segunda-feira, 28 de abril de 2014

Negritude Junior da Cohab para o Brasil



O grupo Negritude Jr. Foi formado em meados de 1986 no município de Carapicuíba,  zona oeste de São Paulo. E o começo foi no Samba da Praça que ocorria na região e os integrantes ainda eram adolescentes  quando frequentavam o local. Enquanto os grupos da região se apresentavam, nos intervalos eles faziam uma batucada, foi quando um dos organizadores do evento os convidou para “batucar” lá em cima do palco. 

Com a experiência começaram a se apresentar em outros locais da cidade. Foi quando em 1991 participaram do festival do Botequim do Camisa,  na quadra da escola de samba Camisa Verde e Branco. Ganharam a oportunidade de gravar duas faixas nessa coletânea, são elas; Triste Andança e Algo de Valor. Nessa coletânea lançada pelo selo TNT Records, participaram também o grupo Sensação e o grupo Juventude do Pagode, que estouraram nas paradas do pagode tempos depois.

O Negritude já em 1992 conseguiu assinar com a Zimbabwe Records e gravou o LP Jeito de Seduzir, que fez muito sucesso na época. O Negritude foi um dos grupos em que a inspiração americana era tangente. As roupas iguais, com brilhantes lantejoulas, cores por vezes berrantes e cortes exóticos eram só uma parte do figurino. Tinha a coreografia e animação que eram claramente referencias a Jackson's Five. Tempos depois na gravação da música Cohab City, eles os homenagearam musicalmente. E no palco era um dos grupos com a postura mais alegre e que conseguiam trazer o público para si.

O blog dimiliduques coloca pra vocês o trabalho do Negritude Junior de 1993 intitulado É Natural. Um disco que saiu pela gravadora EMI e que alçou o grupo para o estrelato. A gravadora grande além de experiência em divulgação,  tinha condições de contratar um staff para a produção com músicos e produtores de qualidade, além de por a disposição um bom estúdio. Repertório e compositores de primeira como, Noca da Portela, Delcio Luiz, Acyr Marques, Chiquinho dos Santos e outros.  Nos arranjos Maestro Jobam e  Jota Moraes que também tocou teclados, no  surdo Gordinho, bateria Jorge Gomes, baixo Bororó, violão de 6 e 7 Edmilson Capelupi, cavaquinho Wagninho, flauta Vinicius Dorin, trumpete Nahor Gomes  ,  repique Netinho, tantã Claudinho, pandeiro Ari, percussão Feijão, ganzá Esguleba e outros. Então não deu outra, sucesso!. A música de trabalho foi a Conto de Fadas, mas no disco também fizeram estrondo,  Timidez, Tem Dó, É Natural, Novo Amor, Crianças e outras. Na época o álbum teve vendagem de 100 mil cópias e  ganhou a certificação de disco de ouro. 
 
Os componentes do grupo em 93 eram: Feijão (percussão), Claudinho (tantã), Wagninho (cavaquinho), Chambourcy (teclados), Netinho (repique e voz), Lino (sax), Nenê (baixo) e Ari (pandeiro). Mas em 2000 depois que o vocalista Netinho saiu (ou foi convidado a se retirar), houve uma queda considerável na empatia com o grupo. Levando-se em consideração que na maioria das bandas a identidade com o vocalista é muito forte. Atualmente o Negritude ainda faz shows pelo Brasil, com quatro componentes da formação original,  Feijão, Nenê, Claudinho e Ari.

Clique na capa, tudo isso é natural...

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quinta-feira, 24 de abril de 2014

Um Pixote não mais inocente

A rapaziada do Grupo Pixote já está na estrada a mais de 20 anos. O grupo foi formado na zona sul de São Paulo no inicio dos anos 90. Existia um bar numa praça (Pça Alexandre F. Rebouças) na qual rolava um samba próximo a Estrada do Alvarenga e lá (ainda adolescentes), tocavam com o nome de Revelação do Samba. Depois mudaram o nome para Pixote, que é o nome de um samba gravado por Zeca Pagodinho. A praça era lotada e sempre apareciam por lá integrantes e músicos dos grupos de pagode e compositores. O dono era o simpático Celsão e certa vez ele me confidenciou que aquela praça tinha uma magia especial, pois todo grupo que lá tocava conseguia ao menos gravar alguma faixa. Pois é, certa época o grupo da qual eu fazia parte (Filosofia do Amanhã) tocou lá e não é que um ano depois ganhamos um festival e gravamos uma faixa! Outros grupos que por lá passaram e também sentiram a tal “magia da praça” foram: Luz e Poesia, Sorrindo Assim, Sob Medida, Toca da Raposa, Aquela Imagem,  Cultural Samba, Só Querer, Eterna Aliança, Simplicidade,  Só Prazer  e olha que todos esses gravaram ao menos uma faixa em coletânea.

Mas voltando a falar do Pixote, a primeira vez que gravaram foi em 1992 na coletânea Pagode de Primeira volume 2, da gravadora Zabadak Records, com as músicas Sonho Real e Sonho de Poeta. Ali Douglas Dodô já provava que tinha muita lenha vocal para queimar. A rapaziada era talentosa e tinha por trás um cara que zelava por eles, que era o Zinho, espécie de empresário e paizão.  Mas depois do primeiro álbum gravado houve algumas mudanças de rumo e saíram Zinho , Wallace do cavaco, Sandro do repique e o Zé do reco-reco. Mas enfim a vida é assim mesmo, mas no fundo se provou que a bússola musical deles estava no caminho certo. A formação ficou com Thiaguinho nos teclados, Tiola no tantanzinho, Du no Pandeiro, Mineiro no violão e Dodô nos vocais. Daí pra frente é só história , com 11 trabalhos lançados e sucesso absoluto por onde passam.


O blog dimiliduques deixa pra vocês o primeiro CD solo deles. Saiu em 1995 pelo selo Zimbabwe com título de Brilho de Cristal. Apesar de simples, a gravação num todo foi bem feita e eles provaram que tinham estrela. Teve arranjos de Marcelo Rea, que também tocou violão. A escolha do repertório foi do Bira Haway, que contou com nomes como Mito, Wagner Bastos (Waguinho ex- Os Morenos), Carlito Cavalcanti, Moisés Santiago, Delcio Luiz, Alceu Maia e outros. Na seleção de músicos também alguns feras; Marcelo Lombardo no cavaco, Arlindo Cruz no banjo, Reinaldo Chulapa baixo, Eduardo Neto nos teclados, Edu Peixe e Duda Mendes na bateria, na percussão Bira Haway, Fumaça e Wagner Bastos. E nos backing vocals Adriana Drê, Sérgio, Thelma Regina, Marcos Sanchez e Angela Santana. Foi desse trabalho que a música Brilho de Cristal e a regravação de Cada Um Cada Um estouraram no rádio.










quarta-feira, 23 de abril de 2014

Um toque a mais, grande representante do pagode



Em 1991 nascia no Bairro do Limão, na zona Norte de São Paulo, o Grupo Um Toque a Mais.  O reduto em que mais tocavam era a baixada santista. Onde acompanhavam vários artistas tais como Almir Guineto , Jorge Aragão, Marquinhos Satã e outros. Desses artistas uma se tornou a madrinha do grupo, a cantora Eliana de Lima. Fizeram muito sucesso na “época de ouro do pagode” nos anos 90. Foi um dos primeiros grupos paulistas desse gênero a participar do Domingão do Faustão. Mas já se apresentaram em vários programas de TV tais como, Silvio Santos, Jô Soares, Raul Gil entre outros. 

Um dos maiores sucessos do grupo, é sem dúvida a música Vida Bandida que rolou nas paradas de todo o Brasil. Mas lançaram musicas que ficaram nas mentes e nos corações dos pagodeiros, tais como Marcas de Batom, Rainha da Inspiração, Por Este Amor Somente Eu (Fotografia) e Linda História de Amor. Tive a oportunidade de assistir a alguns shows do grupo. Formação clássica, com vocal de Luizinho, repique, reco, tantã, pandeiro, violão e cavaco e lógico uma banda de responsa no apoio, com teclados, percussão geral, bateria e baixo.  Um som bem bacana, na raça e com talento. Se não me engano eles foram o grupo da casa no Auge Bar, famoso na época como um do vários redutos do pagode paulista. 

O blog dimiliduques traz o primeiro LP do grupo que saiu em 1991 pela gravadora TNT Records intitulado Da Água Pro Vinho. Já começo elogiando a capa, preto e branco, estilo uma pauta musical onde os componentes são “as notas”. Composições de gente de peso, como Carica, Prateado, Douglas Sampa e Luzinho SP. Os arranjos foram de Reinaldo Chulapa, famoso contrabaixista entre os pagodeiros que no disco também tocou seu instrumento de origem. E na ficha técnica constam vários músicos bons; Biro do Cavaco logicamente no cavaco, violão de 7 com Edmilson Capelupi, violão de 6 e guitarra com Marcos Arcanjo, teclados de Ary Roland e na  bateria Osni. Na percussão além de músicos convidados os integrantes Vagner, Carlão, Beto e Luiz também deram sua palinha na caixinha, ganzá, repique de mão e pandeiro respectivamente. Temos congas com Mestre Dinho, no tamborim Nenê, no cobel/agogô Alvaro e no tantan /surdo Adilson A.N. A curiosidade é que na contracapa traz os apelidos dos compositores, mas no selo do LP tem os nomes verdadeiros e completos.




O grupo ainda faz seus shows esporadicamente nos redutos do samba. Tem sete álbuns gravados, já ganhou dois discos de ouro e atingiu a marca de quase um milhão de discos vendidos, lembrando que naquela época a pirataria praticamente inexistia e o vinil predominava.


Dê um toque a mais e clique na capa

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terça-feira, 22 de abril de 2014

Certificado, Ice Cube deu muito certo fazendo seu rap



Uma das bombas de rap lançadas em 1991, Death Certificate de Ice Cube é sem dúvida alguma , um clássico. Nascido, O’Shea Jackson, no dia 15 de Junho de 1969 em  Los Angeles. Ice Cube começou a cantar rap na década de 80 no grupo C.I.A. (Cru In Action), onde juntamente com o Sir Jinx (primo de Dr. Dre) e K-dee, lançaram um single em 1987 chamado My Posse. E parecia destino dele entrar num grupo com nome em sigla, pois no mesmo ano estreava no N.W.A. (Niggers With Atitude). A biografia do cara é longa, já que ele é escritor, produtor (musical e cinematográfico), empresário, ator e diretor. Quem assistiu a Boys In The Hood lembrará o personagem durão e folgado, Darin Doughboy, feito por ele no filme.

Mas hoje o blog dilimiduques traz o segundo álbum da carreira do mano ( o 1º é o também foda, Amerikkkas Most Wanted). Com o título de Death Certificate, saiu pelo selo Priority Records, que por sua vez é ligada a Capitol Records e a EMI. Coisa de gente grande, que mereceria altos investimentos correto? Errado! Para a gravação foram gastos míseros 18 mil dólares. Só que veio o troco, pois só para se ter uma ideia, o disco saiu com quase um milhão de cópias vendidas. E estreou em segundo lugar na parada Billboard 200 e em primeiro na Billboard para álbuns de R&B/Hip Hop. 

A produção foi de Boogiemen, Ice Cube e Sir Jinx (olha ele de novo)  e a mixagem de DJ Pooh. Na época os lados do LP foram denominados Lado Morte e Lado Vida, a explicação era meio filosófica No Lado Morte é a atualidade e o Lado Vida é a visão de para onde devemos seguir. Nas letras o cara que já era o cérebro do NWA arregaçou. Assuntos como jovens traficantes como na faixa A Bird in the Hand, na malandreada faixa Color Blind ele manda uma reflexão para as gangs Bloods e Crips ficarem “de boa” e se unirem. A faixa Alive on Arrival, meio que conta a capa do disco, um jovem atingido por uma bala perdida em briga de gangs sangrando até a morte num hospital. Em Look Who’s Burnin o assunto é as doenças sexualmente transmissíveis, como a gonorreia.  Tem também a polêmica Black Korea, onde Ice Cube foi acusado de incitar a fúria contra os descendentes coreanos nos distúrbios de Los Angeles em 1992. Essa mesma faixa foi considerada uma resposta para a morte da adolescente negra Latasha Harlins, morta com um tiro na cabeça por uma coreana, onde a mesma acusava a jovem de estar furtando um suco de laranja em sua loja. Outra famosa é a No Vasiline, onde literalmente mete o pau nos membros de seu ex grupo NWA. Relançado em 2003 a Priorty Records colocou de faixa bônus How To Survive In South Central, que saiu na trilha do filme Boys In The Hood.

A musicalidade e montagens são certeiras, samplers de Parliament, James Brown , Marvin Gaye, Zapp, B.B. King, Blackbirds e outros permeiam as produções. Gangsta na veia, G-funk até o osso, rap de primeira. 


Clique na capa ou assine o certificado de morte

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segunda-feira, 21 de abril de 2014

A fogueira não se apaga para a rainha do pagode, Eliana de Lima



A cantora paulista Eliana Maria de Lima nasceu em  19 de Setembro de 1961 no bairro do Tatuapé em São Paulo.  Começou sua carreira interpretando sambas enredo nas escolas paulistanas. Primeiramente frequentando a roda de samba da Cabeções da Vila Prudente pelos idos de 1979 e depois já no começo da década de 1980 como puxadora da escola de samba Príncipe Negro da Cidade Tiradentes.  Ela conseguiu se firmar no meio do carnaval de São Paulo e acabou passando por outras agremiações também como cantora de samba enredo. Eliana de Lima foi interprete, por exemplo, da Mocidade Alegre, Leandro de Itaquera, Nenê da Vila Matilde, Unidos do Peruche e outras.

 Seu primeiro disco solo foi lançado  no final de 1986 pela Gel/Continental e se chamou Fogueira de Não Se Apagar. E é esse o disco que blog dimiliduques coloca pra vocês. Não foi um disco de fato estrondoso, porque  realmente o sucesso veio com a gravação do álbum Fala de Amor de 1991 pelo selo JWC que tinha as músicas, Apenas Matriz e Desejo de Amar , a famosa “undererê”. Mas o “Fogueira” foi a estreia de Eliana de Lima como cantora solo, por isso vale o registro. 

Com produção de Jairo Pires e Totonho e arranjos de Ivan Paulo. O disco tem composições de Jorge Aragão, Talismã, Aldir Blanc, Mestre Lagrila e outros.  E o time de músicos também foi de respeito; Gordinho no surdo, Marçalzinho no ganzá, Pirulito no tamborim, Geraldo Bongô na tumbadora, Claumir Jorge no pandeiro, Ubirany no repique e Wilson das Neves na batera. E teve também três cavaquinhistas; Carlinhos do cavaco, Toninho e Neco. No violão, Rafael 7 cordas , no baixo, Aldo;  trombone de Roberto Marques;  flauta de Franklin;  teclados de Sergio Carvalho e a participação luxuosa no acordeon de Sivuca.  E o coral certeiro de Dinorah, Zenilda, Eurídice, Zélia, Silvia Nara, Stênio, Copacabana e Elson. 

Nas décadas de 80/90 Eliana de Lima foi figurinha carimbada nos programas de televisão e nas estações de rádio, com sua forte voz no pagode romântico. Ao lado de grandes sambistas como Alcione e Beth Carvalho, Eliana fincou seu nome. No início da década de 90 foi batizada como a Rainha do Pagode pelo programa Band Brasil. Foi indicada em 1995 ao Troféu Imprensa de melhor cantora e ao prêmio Sharp de música. Nos seus mais de 35 anos de carreira lançou 13 trabalhos solos, além de inúmeras participações em coletâneas. Tocou pelo Brasil afora e chegou a marca de mais de 2 milhões de discos vendidos em toda a carreira.  Eliana de Lima ainda mantém sua carreira de cantora e continua se apresentando nos palcos da vida.

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domingo, 20 de abril de 2014

O pagode poderia ser sempre assim

O pagode hoje fica por conta do  Sempre Assim, oriundos da zona sul de São Paulo formaram o grupo no início da década de 90. Seus componentes eram Berão no tantan, Bita no reco-reco, Zoreia no pandeiro, Branco no vocal e tamborim, Niltão no repique, Marquinhos Cachorrão no cavaco (que entrou no lugar do Jadir), Tinho violão de 6 e Teté no banjo e teclados. Uma curiosidade é que o Bita é pai do Teté, que por sua vez é irmão do Thiaguinho dos teclados integrante do Grupo Pixote.  O grupo teve como um dos seus maiores sucessos a música A Mais Linda das Flores (Rainha da Flora), que saiu na coletânea Sabor Brasil da rádio Transcontinental FM em 1992, pela gravadora Ritmo Quente/Kaskatas. Do LP solo a música que rolou bastante nas emissoras de rádio, foi a Sonho de Amar (Amor Insensato).  

O Grupo Sempre Assim lançou o álbum intitulado Lado Oposto em 1994, pela gravadora Ritmo Quente /Kaskata’s Records. Um daqueles trabalhos em que a sonoridade é peculiar do pagode dos anos 90. Teve arranjos e regência do músico Alceu Maia, que também tocou banjo e cavaco. Outros músicos participantes foram;  Teclados de Darcy de Paula, percussão de Trambique e Zizinho, bateria Paulo Bonfim, Violão de Claudio Jorge e baixo de Ivan Machado. Prova mais que verdadeira, músicos bons , trabalho bem feito. Os arranjos são simples, assim como a produção, mas o resultado de talento. Nas composições integrantes do próprio grupo somados a Salgadinho, Luizinho SP, Carica, Pelezinho, Paquera e outros. Várias músicas legais, que vão do swing, pagode e partido alto, como Mero Detalhe, Lado Oposto, Padecer de Um Poeta, Nonô e o Samba,  Me Abandonou ,Princesa,  Ternura de Quem Ama...

Um fato que chama a atenção é a capa do disco, a primeira vista meio caótica, mas tem algum fundamento. Primeiro eu considero essa capa como a mais gangsta do pagode.  Imaginem um grupo de pessoas e como cenário um desmanche de carros! E na contracapa os integrantes em cima de um monte de pedra para construção, aqui uma singela referência ao local de origem do grupo, Pedreira, periferia de São Paulo. Região essa que sempre colocou bons nomes no samba e pagode no cenário. São daqueles lados por exemplo, o Grupo Katinguelê, Grupo Tradsamba, Grupo Pixote, Mito, Papapaça, Grupo Sentimento de Posse, Grupo Puro Prazer, Douglas Sampa, Walmir Borges e o mais recente Estatuto do Samba. O grupo Sempre Assim se desfez  lá pelo final da década de 90, mas enquanto existiu, agitou as rodas de samba de São Paulo.


Clique na capa e não se assuste com chiados e pulos,  pois o áudio foi retirado do vinil






sexta-feira, 18 de abril de 2014

Dupla dinâmica do balanço

Chamados de Dynamic Duo temos o Jimmy Smith e o Wes Montgmory e a dupla Batman e Robin, mas temos também os Dj's e produtores brasileiros Marcello e Alexandre.  Eles lançaram esse LP em 1989 pelas gravadoras Fieldezz e Fat Records. Nada mais nada menos do que uma versão mix da música You Don’t Know, What I Know/Rational Culture do não menos raro LP Tim Maia Racional volume 1. 

O álbum tem a participação nos vocais de Luna e Mattar e também as mãos do Dj Kid e DJ Iraí Campos na produção. A faixa “vocal” chamada de You Don’t Know, What I Know que tem um rap escrito pelo Dj Marcello é daquelas que grudam no ouvido. É óbvio que a música do Tim Maia por si só, já é um groove dos melhores, mas trabalhar em cima dessa qualidade foi muito criativo por parte deles. E os efeitos de “voz fina” que os Racionais usaram no CD Nada Como Um Dia Após o Outro Dia e o MC Kooley C. usou na melô do patinho aqui já apareciam num rap. Rolou muito nas festas blacks, e lembro que um conhecido meu, o Dj Jholy (in memorian) tinha em sua caixa (de supermercado) para vinis.

Clique na capa, mesmo que surrada 






quinta-feira, 17 de abril de 2014

Rap nacional: a minha história

Agora mando pra galera um trampo de Rap nacional. Nos meus 15/16 anos de idade cantei rap com uns camaradas. Eram eles: Paulo (PESO atual Paulada), Reni C.(Kverna), Sandro (Swing T. ), Juliano (Jota L), Dj Marcelo (Mjay) e tinha o pessoal da “banca” que eram MC'c, DJ's, B. Boys e Breakers, o MC Boca, DJ Claudinho, Dani Dieis, MC Tcheba, Juninho, Dj Wando, Dj Abel, Derik Sister Rap, Piveti, Nelsinho (Rap Sensation), Elieser (Dj Nyl), Artigo WRD,  Mané, Guru, Neno, Xandão, Sabotagem, Laskinha, Ronaldo, Beto, Elaine, Tchatchai ... Só sei que tinha gente pra caralho. Curtíamos os bailes do Clube da Cidade, Projeto Radial, Asa de Sto Amaro e de Pinheiros, Dama Xoc, Sunset Club, Xereta, Santana Samba , Sambary Love, Astro, Love Story, Espaço Atual, enfim, onde tinha rap a gente estava “colado”. Fizemos uma posse (que é um coletivo de admiradores do rap), a Símbolo Negro, íamos aos encontros de rappers e b. boys. 

A coisa foi tomando grandeza e tudo relacionado ao movimento Hip Hop queríamos estar informados e envolvidos. Conhecimento sobre grafite, dança, discotecagem, palestras sobre racismo, tradução das letras dos rap americanos, clips, música (muita música), livros, jornais, revistas enfim tudo que envolvia esse universo.

Íamos as festas/bailes, fazíamos ensaios, apresentações, muita, muita curtição na noite paulistana. Eu fazia as letras dos raps e mostrava pra rapaziada do meu grupo, na época o Dimensão Rap, e cada um dava um palpite e assim construíamos a parada. Uma vez fomos participar de um concurso no salão Barracão de Zinco, não deu em nada, nosso rap com o título de Drogas, não era uma droga, mas não passou pelo crivo dos jurados. Mas valia muito pela amizade, pelo divertimento e pela experiência de vida.



Imaginem só uma turma adolescentes, oriundos da periferia de São Paulo, vestidos com calça larga, tênis cano alto, camisas de times de basquete americano e bonés importados (o do time do Raiders era um dos mais usados). Era uma banca de respeito, mas até que a gente não arrumava muitas tretas, quer dizer de vez em quando o bicho pegava, mas ainda era na mão, sem cano. Com a experiência no rap, as letras foram ficando mais  políticas, mais elaboradas. O rap sério era nossa meta, mas quando se entra na vida adulta, se tem um pouco do doce amargo da ilusão. Acreditávamos que o rap salvaria o mundo e que não se venderíamos ao “sistema”. Não salvou o mundo, e nem deu tempo para nos vendermos, ainda bem!

NWA, CMW, Public Enemy, RUN DMC, Beastie Boys, LL Coll J, Onix e Wu Tang eram nossos espelhos musicais. Se fizermos um parâmetro hoje, NWA por exemplo tinha ostentação em suas letras, havia uma certa crítica ácida a polícia e ao racismo, mas havia também a vontade de ser o gangster do pedaço, o mais falado, o mais foda. Por outro lado tinha o Public Enemy com o discurso político mais consciente.

As bases dos raps era um pequeno problema, com a escassez de grana, o jeito era juntar todos do grupo e ir às grandes galerias, na Rua 24 de maio, nas lojas de importados e comprar algum single de rap. Na época devia sair por uns U$ 40,00 um disco com quatro musicas, só que o que valia pra gente era a faixa instrumental. Algumas das bases que cantávamos em cima eram:  Rise n’ Shine do Kool Moe Dee, Step to Me do Tim Dog e Mr. Tung Twista. Depois vieram outros tempos, formamos outros grupos de Rap, como o RDS (Reorganização do Sistema), Organização Brutal e por fim o Mente Aberta, acabei me afastando um  pouco , mas não sem antes deixar minha marca.

O Menteaberta gravou um CD independente com várias parcerias minhas nas letras e até participação nos vocais. Também fiz parcerias de letras com os rappers Jamal e Dimenó do Alvos da Lei, aliás para minha honra ambos gravaram. O Jamal gravou Lunático e Bomba H, o Alvos da Lei gravou Cena do Loco.  Até hoje digo, que o rap não saiu da minha veia e mesmo distante de alguns a consideração e amizade até hoje perdura. Espero que curtam o trampo do Menteaberta, que foi gravado em 1999, na casa do DJ Adilson Cardoso, no Jd. Campanário em Diadema. Simples, direto e feito com sofrimento e muita garra, dando destaque para o som Terror Urbano que era o nosso carro chefe ,feito em duas versões uma gangsta e outra mais na viajem.

Clique na capa que o som vai te pegar mano!


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