sábado, 15 de março de 2014

Sistema Negro o gangsta brasil em sua raiz




Grande Sistema Negro! Pensa nuns caras gangstas...então. O som do grupo Sistema Negro é essencialmente isso, influência de Ice T,  NWA (Niggers With Atitude), mas com um toque de Public Enemy nas letras. O grupo surgiu no interior de São Paulo, em Campinas final dos anos 80 e se chamava The Bronx Mc’s. A primeira vez que os vi foi de certa maneira inesquecível. Explico, eu cantava num grupo de rap chamado Dimensão Rap e participamos de um festival feito pela equipe Kaskata’s  no Club House em Santo André. Caímos na mesma chave dos manos e lógico que perdemos, lembro até hoje que eles já chegaram arrebentando na abertura com o DJ Master Jay. Mas pelo menos perdemos para uns caras fodas e merecedores. O ano era 1992 e em meio a centenas de grupos inscritos eles ganharam o direito de entrar na coletânea Vozes de Rua vol. 2 com a música Mundo Irracional. Depois disso os caras deslancharam e lançaram cinco álbuns.

Doctor X era um dos integrantes e melhores letristas do Sistema Negro que depois do terceiro trabalho, saiu do grupo e lançou um CD mais puxado para o black charme com o nome artístico de Bene. O Sistema Negro continuou sob a batuta de Eazy Down, Kid Nice e Master Jay e continua até hoje com a adição de novos integrantes. São eles W. Sigillo, Pulman, Gil Kris Kros e Ice Junke. Outro integrante do grupo foi Alex F (falecido em 2008).

O LP que o blog dimiliduques posta é o primeiro e um dos melhores do grupo e porque não do rap nacional. Lançado em 1993 pela  MA Records/Discool Box o play é intitulado de Ponto de Vista.  Já começa bem pelas capas, na simplicidade com poucas cores. Na versão CD a capa é diferente, tem o Master Jay com uma arma em punho, bem a cara do rap radical e gangsta. Depois passa pelas letras falando de diversos problemas como racismo, egocentrismo e do cotidiano violento das periferias. Os instrumentais são muito bem feitos, samplers, scratchs e colagens escolhidas a dedo pelo produtor DJ Raffa. DJ esse já escolado no estilo, desde que foi membro dos grupos de rap de Brasília, Os Magrellos e depois  Baseado nas Ruas, o caldo combinou com o estilo de cantar e as letras da rapaziada campineira. 

Meu destaque vai para as músicas Nossos Inimigos, Mensagem Para Otários (daquele famoso sampler de Isaac Hayes usado também pelo grupo CMW-Compton Most Wanted). Também as faixas Ponto de Vista (preste atenção na intro dessa música) e Racismo Banal (tema mais que atual nesse 2014, depois que os jogadores Tinga e Arouca foram vítimas de preconceito racial). Mas para falar a verdade o disco todo é legal com letras para refletir e produção para prestar atenção nos detalhes. 

Clique na capa e sinta o peso

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sexta-feira, 14 de março de 2014

Geovana a Deusa Negra do Samba Rock



Um disco que também merece ser celebrado e lembrado sempre que possível. É o Quem Tem Carinho Me Leva da cantora e compositora Geovana. Com arranjos de Luiz Eça, Chico de Moraes, Nelsinho e Rildo Hora que també foi diretor de estúdio. O LP saiu em 1975 pela RCA/Victor e foi relançado com duas faixas bônus em 2003 pela BMG/Ariola. Um outro detalhe curioso é que no CD relançado a grafia de seu nome saiu Geovana e no LP antigo esta como Giovana (aqui).

Geovana ou Giovana, na verdade se chama Maria Tereza Gomes, tinha pais senegaleses, mas nasceu no Rio de Janeiro, no Bairro da Tijuca e cresceu na favela da Rocinha. Tem o apelido carinhoso de Deusa Negra do Samba Rock. Teve músicas gravadas por Clara Nunes (que gravou Rosa 25 no ano de 1971), Almir Guineto (Tambores de Trinidad), Martinho da Vila (Diamante) e outros artistas. Uma de suas composições mais famosas é o partido alto Ô Irene parceria sua com Beto Sem Braço gravado por Fundo de Quintal e Reinaldo. Ela também fez parte da ala de compositores da escola de samba Salgueiro.

O disco postado pelo blog dimiliduques  foi o primeiro trabalho de Geovana. Antes ela havia defendido o samba Pisa Nesse Chão Com Força no festival Bienal do Samba em São Paulo, 1971. Música essa que saiu no LP de 1975 e é muito boa. Do disco me lembro de outras que ouvi, ora pelos programas blacks de São Paulo ora nas casas dos amigos discotecários.

Ao escutar o disco o contra baixo foi o que me chamou mais atenção, na ficha técnica constam o Luizão e o Sérgio Barroso, e mandaram muito bem.   Outros grandes músicos participaram da gravação. Na bateria tivemos Wilson das Neves, Mamão e Robertinho. No violão o grande Dino e também Helio Delmiro. Viola de 12 cordas com Luiz Claudio e Toninho. E o que falar desses dois cavaquinistas feras, Canhoto e Neco. No surdo Gilberto D'Ávila, atabaques com Geraldo Bongô e no ganzá Everaldo. E mais complementos da percussão de Pedro Sorongo, agogô de Paulo D'Aquino e na flauta Tobu.   O disco todo tem uma sonoridade meio grave, assim como a voz de Geovana, afinada mas descompromissada com afetações.

Se liga na pegada e na percussão africanizada do samba afoxé Taturuê. Na faixa Amor dos Outros uma cuíca maneira , junta-se a um belo violão de sete cordas acompanhado de um cavaco malandro.  E o que falar da faixa Quem Tem Carinho Me Leva, com um cavaquinho afinadíssimo, um baixo arrebentando, uma viola caipira e até uma bateria virando maravilhosamente. Tem o samba-afro, Para de Chorar a Toa, ele é compassado no inicio como uma capoeira e tem até um batuque de boca no meio. E a faixa bônus também fez muito sucesso, a Beijo Sabor Cerejeira.


Geovana de vez em quando se apresenta e canta seus sucessos nas noites.  Ela tem outro disco lançado pela gravadora Star Records, famosa entre os DJs por lançar LPs de coletâneas com o subtítulo “Mancha Apresenta". O disco se chama, Canto Pra Qualquer Cantar e saiu em 1991 (vejaimagem).

Quem tem carinho clica na capa e leva!


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quinta-feira, 13 de março de 2014

Quando ouvi Ice T congelou meus tímpanos de tão bom

Tracy Marrow  é o nome verdadeiro do rapper vulgo Ice T.  Nascido em  Newark – New Jersey, mudou-se ainda criança para o norte do estado para cidade de Summit. Nasceu em 16 de fevereiro 1958. Seu apelido é também uma homenagem ao escritor Iceberg  Slim (Robert Beck) um ex-cafetão que escrevia ficções urbanas e influenciou com seus livros, não só Ice T,  como também Ice Cube, Too Short , Snoop Dogg e Pittsburgh Slim.  Ice T fez até um documentário sobre o cara, tão grande era sua admiração.

O stylo de Ice T, era cabuloso desde o início,  quando lançou seu primeiro single em 1983 o The Coldest Rap pela Saturn Records, onde já pairava uma sonoridade G-Funk/Gangsta e pela primeira vez cunhou a gíria Nigga. Seu primeiro trampo solo saiu lá em 1987, com o título de Rhyme Pays com sua namorada na época Darlene Ortiz e o Dj Evil E na capa, ganhou disco de ouro com o bagulho.

Pô a história do cara é bem louca, cheia de momentos bombásticos e dificilmente dará para abarcar tudo. Por exemplo quando lançou a banda de hard core / rap Body Count e a música Cop Killer (Matador de Policial) foi alvo de crítica por figuras políticas, policiais e de boa parte da mídia na época.

Ice T também foi traficante de maconha, ladrão de toca fitas e membro da gang Crips. Fez um sucesso estrondoso no Brasil com a música Colors do filme de mesmo nome.  Ah! já ia me esquecendo, o cara fundou a Rhyme Sindicate, um selo poderoso para o Hip Hop.

Na sua discografia constam 26 singles e 7 álbuns solos.  Sua veia artística o jogou para os holofotes também das telas, onde atuou como ator em inúmeros filmes e seriados, só para citar: o filme Trespass junto com Ice Cube e o seriado Law & Order.  Até hoje ele aparece nas telas da TV seja com sua linda esposa Coco (onde fizeram numa espécie de reality no canal VH1) ou mesmo em filmes. Ice T esta no topo e construiu um iceberg de dinheiro.

Mas vamos falar do disco aqui postado pelo dimiliduques. É o trampo de 1989, The Iceberg que tem o subtítulo Freedom Of Speech...Just Watch What You Say (algo como, liberdade de expressão ...veja o que você diz) . A gravadora era a Sire Records pertencente a Warner Music.  A capa já impactava, um desenho tipo um grafite com um cara de boné do time de futebol americano Raiders sendo cercado com uma arma em cada buraco dos ouvidos e da boca.  Lembro que na época meu mano PESO encomendou ao desenhista Bad uma camiseta com a arte da capa.  

Na abertura do LP a participação de Jello Biafra (ex-vocalista da banda punk Dead Kennedys) como um profeta orwelliano falando em meio a trovões,  guitarras, bateria e sinos, pra não dizer sinistro. O tom pessimista/agressivo do disco estava dado por palavras chaves como revolução, política, corrupção, dominação e um futuro trágico para a humanidade. Não que o tema gangsta fora arrefecido, ele também deu a tonalidade em algumas faixas como uma que tem um loop de sirene, a ligeira Hunted Child e Peel Their Caps Back que caberia em qualquer cena de filme de gangs. E a primeira música? Era a Iceberg, sample de Same Beat  de James Brown , e a voz grave do rapper numa puta pegada.

E a faixa Lethal Weapon que começa com uma faca sendo amolada para depois entrar uma base corrida e de teclados bem aterrorizantes. Outra foda é a g-funk You Played Yourself, James Brown de novo sampleado. A faixa This One’s For Me mais uma que parece trilha de filme, bem produzida por Afrikan Slam. Não podíamos passar sem citar seus Djs que sempre o ajudaram nas produções, o Dj Aladin e Dj Evil E. O rock pesado aparece na fusão com rap na faixa The Girl Tried To Kill Me a letra fala de um encontro com uma garota meio dominatrix. Um disco que fez a minha cabeça e a de muitos moleques que gostavam de rap.

Clique na capa que é a ponta do Iceberg





quarta-feira, 12 de março de 2014

Betty Wright, um choque no R&B em 1974



Betty Wright nasceu Bassie Regina Norris em 21 de Dezembro de 1953 em Miami, estado da Florida. Começou a cantar cedo, logo aos três anos de idade no conjunto gospel que seus irmãos formaram.  Era o chamado Echos of Joy e gravaram seu primeiro LP em 1965, e acreditem ou não, ela com 11 aninhos ajudou em alguns vocais.  Já em 1968 o conjunto encerrou as atividades e a irmã caçula, mudou o estilo para o Rhythm and Blues já com o nome de Betty Wright. Assinou com a gravadora Alston Records e gravou seu primeiro álbum, chamado First Time Around,  olha que em 1968 ela tinha apenas 14 anos. Mas foi com a canção Clap You Woman gravada em 1972 que ela obteve a fama. A música virou sucesso e alcançou as paradas de R&B e ficando 14 semanas nas Hot 100 da Billboard. O disco vendeu 1 milhão de cópias. 

Mas enfim vamos falar do disco aqui posto. É o seu  quarto trabalho, Danger High Voltage, algo como Perigo em Alta Voltagem. Gravado em 1974 pela Alston e saindo no selo RCA/Victor.  Discaço!, balançado, bem arregimentado, com uma Betty Wright ainda na flor da idade, aos 21 aninhos e afinadíssima.  
E também trás a tão conhecida entre nós, Toninght is tonight, a primeira composição de Betty Wright a fazer sucesso. Quer dizer, nos bailes de São Paulo estourou a versão ao vivo, e aqui no LP é a original de estúdio. Tem outros destaques como Shoorah-Shoorah, Don’t  Take me Baby... ,Love Don’t Grow...   Para quem gosta de R&B, soul, enfim musica black de primeira, é uma boa experiência, escutar os arranjos e a criatividade dos músicos setentistas. 

A cantora lançou 18 discos e desde 1985 mantém sua própria gravadora a Miss B Records. Sendo que foi a primeira artista negra a atingir o disco de ouro em seu próprio selo (em 1987 com o disco Mother Wit, que tem entre outras o agudo hit No Pain , No Gain). Em suas inúmeras apresentações pelo mundo, ela veio ao Brasil e se apresentou no Palmeiras em 1990, com a Chic Show. Gravou em 2011 o álbum, Betty Wright: The Movie com o grupo de hip hop, The Roots.  

Este é o dia, clique na capa

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terça-feira, 11 de março de 2014

A Fantástica e misteriosa batucada



E mais um daqueles discos, vinilzão mesmo, em que você dava uma olhada nas caixas dos amantes da musica e lá estava ele. Azul e amarelo e em letras garrafais amarelas.  O Fantástico do Partido Alto da gravadora Beverly em 1981, porém já vi versões em LP, que a gravadora é a Tapecar e o selo Japoti (em que nem a data e nem os compositores aparecem!). Há também uma versão em Compact Disc de 1992 pela Movieplay, com capa totalmente diferente, com o mesmo título e abaixo a inscrição; Memória da Música Brasileira. 

Tenho o disco original em casa e não há detalhes sobre produtores e músicos participantes. Sobre as composições, mesmo sem ter letra (alguém compôs a parte musical) e consta somente no CD o nome Tavares em todas as faixas. Segundo informações que procurei na internet, realmente quando foram lançar essa última versão digital, muito desses dados se perderam com o tempo. Até os tapes com as gravações originais , dizem, estavam num estado muito ruim. 

Mas vale pelo registro e cá entre nós é um disco bem legal. Ele é cru, bem tocado e criativo.  Recentemente o músico Chocolate fez um CD nesses moldes chamado A Fantástica Bateria. A faixa nº 1 (O Fantástico do Partido) é em minha opinião a melhor, mas em se tratando do intuito musical, as cinco músicas são de excelente qualidade. Hoje em dia é um disco até acessível a todos, mas imagino um tempo atrás, os gringos quando pegavam esse LP lá fora, deviam pirar. 


Bata e Clique na capa no compasso


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segunda-feira, 10 de março de 2014

O doce veneno de Sweet Tee

A rapper americana Toi Jackson, tem o nome artístico de Sweet Tee, e nasceu em NY, Queens. Lançou seu primeiro single em 1986 com a música It’s My Beat em dupla com a DJ Jazzy Joyce.

Confesso que conhecia Sweet Tee apenas da música citada acima,  e olha que era um LP pirata com duas músicas de cada lado, uma das quais Boys N' The Hood do Eazy-E. Muito tempo depois foi que consegui o disco inteiro dela para escutar. E o LP em questão era o seu debut , o It’s Tee Time de 1988 que saiu pela Profile Records.

O disco é bem produzido (o produtor foi Hurby Luv Bug que também trabalhou com as rappers do grupo Salt N' Pepa). Tem  a sonoridade e levadas características da época, final dos anos 80. Sweet Tee tinha um vocal convicto, era algo que passava certa seriedade (comparável hoje a Kmila CDD que fez participação no CD do MV Bill). 

O que se vê também no trabalho de Sweet Tee é a influência do Miami Bass em algumas faixas e até uma música romântica no final do disco. Ou seja, meio que estavam atirando para todos os lados, com a  gravadora querendo a vender como pop rap. 


Nas letras aquele esquema egocêntrico datado,  sou demais, comigo ninguém pode, venha dançar, é isso galera, esse é meu beat etc... Destaques para as faixas On The Smooth Tip, I Got da Feeling , Its Like That Y’ All e a melhor e também a que mais rolou aqui no Brasil It’s My Beat (aqui parabéns ao DJ/Produtor). Vale mais pela curiosidade, se tivessem ali mais umas duas músicas no nível de It’s My Beat, provavelmente ela teria arrebentado. Pois tinha talento e  um "rostinho bonito", qualidades que os managers das gravadoras adoram na América. Em 1995 lançou um trabalho com o nome artístico de Suga, mas não fez muito barulho. Atualmente ela continua fazendo alguns shows , participações e tributos. Tem uma pagina no facebook onde dá para ver onde serão suas apresentações, ah! e a doce Tee esta cada vez mais gata. 

Clique na capa e "Suga" esse doce



sábado, 8 de março de 2014

Feliz dias das mulheres no pagode musical


As mulheres são temas e musas constantes de composições na música popular brasileira. Eis que reúno nesta coletânea alguns sambas e pagodes que tem como sua inspiração nomes de mulheres. Tem desde as clássicas tais como a famosa Amélia de Mário Lago (óbvio que essa apenas como registro) e a Madalena do Jucú de Martinho da Vila. Até aos pagodes menos conhecidos como Minha Rosa do Katinguelê e Eliana do Grupo Luance. Coloquei também uma pitada de swing e samba rock. 

Elas são, lindas, guerreiras, mães, esposas, filhas, enfim trazem a doçura no fundo de suas almas. São inspiração para os versos dos poetas e músicos. Nesse dia especial que é o 08 de Março, que as mulheres consigam conquistar seus ideais, seu espaço com igualdade e realizem seus sonhos e objetivos. Lembrando que a mulher se faz presente em todos os dias do ano em nossas vidas. Por fim temos a faixa Mulheres de Martinho da Vila homenageando todas. 



Um pouco da História do Dia Internacional da Mulher

Desde o começo do século XX o Dia Internacional da Mulher é celebrado. O contexto é o período de mobilizações e lutas para a diminuição da jornada e por melhores condições de trabalho. E também pelos direitos civis das mulheres tais como a educação e o voto feminino.

Depois disso, a alemã Clara Zetkin (figura histórica do feminismo) propôs na 1ª conferência internacional das mulheres, em 1910 que a data se tornasse um símbolo da luta pelos direitos das mulheres.

No ano seguinte, dezoito dias depois de ser comemorado o dia da mulher em Nova Iorque, ocorreu uma tragédia que marcaria para sempre a sociedade. Um incêndio nas dependências da indústria têxtil Triangle Schirwaist Company. Local onde trabalhavam inúmeras mulheres e o patrão trancou a porta de saída. Com materiais inflamáveis e um ambiente de pouca ventilação tornou-se fatal. Os bombeiros chegaram, mas 147 operários haviam morrido. Com o acontecimento trágico a solidariedade entre as trabalhadoras do mundo todo aumentou. Debates e mobilizações desembocaram nas primeiras leis de proteção á vida e aos direitos das trabalhadoras.


A ONU instituiu a data de 8 de Março como oficial em 1977,   em consideração as lutas das mulheres. O Dia Internacional da Mulher, levou a sociedade a pensar e tomar atitudes pelas desigualdades sofridas pelas mulheres. 



Clique e feliz dia das Mulheres!


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sexta-feira, 7 de março de 2014

The Hurricane a trilha do filme

Fiquei tanto tempo atrás dessa trilha que resolvi coloca-la pensando, quem sabe alguém esteja passando o mesmo perrengue que eu? Acho difícil, mas também na época do lançamento do filme eu já queria a trilha! Pois é Hurricane – O Furacão foi lançado em 1999. A trilha me apaixonou de uma maneira, como nunca dantes havia prestado atenção. Mudou meu conceito de trilha sonora, não aquela que é composta especialmente para fazer parte do filme, mas aquela musical em que escolhem artistas de vários segmentos e a coisa funciona. A cena combina com o ritmo e a melodia de cada canção escolhida. 
 
E o filme conta com a atuação  sublime de Denzel Washington. É a história do boxeador Rubin “Hurricane” Carter e como ele fora acusado injustamente por homicídio.   Caso baseado em fatos reais, datado de 1937. Hurricane era forte candidato a conquista do título mundial de boxe quando três pessoas são assassinadas em um bar em Nova Jersey. O detalhe foi que seu carro passou em    frente ao bar momentos antes do caso, por isso ele foi colocado como principal suspeito. Condenado a prisão perpétua ele escreve de dentro da cadeia um livro (O 16º Round)  contando toda a história. Anos depois um jovem negro do Brooklyn lê o livro e se junta a três ativistas canadenses para ajudar Carter a provar a inocência e sair da cadeia.

Tem muita música boa na trilha, as que mais gosto são a de Gil Scott Heron (The Revolution Is Not Televised), o rap tranquilo do grupo Black Star, a bela levada de Etta James em In The Basement. Tem também o lamento de Ruth Brown no estilo blues em I Don’t Know e Ray Charles com linda Hard Times No One Knows. E até o clássico Hurricane (inspirada no personagem) de Bob Dylan, no filme tem sua força aumentada.

Dê um soco/clique na capa




terça-feira, 4 de março de 2014

Grupo Samba 6, dos bailes para as rádios e para a galera

O grupo paulista  Samba 6, deu início a sua carreira artística em 1970. Gravaram pela gravadora Continental, seu primeiro LP em 1975 (do sucesso Em Boca Fechada Não Entra Mosca). Lembro que essa música citada fez muito sucesso quando saiu na coletânea Samba Rock em Dois Tempos em 1988, aquele LP que tinha um lado da capa vermelha (aqui). 

 Quando contratados pela Rede TUPI de televisão acompanharam Benito de Paula no programa Brasil Som, isso em 1975. O grupo participou de várias coletâneas e em 1992 gravaram seu terceiro álbum pela gravadora JWC. Em 1996 gravaram mais um trabalho em comemoração aos 26 anos do grupo, incluindo vários de seus sucessos. Fizeram várias excursões para o exterior, tocando em países como EUA, Japão , França , Portugal, Argentina e outros.

O grupo tocava samba, mas com uma levada influenciada por Jorge Ben e por assim dizer tinha uma sonoridade mais swingada, mais samba-rock. O LP que o blog dimiliduques posta hoje , é o segundo trabalho do grupo chamado A mais Pura das Paixões e foi gravado em 1987, de bônus colocamos a música Em Boca Fechada Não Entra Mosca. Esse disco saiu pela Continental e traz os sucessos como Janet Lynn (composição de Jorge Ben) e Inspiração (composta pelo integrante Joãozinho). Tem também uma versão para a balançada Meu Samba de Tim Maia e a música de composição de Ivan Lins e Vitor Martins, Sonhos (Arrastão dos Pescadores) regravada depois pelo Grupo Raça.  Tem também composições de Mario Sergio, Ademir, Marquinho P.Q.D., Adilson Bispo e outros. Os arranjos foram de Edson José Alves com produção de Paulo Ferreira. Na época a da gravação a formação do grupo Samba 6 era: Luiz Carlos - Pandeiro e Vocal, Aurio - Tamborim, Agogô e Vocal, Joãozinho - Cuíca e Vocal, Lucio - Surdo e Vocal, Jonas - Reco-reco e Vocal e Geraldinho - Tantã e Vocal. 


Musicalmente falando o grupo é bem respeitado no meio do samba - lembro que o integrante Geraldinho chegou a sair no encarte do LP Reunião de Amigos do Grupo Arte Final (aqui). Resumindo,  grupo muito bom, uma percussão ritmada, arranjos que combinam e extraem de cada composição o que ela tem de  melhor. Tinham suas músicas bem tocadas nos bailes das equipes de som de São Paulo e boa aceitação do público que curtia um samba rock. Difícil não se render aos metais de Janet Lynn ou a cuíca e o coral swingado de Inspiração. 

Clique na capa e saia dançando! 



segunda-feira, 3 de março de 2014

Jamal Sem Medo de Errar


Conheci o Jamal quando ele era DJ e produtor do grupo de rap Alvos da Lei. Logo de cara pintou uma empatia e curiosidade. Lembro até hoje a primeira vez que fui em sua casa na Vila Missionária, periferia sul de São Paulo. E num quartinho tinha um computador daqueles ainda com as letras verdes,  tipo aqueles programas arcaicos Lotus e MS DOS. E ele mostrou uma base que estava trabalhando para a rapaziada versar. Esta nítido em minha mente até hoje aquele sampler louco, era aquela linha de baixo de Gil Scott Heron na música The Revolution is Will Not Be Television. Eu fiquei alucinado, até então o que eu conhecia de rap era cantar em cima de instrumentais dos rappers gringos. Agora produzir sua própria base do zero, aquilo ali era a desenvolvimento do rap nacional na minha frente. 

Voltei outras vezes e sua evolução era clara, comprou outro computador, mesa de som, microfones, teclados e aí ninguém segurava mais o mano. Saiu do grupo Alvos da Lei e fundou o selo MHSoul. Eu ainda frequentei sua casa por um tempo, onde ficávamos conversando sobre música e ele ficava me mostrando algumas pérolas da música negra, como banda Black Rio, Notorious BIG e outros.

Até que um dia mostrei umas letras de rap que eu tinha guardado. Foi a junção da vontade com a oportunidade! Ele gostou do que viu e dei carta branca para que ele modificasse os versos que achasse necessário e assim nasceu o hit Lunático. Música essa que tocou muito bem nas rádios e que entrou primeiro na coletânea Movimento de Rua de 2001, com participação de Xis.

Depois ele lançou o seu primeiro trabalho solo, Sem Medo de Errar, pelo próprio selo MHSoul. Dentre as músicas compus em parceria com ele, além de Lunático,  o rap  Bomba H. O  CD lançado em 2002 é bem acabado, coisas de quem sabe o que esta fazendo. E as participações de outros manos (Jason, Erick 12, Slim, Colapso, Lito e APC 16) enriqueceram ainda mais a produção.  Como ele mesmo disse, um sonho que se tornou realidade, desde sua caminhada em 1992. Depois a gente acabou perdendo o contato, me enveredei por outros caminhos musicais , mas sempre acompanhei de longe seu trampo. Se encontramos na área algumas vezes e o respeito é mutuo. Hoje ele esta na campo do hip hop gospel e muito bem graças a Deus.

Clique na capa e ouça sem medo de ouvir




Negro Doido, black mad o som que fazia a cabeça

Black Mad mad black mad, essa frase falada no compasso pelo locutor Mauricio Black Mad alegrava muitos domingos. O estado era São Paulo,  anos 80/90, estação de rádio Band Fm e o programa , Charm Dance. Eu era adolescente ainda, mas era muito influenciado pelos sons que eu ouvia, principalmente nas ruas. Pois é, a rapaziada ora colocava aquelas caixas imensas (as chamadas JBL) para rolar uns vinis, ora com um gravador boombox e muitas fitas K7. E ali reunidos os amigos trocavam ideias, dançavam, paqueravam, faziam amizade e outras coisitas mais. Rolava sons de artistas como Sweet T., Kurtis Blow, Whodini, Kool Moe Dee, Ice T., Ted Pendergrass, Queen Latifa, Heavy D. , Al Green, Freddie Jackson e outros mais.   

Tinha já uns “nego véio” também, os função que davam as caras. Mas como era mais um pessoal do bairro mesmo, o ambiente era tranquilo, apesar que ficar na rua ou em volta da fogueira até altas horas já era um risco maior de se trombar um opalão preto ou mesmo a ROTA.

Mas enfim falando de música, a equipe Black Mad era umas das mais tradicionais aqui de São Paulo. Dava baile em vários salões importantes, só para ficar nuns poucos: Quadra das Rosas de Ouro, ASA de Pinheiros, Lar Croatia, Casa de Portugal, Diamante Cor de Rosa, Tio Sam...  As equipes de som tinham lá suas rivalidades e disputas pelos ouvidos e atenção do público. Mas prevalecia certo respeito e profissionalismo. E as opções eram boas, tinha a Chic Show, Zimbabwe, Circuit Power, Kaskata's, Os Carlos,  Dinamite dentre outras.  Elas fizeram parte de todo um movimento, principalmente ligado a música negra. Mas isso acabava envolvendo, mesmo que de modo mais velado,  politica e direitos civis.

A equipe Black Mad surgiu em 1974 quando Mauricio e seus irmãos resolveram fazer reuniões de pessoas que curtiam James Brown e desse encontro começou surgir  algo mais amplo. Até a criação da equipe que teve a sugestão de se chamar Negro Louco e traduziram para Black Mad.

O LP postado aqui no blog dimiliduques foi lançado em 1990 pela gravadora WEA. Era uma compilação de Soul/Funk/Hip Hop, que traduzindo numa linguagem mais popular na época, eram melodias e balanços. E pode ter certeza que tem umas balas nessa bolacha.


Agradecer ao meu mano Gran Master Boy por ter me enviado o arquivo..é nóis!