quinta-feira, 6 de julho de 2017

Repost: Exaltações extras para o pagode desse grupo



Um disco para ser lembrado, além de ser bom tem que guardar um pouco de história e memória. E o disco Eterno Amanhecer do grupo Exaltasamba tem um pouco disso. O grupo foi formado em São Bernardo do Campo-SP em meados de 1986. E tocava em várias casa de São Paulo e ABC, tais como Casablanca, Auge Bar, Club House, Viva Brasil, Sambarylove, Contratempos Bar, Só Pra Contrariar, JB Sambar, Andanças Bar, Choppapo e outros. A primeira gravação foi em 1991 na coletânea do Choppapo com a música Deixa Como Está (Juninho/Niltão /Dal). 

Em 1992 lançou seu primeiro trabalho solo  pela gravadora Ritmo Quente/Kaskata´s. Já começa por aí, a Kaskata´s também esta inserida no movimento do “pagode noventista”  e da musica black em São Paulo. E para a época, tudo era descoberta, com os arranjos feitos na raça, no talento e na inspiração. Pessoas simples das periferias compondo, tocando e fazendo suas músicas. E o melhor , criando sem querer um movimento e tendo apoio do público. Mas poucos tem a consciência que foi grande a quantidade de pessoas carentes , principalmente jovens, que tiveram seu primeiro contato com a música através do gênero. Já que nas escolas públicas não há ensino musical. Conheço muito músico bom que começou no pagode ou que pelo menos fez parte por um tempo das bandas de apoio. Só para citar: Bocão, Laércio da Costa, Walmir Borges e Edu Peixe. 

Depois o apoio veio um pouco a contragosto da mídia televisiva e escrita, responsáveis indiretamente pelo rótulo pagode ainda nos anos 80. O país vivia a euforia do plano Real, as gravadoras grandes viram uma mina de ouro e as rádios deram o aval. Até revistas como a Ginga Brasil tinham boas vendagens onde eram publicados os acordes das músicas. 

Mas a prova de que o pagode foi algo espontâneo é que até hoje há reflexos musicais e uma certa resistência com novos grupos. O movimento teve seu início na metade dos anos oitenta e a década de noventa como uma espécie de era de prata. Virou mania e teve seu momento de saturação/transição com a famosa peneira natural onde ficaram aqueles que realmente tocavam bem. Até mesmo nas rodas de samba se notou a evolução. O que antes era feito com uma caixa acústica com cavaco e voz, em um certo auge foi feito com violão , cavaco, instrumentos de percussão microfonados, mesa de inúmeros canais, várias caixas acústicas e outras aparelhagens. Alguns grupos colocavam até músicos tocando bateria, contra baixo e teclados, esses apetrechos todos ainda são usados mas somente em shows maiores e em palcos. Hoje uma boa roda de samba tem cavaco, banjo, violão e percussão, mas a herança dos microfones continua...

Voltemos a falar do LP que o blog dimiliduques faz a postagem. Um disco bem legal, gravado no estúdio Cameratti em São Paulo. Soa cru e ao mesmo tempo tem um certo lirismo. A começar pela música título, Eterno Amanhecer, belíssima composição de Péricles, passando pela Luz do Meu Pensar de Cleber Augusto/Djalma Falcão. Tem a bem conhecida Quero Sentir de Novo de Péricles/Juninho (esse último tocava banjo no grupo Katinguelê grupo que tem o irmão do Péricles , o Breno do violão). Por Um Amor Tão Lindo (Lula/Luiz Pintor/Jairo) é também bem romântica numa cadência bem lenta. Sem esquecer as faixas, Bem Súbito (Péricles) e Cartilha do Amor (Royce do Cavaco/Paulo Onça) essa com participação de Royce do Cavaco. Músicas que foram bem executadas nas rádios. Tem dois estilos que foram muito usados nos primeiros trabalhos dos grupos; eram os pout-pourris e os sambas-afoxé (esse último atualmente é raro ver alguém gravar). Chuva Danada/Canavial de Juninho/Salgadinho/Dal/Vicente/Carica é um exemplo de pout-porri e a faixa Angola Nagô (Lula/Luiz Pintor/Jairo) um samba-afoxé. Tem o partido alto Firma Teu Cavalo de Marquinhos Satã/Mario Sergio/Adilson Guedes, enfim, um bom disco.  

No cast de músicos  temos os arranjos de Maestro Jobam que também tocou violão de 6, Luizinho 7 Cordas e Breno no violão de 7 cordas, Brilhantina no cavaco, Mario Testoni Jr. nos teclados, Breno e Pericles no banjo, Fabio Canela no contrabaixo, Toca Martins bateria, Freddy no surdo, Theo na percussão geral, Brucutu nas congas, Mokita, Tortinho e Serginho no pandeiro e Pinha no repique. Note que os componentes do grupo também tinham qualidade e participavam das gravações em estúdio , aqui o coral foi feito pelo grupo Exaltasamba. O grupo nesse primeiro trabalho era formado por  Péricles (violão de 6/7 e vocal),Pinha (repique), Celo (tamborim e vocal), Brilhantina (cavaco), Tortinho (pandeiro e vocal), Theo (bateria) e Marquinhos (tantã e vocal). 

No segundo disco a formação mudou e saíram Tortinho e Celo e teve a entrada de Chrigor no vocal e Izaías no violão em 1994. Em 2001 Marquinhos saiu e em 2002 foi a vez de Chrigor e em 2006 Izaías também deixou o grupo. Thiaguinho assumiu os vocais em 2003 dando um novo pique ao grupo e fazendo-o chegar aos mais jovens. Em 2012 o grupo entrou em recesso e parou de tocar, mas seus componentes continuam envolvidos com o pagode. O Exaltasamba conta em sua discografia com 18 trabalhos e além desse Eterno Amanhecer eu sugiro que escutem Encanto (1994) e Luz do Desejo (1996) esses dois ótimos, mas também vale a pena escutar o Desliga e Vem (1997), Cartão Postal (1998), Mais Uma Vez (2000) e Bons Momentos (2001), da nova fase vale destacar o Ao vivo de 2002, Alegrando a Massa (2003) e Esquema Novo (2005). 

Exalte o pagode e clique na capa

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