segunda-feira, 21 de abril de 2014

A fogueira não se apaga para a rainha do pagode, Eliana de Lima



A cantora paulista Eliana Maria de Lima nasceu em  19 de Setembro de 1961 no bairro do Tatuapé em São Paulo.  Começou sua carreira interpretando sambas enredo nas escolas paulistanas. Primeiramente frequentando a roda de samba da Cabeções da Vila Prudente pelos idos de 1979 e depois já no começo da década de 1980 como puxadora da escola de samba Príncipe Negro da Cidade Tiradentes.  Ela conseguiu se firmar no meio do carnaval de São Paulo e acabou passando por outras agremiações também como cantora de samba enredo. Eliana de Lima foi interprete, por exemplo, da Mocidade Alegre, Leandro de Itaquera, Nenê da Vila Matilde, Unidos do Peruche e outras.

 Seu primeiro disco solo foi lançado  no final de 1986 pela Gel/Continental e se chamou Fogueira de Não Se Apagar. E é esse o disco que blog dimiliduques coloca pra vocês. Não foi um disco de fato estrondoso, porque  realmente o sucesso veio com a gravação do álbum Fala de Amor de 1991 pelo selo JWC que tinha as músicas, Apenas Matriz e Desejo de Amar , a famosa “undererê”. Mas o “Fogueira” foi a estreia de Eliana de Lima como cantora solo, por isso vale o registro. 

Com produção de Jairo Pires e Totonho e arranjos de Ivan Paulo. O disco tem composições de Jorge Aragão, Talismã, Aldir Blanc, Mestre Lagrila e outros.  E o time de músicos também foi de respeito; Gordinho no surdo, Marçalzinho no ganzá, Pirulito no tamborim, Geraldo Bongô na tumbadora, Claumir Jorge no pandeiro, Ubirany no repique e Wilson das Neves na batera. E teve também três cavaquinhistas; Carlinhos do cavaco, Toninho e Neco. No violão, Rafael 7 cordas , no baixo, Aldo;  trombone de Roberto Marques;  flauta de Franklin;  teclados de Sergio Carvalho e a participação luxuosa no acordeon de Sivuca.  E o coral certeiro de Dinorah, Zenilda, Eurídice, Zélia, Silvia Nara, Stênio, Copacabana e Elson. 

Nas décadas de 80/90 Eliana de Lima foi figurinha carimbada nos programas de televisão e nas estações de rádio, com sua forte voz no pagode romântico. Ao lado de grandes sambistas como Alcione e Beth Carvalho, Eliana fincou seu nome. No início da década de 90 foi batizada como a Rainha do Pagode pelo programa Band Brasil. Foi indicada em 1995 ao Troféu Imprensa de melhor cantora e ao prêmio Sharp de música. Nos seus mais de 35 anos de carreira lançou 13 trabalhos solos, além de inúmeras participações em coletâneas. Tocou pelo Brasil afora e chegou a marca de mais de 2 milhões de discos vendidos em toda a carreira.  Eliana de Lima ainda mantém sua carreira de cantora e continua se apresentando nos palcos da vida.

http://www.4shared.com/rar/9UQfisOy/Eliana_de_Lima__1986__-_Foguei.html



                                        



domingo, 20 de abril de 2014

O pagode poderia ser sempre assim

O pagode hoje fica por conta do  Sempre Assim, oriundos da zona sul de São Paulo formaram o grupo no início da década de 90. Seus componentes eram Berão no tantan, Bita no reco-reco, Zoreia no pandeiro, Branco no vocal e tamborim, Niltão no repique, Marquinhos Cachorrão no cavaco (que entrou no lugar do Jadir), Tinho violão de 6 e Teté no banjo e teclados. Uma curiosidade é que o Bita é pai do Teté, que por sua vez é irmão do Thiaguinho dos teclados integrante do Grupo Pixote.  O grupo teve como um dos seus maiores sucessos a música A Mais Linda das Flores (Rainha da Flora), que saiu na coletânea Sabor Brasil da rádio Transcontinental FM em 1992, pela gravadora Ritmo Quente/Kaskatas. Do LP solo a música que rolou bastante nas emissoras de rádio, foi a Sonho de Amar (Amor Insensato).  

O Grupo Sempre Assim lançou o álbum intitulado Lado Oposto em 1994, pela gravadora Ritmo Quente /Kaskata’s Records. Um daqueles trabalhos em que a sonoridade é peculiar do pagode dos anos 90. Teve arranjos e regência do músico Alceu Maia, que também tocou banjo e cavaco. Outros músicos participantes foram;  Teclados de Darcy de Paula, percussão de Trambique e Zizinho, bateria Paulo Bonfim, Violão de Claudio Jorge e baixo de Ivan Machado. Prova mais que verdadeira, músicos bons , trabalho bem feito. Os arranjos são simples, assim como a produção, mas o resultado de talento. Nas composições integrantes do próprio grupo somados a Salgadinho, Luizinho SP, Carica, Pelezinho, Paquera e outros. Várias músicas legais, que vão do swing, pagode e partido alto, como Mero Detalhe, Lado Oposto, Padecer de Um Poeta, Nonô e o Samba,  Me Abandonou ,Princesa,  Ternura de Quem Ama...

Um fato que chama a atenção é a capa do disco, a primeira vista meio caótica, mas tem algum fundamento. Primeiro eu considero essa capa como a mais gangsta do pagode.  Imaginem um grupo de pessoas e como cenário um desmanche de carros! E na contracapa os integrantes em cima de um monte de pedra para construção, aqui uma singela referência ao local de origem do grupo, Pedreira, periferia de São Paulo. Região essa que sempre colocou bons nomes no samba e pagode no cenário. São daqueles lados por exemplo, o Grupo Katinguelê, Grupo Tradsamba, Grupo Pixote, Mito, Papapaça, Grupo Sentimento de Posse, Grupo Puro Prazer, Douglas Sampa, Walmir Borges e o mais recente Estatuto do Samba. O grupo Sempre Assim se desfez  lá pelo final da década de 90, mas enquanto existiu, agitou as rodas de samba de São Paulo.


Clique na capa e não se assuste com chiados e pulos,  pois o áudio foi retirado do vinil






sexta-feira, 18 de abril de 2014

Dupla dinâmica do balanço

Chamados de Dynamic Duo temos o Jimmy Smith e o Wes Montgmory e a dupla Batman e Robin, mas temos também os Dj's e produtores brasileiros Marcello e Alexandre.  Eles lançaram esse LP em 1989 pelas gravadoras Fieldezz e Fat Records. Nada mais nada menos do que uma versão mix da música You Don’t Know, What I Know/Rational Culture do não menos raro LP Tim Maia Racional volume 1. 

O álbum tem a participação nos vocais de Luna e Mattar e também as mãos do Dj Kid e DJ Iraí Campos na produção. A faixa “vocal” chamada de You Don’t Know, What I Know que tem um rap escrito pelo Dj Marcello é daquelas que grudam no ouvido. É óbvio que a música do Tim Maia por si só, já é um groove dos melhores, mas trabalhar em cima dessa qualidade foi muito criativo por parte deles. E os efeitos de “voz fina” que os Racionais usaram no CD Nada Como Um Dia Após o Outro Dia e o MC Kooley C. usou na melô do patinho aqui já apareciam num rap. Rolou muito nas festas blacks, e lembro que um conhecido meu, o Dj Jholy (in memorian) tinha em sua caixa (de supermercado) para vinis.

Clique na capa, mesmo que surrada 






quinta-feira, 17 de abril de 2014

Rap nacional: a minha história

Agora mando pra galera um trampo de Rap nacional. Nos meus 15/16 anos de idade cantei rap com uns camaradas. Eram eles: Paulo (PESO atual Paulada), Reni C.(Kverna), Sandro (Swing T. ), Juliano (Jota L), Dj Marcelo (Mjay) e tinha o pessoal da “banca” que eram MC'c, DJ's, B. Boys e Breakers, o MC Boca, DJ Claudinho, Dani Dieis, MC Tcheba, Juninho, Dj Wando, Dj Abel, Derik Sister Rap, Piveti, Nelsinho (Rap Sensation), Elieser (Dj Nyl), Artigo WRD,  Mané, Guru, Neno, Xandão, Sabotagem, Laskinha, Ronaldo, Beto, Elaine, Tchatchai ... Só sei que tinha gente pra caralho. Curtíamos os bailes do Clube da Cidade, Projeto Radial, Asa de Sto Amaro e de Pinheiros, Dama Xoc, Sunset Club, Xereta, Santana Samba , Sambary Love, Astro, Love Story, Espaço Atual, enfim, onde tinha rap a gente estava “colado”. Fizemos uma posse (que é um coletivo de admiradores do rap), a Símbolo Negro, íamos aos encontros de rappers e b. boys. 

A coisa foi tomando grandeza e tudo relacionado ao movimento Hip Hop queríamos estar informados e envolvidos. Conhecimento sobre grafite, dança, discotecagem, palestras sobre racismo, tradução das letras dos rap americanos, clips, música (muita música), livros, jornais, revistas enfim tudo que envolvia esse universo.

Íamos as festas/bailes, fazíamos ensaios, apresentações, muita, muita curtição na noite paulistana. Eu fazia as letras dos raps e mostrava pra rapaziada do meu grupo, na época o Dimensão Rap, e cada um dava um palpite e assim construíamos a parada. Uma vez fomos participar de um concurso no salão Barracão de Zinco, não deu em nada, nosso rap com o título de Drogas, não era uma droga, mas não passou pelo crivo dos jurados. Mas valia muito pela amizade, pelo divertimento e pela experiência de vida.



Imaginem só uma turma adolescentes, oriundos da periferia de São Paulo, vestidos com calça larga, tênis cano alto, camisas de times de basquete americano e bonés importados (o do time do Raiders era um dos mais usados). Era uma banca de respeito, mas até que a gente não arrumava muitas tretas, quer dizer de vez em quando o bicho pegava, mas ainda era na mão, sem cano. Com a experiência no rap, as letras foram ficando mais  políticas, mais elaboradas. O rap sério era nossa meta, mas quando se entra na vida adulta, se tem um pouco do doce amargo da ilusão. Acreditávamos que o rap salvaria o mundo e que não se venderíamos ao “sistema”. Não salvou o mundo, e nem deu tempo para nos vendermos, ainda bem!

NWA, CMW, Public Enemy, RUN DMC, Beastie Boys, LL Coll J, Onix e Wu Tang eram nossos espelhos musicais. Se fizermos um parâmetro hoje, NWA por exemplo tinha ostentação em suas letras, havia uma certa crítica ácida a polícia e ao racismo, mas havia também a vontade de ser o gangster do pedaço, o mais falado, o mais foda. Por outro lado tinha o Public Enemy com o discurso político mais consciente.

As bases dos raps era um pequeno problema, com a escassez de grana, o jeito era juntar todos do grupo e ir às grandes galerias, na Rua 24 de maio, nas lojas de importados e comprar algum single de rap. Na época devia sair por uns U$ 40,00 um disco com quatro musicas, só que o que valia pra gente era a faixa instrumental. Algumas das bases que cantávamos em cima eram:  Rise n’ Shine do Kool Moe Dee, Step to Me do Tim Dog e Mr. Tung Twista. Depois vieram outros tempos, formamos outros grupos de Rap, como o RDS (Reorganização do Sistema), Organização Brutal e por fim o Mente Aberta, acabei me afastando um  pouco , mas não sem antes deixar minha marca.

O Menteaberta gravou um CD independente com várias parcerias minhas nas letras e até participação nos vocais. Também fiz parcerias de letras com os rappers Jamal e Dimenó do Alvos da Lei, aliás para minha honra ambos gravaram. O Jamal gravou Lunático e Bomba H, o Alvos da Lei gravou Cena do Loco.  Até hoje digo, que o rap não saiu da minha veia e mesmo distante de alguns a consideração e amizade até hoje perdura. Espero que curtam o trampo do Menteaberta, que foi gravado em 1999, na casa do DJ Adilson Cardoso, no Jd. Campanário em Diadema. Simples, direto e feito com sofrimento e muita garra, dando destaque para o som Terror Urbano que era o nosso carro chefe ,feito em duas versões uma gangsta e outra mais na viajem.

Clique na capa que o som vai te pegar mano!


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segunda-feira, 14 de abril de 2014

A guerreira Braxton



Toni Braxton... linda voz, lindas melodias e porque não uma linda mulher.  A cantora e compositora americana nasceu em Severn, Maryland em 07 de outubro de 1967. Seu nome de batismo é Toni Michelle Braxton e começou a cantar ainda jovem cantando na igreja Metodista junto com seu pai que era pastor e suas quatro irmãs. Sua mãe tamb´me era cantora amadora de óperas. 

 Já quando decidira entrar para universidade foi descoberta pelo produdor/músico William E. Pettaway Jr.  Mas o primeiro trabalho como cantora foi como quinteto, The Braxtons que formou com as irmãs, Trina, Traci, Towanda e Tamar. O disco saiu em 1989 pelo selo Arista Records.  Depois ela chamou a atenção de Baby Face com o single Good Life lançado em 1990. Então para a carreia solo foi um pulo e assinou com a LaFace Records em 1993 lançando o álbum homônimo. 

Produzido por Antonio La Reid, Baby Face e Daryl Simmons o disco vendeu 10 milhões de cópias peelo mundo, foi primeiro lugar na Billboard 200 e ganhou três Grammys.  
O play que o dimiliduques coloca pra vocês é o lançado em 2001 pela Arista Records. È um CD de natal e tem como título Snowflakes (flocos de neve). O álbum contém canções clássicas de natal , como The Christmas Song e outras inéditas que falam sobre o tema , mas também de amor. Foi usado em algumas canções o lendário Abbey Road Studios em Londres. Tem as participações de Shaggy , Isaac Hayes e Baby Face (esses dois últimos como compositores).


Toni Braxton viveu alguns momentos difíceis em sua carreira, em 1998 com uma dívida de 40 milhões de dólares ela teve que abrir falência pessoal (em 2010 ela voltou a fazer o mesmo pedido). A gravadora LaFace a despediu e a contratou novamente por 23 milhões de dólares, para a ajudar nas despesas das dívidas. Nesse intermédio a LaFace foi comprada pela Arista Records.   Em 2001 fez sua estreia como atriz nos cinemas com o filme Kingdom Come (que saiu por aqui com o título de Um Ritual Muito Louco) ao lado de LL Cool J e Whoopi Goldberg.

Em 2002 ela descobriu que estava grávida do segundo filho e entrou em conflito com gravadora, já que pediu que o lançamento de More Than A Woman, fosse adiado por um ano. Mas gravadora não arredou o pé, o álbum foi lançado e devido a sua gravidez ela não teve tempo de divulgar como queria. Em meio a essa atribulação ela aproveitou para assinar com a rede televisa VH1 e entrar no reality show Inside Out – Family Comes First. Mesmo assim o álbum vendeu 800 mil cópias pelo  mundo provando ser ela um nome de peso na musica negra americana.

Já 2006 foi de bom grado para a cantora, contratada Hotel e Cassino Flamingo de Las Vegas, para substituir temporariamente o cantor e showman Wayne Newton (conhecido como Mr. Las Vegas). Por um contrato milionário ela ficou lá até agosto de 2008.

Em 2007 teve problemas com o seu empresário Barry Hankerson que era dono da gravadora BalckGround Records. No arrolamento do processo que moveu contra o mesmo, acabou tendo que pagar indenização de 370 mil dólares e ainda ceder 10% dos direitos de todos seus trabalhos gravados desde então.  E para piorar a Back Ground records limita quem pode ou não contratar os seus shows. 

Em Abril de 2008 após um show no em Las Vegas foi levada as pressas para um hospital. E lá foi diagnosticada como tendo angina microvascular e ela também revelou que sofria desde 1997 de pericardite. Nesse mesmo ano ela sofreu um ataque cardíaco e pensou seriamente em abandonar a carreira musical. Ficou depressiva e se afastou um pouco  da música. 

Em 2009 ela tentou entrar em estúdio pela Atlantic Records para gravar o CD Pulse, mas ela mesmo revelou que sentia dores e não conseguia respirar e nem cantar direito. Com isso ela teve que fazer uma preparação e reabilitação cardíaca para poder reforçar a respiração e a parte cardíaca. O trabalho só foi lançado em 2010. Nessa mesma época descobriu que seu filho mais velho Diezel era autista. 

Tempos depois separou-se de seu marido Keri Lewis. Mas como uma fênix, Toni Braxton estava de volta ao showbusiness  e participou em 2011 do reality pelo canal Bravo,  Braxton Family Values, onde mostrava sua rotina familiar com as irmãs e sua mãe Evelyn. A diva que serviu de inspiração para Beyoncé, Christina Aguilera, Brandy entre outras, esta de pé. E mesmo em meio às tempestades que a rodeiam ainda consegue fazer apresentações ao vivo, algumas delas beneficentes em prol da Associação Americana do Coração e Associação Americana de Autismo.


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terça-feira, 8 de abril de 2014

N.W.A. nos seus primórdios

NWA and The Posse, é uma coletânea da pesada, com vários rappers e lógico o destaque é o NWA dos manos Ice Cube, Eazy-E, Dr. Dre, MC Ren e DJ Yella. A produção foi de Dr. Dre, DJ Yella, Arabian Prince e Eazy E, mixado por Donovan “The Biker Dirt” Smith. Foi lançado em 1987, por uma gravadora que era independente, a Macola Records, mais tarde em 1989, o disco foi relançado pela Priority Records em parceria com Ruthless Records, a gravadora fundada por Eazy-E. 

Ali já esta o embrião do que se tornaria a trilha gangsta rap da costa oeste. Desse LP a pesadíssima música Dopeman foi reeditada no LP do NWA- Straight Outta Compton e a Boyz N’ The Hood no solo de Eazy-E – Eazy Duz It.  Já fazia parte da posse o rapper DOC que estourou com a gravadora Rutless em 1989. 

No disco contam além das letras hedonistas, algumas de puro escracho , como Fat Girl de Eazy E e Ron-De-Vu e a versão gritada em ritmo de miami bass do sucesso dos Beatles,  Twist And Shout, re-intitulada como Drink It Up. Outra música bem legal é 8 Ball onde dá para ouvir uns scratchs com uma famosa música do Kool Moe Dee. Uma curiosidade é que quando relançaram a coletânea tiraram a música Scream com vocais de Rappinstine e colocaram no lugar a Bitch Iz a Bitch do NWA.

Batidas secas cobertas com funks dos anos 70, receita imbatível que resultou num  39º lugar na parada de álbuns de R&B e um certificado da RIAA (Recording Industry Association of America) de 500 mil cópias vendidas. Hoje o álbum é considerado Old School e com certeza esta marcado na história do hip hop.

Clique na capa e faça parte da crew 





segunda-feira, 7 de abril de 2014

Só dá zero pro Bedeu quem não manja

O Rio Grande do Sul, não é só churrasco e chimarrão é samba e swing também. E um desses representantes ilustres se chama Jorge Moacir da Silva (Ilhota/Porto Alegre,  04 de Dezembro de 1946 – 05 de Agosto de 1999). Esse era o nome do talentoso, músico, cantor e compositor, Bedeu.  Começou na década de 70, quando fo para São Paulo e lá convivendo com vários artistas que gravaram suas músicas. Gente como Jair Rodrigues, Bebeto, Originais do Samba, Branca di Neve, Dhema e Wilson Simonal. 

Em 1975 volta para Porto Alegre e lá com seus amigos musicais Leleco Telles, Cy, Nego Luís, Alexandre e Leco para formar o grupo de samba/swing Pau Brasil dos sucessos Minha Preta, Massagem e Grama Verde. O grupo gravou dois LPs ,O Samba e Suas Origens em 1978 e Pau Brasil em 1979.

Depois disso ele se lançou como artista solo, em 1983 grava o Africa no Fundo de Quintal pela Copacabana, com vários suíngues que fizeram sucesso como Zimbabwe, Tá na Hora e Linda Natureza. Paralelo a sua carreira, no Rio Grande do Sul, foi fundador da escola de samba Acadêmicos da Orgia e compôs com Alexandre e Leleco Telles sambas enredo para as escolas Areal Baronesa  e Garotos da Orgia.

E 1988 duas músicas suas saíram na coletânea Samba Rock em Dois Tempos da gravadora Continental, foram elas: Tribo Guerreira e Kid Brilhantina. Nesse mesmo LP tem uma espécie de música / homenagem; Só Que Deram Zero Pro Bedeu,  uma sonzeira composta e cantada por Luiz Vagner.

Em 1993 gravou o segundo trabalho intitulado Iluminado que tem a ótima Saudades do Jackson do Pandeiro, regravada recentemente pelo grupo Clube do Balanço. Nessa mesma época o SBT lançou a coletânea Remix Samba vol I e II , com Bedeu cantando no coral. E a gravadora Warner lançou outra coletânea com nome de  “Nos Bailes da Vida” com três composições suas, Menina Carolina, Nega Olivia e Minha Preta.

O blog dimiliduques fala hoje do seu trabalho lançado em 1998, intitulado Swing Popular Brasileiro. Que só saiu devido ao apoio da Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre. No CD vários sucessos regravados e inéditas, com um dos seus últimos parceiros, Totonho Villeroy.

Ainda em julho 1999 fizeram um show tributo para arrecadar fundos para o tratamento da diabetes que o acometeu. Esse trabalho saiu postumamente em CD (2001), onde reuniu no Auditório Araújo Vianna, nomes como Pau Brasil, Nanci Araújo, Marcio Medina, Produto Nacional , Paulinho Romeu, Gelson Oliveira, Lucia Helena, Wilson Ney e outros.


No dia 05 de Agosto de 1999, Bedeu nos deixou, vítima de complicações com a diabetes. Mas ele  juntamente com Luiz Vagner, Paulão da Tinga, Carlos Medina, Hélio Matheus, Pau Brasil e outros, colocou de vez o Rio Grande do Sul no mapa do suingue e samba-rock.  Tem até um livro que fala um pouco dessa história chamado Suíngue, Samba-rock e Balanço: Músicos, Desafios e Cenários,escrito por Mateus Berger Kuschick.


Se deram zero pro Bedeu, eu dou dez! clique na capa


domingo, 6 de abril de 2014

O radio em vinil



A Band FM surgiu em 1975 e tinha o nome de Rádio Bandeirantes FM, na época apenas reproduzindo as programações da AM. Somente em 1976 a independência chegou e ela pode bolar e por no ar seus programas baseadas no perfil MPB, Jazz, Rock e Soul. 

A partir de 1983 foi a que eu chamo da era áurea da Bandeirantes FM , quando começou a apostar na black music. Foi nesse período de década que deu o ar da graça programas como o Baile da Band, Charme dance, Som da Massa e o Black in Love tocando o melhor do funk, soul, samba, pagode, samba-rock  e rap.

Em 1990 a rádio muda de nome para Band FM e ainda mantém sua pegada black music.  Porém ano a ano o ibope para os programas blacks iam decaindo e aos poucos outros gêneros foram entrando. Até a saída definitiva das equipes que comandavam os programas de domingo em meados da metade da década de 90.
Não raro as emissoras do momento lançavam suas coletâneas, algumas eram simplesmente caça níqueis mesmo, outros faziam uma bela seleção e valia a pena comprar. Dentre esses vinis o blog dimiliduques destaca o da Bandeirantes FM 96,1 de São Paulo. A coletânea foi lançada pelo selo Epic em 1988. E tinha muitas baladas e raps, como por exemplo o grupo Jamm (esse com um hardmix da música You and Me) , LL Cool J, Surface, Midnight Star, 2 Live Crew e outros. 

Esses vinis eram mais comprados pelo povão mesmo, já que vendiam não só em lojas de discos, mas também no Carrefour, Mappin e afins. E as rádios que não eram bobas, tocavam exaustivamente  as músicas da coletânea na programação e faziam seu merchandising, dizendo que aquela você só encontrava no LP da Band Fm 96,1. Mas era um clima legal e outras coletâneas mais fizeram a cabeça da rapaziadinha da década de 80/90.


Não mexa no seu dial mas clique na capa!

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quinta-feira, 3 de abril de 2014

Beth Carvalho a madrinha do samba ao vivo e em cores "olimpiantes"

Elizabeth Santos Leal de Carvalho, simplesmente Beth Carvalho, grande madrinha do pagode. Nascida no Rio de Janeiro em 05 de Maio de 1946. Ainda adolescente ganhou um violão da mãe, Dona Maria Nair e paralelo as aulas de ballet também aprendia a dedilhar o instrumento.  Uma de suas influencias foi o seu pai, João Francisco que a levava nos ensaios das escolas de samba, isso pelos vários bairros que morou, em virtude de mudanças por suas posições contra a ditadura militar.

No início dos anos 60 Beth se envolveu com a bossa nova, mas já em idos de 66 abraçou o samba apresentando-se no show A Hora e a Vez do Samba, junto com Noca da Portela e Nelson Sargento.  Na sua vida artística também passou pelas participações em festivais de música e num deles ficou conhecida. Foi em 1968 no festival FIC com a canção Andança e no ano seguinte lançou seu primeiro LP com esse mesmo título. A partir de 1973 começou a gravar um álbum por ano e revelando muitos compositores.

O blog dimiliduques posta o álbum Ao Vivo no Olympia , resultado do show dos dias 19,20 e 21 de Julho de 1991 na respeitada casa de shows em São Paulo (já extinta). O disco saiu pela gravadora Gala/Som Livre. Na minha humilde opinião é um dos mais belos trabalhos de samba gravado ao vivo. Tinha uma pitada de cada estilo, partido alto, pagode e MPB. A qualidade  impressiona, a voz da Beth límpida e afinada, o repertório certeiro , os arranjos, os músicos participantes, a sonoridade, a mixagem, as fotos, beirou a perfeição. 

Nas composições temos desde Paulinho da Viola, Cartola, Chico Buarque, Gonzaguinha,  Almir Guineto, Arlindo Cruz, Nei Lopes, Jorge Aragão, Zeca Pagodinho,  Martinho da Vila, Beto Sem Braço, Luiz Carlos da Vila a outros baluartes. Na lista de músicos feras do naipe de Bororó no baixo e violão, Gordinho no surdo, Marcelinho Moreira, Claumir e Andrezinho na percussão, Arlindo Cruz no banjo, Neco violão de 7 cordas, Valtinho na batera, Wanderson Martins no cavaco e Leandro Braga nos teclados. Os ótimos arranjos ficaram por conta do Maestro Ivan Paulo que de tanto eficaz abriu mão por exemplo de instrumentos de sopro.

Com sua voz afinada, a madrinha embala os ouvidos dos sambistas e seu som reverbera nas rodas de samba pelo Brasil. Hoje mais de 36 trabalhos lançados entre LPs/CDs e DVDs e 45 anos de carreira, ela ainda dar o ar da graça nos palcos da vida. Sou até suspeito de falar, já que admiro vários álbuns da Beth Carvalho, tais como Pé no Chão, Na Fonte, Suor no Rosto, Coração Brasileiro, Alma do Brasil, Saudades da Guanabara, Canta o samba de São Paulo, Pagode de Mesa... Enfim é muito disco e todos eles sempre bem cuidados no que diz respeito a escolha de repertório, músicos, arranjos, interpretação e afins.

Clique você também e fique enamorado do sambão







quarta-feira, 2 de abril de 2014

Ao mestre JB com carinho

James Brown é um dos artistas mais sampleados do mundo, falou em black music x sample, usou Brown em suas produções. O papa do funk nos deixou em 25 de Dezembro de 2006, mas deixou um legado musical inestimável. Não vou me estender muito sobre esse “achado”. Um Dj usar James Brown é até clichê, mas se tratando de DJ Premier ai a história já muda.

Nascido em  21 de Março de 1966,Christopher Edward Martin , o Dj Premier é um dos mais influentes e respeitados do mundo. Trabalhou em loja de discos e também aprendeu a tocar alguns instrumentos musicais. Durante bom tempo foi produtor do grupo de rap Gang Starr e depois do rapper Guru. E por ironia, numa época em que JB estava sendo sampleado de ponta a ponta , ele seguiu outro caminho, onde foi a fundo na fusão jazz / hip hop na costa oeste. 

Na D & D Studio de New York, formatou sua carreira e seu modo de trabalho, tornando o lugar uma referência do hip hop nos anos 90. O cara participou de trabalhos com importantes nomes do rap, tais como Common, Jay-z, NAS, KRS-One, Snoop Dogg, Jeru and Damaja, Big Daddy Kane, Notoriou BIG, D’Angelo, Judakiss e muito mais.

Esse CD que o blog dimiliduques põe a disposição, foi concebido em 2007 pelo selo Year Round Corporate de propriedade dele. O álbum não é assim “dimiliduques”, mas o personagem central sim. Intitulado  DJ Premier Salutes – The Foundation of Hip Hop (algo como; Dj Premier saúda a fundação do hip hop). 


No CD 1 são músicas originais do mestre James Brown, e outros artistas que fizeram participação ou foram influenciadas por Brown (como Marva Whitney, Lyn Collins, Bobby Bird e a banda JB’s) trabalhadas, sampleadas e mixadas. No CD 2 são músicas que os rappers usaram samplers do mestre JB e DJ Premier trabalhou e mixou em cima.  O resultado da criatividade vinda de um DJ de responsa  é bem louca. O único ponto negativo na minha opinião é uma voz que fica em meio as produções dizendo  em ecos “DJ Premier”, lembra os bregas aqui do Brasil que a todo momento falam o nome do artista. Mas enfim foi um artificio para ninguém usar ou simplesmente quando rolar nas festas o nome Premier entrar nos corações e mentes.

1,2,3,4 clique na capa


                                          




terça-feira, 1 de abril de 2014

Samba e swingueira nervosa

Edmar Marques da Silva, mais conhecido como Boca Nervosa, nasceu em Olimpia, interior de São Paulo. E desde cedo cantarolava, quando tinha 12 anos ganhou um concurso de cantores em sua cidade, interpretando Boi da Cara Preta de Jair Rodrigues.  Aos 15 anos veio para São Paulo trabalhar no ramo da construção civil e paralelamente alimentava o sonho de ser cantor. Um dia por acaso cantarolava na hora do almoço numa empresa em que trabalhava de motorista. Quando indagado porquê vivia a cantarolar, respondeu simplesmente porque era cantor. A pessoa então o desafiou a pegar um violão e cantar para todos os presentes e ele se apresentou muito bem. Foi convidado então para ir até a escola de samba Camisa Verde Branco no bairro da Barra Funda. E lá começou seus primeiros passos no mundo musical.

Edmar foi então convidado a participar do Clube do Pagode que acontecia na escola de samba às segundas feiras onde se reunia muitos sambistas famosos, como Zeca Pagodinho, Beth Carvalho, Bezerra da Silva, Roberto Ribeiro, Jorge Aragão, Fundo de Quintal entre outros. E foi nesse clube que ganhou o apelido de Boca Nervosa, dado por Almir Guineto, depois que ele cantou cinco horas seguidas na roda de samba e Guineto falou ao final: Isso não é uma boca, é uma Boca Nervosa!

Foi também interprete de samba enredo da Camisa Verde e Branco. Veio a primeira gravação de um compacto em 1983 , bancada por amigos próximos. Em 1985 gravou o LP Nego Véio e estourou com a música titulo alcançando a vendagem de 600 mil cópias. E com isso os shows foram aparecendo e até para fora do país Boca Nervosa mostrou seus dotes. Constam apresentações  no Japão, Alemanha, Espanha, Portugal, Suíça e Angola.

O blog dimiliduques fala hoje do LP gravado em 1986 pelo selo Raposa Discos. Um disco calcado mais no samba e partido alto, só que o swing e samba rock de Boca Nervosa esta lá em musicas como Tem que Me Ter e Baile na Casa do Vado. Nas composições duas parcerias de Boca Nervosa (uma com Mauro Diniz e outra com Luiz Carlos e Raposa). E compositores de peso, como Arlindo Cruz, Sereno, Marquinho PQD, Serginho Meriti, Monarco, Beto Sem Braço, Jorge Aragão e outros.

Na ficha técnica temos vários músicos tarimbados em estúdios e gravações. Produzido por Mauro Diniz que também tocou violão, banjo e cavaco. No violão de 7 cordas , grande Jorge Simas. Tem os dois Zecas, o do Trombone e o da Cuíca. No surdo, o especialista Gordinho, no baixo, Lucas. Tatan e tamborim com Esguleba. Percussão geral com Bira Havaí e Milton Manhães.

Em 2009 foi tema da escola de samba paulista, Em Cima da Hora, com o enredo A Coruja do Samba é Brasileira, Batuqueira e Swingueira, que homenageou os 25 anos da carreira do cantor. Atualmente Boca Nervosa pouco mais de 30 anos de carreira, 16 álbuns gravados e continua fazendo shows.

Clique na capa sem nervosismo