sábado, 8 de outubro de 2016

Pirata do pirata

Mais um pirata descolado! É muito louco quando você começa a ouvir novamente essas bolachas. Agora um detalhe, logicamente não cheguei a ouvir todos os piratas e coletâneas que lançaram, isso seria impossível, alguns eu ouvi na casa de amigos, nos bailes e os que eu possuía em meu acervo. É o caso deste Star Funk Blue de 1991, vale destacar que existe um outro com esse mesmo título e só a capa que é bem diferente. Esse aqui a exemplo da maioria dos piratas é bem simples no rótulo, a capa até que é bem feita, agora o repertório é matador.

Outras características dos piratas eram que incluíam de vez em quando uma faixa instrumental e em alguns casos a versão acapella. E para variar algumas versões alternativas, tais como; remix, dub version, álbum version, radio, promo, ragga, bônus, extended bit, party,  beats, mix, dance, 12’, vocal, edit, live e por aí ia.


No caso desse play, que o blog dimiliduques deixa no ar, eu nunca tinha ouvido e há vários destaques. Por exemplo, me chamou muito a atenção a música do grupo The Almighty RSO - Hes Gonna Catch It,  onde o grupo brasileiro de rap, Filosofia de Rua se inspirou e usou o sampler para o seu clássico A Cor da Pele Não Influi Nada. O rapper Too Short da as caras em mais uma das suas pauladas e sendo que não são as óbvias Life is  e nem Ain’t trippin e sim a pouca falada I Wanna do it. 

A rapper Yo Yo tinha uma levada muito respeitada na época e cantou a faixa So Funky em cima da Be Alright do ZAPP, ficou mais louca ainda. Esse play ta embaçado mesmo! agora uma faixa do grupo do finado Guru, o GangStarr com Knowledge, boa produção do DJ Premier. DAS EFX dispensa apresentação com Mic Checka em versão vocal e instrumental.  Eric B e Rakim marcam presença com a classuda Move The Crow, essa versão instrumental era uma das preferidas dos Djs para dar um clima na festa. 

clique na capa e pirateie




quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Os Melhores do Ano de 1998

Dialogar é bom, trocar ideias, trocar informações...e não é que por uma mensagem de uma frequentadora aqui do blog, a Juliana, me lembrei de um detalhe importante sobre o CD Os Melhores do Ano! Explico, porque realmente há uma certa confusão. Mas vamos botando os pingos nos “is”. Realmente o CD que postamos é o primeiro volume da série Melhores do Ano e não constava na capa se era 1997 ou 1998, teoricamente teria que ser 1997, já que a festa foi nesse ano. Porém o CD dessa primeira festa só foi sair nas lojas no inicio do ano de 1998, por isso muita gente pensa em se tratar de "Os Melhores do Ano" do ano corrente. 

Até aí tudo bem, acostumou-se a chama-lo de Melhores do Ano de 1998, só que a festa relativa ao ano de 1998 aconteceu mais ou menos em setembro e também gravou-se um CD ao vivo. A gravadora agora mais esperta (a mesma Indie Records só que com distribuição da Universal Music),correu para a prensagem, já que o volume 1 foi um sucesso estrondoso, resolveu lançar esse em dezembro com o nome de Melhores do Ano volume II, também não citando “1998” como ano referência (o que aconteceu a partir do volume III que tem o nome na capa como Os Melhores do Ano 1999). Tempos depois foram lançados esses dois primeiros volumes - 97/98 num mesmo CD.   Bom eu não fui nessa festa, uma pena, mas os nomes de peso estavam lá novamente e agora a produção já estava mais esperta resolvendo pontuais problemas. Essa série durou oito edições, entre Cds e DVDs ao vivo. Então é isso, o blog dimiliduques agradece a Juliana pelo toque e deixa o CD para download também. 

Dúvidas sanadas sem pelé e sem problema clique na capa







Repost: Too Short, "Life Crazy" desde a década de 80



Tá ligado gíria? Então mano o bagulho é o seguinte.... começo  assim esse texto para falar que a gíria não é somente palavras que as vezes parecem fora de contexto. Elas as vezes contém um significado diferente dentro de um dialogo, tem também os sons, os tons, os “subtons”,  toda aquela malemolência ao falar, tá entendendo?. 

E se um rapper fez isso e bem , esse rapper foi o Too Short, interessante que mesmo  em inglês dava para perceber essa malandragem. Nascido em 28 de Abril de 1966 em South Central em Los Angeles, Todd Anthony Shaw foi criado em Oakland, Califórnia.  Começou a carreira em 1983 lançando um EP com cinco faixas junto com seu amigo de escola Freddie B. Fundou a gravadora Dangerous Music e por ela lançou um dos seus maiores êxitos musicais o Life Is.... Álbum esse que vendeu 2 milhões de cópias, o blog dimiliduques coloca para o público,  o LP de 1988, Too $hort...Life is (que depois foi prensado pela gravadora Jive/RCA). Esse é o seu segundo trabalho solo de estúdio (antes do primeiro solo, o Born To Mack de 1986, foram lançados três EP’s).

Too Short usava uma sonoridade peculiar nas gravações e se diferenciava dos outros rappers. O som de sua voz parecia dobrada e soava bem sinistra combinando com as bases G-Funk e efeitos graves de sintetizadores do músico T.Shaw e Al Eaton.  Os backing vocals de Janna Thomas e Jeannete Wright (essa já fez trabalhos com KC and Sunshine Band e Joss Stone) funcionavam e eram bem entrosados. Too Short produziu, mas teve a ajuda na co-produção de Al Eaton (que trabalhou com Ice T e Spice 1) e de T. Bohanon. 

Nas letras ele seguia a linha que depois viria a se chamar gangsta rap e assim como Ice T, teve como inspiração o escritor Iceberg Slim que falava da vida nos guetos da costa oeste e principalmente da noite com seus prostíbulos e cafetões. Mas em algumas letras Short  também mandou mensagens positivas contra o uso de drogas e as agruras da vida do crime. Conselhos esses que podemos levar como: Ouça  que eu digo e não faça o que eu faço. Já que em 2010 foi preso acusado de agredir três seguranças, depois que eles tentaram proibir a entrada de meninas menores de idade em seu camarim ( leia-se menores de 21 anos). E em Março de 2013 o veterano rapper foi novamente preso por dirigir alcoolizado, tentativa de fuga e porte ilegal de drogas, responde o processo em liberdade. 

Desse disco destaque para as clássicas Life is...Too Short e I Ain't Trippin. Mas tem vários petardos espalhados pelo disco, como a Rhymes cheia de scratchs, A Nobody Does It Better que a letra fala "sou o melhor rapper, sou da California". Na faixa Don't Fight Felling letra explícita que diz "Sim, você! Posso te fazer uma pergunta?,Você gosta de transar? Oh, você não quer que eu fale assim com você? Você gostaria de fazer amor..." com participação de Danger Zone e Rappin 4-Tay. A faixa Cusswords tem um clima sinistro e a City of Dope parece contrastar com um solo de guitarra mais alegre, mas a sisudez volta a dar o tom quando o sintetizador grave entra.    Too Short  já lançou 17 álbuns ao longo de sua carreira de mais de 30 anos e continua na ativa até hoje. 

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quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Melhores de 1997 ao vivo de verdade

Os Melhores do Ano de 1997, lá estava eu na Marginal Tietê, na famosa ADPM em São Paulo espremido entre milhares de pagantes (entre  2500 a 3000 pessoas). Curtindo a festa junto com meus amigos Ari Bazão, Agnaldo da 11, Nego Jorge e Lane. Estava tão lotado, mas tão lotado que dependendo onde você estava, para chegar ao banheiro você levava uns 15 minutos. Comprar uma cerveja ou refrigerante era outra tarefa árdua. A maioria esmagadora do publico era feminino, e as meninas estavam bem afoitas, tanto que elas mexiam, levei umas passadas de mão e quando olhava elas ficavam rindo.  Mas enfim mesmo com esses detalhes a festa foi boa, a qualidade do som era uma das que chamava mais atenção, muito bom. 

Os artistas realmente deram seu melhor, gravaram Ao Vivo de verdade, segundo informações não houve nesse primeiro, nenhuma correção no estúdio, a não ser o volume dos gritos do público. Pelé Problema o organizador era quem fazia a apresentação dos artistas que ganhavam um troféu, uma mistura de Oscar com troféu imprensa, aos melhores daquele ano de 97.  Não sei quais eram os critérios, mas provavelmente se baseavam nas paradas do rádio. Quando eu cheguei ao evento ainda estava vazio e o grupo Os Travessos se apresentava para esse pequeno público formado uma maioria pelos fã clubes, isso era umas 10:30 da noite. 

Um dos melhores shows daquela noite que me lembro foi o do grupo Soweto que cantou Negra Ângela com o Neguinho da Beija Flor. Nessa parte o microfone do Neguinho da Beija Flor falhou bem na hora que ele entrou, para dar boa noite, erro concertado rapidamente pela produção.  Meu amigo Ari Bazão passou mal quando o Soweto se apresentava e quase desmaiou, depois ficamos enchendo o saco dele dizendo que ele desmaiou por causa do Belo. Os artistas não faziam um  show completo, nem daria pela quantidade de convidados, mas alguns levaram umas três a cinco músicas para animar a galera. O Exaltasamba foi outro que tocou muito bem, junto com Reinaldo. Um detalhe que infelizmente não lembro com certeza é a respeito da banda que acompanhou os artistas. É que na hora nem me atentei a esse fato, tive a impressão que cada um levou a sua banda, mesmo com a dificuldade de montagem e equalização rápida. 

 Hoje talvez seria impensável pensar nesse formato, já que é mais fácil contratar um arranjador e músicos para fazer essa parte musical, ensaiar e na hora os artistas fazerem o combinado. Mas sentia certo clima de correria no palco de uma apresentação para outra, tanto que uma das apresentações mais confusas foi da Leci Brandão, Almir Guineto e Jovelina Pérola Negra. Com o Guineto suando e com uma toalha em mãos gesticulando nitidamente irritado em ter que voltar a gravação e mandando a percussão  do grupo Sampagode subir o ritmo. Mas são coisas normais em qualquer show, tanto que a gravação deles, mesmo tendo que repetir uma vez, ficou bem legal depois de arrumarem alguns detalhes lá na hora, repare o som do baixo do Pedrinho Sem Braço, coisa linda.  

O CD saiu em 1998 pela Indie Records com o título Os Melhores do Ano e foi distribuido pela Eldorado. O trabalho ficou muito além do esperado, muitos artistas se superaram e muitos estavam no seu auge, tais como grupo Sem Compromisso, Katinguelê, Exaltasamba, Sensação...enfim todos os participantes. E reunir nomes de peso como Zeca, Aragão, Almir, Leci, Beth, Alcione, Fundo de Quintal num mesmo show ao vivo? é tarefa pra poucos hoje em dia, nem sei voltará a ter um time assim numa mesma noite. Para encerrar lembro do Fundo de Quintal cantando Parabéns Pra Você só nas vozes e o público no compasso das palmas. Isso já era umas seis da manhã e parte do público já havia ido embora e outros dormiam nos cantos ou estavam exaustos sentados no chão. Essa imagem não sai da minha cabeça, enquanto eu ia deixando o local para ir ao fusca do Lane, para irmos embora extasiados.


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quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Um caso de amor ilegal: LP Pirata


Nesse texto de hoje vou falar um pouco de uma paixão que me traz momentos nostálgicos em minha mente. A sensação emocionante e inexplicável quando pego um disco pirata na mão. Remete-me a muitas coisas, uma delas que me vem na lembrança agora é os tempos em que eu trabalhava de office –boy e com meu salariozinho contado conseguia me equilibrar para comprar um disco. Mas não era qualquer disco! Era um pirata! 

O ano era final da década de 80 e início da de 90, o local que eu me lembro de ir com frequência era uma galeria ali na Rua Benjamin Constant no centro de São Paulo. O vendedor colocava faixa por faixa, só um trecho para atiçar os ouvidos presentes, que eram inúmeros e por ordem de chegada. Chegava minha hora de ser atendido e algumas vezes pegava uma bolacha igual a que os outros tinham comprado, pois já havia escutado e tal. Outras vezes pedia o meu prato predileto, que consistia em um LP pirata/coletânea que tivesse não só uns balanços mas ao menos umas duas melodias. Os piratas com balanços e samba rocks no mesmo disco eram raros, mas “de vez em nunca” surgiam.

As capas eram na maioria de uma cor só, mas depois de um tempo apareceram muitos  plays piratas que tinham algum desenho na capa, eram desenhos as vezes simples e amadores, mas que davam uma identidade crua para o vinil. Sem contar os discos de vinil coloridos: transparentes, rosas, azuis, brancos, beges, esses as vezes vendiam só pelo fetiche desse diferencial, pois a qualidade sonora não era lá muita coisa, eram as vezes até mais pesados que os vinis normais. Até os vinis pretos, se você não ficasse esperto vinham com algum pequeno defeito, raramente arranhados, mas com deformações, tortos e até com partes da música mais graves.

Não gostava muito dos discos que tinham o rótulo em branco, sem informação nenhuma, evitava ao máximo, mas quando não tinha jeito e se escutasse uma música que eu queria muito eu comprava também, depois anotava de caneta se fosse o caso.

Uma coisa que sempre me intrigou era quem escolhia o repertório dos piratas? Será que tinha um pessoal de equipe envolvido? Só sei que a seleção era ditada pelo que rolava nos bailes, mas havia alguns que parecia conter um gosto todo pessoal da figura secreta que escolheu. Posso dizer que o gosto desse misterioso DJ era na grande maioria das vezes muito bom.

Depois de uns tempos até a pirataria foi meio que industrializada, pois surgiram selos! Tinha a Ilegal Records, Bala na Agulha , Black Time e algumas equipes de baile lançavam coletâneas com nomes de seus programas, com capa e informações mais caprichadas. Se os direitos autorais chegavam ou não para os gringos não sei. Como por exemplo as coletâneas do Mancha, Five Star, Circuit Power, Dinamite e afins. Outra coisa interessante era o nome escolhido para as coletâneas que pareciam meio improvisados, como Black Time Rappers, Love Time, Sweet Love, Black Total Special, Love of Love, Very Special, Black is Black e por aí vai.

Depois da metade da década de 90, vieram os CDs, que não eram piratas, mas coletâneas, como Som na Caixa, Dinamite Black Total, Bala na Agulha, Love Songs, Sweet Dreams, 100% Black, Swing Brasil, Flash Rap...Algumas dessas coleções eram feitas quase que artesanalmente e vendidas nas grandes galerias da rua 24 de Maio. A vantagem era que cabiam umas 20 músicas em cada e os volumes iam do 01 ao que a mente criativa de quem inventou a coletânea desse, o Swing Brasil por exemplo, de samba rock, teve uns 20 volumes.

O blog dimiliduques vai colocar um LP pirata o qual eu gostei muito, foi feito o download do blog O Som da Massa do parceiro  Celso dos Santos Pires o DJ Pirata, nesse link http://equipepiratadobom.blogspot.com.br. O LP é o Black Time 1992 que tem vários pesos, entre eles um remix da musica Gladiator do grupo 3rd Bass, Cookie Crew com um sampler conhecido e sinistro (da cantora Gwen McCrae - 90% Of Me Is You) na The Powers of Positive Thinkind. Tem também o rapper D-Loc com uma que rolou nos bailes a Regina The Teaser e as lindíssimas melodias de Jamm com The Games We Play e R. Kelly com  Honey Love. 

Agradecendo desde já pessoas como o DJ Pirata, que nos fazem reviver o passado e de graça disponibilizam essas joias da black music. Em tempo, o final dessa historinha é um drama, todos os meus vinis piratas eu perdi, infelizmente uma parte foi roubada em casa e outra quando entrei numa equipe e o “sócio” fugiu e levou todos os vinis com ele. 

Navegue nessa nau e click na capa







segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Samba Rock direto e reto no dimiliduques


Outra vez falar de samba-rock? Lógico e olha que em breve poderá se tornar patrimônio imaterial da cidade de São Paulo. É um ritmo? é uma dança? É tudo isso e muito mais! É suingue é swing. Já foi chamado de Jovem Samba, Sambalanço e Suingue, desde o encontro das guitarras e baixos elétricos com os couros do samba de morro. A soul music americana e o funk também teve influência com seus arranjos, principalmente com Tim Maia e o movimento Black Rio. Nos bailes black de São Paulo a coisa fervilhava e a hora das rasteirinhas era plenamente esperada.
Nos anos 90 a coisa deu uma esfriada, somente guerreiros ainda alçavam sua bandeira como Bebeto, Branca Di Neve, Luiz Wagner, Bedeu e outros que continuavam na ativa mesmo nas torrentes ondas contra. Nos anos 2000 pode-se dizer que aconteceu um revival como a formação da banda Clube do Balanço e artistas como Simoninha, Max de Castro, Jair Oliveira...trazendo essa influencia soul e sambarockeira misturada com pitadas de MPB.

Blog pessoal tem dessas coisas, não é segredo que por aqui você encontrara vez por outra uns discos de rap , uns de samba rock, melodias românticas, além dos já tradicionais pagodes e sambas. Mas aqui no blog dimiliduques, tudo é feito com carinho e cuidado, como nessa coletânea com 34 músicas divididas em dois volumes  de Suingue e Samba Rock. Colocamos algumas novidades que vieram pelo ar e nos ARquivos amigos e outros suingues mais antigos que achamos nos baús da vida.

E saber que cada vez mais grupos, bandas e cantores abrem espaço no seu repertório para colocar um samba rock e outro é muito legal. Lógico que é pouco, mas um passo é melhor que nada. Não vou aqui levantar discussões do tipo: “tá na moda, por isso os produtores indicam ao artista colocar no set list”. Esse “tá na moda” então faz tempo hein...desde os anos 60 com Jorge Ben?, bailes black? Anos 70/80?. Deixa pra lá, o importante é que o samba-rock vem ao longo de sua história conquistando mais e mais seu espaço merecido. É passado de geração por geração, algo mais nítido no meio da negritude, mas não há segregação e sim acolhimento, musical e emocional!
Viva o samba rock e o suingue brasileiro!
http://www.mediafire.com/file/klmiv27i5a4fyro/Swing+%26+Samba+Rock+sele%C3%A7%C3%A3o+Dimiliduques.+vol+1++by+tchelo.rar

Abaixo lista de músicas do volume 1


http://www.mediafire.com/file/ac7zokx512esxvc/Swing+%26+Samba+Rock+sele%C3%A7%C3%A3o+Dimiliduques+vol+2+by+tchelo.rar
Abaixo lista de músicas do volume 2

Forró com pagode, forrogode.




Quando se fala de forrógode pode ser que tudo não passou de uma moda passageira, mas na verdade tem muito mais por trás. A confluência entre os ritmos passa por suas origens europeias e africanas e desagua no Brasil, numa música do povo. No livro Partido Alto de Nei Lopes, li que essa influência do forró no samba veio com os migrantes nordestinos para os morros e favelas do Rio de Janeiro. Numa época em que a população ainda se formava em aglomerações populacionais, por volta da década de 40. Anteriormente já havia muitos nordestinos que vieram na explosão demográfica na década de 20 quando o Rio de Janeiro era capital do Brasil,e por aqui fixaram residência. 


Um dos locais mais frequentados era a área central e dos portos na cidade do Rio de Janeiro, onde negros , nordestinos, marinheiros, estivadores conviviam. E a música muitas vezes refletia essa mistura, imagino a cena onde um vizinho, um amigo nordestino com sua sanfona e um sambista com seu pandeiro ou tamborim versavam e faziam música de improviso. No que se diz respeito aos versos de improviso, importante notar que na cultura nordestina tinha além do forró, xote, xaxado, lundu, baião, os ritmos coco e embolada que eram fortemente calcados em versos criados na hora. 


Um dos grandes da música nordestina, Luiz Gonzaga tinha alguns laços no morro de São Carlos no Rio, seu filho Gonzaguinha foi criado lá. Outros artistas na década de 50 deram continuidade a veia nordestina foram Dominguinhos que tempos depois participou de discos de muitos sambistas. E Jackson do Pandeiro, que só de carregar pandeiro no nome artístico os sambistas ficaram de olho, e volta e meia Jackson é lembrado em regravações e citações em letras de sambas. 


A mistura se dá na métrica, na divisão rítmica , nos temas das letras e principalmente na incorporação dos instrumentos como a sanfona, o triângulo e zabumba  misturados com surdo, tamborim, cavaco, já o pandeiro é um instrumento comum aos dois ritmos.


O termo forrogode é recente, da década de 80 e um dos primeiros a usar o nome e a gravar um trabalho mais voltado ao estilo que misturava samba e forró foi o cantor carioca Elson do Forrogode em 1987 com o lançamento do LP intitulado Forrogode. O próprio diz que a palavra forrogode foi sua criação e a ideia surgiu em suas andanças pelo Brasil e pelo fato de gostar muito dos dois ritmos. Mas podemos também considerar o coco uma das primeiras manifestações que tinham como influencia o samba e o forró, o próprio Bezerra da Silva antes de ser sambista, gravou os seus dois primeiros discos; o Rei do Coco I e II. O certo é que nos anos 80 muitos sambistas/pagodeiros em seus trabalhos solos colocavam um forró com pegada de pagode. Mas antes já tinha sambista fazendo essa mistura, é o caso de Tião Motorista em 1977 com a música Beira Rio e Clara Nunes gravou de Sivuca o forró Feira de Mangaio em 1978. O dimiliduques faz uma..uma não! duas! coletâneas de algumas dessas músicas, para ilustrar um pouco mais a conversa. 

Clique nas capas e Muito forró e muito samba...para todos...for all!


https://www.mediafire.com/view/b92kmz88293zr2k/Volume%201%20Forrogode.rar

Abaixo as musicas do volume 1



https://www.mediafire.com/view/y05q654crrp44o5/Volume%202%20Forrogode.rar

 Abaixo as musicas do volume 2