terça-feira, 19 de julho de 2016

Bruno Maia swingueiro romântico

O cantor Bruno Maia é natural do Rio de Janeiro e é daqueles do time do suingue e romantismo. Grata surpresa quando achei esse trabalho, cheio daqueles arranjos nostálgicos, bem anos 90. Com bastante sambalanço e teclados e metais entrecortando a harmonia. Vem ali na praia dos primeiros trabalhos de Serginho Meriti, Joãozinho Carnavalesco, Mariano Brow, Branca Di Neve, Dom Benê, Bedeu, Dhema, Faeti, Luiz Vagner etc... Seria meio que da segunda geração do swing, depois de Carlos Dafé, Black Rio, Cassiano, Hyldon, Toni Tornado, Tony Bizarro, Originais do Samba, Bebeto, Tim Maia, Jorge Ben...

De voz bem marcante e forte, Bruno Maia canta afinado, talvez faça jus ao sobrenome famoso, mas ele não tem nenhum parentesco de sangue, apenas uma boa coincidência da vida com o Maia do Tim.

O blog dimiliduques põe a disposição o LP gravado em 1990 pela gravadora Tropical Produções Artísticas (TPM) sob licença da Polygram. Um LP bem produzido na sua simplicidade. Mas musicalmente bem interessante, swing balançado e romantismo que flerta com a MPB. Foi gravado nos estúdios Transamérica com direção de Milton Manhães. A coordenação de produção foi de Adilson Victor com arranjos de Evaldo Santos.

Bruno Maia em seus shows era acompanhado pelos músicos Aloisio Jacaré (guitarra), Edival (bateria), Luiz Bunn (saxofone), Gilsinho (trompete) e Divino  (teclados). É um disco bem prazeroso de se escutar, te remete a uma época, uns podem dizer que seja datado, mas, em minha opinião, isso não desmerece em nada um disco. O repertório foi muito bem escolhido: a balada swingada Pensem em Mim (Piter), swing maneiro Preta da Ladeira (Jorge Santana, Paulo Santana e Betão), uma levada black em Sou do Cais (Beto Corrêa/Franco), outro swingão Tiririca (Beto Correa), a balada com uma linda linha de baixo Olhos da Paixão (Adilson Victor/ Mauro Diniz), outra balada com nome de mulher Malce (Beto Correa), Se Não For Amor (Jorge Santana, Paulo Santana e Angela Santana) swing estilo os gravados por grupos de pagode dos anos 90, a romântica depois regravada por Royce do Cavaco, Meu Calor (Cesar Veneno/Carlinho Verneck), a faixa De Mim é a mais samba de todas, composição de Jorge Aragão e por último a minha preferida, a balada Amor de Calça Jeans (Bandeira Brasil). É isso um cantor com swing , sua discografia conta com quatro trabalhos: Bruno Maia (1990 /TPM Tropical Prod. Musicais), Agora é Pra Valer (1993/TPM Tropical Prod. Musicais), Swing e Balanço (2006/Diamond Records), Iluminado (2012/independente).

Agradecimentos a comunidade Bandeira do Samba no facebook a qual disponibilizou essa raridade.

 

          


               



Repost: Chilão e Johnny - Loves Collection

Essa postagem vale muito pela nostalgia, literalmente! A dupla Chilão e Johnny tem história na black music de São Paulo. O primeiro fez parte da Equipe Zimbabwe (eu jurava que ele era da Chic Show!) e o segundo tem uma historia nos bailes black desde a década de 70. Eles lançaram essa coletânea de melodias pela gravadora Columbia, que depois saiu em CD pela Sony e  também pela pequena Rhythm and Blues. Não sei a data correta, mas deve ser algo ali na metade dos anos 90. Se repararem bem, o estilo da roupa dos caras na capa esta bem para o rappers americanos do inicio de 90, tanto que o Chilão (a direita) esta a cara do Ice Cube. Chegaram a fazer uma outra coletânea de Samba Rock com o título de Rhythm Rock com capa semelhante, pela gravadora Rhythm and Blues.

Agradecimentos ao blog http://equipepiratadobom.blogspot.com.br/ 


segunda-feira, 18 de julho de 2016

Bis do Biz...só no vapor do hip hop

Estava adiando (nem sei o porquê) a postagem desse play, mas depois de já tê-lo perdido do HD , resolvi de uma vez por todas resenhar. Já escrevi sobre o Biz Markie em outra oportunidade (leia aqui) mas hoje é o sobre o LP Goin’ Off. Mano, viagem! só posso falar isso, sempre sou transportado para 89 com esse disco, tudo bem ele foi lançado em 88 mas só um ano depois tive acesso ao mesmo. E isso foi através dos plays do meu tio João Galo, mais conhecido como Função, aliás vários discos e músicas que escutei na minha adolescência  foi tudo culpa dele (que bom!).

O álbum Goin’ Off do rapper Biz Markie foi gravado entre 1987/1988 pela gravadora Cold Chillin/Warner Bros Music. Foi o primeiro da carreira do rapper e que boa estreia!. Curiosamente as cinco primeiras faixas do disco, inclusive o hit Vapors, foram compostas por outro rapper (e amigo pessoal de Biz), Big Daddy Kane.

A produção ficou a cargo do legendário DJ Marley Marl e participação nos vocais de TJ Shawn integrante da Juice Crew All Stars. O scratchs foram do primo de Biz Markie e seu parceiro nos shows, Dj Cool V.  Eu gosto muito do álbum todo, já que ele me remete a minhas tardes com o 3 em 1 ligado escutando vinis de rap. Mas sempre há aquelas faixas em que você tirava a agulha e colocava do começo, eu fazia isso com Vapors, Goin’Off, Albee Square Mall, Returno of The Biz Dance e Cool V’s Tribute To Scratching.

A masterização é um caso a parte, feita pelo engenheiro de som Herb Powers Jr. , o cara dominava as primeiras caixas de ritmo da época, as TR 808/909 abusando dos seus graves altos (loud), agudos nítidos e graves profundos nos chamados pumping bass (baixo sintetizado com efeito “bombado”), o técnico já trabalhou em discos de LL Cool J,  Ted Pendergrass, Blue Magic, Toni Braxton, Keith Sweat e J.R. Funk And The Love Machine.

A capa é espalhafatosa, mostra a imagem do rapper refletida num daqueles espelhos que eram atração nos parques de diversões. A fotografia e design da capa é de George Du Bose que já realizou trabalhos com B52’s, Ramones, Atlantic Star e Kid Creole And The Coconuts.

Alguns especialistas em rap opinam que as letras desse trabalho eram um pouco óbvias e rudimentares, mas foi o retrato de uma época, a maioria dos rappers de então não eram de todo politizados e a rima mais lúdica e egocentrista prevalecia nas letras. Somados a isso sua interpretação, com melodias em desafino, seu humor e seu improviso, Isso poderia rumar para perda de identidade das ruas, mas ao contrário só fortaleceu sua música. Sem dúvida o disco é um dos grandes clássicos da era de ouro do Hip Hop, considerado um dos top 100 da revista Source de New York.

Fontes, sites: Allmusic, Discogs, Wikipédia, MTVartists, disco-disco, blog Lost Jewells e Nerdtorius

Sinta os vapores clicando na capa!







sexta-feira, 15 de julho de 2016

Os Meninos do samba , meninos do Rio

“Nem só de rap vive o homem” *frase criada a esmo para iniciar texto em blog. Gosto muito de rap, acho que a primeira vez que senti um ritmo em que valeria a pena se envolver de corpo e alma foi o rap em minha vida. Antes disso observava alguns dos meus primos curtindo rock nacional (Paralamas, Ira!, Titãs) e internacional (Led Zeppelinn, Tears For Fears, Simple Minds) e até mesmo os pesos de Iron Maiden e Black Sabbath. Logo depois meu tio e seu estilo função com os Samba Rocks e melodias (outra virada em minha alma musical). Os sertanejos de meu pai com Trio Parada Dura, Léo Canhoto e Robertinho e Tonico e Tinoco. Depois os amigos curtindo um samba de Zeca Pagodinho, Fundo de Quintal e Beth Carvalho. Até os "bregas" de minha mãe com Carlos Alexandre, Amado Batista  e Paulo Sérgio, contribuíram para o caos do meu gosto musical. Melhor assim , mais tarde conseguiria dar o devido respeito aos diversos ritmos, sem aquele preconceito de “não conheço, não ouvi e não gostei”.

Mas beleza! chega de enrolação e vamos focar. Já que é de lei “ecletizar” o blog dimiliduques! Hoje a postagem é da coletânea Os Meninos do Rio. Menino do Rio foi um filme na década de 80 com trilha sonora de rock nacional, mas nesse caso do título  foi apenas uma brincadeira irônica, pois a trilha aqui é Samba! E do bom! Cantada por “jovens senhores” da velha guarda.

Detalhe é que cada faixa é um pout porri de três a quatro músicas, sabe aquela coisa das rodas de samba organizadas por quem manja do assunto... Alguns nomes conhecidíssimos por quem curte “samba de raiz” nomenclatura que eu acho um pouco pomposa e até fora de contexto, mas que serve por ora, para dar diretriz a um samba verdadeiro. Tem Monarco, Aluizio Machado, Dona Ivone, Nelson Sargento, Jair do Cavaquinho, Elton Medeiros...resumindo só bamba.

Gosto de várias faixas, mas sempre me chamaram a atenção os arranjos e a beleza dos pout porri Pecadora/Colete Curto/Remando Contra a Maré/Falange do Erê, Maria Rita/O Sol Nascerá/Menino de 47, Chinelo Novo/E Baiana/Nos Combates Desta Vida/A Vovó Chica/Vai Vadiar e Minha Filosofia/Agoniza Mas Não Morre/Vou Partir.


A coletânea foi lançada pela gravadora Carioca Discos em 2000 com produção artística de Paulinho Albuquerque, direção musical e arranjos de Claudio Jorge (violão) e Wanderson Martins (cavaco). Com a cama maravilhosa dada por músicos como Marcelinho Moreira, Ovídio, Gordinho e Armando Marçal (percussão), Carlinhos Sete Cordas (Violão de 7) e no coral temos Martnália, Analimar, Ari Bispo, Jurema de Cândia, Viviane Godói, Copacabana, Marcelinho Moreira e Ovídio.

Clique na capa ...samba...calor que provoca arrepios!





quinta-feira, 14 de julho de 2016

Repost: Biz Markie, um rapper comediante que não é comédia

A primeira coisa que me vem a cabeça quando ouço o nome Biz Markie é : Vapors e Just a Friend. Mas o cara é um rapper de calibre pesado. Nasceu em Nova Iorque em 08 de Abril de 1964 e seu nome de batismo é Marcel Theo Hall. Começou a carreira em 1985 como beatboxer para a rapper Roxanne Shanté. Tem sua origem no Harlem e mais tarde mudou-se para Long Island. E lá começou a rimar, seus versos eram quase sempre espirituosos e bem humorados. Depois fez parte do coletivo Juice Crew com, Marley Marl, MC Shan,  Big Daddy Kane e Kool G Rap, maioria moradores de um dos berços musicais do rap, numa espécie de COHAB, a Queenbridge House's, no bairro do Queens.

O blog dimiliduques saca da caixa de plays, o Diabolical Biz Markie – The Biz Never Sleeps de 1989. Outra daquelas capas chamativas , que quando passa pela sua juventude você dificilmente a esquece. Traz o artista, Biz Markie, transvestido de cientista , bem a seu estilo pateta e maluco. Esse disco saiu aqui no Brasil pelo selo da Warner Bros e ao contrário do primeiro (Goin Off), esse não teve a participação do produtor Marley Marl. Biz Markie quis fazer do seu jeito, juntamente com seu primo, o DJ Cool V.  

Desse LP destaco a já famosa e um dos seus maiores sucessos, Just a Friend, exemplo de música que se mostra chata no começo e de refrão meio desafinado (óbvio que propositadamente), mas que tem um efeito devastador (no bom sentido) nas caixas acústicas e na pista de dança dos bailes. Digamos que ela foi a responsável pelo reconhecimento mundial do nome Biz Markie, depois de um 9º lugar na Billboard. Uma curiosidade é que o refrão é de uma música de Freddie Scott (You Got Waht I Need).

Outras duas faixas também legais são: She’s Not Just Another Woman (Monique) que tem um clima suave, mas malandreado e outra é a Mudd Foot com um sampler de sax jazzístico bem sacana.  A Me versus Me é um entrelaçado de beatbox, especialidade dele. Outro destaque é a My Man Rich, com um looping de contra baixo contagiante. E tem também a engraçadinha The Dragon, que pasmem, fala sobre flatulência! Agora a minha preferida do disco é Check It Out, com sampler grooveado e a levada meio desengonçada de Biz que dá um puta efeito.

Os rappers mais nervosos da época não o levavam tão a sério, mas ele angariava fãs por onde passava. Só depois de um tempo começaram a entender sua maneira de fazer música e até se tornou influente em alguns segmentos undergrounds.

Apesar disso sua carreira sofreu um duro golpe em 1993 no lançamento do álbum I Need a Heircut. Foi processado pelo cantor Gilbert O’ Sullivan por ter usado sem autorização um trecho de sua música Alone Again (Naturally) . Gilbert não só ganhou o processo como a Warner Bros (ligada ao selo Cold Chillin) teve que recolher todos os LP's e K7's das lojas. A partir desse caso, mudaram, de certa forma, as relações de Djs, músicos e gravadoras no mundo hip hop.

Apresentou-se em mega eventos como pré-Oscar Party, Grammy, Super Bown, NBA All Star Weekend e outros. Participou do reality show Celebrity Fit Club em 2005. Uma das suas ultimas aparições (2013) foi uma participação na música da banda de indie rock The Flaming Lips.

Atualmente Biz Markie é multimídia, participa de comerciais de grandes empresas como Pepsi, Budweiser, Microsoft e Heineken. É Disk Jockey, animador, ator, humorista e se apresenta em eventos diversos, chegando a fazer 200 deles por ano. Também figurou em aparições no programa infantil da Nick Jr. com o personagem Yo Gabba Gabba. Tem seu nome ligado a produtos para crianças e em seu site oficial vende tênis, camisetas e até trechos de sua voz/beatbox para chamadas de celular.  E assim o old school Biz Markie vai levando a vida e faturando.

 Clique na capa justamente amigo




quarta-feira, 13 de julho de 2016

Eu DJ?

Quem nunca sonhou em ser jogador de futebol, DJ ou cantor de sucesso atire a primeira pedra...calma! não precisa tacar tijolo também! Jogador joguei pouco na época que existia a posição ponta direita eu era um, camisa 7 que corria muito tipo Euller o filho do vento, mas me inspirando no Muller do SPFC! Passou...adolescência chegou e ser DJ era minha meta!. 

Já com 13 para 14 anos ia aos bailes e me interessava mais as sequências musicais , os discos de vinil, a aparelhagem do que outra coisa que rolava, como as gatinhas (quer dizer nesse caso sempre me envolvia rs), as danças e outros aditivos a mais do baile. Cheguei a colecionar discos de vinil com um “amigo” o Dão, só que ele provou ser um “Drão” e roubou meus vinis , vendeu para outras pessoas e sumiu. 

Ainda fiz parte de uma equipe junto com um colega do primeiro grau do colégio Ayres Neto, o Paulo PESO, a nunca famosa Equipe Som Black  - O Som de Sampa, outra vez meus vinis se espalharam, me enrolaram e fiquei a ver navios. Por último tentei a vida de cantor e me dei mais ou menos bem, primeiramente escrevi, cantei e gravei rap nos grupos Dimensão Rap, RDS (Retrato do Sistema), Organização Brutal, Posse Símbolo Negro e Mente Aberta. Depois como letrista tive músicas gravadas pelos manos do Alvos da Lei (Cena do Loco) e Jamal (Lunático). Tempos depois me enveredei para o samba/pagode e alguns grupos gravaram composições/parcerias minhas como o Grupo Eterna Aliança (Só Seu Beijo) e Grupo Karicia (Romance Virtual) e cheguei a gravar/cantar/compor quatro faixas em coletâneas com os grupos Filosofia do Amanhã/Samba Primazia e um CD solo com o Grupo Puro Prazer.

Bom essa introduçãozona para quê? Enfim para postar um arquivo que achei perdido, descrito como DJ TCHELO. Escutando aqui é uma coletânea de “produções” e exercícios que fiz fuçando o programa Virtual DJ. 
Nessas pseudo produções usei um pouco de musica brasileira e procurei misturar com hip hop e dance dos anos 80/90. Então tem umas coisas malucas, experimentalismos  com , funk, MPB, Dance Music e bases de rap. Está mais para aqueles vinis tipo DJ Construction, na verdade é apenas uma tiração de onda in loco.  Tudo quando é na fase de descoberta é legal, depois enjoei do programa, mas um desses na década de 80 ia fazer estragos no bom sentido.


Clique na capa mas...Advertência! contém sambadas, deslizadas e atravessadas.




terça-feira, 12 de julho de 2016

Bem vindos a Casa da Dor! House of Pain

Não entremos nessa rap branco etc e tal, porque entraria num campo social político chato pra caralho. Mas enfim, música is music! E o grupo House of Pain (Casa da Dor) marcou época na década de 90 com seu modo agressivo de cantar e principalmente pelo hit Jump Around.

A primeira vez que ouvi os caras foi na MTV no clipe da famosa música acima, enérgico! uma paulada na mente. Bases e levadas cruas e nervosas o negócio chegava a ser hostil mesmo. Os branquelos fudidos da East Coast americana fincaram sua bandeira no hip hop mundial. As idas na casa do meu amigo PESO, junto com o Reni e Juliano sempre rolava um som do House of Pain era época do bate cabeça.

O dimiliduques coloca o debut da rapaziada, com o primeiro CD Fine Malt Lyrics, lançado pela Tommy Boy Records em 1992. O grupo era formado por Everlast, Danny Boy e DJ Lethal, um time pesado.  O integrante mais visado era Everlast (Erik Schrody) , espécie de líder nato, ele já havia lançado um trabalho solo (Forever Everlasting – 1990) pela Rhyme Syndicate de Ice T, mas passou despercebido, por isso montou o House Of Pain. No começo se juntou com o amigo de escola Danny Boy (Daniel O’Connor ),  DJ Lethal (Leor Dimant) entrou logo depois, já que seu pai era um colecionador de discos de vinis com mais de 4500 LPs de jazz, de onde a maioria dos samplers do grupo saiu. Lembrando que a produção do disco se deve ao talentoso Dj Muggs do Cypress Hill que também trampou no segundo CD dos caras. Outra curiosidade é que o grupo se dizia descendente de irlandeses, mas na verdade só Leor/DJ Lethal era verdadeiramente, mas enfim isso foi usado também como um diferencial para conquista de público. O estilo e fama dos irlandeses na américa sempre foi de brigões, beberrões, mulherengos e apreciadores de armas de fogo.


Encerraram suas atividades em 1996 depois das baixas vendas do CD lançado nesse mesmo ano (Truth CrushedTo Earth Shall Rise Again). Danny Boy acabou virando empresário e trabalhando com artes gráficas (foi ele quem criou o logo do grupo), faz parte da equipe de Graffiti Dissizit e cria designs para a marca Pain Gang. Ainda flertou com a música  formando os grupos ATF e Xsupermodels, mas o projeto mais falado foi junto com os ex companheiros no La Coka Nostra.  DJ Letahl se deu bem entrando na banda de Nu Metal Limp Bizquit, fazendo relativo sucesso quando o estilo estava em alta junto com Korn e colaborando com outros grupos como Evanescence. E Everlast lançou-se como cantor folk/rok/pop/rap lançando 7 discos:  Forever Everlasting (1990), Warner Bros. Records, Whitey Ford Sings the Blues (1998), Tommy Boy Records, Today (EP, 1999), Tommy Boy Records, Eat at Whitey's (2000), Tommy Boy Records, White Trash Beautiful (2004), Island/Def Jam, Love, War and the Ghost of Whitey Ford (2008), PIAS/Martyr Inc Records Songs of the Ungrateful Living (2011).   Como grupo eles lançaram três discos na carreira;  Fine Malt Lyrics (1992/Tommy Boy Records), Same as It Ever Was (1994/Tommy Boy Records ) e Truth CrushedTo Earth Shall Rise Again (1996/Tommy Boy /Warner Bros).

Pule para a capa e baixe! 

Obs: Contracapa ilustrativa, já que o arquivo contém o CD original com apenas 15 músicas.



segunda-feira, 11 de julho de 2016

Rap suave e jazzístico do trio Digable Planets

O trio Digable Planets, surgiu na Philadelphia (depois eles se mudariam para o Brooklyn NY) em 1991, Mary Ann “Ladybug Mecca” , Ishmael “Butterfly” Buttler e Craig “Doodlebug” Irving faziam um hip hop alternativo com fusão no jazz.  Em 1993 eles lançaram o single de Rebirth of Slick (Cool Like Dat) que sairia depois no CD Reachin (A New Refutation of Time and Space)  pela gravadora Warner pelo selo Pendulum.  A musica foi sucesso imediato e ficou em 15º lugar na Billboard. E é esse trampo que o dimiliduques deixa pra vocês. Um rap cheio de referencias psicodélicas nas letras, consciência política, afro descendência, viagens abstratas e poesia. A levada era simplista e calma, mas dava todo um estilo descolado para o grupo. A Ladybug Mecca era uma gata, quer dizer na época eu sonhava com essa mina. O detalhe é que em seu sobrenome tinha o Vieira, já que ela é filha de dois músicos de jazz brasileiros (mãe cantora e pai instrumentista), ela foi criada nos EUA. O som do Digable chegava a ser elegante, continha pitadas de Cool Jazz e soul em seu universo musical. Depois do lançamento do primeiro trabalho, eles começaram a se apresentar/experimentar ao vivo com uma banda, com direito em algumas ocasiões a violoncelo, sax, trompete, bateria, contrabaixo, guitarra, ecos nas vozes, teclados e percussão.
Apesar de não serem os pioneiros nessa fusão, pois isso foi primeiramente experimentado por Gill Scott Heron e The Last Poets nos anos 70, depois a banda Cargo fez o single Jazz Rap em 1985 e um dos que mais adentraram no estilo foram Guru e seu grupo Gang Starr. O Digable Planets veio no inicio de 90 mas de maneira inovadora fez um jazz rap suave que teve uma legião de fãs e influenciou muita gente.  Ganharam um Grammy e foram sucesso de crítica. Seus samplers continham trechos de artistas diversos tanto como The Gap Band, Earth, Wind and Fire, James Brown,  KC and The Sunshine Band como The Modern Jazz Quartet, Herbie Hancock, Art Blakey, Curtis Manfield e Sonny Rollins.  Foi por essa época que o jazz entrou de vez na paleta musical do DJs e produtores. Assim gotas jazzísticas musicais foram espalhadas nos discos de rap alternativo;  Nas, Common, De La Soul, Arrested Development,  A Tribe Called , The Roots, The Fugees, Pharcyde... Aqui no Brasil essa influência poderia ser ouvida em pitadas no grupo Mzuri Sana, Slim e Kamau.

Em 1994 eles lançara o segundo álbum elogiado por  muitos, intitulado Blowout Comb pela Pendulum/EMI, um álbum mais musical, que usou mais instrumentos de verdade e uma banda de jazz. Nesse álbum os vocais estão ainda mais suaves, altura mínima de maneira que a voz não se sobressaísse sobre os instrumentos. E também é um disco em que falam mais sobre cultura urbana, negritude e origens negras.  Em 1995 o grupo se separa por “diferenças criativas” após um hiato de 10 anos em 2005 eles se reuniram para lançar a coletânea com remixes, lados B em Beyond the Spectrum: The Creamy Spy Chronicles.  Essa reunião durou até 2011. Depois disso seus membros partiram para trabalhos solos e participações, mas continuam indiretamente envolvidos com musica até hoje.  Buttler  colaborou com o multi-instrumentista Tendai Baba Maraire na união conhecida como Shabazz Palaces. Ele lançou também os discos Black Up (2011) e Leje Majesty (2014) ambos pelo selo SubPop. Irving também gravou dois álbuns como Cee Knowledge & Cosmic Funk Oschestra,  independentes e de tiragem limitada pela Heaven and Earth Recordings em 2000. Já Ladybug Mecca lançou em 2005 o álbum Trip the Light Fantastic pela Nu Paradigm, e teve participações: no trabalho da Sony sobre Billy Holiday (Remixed and Reimagined), com Dj Moe Choi, com Del tha Funkee Homosapien e até em um projeto de dublagem da personagem Tracey Triceratops num CD para crianças, continua se apresentando como DJ Lady Mecca.

Clique na capa e diga, que bom planetas!








sexta-feira, 8 de julho de 2016

Run DMC os carinhas que moravam logo ali no Queen's

A banda de rap RUN DMC  foi formada em 1981 no Queens em Nova Iorque,  por Jason “Jam Master Jay” Mizel, Joseph “DJ Run” Simmons e Darryl “D.M.C.” McDaniels.  Engraçado que o DJ Run virou um dos Mc’s do grupo e a nomenclatura DJ o ficou, pois ele realmente foi um DJ reconhecido por acompanhar um dos pioneiros do rap, Kurtis Blow,  mas no grupo quem comandou os toca discos foi o Jam Master Jay. Run também é irmão de Russel Simons co-fundador da Def Jam records.

Em 1983 lançaram três singles Sucker MC’s, Jam Master Jay e Hard Times, que antecederam o lançamento do LP RUN-DMC  de 1984 pela Profile Records. No ano seguinte,  mais três singles : "King of Rock", "Can You Rock It Like This", "You Talk Too Much", antes do lançamento LP King Of Rock, esse com algumas guitarras a mais. Importante salientar que os singles eram o discos de vinil de 7” polegadas, menores e com uma faixa de cada lado que rolavam em 45 rpm , motivo pelo qual a música quando era tocada no rádio saia mais encorpada, numa qualidade muito boa. Só que aqui no Brasil padronizaram as vitrolas para 33 ½ rpm  e os compactos baixaram de qualidade, ainda mais quando saiam com quatro faixas , duas de cada lado, o resultado era pior ainda. Só depois que inventaram os LPs de 12” para os DJs tocarem na noite e a qualidade melhorou um pouco.

O blog dimiliduques coloca para vocês o terceiro álbum do RUN DMC e um dos mais aclamados do grupo. Já que foi ele que abriu de vez as portas do sucesso para essa rapaziada. Com lançamento em 1986 pela Profile Records, foi logo alcançando o quinto lugar na parada Billboard Hot 100, primeira vez que um grupo de rap conseguia tal proeza. A canção era Walk This Way parceria mais que entrosada entre RUN DMC e a banda roqueira Aerosmith. O álbum aparece na lista de 500 maiores álbuns de todos os tempos da revista Rolling Stone, ocupando o número 122.

Sobre o lado pessoal, já que o blog é tal, me lembro da primeira vez que vi o LP. Era um domingo de manhã de 1990 e meu amigo PESO, o qual estávamos formando um grupo de RAP (Dimensão Rap), me acordou. Era fácil me acordar, já que eu dormia na sala e a casa dos meus pais era de dois cômodos. Ele eufórico para escutar o disco que acabara de comprar e eu impressionado com as cores da capa. Chamou-me a atenção o nome da música Adidas e procurei um tênis da marca no pé de um dos integrantes, pensei comigo: vendidos. Mas quando botei o disco no 3 em 1 Gradiente de casa, na hora gostei do som dos três manos. A produção de Rick Rubin e Russel Simmons foi certeira. Destaques: A entrada de Peter Pipe até hoje me faz arrepiar, os vocais quebrados, um scratch mandando a deixa e o instrumental com sampler de Bob James (da faixa Take Me To The Mardi Gras de 1975). 

E assim o disco vai fluindo com a faixa It’s Tricky com um riff de guitarras e bateria no compasso. Depois vem o My Adidas uma ode ao tênis  da marca (num merchandising oitentista). Depois vem Walk This Way com um solo contagiante que gruda na mente. Is It Live com uns bongos dando um clima swingado. A minimalista Perfection. E a introdução de Hit Run com ecos nas vozes para depois entrar uma base pesada entremeadas por beat box. Raisin Hell também é a típica mistura do rap com rock, pode-se dizer que é o embrião que se inspiraram bandas como Faith no More ou Anthrax. You Bellin é a faixa mais animada do disco, foi até surrupiada pela banda brasileira Inimigos do Rei no hit Adelaide. Dumb Girl parece que foi feita para dançar break por sua construção de beats. Son Of Byford usa beat boxes nas suas batidas, apesar do grupo Fat Boys serem os melhores nesse estilo, o RUN DMC arrebentava também. Proud To Be Black, outra faixa que prova que a levada dos caras e as colagens de Jay faziam a diferença, transformando uma base simples em algo empolgante.

Daqueles trabalhos feitos com poucos recursos, criatividade, talento e verdadeiramente old school, para qualquer marmanjo que viveu o rap na década de 80/90 relembrar e as novas gerações apreciarem. Quem acompanhou o seriado Todo Mundo Odeia o Chris ouviu alguns sons do grupo e até um episódio (Todo Mundo Odeia DFN 1986) que eles estavam envolvidos no enredo indiretamente. 

Clique na capa Run! Run! Run!





quinta-feira, 7 de julho de 2016

Rita Lee roqueira e pop

Eu como fã de black music/soul/samba nascido na periferia de São Paulo nem dava muito atenção a chamada “rainha do rock”, o movimento rock Brasil chegou em mim aos pingos. Meus primos e alguns amigos consumiam tudo sobre, pois eram fãs ardorosos do movimento que teve seu auge na década de 80. Obviamente como amante de música acabei escutando várias fitas, vinis e também no rádio e TV. E detalhe ganhei da minha mãe uma blusa azul royal com o desenho em verde limão escrito Blitz Rodioatividade.

Vamos falar de Rita Lee Jones, dispensa apresentações, também uma artista que fez parte da lendária banda Mutantes, foi envolvida indiretamente com o tropicalismo, lançou 32 álbuns e que vendeu “só” 55 milhões de discos na carreira solo... Tempos depois, escutando alguns de seus discos, entende-se a linguagem pop rock em que ela se inseriu. Coisa feita com esmero, alguns  podem até não gostar,  achar brincalhão demais ou sem conteúdo social / político, mas era isso mesmo, desbunde, esculacho, curtição e entretenimento. O lado mais sério da Rita aparecia quando ela falava para o sexo feminino em letras como Cor de Rosa Shock, Menopower, Elvira Pagã, Luz Del Fuego, Doce Pimenta, Todas As Mulheres do Mundo, Pagu ou espetava a censura da época com a linguagem das ruas ou mandava recados malcriados aos “amigos” da MPB.

 Via-se claramente que o negócio ali era puramente alma musical. Aí pergunto e a revolta/rebeldia, contracultura? Então...a partir do momento que você anda por uma estrada diferente daquela traçada pelo medalhões da MPB da década de 70 (Gil, Caetano, Chico Buarque etc..) você já esta se rebelando contra algo, e tinha a trilha rock and roll para dar um toque juvenil na parada.
Vamos falar musicalmente, o blog dimiliduques põe a disposição o LP de Rita Lee - 1979, gravado pela Som Livre. Uma pérola do pop! Aqui a músicalidade de Rita Lee se encaixou com a de Roberto de Carvalho, literalmente.

Um ano antes o LP Babilônia já prenunciava potencialidade para o sucesso e se desvencilhava aos poucos dos músicos que a acompanhavam da banda Tutti Frutti (exceto R. de Carvalho) para abrir espaço para a formação da banda Cães e Gatos .

Mas o LP de 1979 era a volta da Ovelha Negra ou algo do tipo, já que Rita teria que provar que Babilônia poderia ser superado em suas 150 mil cópias e que suas composições poderiam cair no gosto do público. E assim sucedeu um repertório com algumas baladas como Mania de Você (Rita Lee/Roberto de Carvalho) e Doce Vampiro (Rita Lee) ou pop rocks ligeiros como Papai Me Empresta o Carro (Rita Lee/Roberto de Carvalho) e uma faixa com pitadas de disco music Chega Mais (Rita Lee/Roberto de Carvalho). Detalhe, na música Arrombou a Festa II (Paulo Coelho/Rita Lee) a dupla de autores deu continuidade a letra de 1976, destilando suas farpas de maneira direta e escrachada para a Música Popular Brasileira e afins.  E deu no que deu, vendeu 160 mil em dois meses e ao longo do ano 500 mil cópias.

A produção ficou a cargo de Guto Graça Melo e no time de músicos: Rita Lee (vocal, flauta de vara, violão ovation, percussão), Roberto de Carvalho (vocal, guitarra, violão ovation, teclados, piano elétrico), Sergi Dias Baptista (violão 12 cordas), Naila Skorpio (percussão, kalimba), Guto Graça Melo (percussão), Esdra Nenen Ferreira (apito), Ariovaldo Contesini (congas), Lee Marcucci (baixo elétrico), Edmundo Maciel (trombone),  Netinho (clarineta), Aurino Oliveira (sax barítono), Zé Bodega (saxofone), Hamilton Pereira Cruz e Marcio Montarroyos (trompete), Jamil Joanes (baixo), Lincoln Olivetti (baixo Synth, Oberheim, Piano Yamaha, piano elétrico), Robson Jorge (guitarra), Picolé (bateria, ro-ton-ton)  e o coral luxuoso de Claudia Telles, Jane Duboc e Sônia Burnier.. A fotografia foi de Luiz Garrido e a capa teve a direção de arte de Hanns Doner.

Nada melhor do que não fazer nada é clicar na capa








quarta-feira, 6 de julho de 2016

Os W's do Gangsta rap

Embora eu seja um fã declarado de N.W.A. (Niggers With Atitude) outro grupo que era pesado se chamava CMW (Compton Most Wanted) ou os Mais Procurados de Compton. Falando em letra W o grupo foi um representante legítimo do West Coast Gangsta Rap, estilo que falava de crimes, gangues, armas, drogas, mulheres e usava gírias, palavrões em suas letras para escancarar verdades do submundo do gueto, além de usarem um visual baseado nas ruas. Mas apesar do som sisudo eles encontravam espaços em seus álbuns para lançaram coisas mais reflexivas, leves e dançantes sempre com um funk/soul setentista de base. O grupo surgiu em 1989 na Califórnia e usa o nome do seu gueto que é o bairro de Compton.

O blog dimiliduques põe a disposição o disco de estreia da rapaziada, intitulado It’s a Compton Thang lançado em  1990 pela Orpheus Records. Infelizmente esse trabalho não tem o hit mais conhecido deles que seria a faixa Growin Up  in The Hood (que é de 1991 e entrou no filme Boys in the Hood), mas vou te falar a verdade , é G-funk e gangsta rap na sua essência.

Produção de primeira dos Djs The Unknown e Slip, sou suspeito, já que eu “pago um pau” pra esse trampo. Basta ouvir quase todas as faixas! tipo Give Up, Im Wit Dat, Duck Sick, Ladie Night Hype, Final Chapter, I Mean Biznez,  One Time Gaffled em Up e a faixa título Its a Compton Thang. Isso posto, vai entender que o gangsta rap para boa parte da geração de ouvintes de rap em 90 é mais que letras sujas, mas um instrumental que ia na sua alma primeiramente e um malandreado na levada que hipnotizava.  Dava uma vontade de aumentar o som no último e realmente fazíamos isso. O grupo marcou época, mesmo sua passagem sendo meteórica, apenas três álbuns oficiais, CMW é old school dos mais considerados no rap.

O grupo teve em sua formação Ant Capone,  Dj Slip, The Unknown Dj, Boom Bam, MC Eiht, Tha Chill MC, DJ Mike T e Da Foe. Nesse disco de  estreia além de Mc Eiht e Tha Chill esta na capa o membro DJ Ant Capone (branco), ele participou apenas desse disco e saiu, muito se falou porque antes mesmo do disco estar nas lojas ele foi demitido, então ficou meio que um desconhecido. Criou-se lendas e histórias sobre esse membro do CMW do primeiro LP; vários boatos surgiram contando que na capa era um primo do MC Serch, que era o engenheiro de som Mark Edwards, que era um membro de gangue que apareceu na hora da foto, que era um dos roadies do grupo na época, que era o Krazy D que participou da música Dopeman do NWA e até que era um branco aleatório do bairro e que eles só o colocaram para vender discos aos garotos brancos.

 Aaron Tyler ou Mc Eiht era o cara do grupo (e eu jurava que era MC Eight!), letrista e vocalista, mas largou o posto em 1992, lançou-se como ator no filme Perigo para a Sociedade e começou a carreira solo ao lado de DJ Slip em 1994, o grupo CMW acabou se dissolvendo por essa época. Mas voltaram com os antigos membros e Eiht em 2000 para o álbum Represent e em 2006 com o álbum Music To Gang Bang. Ainda teve a coletânea em 2001 chamada When We Wuz Bangin 1989-1999.

Os mais procurados de Compton, e você achou!, clique na capa !





Repost: Ndee Naldinho com o nome cravado no hall dos guerreiros do rap



Vou começar esse texto fazendo uma viagem para o final dos anos 80 e minha opinião na época acerca de Ndee Naldinho. “Um rapper novato que faz mais covers do que o próprio rap, escute o refrão , A Lagartixa na Parede, é mais uma tradução exótica e parodiada da original DJ Innovator do rapper americano Chubb Rock. A voz  de Ndee também é meio forçosa e as bases pouco criativas, já prontas.” 

Enfim... obviamente não escrevi isso na época. Até porque eu tinha 16 anos e estava formando ainda minha base de opiniões. Mas serve para você (e eu) entendermos que as vezes a nossa mente evolui  ao passar dos anos e se livra de preconceitos e radicalismos. Minha cabeça era mais fechada e o que eu admirava de rap tinha que ter o mesmo estilo de NWA, Public Enemy, Ice T e Racionais, drogas, armas, crime, enfim era pura falta de informação e bom senso de minha parte. E tem também a visão turvada de que , “se ele lançou a lagartixa, o disco solo dele deve vir na mesma linha” e acabei nem dando a merecida atenção. Mas hoje (re)executando o primeiro trabalho de Ndee Naldinho chego a outra opinião. 

Mas vamos falar primeiro um pouco sobre o rapper que nasceu na Bahia mas foi criado no Jardim Miriam Zona Sul de São Paulo e depois Diadema. Sua história no rap tem um pouco das equipes de baile black em São Paulo. Pois foi através desses bailes que ele começou a se apresentar e a cantar. Em 1988 já fez uma estreia de responsa na coletânea (histórica), O Som das Ruas, que saiu pela Chic Show. Na ocasião ainda com o nome de Ndee Rap gravou as faixas; Rap de Arromba e o grande hit do LP a Melô da Lagartixa. 

Depois em 1991 lançou o primeiro trampo solo pela TNT Records, intitulado Menos Um Irmão, Chega Disso, que o blog dimiliduques deixa pra vocês. A produção ficou a cargo do renomado (mas que naqueles anos estava em início de carreira) DJ Cuca. E na época novamente a pecha de rapper sátira foi apontado no agora Ndee Naldinho. As letras ainda estavam ganhando forma e naquele início de 1990 eram mais hedonistas e de certa forma inocentes. Desse álbum a faixa que fez mais sucesso foi “E Essa Mulher? De Quem É?” com uma letra mais suave, viajante, divertida o que acabou obscurecendo a execução das outras faixas mais sérias. Outra que também foi muito tocada nos bailes e nas rádios, a faixa título, a famosa e mais conhecida como "Puxa o Revolver". 

Nas bases de algumas faixas se nota samplers de raps dos anos oitenta e funks a misturar-se com sintetizadores, teclados, baterias eletrônicas e sequenciadores. Outra coisa interessante é o uso de frases de discos sertanejos (Leó Canhoto e Robertinho em  E Essa Mulher de Quem É). Mais tarde ele usaria também de filmes nacionais antigos como os de Mazzaropi (isso no disco Humanidade Selvagem de 1993). Minha opinião, e até hoje vejo desta forma, é que a voz de Naldinho encontrava eco em similaridade com o rapper nova-iorquino Kurtis Blow. Um vozeirão, lógico que com a devida entonação, acabou sendo um estilo próprio de cantar.  O legal é que ao longo de sua discografia Ndee Naldinho ele foi eclético e pôs em suas gravações faixas remix, versões em  instrumental, samba rocks e música romântica. 

Mas Ndee Naldinho pode-se dizer um dos soldados do rap que sofreu as agruras de altos e baixos e com muito esforço chegou a general. Foi guerreiro e não se abateu na caminhada por seu devido valor, gravando uma vasta discografia com 14 trabalhos. Som das Ruas (1988), Menos Um Irmão Chega Disso (1991), Só Porque Sou Favelado (1992), Remix (1993), Humanidade Selvagem (1993), Bem Vindo ao Hip Hop (1995), Você Tem Que Acreditar (1997), Ao Vivo (1998), Apocalipse (1999), Preto do Gueto (2000), Ao Vivo 2 (2001), O Povo da Periferia (2001), Nunca é Tarde Pra viver (2003) e Remix 2 (2007).

Ao longo de sua carreira ele foi amadurecendo e encontrando no gangsta rap sua verdadeira vertente, quem ouve atualmente os discos dele (principalmente a partir de O Apocalipse - 1999 ), consegue achar mínimos resquícios daquele rapper que gravou a “Melô da Lagartixa”. Isso o tornou em alguns momentos carrancudo nas letras e os temas quase sempre rimavam sobre o crime e a violência na periferia. Mas quando se ouve Mina Firmeza do CD Preto do Gueto (2000) ou Povo da Periferia do CD homônimo (2001) , se vê que no fundo ainda vive aquele jovem Naldinho. O importante é ter hombridade para mudar, aceitar as mudanças e seguir em frente no seu propósito de cantar rap no Brasil. Hoje ele é considerado e reconhecido por muitos compatriotas, como um dos pionieors do rap, citado por exemplo por artistas do calibre de: Thaíde, Sampa Crew, Racionais MC’s, Xis, Tribunal Popular, Sistema Negro e outros.


Clique na capa, é isso, chega disso...