalhes.   

Lembro de alguns festivais digamos de pequeno porte, como os do Recado's Bar, Auge Bar, Podium, Varandas Bar. E outros ótimos e respeitados festivais nesse época como os da choperia Só Pra Contrariar, JB Sambar, Sambarylove, Barracão de Zinco, Tio Sam Club. Além das casas de shows, a emissoras de rádio vez ou outra faziam seus festivais como os das emissoras105 FM , Tropical e Transcontinental FM. E também as escolas de samba tinham os seus festivais como os do Boutequim do Camisa Verde e Branco. Nesse formato, um dos primeiros festivais que tive contato e tinha o pagode como protagonista , foi o da Rádio Manchete  em junho de 1987, que lançou o grupo Chora Menino e Royce do Cavaco. 

Hoje o blog dimiliduques fala do festival do Choppapo, muito querido e respeitado na época. Idealização do Sr. Augusto que era o dono da choperia e casa de shows situada em São Bernardo do Campo-SP. Esse festival aconteceu entre 1990 / 1991 e foi a porta de entrada para vários artistas e grupos bons que despontaram no cenário nacional. Por exemplo Exaltasamba, Katinguelê, Pé de Moleque e Israel do Carmo. No caso de Eliana de Lima e Mauro Diniz participaram da coletânea como convidados. Do festival participaram ainda Juliana (ex-Toca do Coelho), Mãozinha, Carlão Maneiro, os grupos Geração, Samba de Mesa , Brisa da Manhã e Divinos do Samba.  

Foi uma festa de ótima repercussão e divulgação em São Paulo e ABC, ficaram famosos os pagodes da quinta-feira e de domingo do Choppapo. A organização levou a sério o lado musical da coisa. E chamaram para auxiliar na produção Moisés da Rocha e os arranjadores foram Mauro Diniz e o Maestro Jobam. No estúdio Transamérica no Rio de Janeiro participaram das gravações os músicos Lobão Ramos e Leandro Braga (teclados MX7 e Korg M1), Vicente (cavaco), Paulinho Bonfim (bateria), Felipe (surdo e congas), Macalé (pandeiro), Jorge Simas (violão de 6/7 cordas), Mauro Diniz (cavaco introdução e banjo), Adilson Victor (contra-baixo), Marcelinho (tantã/repique de mão) e Ronaldo Batera (repique de anel).

O festival conseguiu emplacar algumas musicas nas melhores rádios de São Paulo, por isso cresceu em importância. Outro detalhe era que possuía um selo próprio a Choppapo Discos e Fitas. Por exemplo, fizeram sucesso no rádio e nas rodas de pagode as faixas; Doce Sabor (Jady) - Grupo  Katinguelê, Carente de Paz (Rogerinho/Helder Celso)-Grupo Pé de Moleque, Deixa Como Está (Juninho/Niltão e Dal) -  Grupo Exaltasamba, Te Tudo (Faéti/Eldon) – Juliana, Nega Tetê (Mãozinha) – Mãozinha, Sonhei e Acordei (Cleo Galante) – Eliana de Lima com Mauro Diniz e Bons Momentos (Jorge Luiz) – Grupo Samba de Mesa.
Depois em 1994 o Choppapo lançou o volume 2 da coletânea onde novamente o Katinguelê entrou com uma música (Primavera e Nós Dois) e o Pixote ficou em segundo lugar ainda com o nome de Revelação do Samba, não gravaram porque receberam uma proposta melhor para duas faixas da gravadora Zimbabwe. Mas isso é história para outra postagem dimiliduques. 


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quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Grupo Sentimento de Posse, pagode e dos bons



A região da Pedreira, Santo Amaro, na Zona Sul  de São Paulo sempre foi fértil para grupos de pagode, nasceram lá por exemplo os Grupos: Katinguelê, Pixote, Puro Prazer, Tradsamba, Estatuto do Samba, Sempre Assim, Começo de Conversa, Chora Menino (esses dois últimos da região do Grajaú/Cidade Ademar)...  Mas muito mais pessoas formaram bons grupos, digamos que times de futebol de várzea e grupos de pagode,  toda rua, todo bairro tinha seu representante. No pagode vou citar alguns que eu vi tocar na região: Grupo Nascer do Sol, Eterna Aliança, Cultural Samba, Razão de Ser, Coisa de Pele, Meninos do Samba, Sonora, Samba Primazia, Malásia, Sambalanço Jr., Eterna Morada, Os Máscaras, Sorrindo Assim, Só Querer, Simplicidade do Samba, Dengo Moleque, Determinada Paixão, Eterno Amor, Mistura de Cor, Puro Desejo, Cultura Popular, Mandinga, Só Prazer, Vereda Tropical, Luz e Poesia, Poema de Lis, Tche Samba, Doce Poesia, Volta Por Cima, Força do Pagode e muitos outros que, infelizmente, agora me fogem da memória.

Mas hoje vamos falar de um ótimo grupo que agitou nos anos 90. O grupo Sentimento de Posse, foi um dos precursores e na sua importância influenciou toda uma geração de pagodeiros/sambistas na região. Foi fundado em 1990 e seu nome vem do título de uma música que fez muito sucesso na voz do grupo Pirraça. Tinha componentes da Vila Guacuri, Pq. Dorotéia, Jd. Sta Terezinha, Jd. São Jorge e outros bairros adjacentes. Só um detalhe,  impossível falar do grupo sem citar outro também talentoso, que era o Grupo Aquela Imagem, fundado em 1986. Os integrantes eram muito próximos e amigos (Lelo, Dudu, Jerry, Coloral, Miguel, Mauricio e Cirilo), alguns tocaram em ambas formações. O Aquela Imagem na década de 90, também gravou duas faixas em coletâneas, nos festivais do Barracão de Zinco e Só Pra Contrariar.

 A estreia em gravação do Sentimento de Posse foi em 1992 no 1º Festival  de Pagode do Só Pra Contrariar. A gravadora era a JWC e a música Louca Por Mim (Salgadinho/Dal/Juninho).  Em 1994 gravaram na coletânea Choppapo volume 2 a música Toda Minha Raiz (Jady).

Depois disso o grupo foi ocupando o espaço merecido e tocando  em várias casas de samba como Casa Blanca, Sambarylove , JB Sambar, Consulado da Cerveja, Patusco, Caipilona, Babilônia, Viva Brasil, Barbaréu, entre outras.

E perseguiram o sonho de gravar um solo. Depois de mudanças na formação, o que é natural em qualquer grupo, conseguiram arregimentar um repertório. E entraram em estúdio (Estúdio 43), para as gravações em meados de 1998 do álbum, que segundo Paulinho do Cavaco, se chamaria Tudo Azul de Novo. Nos arranjos tinham o apoio de Luiz Menino que tinha forte ligação com o grupo Negritude Jr. Os músicos participantes foram: Walmir Borges (contra-baixo  e violão), Caixote (teclado), Barba (surdo), Edu Peixe (batera), Lua (violão) entre outros. Composições dos componentes do grupo juntaram-se a nomes como Mito, Edu, André Renato, Sereno, Luiz Menino, Helder Celso e muito mais.  Tiveram ainda a participação especial de Péricles na música 100% Mais Você (Dodô Monteiro/Walmir Borges) e do cantor  Matogrosso (que fez dupla com Mathias) na regravação da belíssima De Igual Pra Igual (Roberta Miranda/Matogrosso). Mas como nem tudo é fácil no mundo do samba o disco acabou não saindo, e é uma pena, pois é muito bem produzido e tinha potencial comercial. 

O grupo teve em sua primeira formação Betão (repique), Paulinho (cavaco), Evandro (reco e voz), Alex (pandeiro), Curumin (in memorian – tantã), Alex do Banjo e Cói (rebolo). Mas fizeram parte também, Dudu (in memorian - pandeiro) , Carlão 6 Cordas (violão), Naio Denay (violão), Jerry (voz – tantanzinho), Juninho Futurinho (banjo e voz) entre outros. Essa pérola para não ficar restrita apenas aos amigos e admiradores do grupo , o blog dimiliduques recebeu o aval para colocar o trabalho gravado a disposição. Garanto que não vão se arrepender, um pagode romântico misturado com alto astral e alegria.

Clique na imagem abaixo para baixar


http://www.4shared.com/rar/wHRRvELK/Grupo_Sentimento_de_Posse_by_t.html


quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Potna Deuce, deu tilt na cabeça do rap americano



Fazia um tempinho já que não falava sobre rap e quando encontrei esse trampo na net não resisti. Vamos voltar um pouco a 1994, ano em que o estilo gangsta rap era o peso pesado em questão. O grupo Potna Deuce foi formado por volta de 1990 e é oriundo de Vallejo cidade da Califórnia – EUA.  Tinha como membros RTR- Rube The Rascal, DH Part, Chezqui e o mais promissor deles R-Beesh ou Baby Bash que também era membro do grupo Velvet Latino.

O grupo gravou uma fita demo em 1993 chamada Sit Back and Relax , na época era uma dupla com Young Rube e R.Beesh. Mas foi em 1994 com Welcome To Da Tilt que as coisas começaram a virar. E é esse disco que dimiliduques deixa pra vocês curtirem. Saiu pela gravadora Profile Records com produção de Johnny Z (John Zunino) que era integrante do grupo de chicano rap N2DEEP.

O disco é pesadão, gangsta de primeira, foram também um dos bons grupos no estilo que se chamou mob ou rap Bay Area. Com bases funk , linhas de baixo latejantes e abuso de teclados  (tal qual os rappers Too $hort e B-Legit). Aliás o disco mistura alguns raps lentos com outros de mais pegada, marca registrada daquele estado que também teve como representantes o E-40, Young Cellski, o coletivo Hieroglyphics, Spice 1, Mac Dre, Del Tha Funky Homosapien, Souls Of Mischief, Digital Underground e outros.

Do disco dá para se destacar várias faixas, como uma das mais famosas de refrão grudento e que teve um clip em preto e branco, chamada  Dat’s My Potna. A  faixa  título (Welcome To da Tilt) tem um ar estilo GTA (aliás o disco te leva para essa atmosfera noventista). Funky Benvehoir é boa, Can U Dig It? também, Cool Thang tem um sample familiar do grupo Champaign's da música I'm on Fire. E tem ainda a Poppa Gotta Bran New Freak que lembra as bases do House of Pain. Escute Feel Da Pressure com um dos vocais roucos e pegada que aqui em São Paulo chamávamos de "bate cabeça". E a faixa Fiasco que tem um sample de violão bem melódico e dá um efeito pop ao mesmo tempo dançante....enfim o disco é bala!

Dizem que esse primeiro trabalho foi uma tentativa de fazer um som regional misturado com rap West Coast e R&B para conquistar o país inteiro (e teve sua porção de fãs pelo mundo afora). A performance “rimática” dos manos nos microfones era polissílaba e interligada.  O grupo ainda lançou em 1996 o CD Heron Soup pela gravadora independente High Powered. Em 2005 pela Tight Entertainment  lançaram o Tha Uncut Heron Goop Soup , era o trampo de 96 com outra roupagem, adição de mais músicas e participações especiais como Spice 1, Coolio, B-Legit, Mac Dre, Lil Ric e Seal T. Apesar da participação de Baby Bash , nessa época o grupo era formado somente por  RTR- Rube The Rascal e DH Part. É isso, rap diferente, raiz do bate cabeça, escola underground e decente. 

Clique na capa e vai!

http://www45.zippyshare.com/v/27708873/file.html