quarta-feira, 6 de julho de 2016

Repost: Beastie Boys voando baixo

Poxa, curto o Beastie Boys desde aquele famoso play deles , capa dupla de 1986. A capa tem a foto de um avião se chocando e o título do trampo é  Licensed to iII. Bom a historinha por trás capa é a seguinte: o produtor deu a ideia maluca, imaginando que se eles tivessem um avião igual a banda Led Zepellin com o logotipo do grupo na cauda etc... e a maneira exacerbada, glamourosa dos rock stars e seu poder, estão contextualizados na colisão e destruição.

Já vemos por isso que o disco teve a participação decisiva do produtor e fundador da gravadora Def Jam, Rick Rubin.  É difícil falar de toda a trajetória dos caras, mas vou tentar resumir ao máximo. Eles começaram em 1979 mas como uma banda de punk rock de nome The Young Aborigines. Mas somente em 1981 é que mudaram de nome para The Beastie Boys com o trio Adam Yauch (MCA ), Michael Diamond (Mike D) e Adam Horovitz (Ad-Rock).

E no começo eles misturavam rock/punk e rap, num caldeirão que estava bem a frente do seu tempo e ganhou rótulos como rapcore, e rap metal. As letras eram dramas adolescentes e besteirol total, nada sério. Na época , músicas como Rhymin, Stealin e Paul Revere chamavam a atenção pela inovação, criatividade instrumental e de montagem. E tem que se por nos créditos o começo da MTV. Eles souberam aproveitar esse espaço e lançaram alguns vídeos clips para a grade da emissora, que depois se tornou referência em vídeo music.

 Esse estilo por eles não patenteado desembocou em algo totalmente oposto. Pois o segundo disco deles seria o amado/odiado Paul’s Boutique de 1989, no qual eles foram mais puristas com o hip hop e mais politizados nas letras. Mas isso pode ser bate papo para outra oportunidade.
Pilotaram esse avião desgovernado e conseguiram alçar vôos mais altos no futuro.  Na discografia deles tem-se a disposição mais dez trampos, são eles; 1989 - Paul's Boutique, 1992 - Check Your Head, 1994 - Ill Communication, 1998 - Hello Nasty, 1998 - Love American Style, EP2003 - In A World Gone Mad, 2004 - To the 5 Boroughs, 2007 - The Mix-Up e 2011 - Hot Sauce Committee Part Two.

Em 04 de  Maio de 2012 eles perderam o integrante Adam Yauch (MCA) para um câncer na glândula parótida. Em 2014 oficialmente o fim dos Beastie Boys foi anunciado na mídia pelo membro Mike D. Mas o legado musical desses branquelos é indiscutível.


Clique na capa e bata de frente




 Agradecimentos ao site http://lostjewelzent.blogspot.com.br/

sábado, 2 de julho de 2016

James Todd Smith um rapper legal

Existem “plays” (assim eu e uns camaradas chamávamos os LPs na década de 80), que realmente te pegam pelo lado emocional. Não só o som, mas a capa, as cores, o cenário te remete a um ambiente que te lembra pessoas e assim por diante.  Desse LP B.A.D. (Bigger And Deffer) lançado pela DEF JAM Recordings em 1987 tenho o maior carinho. Ele é o segundo trabalho de LL Cool J que traduzindo daria Ladies Love Cool James ou As garotas amam o James, um cara legal.  Não vou me estender sobre a carreira de LL pois o cara já é um ícone do hip hop mundial, suas músicas aqui no Brasil eram populares nas rádios (principalmente programas de black music) e depois na televisão via MTV e programas de vídeo clips.

A capa chamava muito a atenção, as vestimentas do rapper com um “chapéu de pescador”  , agasalho esportivo , correntona de ouro e um tênis vermelho invocado. LL Cool J esta em cima do capô de um carro em frente a um colégio (Andrew Jackson High School), localizado no Queens, o mesmo em que ele abandonara no segundo grau anos antes. Chama a atenção na foto tirada por Glen E. Friedman as cores subaquáticas esverdeadas das luzes e das paredes do colégio ao fundo. Vale frisar que o fotógrafo fez capas para bandas punk como Minor Threat, Black Flag, Agression, Fugazi, Circle Jerks, Suicidal Tendencies e de rappers como Run DMC, Ice T, South Central Cartel, Public Enemy, King T , 7A3 e Beastie Boys. E o detalhe que a foto da contracapa foi feita  no porão da avó do rapper, local em que morava na época.


Mas quando falo desse LP lembro de uma reunião que fazíamos na Vila Missionária, Jardim Selma, Jardim São Jorge lembro mais na casa se não me engano que era do Dj Vandão. Ali trocávamos ideias sobre o movimento rap com os grupos Artigo WRD, MC Tcha Tchai, MC Tcheba, DJ Abel e Derik System Rap. Rolavam uns ensaios também e o DJ Marcelo M Jay fazia um back to back com dois desses LPs de LL Cool J. acho que  era a faixa I’m Bad. Aliás destaco essa faixa mencionada e mais Kanday e I Need Love.  A produção é da The L.A. Posse (darryl Pierce, Dwayne Simon e Bobby Erving), scratchs de Bobby Bobcat Ervin. A produção também conta com a participação de DJ Pooh que é roteirista nos games da franquia GTA, San Andreas e V. 

Mano o disco é old school na veia, levadas/flows dos anos 80 e instrumentais criativos clique na capa e baixe!






sexta-feira, 1 de julho de 2016

Samba de orquestra

Olha aí mais um novo/antigo arquivo perdido achado...cara que salada!, bem vou primeiramente fazer um mea culpa. Esse LP nem sei de onde eu baixei, confesso que eu não havia conseguido escutá-lo. Só agora depois de nove anos , sim pois no DVD de arquivos que achei na gaveta estava descrito de caneta, "Arquivos 2007 Tchelo". O disco chama-se Sambistas da Guanabara – Show de Samba vol. 1 da gravadora Odeon, datado de 1961.  Músicos participantes? Não consta, mas provavelmente eram músicos do próprio estúdio da Odeon. O que parece são os créditos para os maestros Lindolfo Gaya e Osvaldo Borba, mais a direção artística de Ismael Corrêa.


Agora vamos lá ao veredito: sensacional! Parece um disco feito meio que por uma big band. Ele é todo instrumental e tem uma sonoridade ”samba de Walt Disney”, sei lá tipo aquele desenho Saludos Amigos, com o Zé Carioca batucando com o Pato Donald.  Mas é um ótimo disco, com clássicos como Se Você Jurar, Carinhoso, Samba de Uma Nota Só,  Na Baixa do Sapateiro, Com Que Roupa e outros.  Se canções tem a capacidade ou magia de transportar este me levou a São Paulo dos anos 60, um lugar com um táxi DKW-Vemag,  chapéus Fedora e ternos de linho.

Tipo trilha sonora de filmes antigos clique na capa abaixo e escute




Repost: O som gangsta é trilha em Perigo Para Sociedade

No post de hoje trazemos a coletânea/trilha sonora do filme Menace II Society (Perigo Para Sociedade). Um grande sucesso na década de 90, onde vários filmes de gangs de rua foram feitos. E todos eles com trilhas com bastante rap e black music. Outros que são bons na tela e no som são Colors (As Cores da Violência), Faça a Coisa Certa, New Jake City e Boys N’ The Hood. 

Desses o que mais me chamou a atenção como filme foi o Perigo Para Sociedade de 1993, dirigido pelos irmãos Albert e Allen Hughes. Tinha em seu elenco o MC Eight, Too Short, Clifton Powell (famoso também por ser a voz de Big Smoke no game GTA San Andreas), Jada Pinkett Smith e Samuel L. Jackson.

O filme é bem gangsta, com os guetos americanos retratados. As gangs, as armas, as roupas, as drogas, a violência enfim o estilo de vida das ruas. Apesar que o enredo da maioria do filmes do gênero girassem em torno dessa tríade, Drogas, Violência e Gangues. 

Na coletânea Perigo Para a Sociedade temos coisas bem legais, na época os que eu conhecia eram MC Eight (ex-CMW), Too Short, Brand Nubian e KRS One (ex-Boogie Down Productions), mas tem umas bombas do tipo Spice 1, Da Lench Mob e Cutthroaths.

O interessante dessas coletâneas era que sempre traziam alguns grupos ainda desconhecidos pelos lados de cá (Brasil). Então com a bolacha na mão tentávamos correr atrás de informações sobre. Indo nas lojas do centro da cidade de São Paulo para ouvir/adquirir discos e CD's importados. E também  conversando com rappers ou DJs nos bailes. Já que a informação era escassa, revistas também só as importadas. 

Nas estações de rádio as informações até que chegavam em conta gotas nos programas especializados em black music, mas se focavam nos sucessos das paradas. Grupos mais undergrounds, eram mais raras as informações. Somente com a chegada da internet as coisas começaram a mudar, isso já na metade dos anos 90. Lembrando que mesmo no começo da rede no Brasil (em 1998 em minha casa) , os sites sobre esses rappers eram ainda em inglês! 

Mas enfim hoje os tempos são outros e um CD ou LP ripado às vezes são colocados para downloads, por alguns blogs heroicos que não pedem nada em troca. É o iluminismo da informação pura e simples e de quebra o áudio dos trabalhos para escutar.

Não corra perigo e clique na capa








quinta-feira, 30 de junho de 2016

Recheio Di Melo

Olha esse recheio! Digo da bolacha...digo do LP do Di Melo o Imorrível.  Esse pernambucano mostra que o estado do mangue já vinha enlameando as mentes a muito muito tempo.  Roberto de Melo Santos é seu nome de batismo, mas veio em sampa pra detonar. Em 1975 lança por aqui o seu disco cultuado, gravadora Emi Odeon intitulado simplesmente como Di Melo. Uma capa meio escura,  a meia luz com cores amarronzadas  e um sério Di Melo de óculos e boina contrastando com ele sorridente na contracapa.  Ele foi considerado um dos artistas que mais teve uma originalidade para fazer um soul genuinamente brasileiro. Nesse LP de 75 conta com participações de Hermeto Pascoal e Heraldo do Monte, orquestração  de Geraldo Vespar e direção de José Briamonte.


Na década de 90 os DJs redescobrem seu som, principalmente os europeus. E aí para um revival da carreira teve ainda o passo marcado por um documentário; Di Melo – O Imorrível.  Com uma voz meio anasalada com um forte sotaque de Pernambuco que dão além do mapa de origem, um suingue bem louco a sua música. Eu destaco as faixas A Vida Em Seus Métodos Diz Calma, Kilariô, Minha Estrela, Pernalonga e Se O Mundo Acabasse em Mel. O disco tem lá seus momentos mais calmos e até maçantes ou como podemos dizer de difícil assimilação na primeira audição. Resultado de um certo experimentalismo de ritmos como o tango, mas as suingueiras equilibram o suposto amargo e o mel. O site do cantor (aqui) da conta de dez trabalhos lançados , entre coletâneas e solos. Mesmo este LP sendo bem acessível na rede, sempre é bom poder revisitá-lo quando a saudade do soul e do balanço bate a porta.

Calma clique na capa







quarta-feira, 29 de junho de 2016

Arquivos perdidos e achados

Vou chamar esse post de arquivos perdidos e achados, porque foi bem assim o começo dele. Um DVD de arquivos perdido numa gaveta e surpresas agradáveis! E a primeira dessa leva é um compacto de 1978 da cantora  Sônia Santos, que eu conhecia mais pelo samba rock Poema Rítmico do Malandro. Mas esse compacto conta  com uma versão "discoteca"   com um pout porri de musicas do Jorge Ben e uma pedrada chamada Speed, pegada swingueira com arranjo de Oberdan que obviamente deve ser o Oberdan Magalhães da banda Black Rio!







quarta-feira, 8 de junho de 2016

Beth e Martinho, para carnavais, mesmo que fora de epóca



Esse disco saiu em 1990 e por essa época eu ainda engatinhava no samba. Mas essa coletânea dá uma boa mostra  de clássicos dos carnavais. O título do LP lançado pela gravadora RCA/BMG é O Carnaval de Beth Carvalho e Martinho da Vila. São faixas intercaladas dos dois artistas, em se tratando de animar carnaval é um disco que beira a perfeição.

Com direção de Miguel Plopschi, produção de Rildo Hora e Renato Correa e a seleção de repertório de José Milton, nos 46 minutos que se seguem você  encontra muita coisa bacana.Dá para se deixar tocar ele todo, numa festa ou churrasco. Eu gosto muito do pout porri de abertura com várias marchinhas de sucesso na voz de Beth Carvalho,  como por exemplo O Abre Alas (Chiquinha Gonzaga), O Teu Cabelo Não Nega (Lamartine Babo/Irmãos Valença), Mamãe Eu Quero (Jararaca/Vicente Paiva) e outras. Tem também as faixas clássicas Coisinha do Pai (Jorge Aragão/Almir Guineto e Luiz Carlos da Vila) e Caciqueando (Noca da Portela). Outro detalhe, foi por esse LP que eu escutei pela primeira vez e me apaixonei pela composição de Argemiro e Casquinha intitulada A Chuva Cai. Outro Pout Porri certeiro cantado por Beth é um que tem na sequência Tristeza (Haroldo Lobo/Niltinho Tristeza), Madureira Chorou (Carvalhinho/Julinho Monteiro), Barracão (Luiz Antonio/Oldemar Magalhães) e Firme e Forte (Efson/Nei Lopes). 

Já Martinho da Vila não deixa por menos e participa com o aclamado enredo de 1965 da GRES Império Serrano, Os Cinco Bailes da História do Rio (Silas de Oliveira/Dona Ivone Lara e Bacalhau).  E um dos sambas que tem a letra bem longa, a fantástica Aquarela Brasileira (Silas de Oliveira) . E não poderia faltar um pout porri de marchinhas na voz de Martinho com Pierrot Apaixonado (Noel Rosa/Heitor dos Prazeres), A Jardineira (Benedito Lacerda/ Humberto Porto), Cachaça (Mirabeau/L. Castro/H. Lobato/Marinósio F.) e outras mais.
Outra coisa que chama muito a atenção é a arte da capa feita por Elifas Andreato e Chico Nunes. 

Clique na capa e deixe arquivado para o carnaval ou para em alguma festa que mereça alegria e folia. 

   https://mega.nz/#!l1ISwTaL!hZ3ngf0ky6MHGoZBv6j02uvdRG-8UME4F4AraPrzGno



 

terça-feira, 7 de junho de 2016

Oitavo número da coleção Um Funk e Uma Melodia


Um funk e uma melo oitavo volume, estamos aí! Nesse número muita coisa legal e aquelas esquisitices...não...licença de gosto vamos dizer...

Tem RPM com a famosa As One e o funk dessa banda é bem atual com scratchs e montagens..., imaginei uma coisa aqui, RPM e tal, será que esse nome não deu nenhum problema? Pois aqui no Brasil temos uma banda com essa mesma nomenclatura. Por se tratar de iniciais talvez relevaram, assim como o Kiss relevou a Banda Beijo também...rs

Mas voltando ao repertório tem grandes nomes como The Stylistics com a linda canção Betcha By Golly Wow da compositora Linda Creed, do produtor Thom Bell e dos falsetes do vocalista Russel Thompkins Jr. Tem também um dos mais longevos grupos vocais dos EUA, The Dells, e a banda clássica The Jackson Five.  No repertório a banda nova iorquina oriunda do Bronx chamada GQ (Good Quality).  

Tem também a esbranquiçada banda Chicago, muito boa musicalmente e que lançou o sucesso If You Leave Me Now. Coisas interessantes como El Coco que era mais achegada a fase eletrônica/disco/dance, e na verdade era uma banda fictícia, um projeto da dupla W. Michael Lewis e Laurin Rinder. E outra que também não chega a ser banda, mas exceções são sempre feitas, esta aí a dupla  Jamm.  E duas bandas conhecidas dos bailes: The Human Body que era praticamente uma subsidiária da ZAPP band e a Bloodstone “pedra negra” fundamental no funk dos anos 70.

Entre de cabeça e clique na capa

   http://www.4shared.com/rar/Qm3KqHiWce/Coletnea_Bandas_-_um_Funk_e_um.html

Set List abaixo



segunda-feira, 6 de junho de 2016

Balanço à Italiana!



Sei muito pouco da cantora Rosália de Souza, mas o pouco que sei não me impediu de curtir seu som e sua música. Por isso o blog dimiliduques “passa pra frente” esse trabalho lançado em 2009. Rosália é do Rio de Janeiro mas mudou-se para a Itália e foi lá que estudou teoria musical, percussão cubana e historia do jazz na Scuola Popolare di Testaccio em Roma. 


O trabalho que o dimiliduques posta é o D’Improvviso de 2009 que saiu pelo selo Schema da Itália. Rosália possui voz bem suave e cadenciada e os arranjos desse trabalho são certeiros. O disco tem um pouco de samba jazz, bossa nova, samba rock...é uma mistura musical de muito bom gosto. Lembro que quando escutava, passeava pelo centro de São Paulo e fazia um tempo frio, nublado e chuvoso mas a música conseguia se inserir nesse cenário de contraste, trazendo uma sensação muito boa na alma. 


O álbum possui gravações de compositores famosos como Zé Keti, Cesar Camargo Mariano, Carlos Lyra, Jorge Ben. O compositor genuinamente brasileiro radicado na  Italia Tomaz Di Cunto ou Toco assinou quatro músicas e participou nos vocais de três faixas. Aliás o balanço das gravações é dado por um time de músicos italianos como Lorenzo Tucci na bateria, Luca Mannutza no piano, Pietro Ciancaglini no baixo, Max Ionata no sax e outros. 


Se for para destacar uma música do álbum fica difícil, mas gostei muito das faixas Bossa 50 (Tomaz Di Cunto),  5 Dias de Carnaval (Tomaz Di Cunto), Samba Longe (Jean Kuperman/Tomaz Di Cunto), Sambinha (Cesar Camargo Mariano), O Cantador (Dory Caymmi/ Nelson Motta) e D’Improvviso (Aldemaro Romero/Terenzi) que é cantada em italiano.  Sem contar as conhecidas Carolina Carol Bela (Jorge Ben/Toquinho), Opinião (Zé Keti) e Luiza Manequim (Abílio Manoel).


Além do trabalho citado acima a cantora já lançou outros  no mercado musical: Garota Moderna (2003/Schema), Garota Diferente (2004/Schema), Jogo de Roda (2005/Schema), Que Bandeira (2006/Schema), Rio de Janeiro (2006/Schema) e Brasil Precisa Balançar (2007/Schema). 


Questo in attesa di ? clicca qui sotto



https://mega.nz/#!hpQkEJTL!eBHdVg8AQBYnlIT01sVjwsceLP6-o6Z9GvZg-5TZJLM







quarta-feira, 1 de junho de 2016

Argemiro Patrocinio sempre é bom lembrar



Argemiro Patrocínio ou Argemiro da Portela foi um sambista, compositor da Velha Guarda da escola de Oswaldo Cruz. Nascido em  1923 no subúrbio de Piedade no Rio de Janeiro, o sambista faleceu de parada cardíaca em 22 de maio de 2003, apenas quinze dias depois de enviuvar de sua companheira Nina.



Argemiro é daqueles sambistas simples na sua figura, mas complexo quando o assunto é lírica em composição. Na época do lançamento surpreendi-me quando ouvi o CD Argemiro Patrocínio lançado pela Phonomoto/EMI (2002), produzido por Marisa Monte. A voz carregada de experiência aos 80 anos de idade, é de uma delicadeza sem igual. Os arranjos, bem equilibrados, suaves nuances melódicos, são como um rio que corre sem pressa numa tarde. Belo em sua imensidão, calmo e brando como se refletisse  uma Nuvem que Passou. 




Argemiro chegou tocando pandeiro na Portela pelos idos da década de 50 e foi ritmista da escola por indicação do diretor de bateria Betinho. Logo se tornou amigo de Paulo da Portela e membro da ala de compositores. Ele não divulgava muito esse seu lado compositor , tanto que somente aos 56 anos de idade começou a soltar suas músicas. Certa vez Paulinho da Viola comentou que,mesmo frequentando a Portela a muito tempo, só soube desse seu lado quando a Beth Carvalho gravou em 1978 o sucesso A Chuva Cai (Argemiro/Casquinha). Música essa feita para sua companheira Walquiria (Nina) depois de uma briga em que a chuva a impediu de ir embora, Casquinha completou a letra depois.  Outras músicas que tiveram destaque foram Gorjear da Passarada (Argemiro/Casquinha),  Solidão (Argemiro) e Nuvem Que Passou (Argemiro). 




Destaco além das que foram citadas acima (exceto Gorjear da Passarada que não saiu nesse CD), as faixas Vou Me Embora Pra Bem Longe (Argemiro/Guaracy e Renato Fialho) Saia da Casa dos Outros (Argemiro/Darcy Maravilha) e A Saudade Me Traz (Alberto Lonato/Argemiro).




Esse trabalho, foi o único gravado pelo compositor em vida, ele era considerado pelos mais novos, um malandro elegante, refinado, com bom humor e tiradas irônicas que conquistava todos ao seu redor. Mesmo sendo de fácil encontro na net, o dimiliduques posta o album e só reforça que; o que é bom tem que ser sempre lembrado.

Clique na capa e boa audição

https://mega.nz/#!NlJXSDyY!iBsvkMECu6qsHlLTpB3RKOFEJ31PwM-SSQsmKtihXnc