quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Monsueto também é raiz

Monsueto, um nome bem peculiar, a primeira vez que ouvi falar desse artista foi num Lp que ele fez junto com o Zé Keti (1982 - Musica Popular Brasileira - Abril).  E ali eu escutei e gostei muito de Lamento da Lavadeira ,A Fonte Secou e Eu Quero Essa Mulher Assim Mesmo. O tempo passou e estou eu escutando algumas coisinhas e encontro esse CD coletânea Raízes do Samba com o Monsueto. Pesado o negócio, bem cru , bem simples, mas direto e reto. Então não é coisa para iniciantes, é para quem realmente gosta de samba, pesquisa samba e dá valor a historia do ritmo em si. 

As composições dele remetem aos morros, a um cenário de crianças correndo descalças, roupas no varal, chão de barro...pelo menos eu tive essas sensações...mas enfim é coisa pessoal. E apesar dos arranjos alegres onde a percussão é entremeada de metais, há espaço para uma certa tristeza nas letras. Outro ponto alto são as vozes femininas presentes nas faixas de maneira bem harmônica. Os arranjos me remetem, numa viagem infantil, as músicas da Disney quando sambou com o Zé Carioca (Alô Amigos - 1942).

Monsueto Campos de Menezes nasceu em 04 de novembro de 1924 no Rio de Janeiro. Era figura fácil em bailes e baterias de vários grupos como por exemplo na Orquestra Copinha do hotel Copacabana Palace.Como compositor seu primeiro sucesso foi a parceria com Airton Amorim, Me Deixa em Paz. Uma coisa interessante sobre suas músicas é que volta e meia eles são regravadas, temas de novela, de shows, homenagens etc... sinal de que contém poesia, simplicidade e melodia.

E Monsueto era um artista nato, além de compositor e músico, ele foi atuante também como ator, cantor e pintor. Na Bahia em 1973, durante as gravações do filme O Forte, passou mal e foi hospitalizado, vindo a falecer em 17 de março, vítima de câncer no fígado. 

A coletânea Raizes do Samba faz um resgate das faixas do único LP gravado por Monsueto (1962- Mora na Filosofia dos Sambas de Monsueto) e outras faixas pinçadas de discos de 78 rpm dos anos 50. Aqui se tem o melhor de suas composições, como Mora na Filosofia e Couro do Falecido, além das já citadas. 

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sábado, 17 de outubro de 2015

Dance o samba sônico

Sei muito pouco sobre a banda Sambasonics, só sei o que mais importa;  o som é bom e swingado. Outra coisa que eu sabia era que a linda e ótima vocalista Francine Missaka, a nipo-brasileira virou cantora na banda do Domingão do Faustão. Outras figuras que eram conhecidas para mim: o produtor e baixista Reinaldo Chulapa e o guitarrista e vocalista Marcelo Munhoz. Completam o time os percussionistas Bruninho Marques e Rubinho Lima , o batera Carneiro Sândalo, Felipe Maia teclados e Mauricio Mohamed sax. Entre as influencias citadas, temos Tri Mocotó, Originais do Samba, Jorge Ben, Copa 7, Ed Lincoln...

A banda começou em 2001 nas domingueiras do Grazie a Dio, um bar famosos na Vila Madalena, lá eles tocavam samba-rock, e misturavam groove, soul e samba. A receita deu certo que eles tocaram em outras casas, como o teatro Mars, Na Mata Café, City Hall, Diquinta, Sem Eira Nem Beira e outros mais.

O blog dimiliduques põe a disposição o primeiro trampo deles intitulado Sambasonics, lançado em 2003 pelo selo franco-brasileiro Unban Jungle Records com produção de Marcelo Munhoz, André Burgeouis e André Ferraz. Esse mesmo CD foi lançado em 2004 no Japão pela gravador Rambling Records.

Destaque para as faixas Negona, Passa Por Minha Cabeça, Babulina, Só que Deram Zero Pro Bedeu a dobradinha Falador Passa Mal/Buchicho, enfim todas as faixas eu considero de boas para ótimas.

Eles lançaram também outro trabalho solo, Jorge Ben Beats em 2005 pela Rambling Records e faixas em diversas coletâneas como Nu Brazil, Grazie Dio volume 1, Swing Brazil e Brazilectro 6.


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sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Elton Medeiros retrato da vida

 Elton Medeiros é carioca do bairro da Glória e nasceu no dia 22 de julho de 1930. Sua caminhada na música vem de ainda muito jovem, na rádio Roquette-Pinto e a Orquestra Juvenil de Estudantes. Depois nas noites das gafieiras, seu companheiro inseparável era um trombone. Foi um dos fundadores da ala de compositores da escola de samba Aprendizes de Lucas. Foi assíduo frequentador do famoso bar Zicartola, onde fez amizade e parcerias com muitos sambistas , entre eles Paulinho da Viola, Cartola, Zé Ketti, Ismael Silva e outros tantos. Dali surgiu o grupo A Voz do Morro e o espetáculo Rosa de Ouro.

Sabe um álbum que te pega por uma música? pois esse foi o caso de Elton Medeiros de 1980 da gravadora Eldorado que eu conheço como Retrato da Vida. Não que as outras músicas não fossem boas, não é isso, é simplesmente você escutar e adorar uma das faixas e colocar no repeat incansavelmente. A canção em questão é Retrato da Vida (Elton Medeiros) poesia e melodia numa parceria sem igual. Elton Medeiros é sambista da melhor estirpe, as vezes o confundia com o Nei Lopes , outra grande figura do samba, mas são diferentes em suas semelhanças. 

Desse disco destaco também as músicas Unha de Gato (Antonio Valente/Elton Medeiros), Meu Viver (Elton Medeiros/Jair do Cavaquinho e Kleber Santos), Lágrimas de Amor (Antonio Valente/Elton Medeiros) e Na Mesa de Botequim (Clovis Beznos/Elton Medeiros). Na roda de músicos participantes, temos Theo Santos violão de 7 cordas, Otavio Basso acordeom, Angelo Apollonio bandolim, Ditinho trombone, Xixa e Alexandre Paiva nos cavaquinhos , Marcos Farina violão e outros mais. 


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quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Zeca um dos poetas do samba


Bom da vida do Zeca Pagodinho não falar muito, ultimamente ele provou ser um ótimo Ser Humano (título de umas das suas músicas de 2015). Então vamos falar do disco do Jessé Gomes, esse carioca da gema e um dos maiores sambistas do Brasil. O disco em questão é o Um dos Poetas do Samba gravado pela RCA/BMG Ariola em 1992. Zeca numa das melhores fases vocais e inspiradíssimo. O repertório, os arranjos desse disco são, na minha opinião, de rara beleza no samba. A produção ficou a cargo do maestro Ivan Paulo. O disco é daqueles que beiram a perfeição, e olha que a fase artistica nem era tão boa assim para Zeca, pois as vendas tinham caído e sua relação com a gravadora na época estava abalada. 

Mas artista faz arte, não se importa com os percalços e faz seu trabalho com dignidade e talento. Daí que a música que deu título ao álbum, composição de Mario Sérgio/Capri e Wilson Moreira, é um pouco o resumo de sua vida, nelas são citadas as palavras poeta, marginal e a frase defensor de uma cultura popular...enfim um samba com voz , violão e caixinha de fósforo, bem mansinho que depois cresce maravilhosamente na segunda parte com um violão de sete marcando.

O repertorio do disco é excelente, a Feijão de Dona Neném (Zeca Pagodinho/Arlindo Cruz), foi feito num dia em os dois espertos foram convidados para bater uma laje na casa da avó de Mônica (esposa do Zeca). Como citado na música o local era na Favela do Rato Molhado em Inhaúma, mas antes Zeca e Arlindo passaram num boteco em Del Castilho e pensando no episódio da feijoada que iria rolar depois da laje, fizeram um samba. Chegaram no local depois que os trabalhos estavam terminados e a feijoada estava sendo servida. Dona Neném percebeu o golpe, mas como eles mostraram o samba que fizeram em sua homenagem eles foram perdoados e ainda comeram do feijão. 

Outra música que eu aprendi a gostar om o meu amigo Christin Laskinha, fã incondicional do Pagodinho e Fundo de Quintal, era Falsa Alegria (Zeca Pagodinho/Monarco/Alcino). Quantas vezes nas noitadas boêmias cantamos esse samba a plenos pulmões, a maioria das pessoas não conhecia, mas se amarravam na nossa empolgação. Outra bem legal era Fumo do Bom (Alamir/Clemar e Arino Ganga), o maconheiros de plantão curtiam. Outras mais que sempre que possível eu pedia um Fá e emendava sem se importar se o tom era aquele mesmo, era Vê se me Erra (Serginho Meriti/Otacilio da Mangueira/Carlos Senna) e Vai Com Deus (Casquinha). Tem outra nesse disco que virou até sinônimo de ricardão que é a Talarico, Ladrão de Mulher (Zeca Pagodinho/Serginho Procópio). 

Se repararem Zeca assina várias músicas nesse trabalho, coisa um pouco mais rara hoje em dia.Talvez por seu lado filantropo falar mais alto e dar espaço aos compositores, já que sua renda vem dos shows, para que ser mais egoísta e também compor e faturar nessa área, é minha visão. Seria falta de inspiração? ele citou em entrevista a Folha de S. Paulo (aqui) que é questão de tempo, correria de gravações, viagens, shows, imprensa, família ou seja muita coisa. Mas como digo por aí nas conversas sobre samba, Zeca é Zeca!

Clique na capa é Zeca!




quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Kiloucura foi tudo o que sonhou o pagode



Algumas coisas já foram faladas sobre o grupo Kiloucura, mas todo mundo do mundo do samba concordava com três fatos: os caras eram músicos feras, era uma panela e não ia durar muito tempo. Bom não deixou de ser verdade. 

O grupo foi formado em 1997 e tudo começou com o convite recebido pelo banjolinista e compositor Delcio Luiz, pela gravadora BMG Ariola para um trabalho solo. Ele havia acabado de sair do Grupo Raça e ao invés de enfrentar a empreita sozinho resolveu montar um dream team de pagodeiros. Os componentes já tinham uma boa bagagem de samba e eram conhecidos no meio. Eram eles: Prateado compositor, baixista e arranjador, Luiz Claudio Picolé cavaquinhista revelado no pagode da Tia Doca, Gerson Du Pand pandeirista e showman no instrumento e Bigode, músico percussionista que já havia trabalhado com Almir Guineto, Zeca Pagodinho e outros.

Em 1998 gravaram um CD, ou seja, com uma receita infalível em pleno auge do pagode 90, não deu outra, sucesso!. Para se ter uma ideia o disco saiu com 100 mil cópias vendidas, depois chegou a marca de 500 mil. Muitas músicas legais nesse trabalho, começando com Pela Vida Inteira (Charles André/Riquinho) que explodiu e foi tema da novela global Suave Veneno, assim como Meu Casamento (Delcio Luzi/Marquinho PQD) trilha da novela Louca Paixão na Record. Outros destaques são; Falando Sério (Delcio Luiz/Altay Veloso) e Mulher da Minha Vida (Delcio Luiz/André Renato). Mas as que realmente chamaram minha atenção pelo arranjo, melodia e letra foram Radiante (Picolé/Prateado), Dona da Minha Alegria (Luiz Claudio Picolé), Ontem , Hoje e Amanhã (Delcio Luiz/Picolé e Prateado) e Tudo que Sonhei (Delcio Luiz/Prateado).  Nesse trabalho a produção foi de Bira Hawai e os arranjos foram feitos por três cabeças, Evaldo Santos, Jota Moraes e Prateado. E no time de músicos, só feras, como Arlindo Cruz e Marcelo Lombardo nos banjos, Gordinho no surdo, Marcio Hulk e Mauro Diniz com seus cavacos e muitos outros, veja na ficha técnica mais abaixo.

Gravaram em 1999 o trabalho intitulado Diamante, uma das produções mais caras do pagode na época (experimente ler a ficha técnica com dezenas de instrumentos e músicos). No começo de 2000 Prateado saiu do grupo, seguido por Delcio Luiz, com a saída dos dois componentes chaves, Picolé ficou como líder natural, mas as gravações do Ao Vivo - Chega de Silêncio, pela EMI,  já estavam adiantadas por isso ainda saíram na capa os componentes da formação original que participaram efetivamente da gravação no palco. Em 2003 mais um "Kiloucura Ao Vivo” pela independente gravadora Futura,  esse com novos componentes misturados com alguns remanescentes como Bigode, Du Pand e Picolé. E o mais recente trabalho do grupo lançado em 2006 de maneira independente com título de Fé. Agora reformulado com integrantes novos (Max vocal e percussão) Petterson (vocal e violão) e Marcelo China (vocal e teclados) somados a experiência de Bigode o único remanescente fundador ainda no grupo. Só um adendo aqui, na última foto e noticia sobre o grupo o Bigode não estava mais e havia entrado outros componentes, na verdade a essência do grupo acabou faz tempo, ficando somente o nome fantasia para algum empresário ainda trabalhar algum resquício de sucesso.

Agradecimentos pelos encartes a Antonio Carlos do Amaral Cardoso da comunidade no facebook - Bandeira do Samba

Loucura é não clicar na capa












quinta-feira, 24 de setembro de 2015

A dignidade é Leci

Fazia tempo que queria falar sobre Leci Brandão, pagodeira nata e compositora de mão cheia. Tive a oportunidade de tocar no mesmo dia em que ela tocou, e nos bastidores se mostrou uma pessoa amável, mas firme, pois já estavam atrasando sua apresentação e ela já explicou a real para o contratante. Mas correu tudo dentro do normal e a banda (Sampagode) representando como sempre e a Leci cantando bem e dominando o palco e o público.

Leci Brandão da Silva nasceu em 1944 e fez aniversário agora em 12 de setembro. É do bairro de Madureira mas foi criada em Vila Isabel. Lembro-me de ter visto algumas cenas da novela Chica da Silva na extinta Rede Manchete onde ela atuou como atriz. Porém foi no samba e no pagode que a artista me chamou a atenção. Não vou me estender muito sobre sua vida e carreira, pois na internet tem bastante coisa a seu respeito (aqui).

O blog dimiliduques coloca a disposição o LP Dignidade, lançado em 1987 pela gravadora Copacabana. Nesse disco tem o clássico Fogueira de Uma Paixão (Acyr Marques/Arlindo Cruz e Luiz Carlos da Vila), tão festejado e cantado nas rodas de samba por aí, posso afirmar que essa é uma das mais belas composições melódicas e poéticas do samba. Mas traz também outro samba bom parceria dela com Reinaldo o príncipe do pagode, é a Me Perdoa Poeta, que foi feito em cima de uma frase atribuída ao poeta Vinícius de Morais, onde dizia que São Paulo era o túmulo do samba (aqui). Outra que também foi destaque no disco é a singela Eu Só Quero Te Namorar (Leci Brandão) e uma outra que destaco por ser muito bonita é a Nova Manhã (Leci Brandão).  O repertório é bem legal, com uma característica que era própria da artista, como músicas com temas políticos e outras com dialetos africanas. Um exemplo é a faixa Talento de Verdade (Alceu Maia/Leci Brandão), que poderia se encaixar no movimento feminista. No disco tem também uma faixa de forrógode, a Sanfoneiro Bom (Jorge Silva do Recife, Petrúcio Amorim e Ronaldo Café).   Teve a produção de Alceu Maia que também trabalhou nos arranjos de algumas faixas. Gravado nos estúdios Transamérica e como o arranjador principal o Maestro Ivan Paulo.  


Leci Brandão tem uma ligação bem forte com os paulistas, já foi até tema de samba enredo pela  Acadêmicos do Tatuapé. Hoje divide sua vida como Deputada Estadual (PC do B) por São Paulo e defende a inclusão do samba nas politicas culturais do estado e também trabalha contra o racismo. Até 2013 ela havia lançado quatro compactos e 22 LP/Cds, sendo dois desses também lançados em DVD, e um DVD do programa Ensaio junto com Cartola. 

clique na capa e baixe um som de dignidade, digo qualidade...





terça-feira, 22 de setembro de 2015

Regravações do samba e do pagode volume 11



Regravações volume onze, onze de cada lado, onze chances , onze olhares....tudo isso em 14 músicas e suas versões.  Muita coisa interessante nesse volume, por exemplo a regravação de samba de Ninar pelo grupo Samba de Rainha. As mulheres se fizeram presente também com a música Teimosia, em três versões femininas, com a cantora Solange e os grupos Fora de Série e Som Mulheres. E tem também músicas em que as duas versões ficaram muitos boas.  Fora de Ocasião com Alcione e Royce do Cavaco e Ponta de Dor com Jorge Aragão e grupo Só Preto. O filho de Roberto Ribeiro, Alex Ribeiro, mandou bem cantando o sucesso Todo Menino é um Rei. E uma rara, Me Faz Um Dengo com Martinho da Vila e grupo Sensação, na época só havia saído no CD do grupo, tinha muito disso pois o Compact Disc cabia mais faixas que um LP.Outra também que é pouca conhecida do grande público, mas quem foi do pagode ouvia-a muito nas rodas de samba da década de 90, Paira no Ar nas versões de Macarrão do Banjo (depois Israel do Carmo) e na mais recente roupagem de Sandro Ferraz.  E como sempre tem outras surpresinhas, basta baixar, escutar e tentar entrar no jogo. 

http://www.4shared.com/rar/aUNP7UXxba/Pagode_e_Samba_Regravaes_volum.html

                                          Clique abaixo para ver o repertório

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Nos tempos dos FUNÇÃO




Som modelo três em um
Lembro-me dos meus nove anos de idade e meu tio João Galo, mais conhecido como "função", rolava na vitrola (daquelas 3 em 1...) os vinis e as suas fitas cassetes com sequências de alguns Dj´s, entre eles: Chilão , Todynho, Gran Master Duda, Claudinho e outros menos conhecidos mas tão bons quanto. A maioria das fitas era de balanço (hoje rap): Kurtis Blow, Whodini, Kool Moe Dee, Mc Kooley C. Biz Markie , mas tinha algumas com rasteirinhas (samba-rock): Franco, Sônia Santos, Jorge Ben, Samba 6 e Bebeto, melodias (que são as românticas) e os floreados com Freddie Jackson, Ted Pendergrass, Barkays, Betty Wright, Zapp e funk (Funk com maiúscula mesmo!): Earth, Wind and Fire, James Brown, The Gap Band, Kool and the gang, KC and The Sunshine Band, etc. 


Eram famosos na época os bailes no Palmeiras, Xereta de Diadema, Cobras Eixos em Osasco, Clube da Cidade no centro, Club Holmes, Club House em Santo André, Asa de Santo Amaro, Santana Samba, Tio Sam Club, Roller Super Star, Damachoc, Peruche e os programas dominicais na Band FM. As JBL (caixas acústicas) falavam alto nos bailes e as equipes Black Mad, Dinamite, Chic Show, Zimbabwe, Circuit Power, Kaskatas, Os Carlos, Mistura Fina, Bossa Um, Musicália, entre outras, faziam a trilha sonora.

 O tempo passou, meu tio se foi e me deixou o gosto por boa música e o exemplo da humildade e malandragem (no bom sentido). E esse post é uma pequena homenagem a ele e a todos os "funções" da década de 80/90. Para quem não sabe "função" era um modo peculiar de se vestir, falar e viver, seria hoje mais um "vida loka". O meu tio foi um dos primeiros a usar o termo aqui na vila (Pedreira zona sul de São Paulo) por isso seu apelido. 

Chineizinho clássico
Adidas marathon
Me lembro dos tênis (verdadeira fascinação dos funções) marcas como Leqcoq, Adidas (Marathon), Malac, Reebok, Nike, Fila, Rainha (iate), Redley, Dockside Samello,775, Johnson Leopardo (sapatilha), London Fog, Free London, Canadian, Tiger (Asics), Montreal, M2000, New Balance, Fire White, Chineizinhos, Puma, All Star, KiChute, Bamba, Conga, Pony e Le Cheval.


As calças além das de camurça e veludo podia ser as jeans da Ravage, Versatti, Delhi, Startup, Fiorucci, Wrangler, Fim do Mundo, Bruno Minelli, X-Ray, 2020, Benetton, Zoomp e Forum com o detalhe de quiçá serem colocadas nas barras um "corinho", podia ser do banco do busão ou de um sofá velho, fazendo assim uma boca de sino adaptada.




Camisetas podiam ser de marcas de surf tais como Lightning Bolt, Hang Loose, Quicksilver, Stanley, Town and Country, Billabong, Hands Off, Body Glove, Rato de Praia, Surf More, HD (Hawaiian Dreams), Pakalolo, Company,  ou camisões dessas mesmas marcas, exceções para camisetas de times (de vôlei ou de times de futebol de várzea).



Poderia não ter grana dentro, só ser recheada de papel para fazer volume e colocar no bolso de trás da calça, mas uma carteira emborrachada ou de camurça, com o famoso "crec" (velcro) das marcas Cairê, Fico e OP, eram consideradas. Havia umas carteiras com desenhos de dragão, personagens de desenho e de filme usadas pelos adolescentes, função dificilmente usava essas.

Os bonés também eram um caso a parte, alguns deles bordados na galeria 24 de maio no centro de São Paulo. Tinham um modo todo peculiar de uso, com a aba quase que no meio na parte superior da cabeça, o boné ficava com bico para o alto. Mas como a grana era curta, os bonés promocionais eram bastante usados também, mas raramente eram usados em festas, mais num rolê na quebrada. Como os do extinto Banco Nacional, Jhon Player Special, Pirelli, VASP, Brahma....  Só depois na década de 90 que começou a moda dos bonés de times de basquete e futebol americano.

As jaquetas eram muito usadas principalmente no inverno e garoa de Sampa, por ser um boêmio por natureza o "função" costumava levar para as noitadas sua jaqueta da Califórnia Race (mais conhecido como "bombo jaco") ou "jaco" de couro liso marrom, preto ou jeans, serviam também para guardar quando necessário um baseado ou papelote de coca, o "três oitão" ou as pistolas 635 e 765. Naquela época já se usava as jaquetas college (muitas encomendadas pelas equipes de baile black lá galeria 24 de Maio). Os mais cobiçados agasalhos eram das marcas Adidas, Chimpa (que o logo era um macaquinho), S.Tachini e Fila (pra vocês verem, a Nike não era tão idolatrada como hoje).


O corte de cabelo mais usado era o escovinha, que era um corte na máquina um ou dois e faziam com a navalha um risco como se dividissem o penteado ou o corte "reco", mas esse era menos usado porque lembrava o corte usado pelos policiais. E os óculos podia ser os estilos caçador ou aviador da Ray Ban e da Bausch & Lomb.

Os funções não eram muito ligados aos jogos de azar, gostavam mais de bater uma bola na várzea e depois do jogo rolava aquela roda de samba regada a muita cerveja, bombeirinho, rabo de galo, maria mole, conhaque e um "cabeça de nego" aceso para fazer a mente. 


Os modos de falar eram as gírias das ruas periféricas, por exemplo naquela época idos de final dos anos 80 boné era bombeta, calça era beca, ônibus era busão, trabalho era trampo, polícia era coxinha ou gambé, arma era ferro ou cano, cigarro de maconha era baseado, bagulho ou fininho,  cocaína era farinha, présa era fazer uma presença ou inteirar algo e algumas bem estranhas, por exemplo para perguntar o nome da pessoa falavam; qual a sua graça? namorar com alguém era "jogar" com alguém; "Tô jogando com aquela mina lá" e ter proceder era ser fiel a um principio ou ter uma ideia para trocar. A ginga era mais uma das peculiaridades do "função" parecia que era algo que vinha sem que ele a controlasse, quando via já estava andando com ginga, isso era um prato cheio para a polícia que conhecia esses detalhes e julgava à revelia. Algumas tatuagens eram verdadeiros testamentos, três pingos na mão era assaltante (ou 157), uma caveira tinha o significado de matador de polícia e o famoso "amor só de mãe" quase sempre feito artesanalmente dentro da cadeia com tinta nanquim e agulha de costura.

Uma parte dos "função" era do mundo do crime ou ligados a ele, a ROTA e os "pés de patos" (justiceiros) mataram muitos deles, tem um verso da música Fórmula Mágica da Paz do Racionais Mc´s que diz "...o que melhorou da função quem sobrou? sei lá, muito velório rolou de lá pra cá..." . A verdade é que o função era um jovem rebelde, romântico, boêmio, que queria seu pedaço do bolo na sociedade, curtir, ter coisas boas e viver.

Mas era um desafio conseguir isso crescendo no meio dos malandros mais velhos, ouvindo e vivendo histórias do crime, vendo e sentindo na pele a injustiça policial e a desigualdade social. O espelho que tinham naquelas circunstâncias era a bandidagem e assim é até hoje. Eu ficava só observando, caçava lata e plástico para vender no ferro velho, Depois ia jogar com a bola de capotão no campinho de terra, valendo tubaína e e pão com "mortandela". Mudaram a moda, as gírias, as músicas, o mundo muda e o "função" como um camaleão malandro, se adapta de outras formas, desde o bicho grilo, maluco beleza, ladrão, malandro ao vida loka.

Abaixo uma coletânea com músicas dos artistas aqui citados, clique na fita K7 e baixe...

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