quarta-feira, 16 de novembro de 2016

O Rei que é Principe do Pagode

Ninguém é príncipe à toa e o que o diga Reinaldo o Príncipe do Pagode que já tem idade e nome de Rei e continua no principado. O carioca erradicado em São Paulo começou por aqui sua carreira com o lançamento do LP Retrato Cantado de Um  Amor em 1986!. Em 1990 foi indicado ao Prêmio Sharp de Música de melhor cantor, pelo álbum Coisa Sentimental que havia sido lançado um ano antes.

Seu nome completo é Reinaldo Gonçalves  Zacarias e cresceu no bairro de Cavalcante no Rio de Janeiro. É do bairro também a escola de samba que ele frequentava, a G.R.E.S. Em Cima da Hora. Formou então o Grupo  O Samba Nosso de Cada Dia e acompanhou sambistas importantes como Dona Ivone Lara, Roberto Ribeiro e João Nogueira. Reinaldo que trabalhava no Citibank, largou o emprego para vir pra São Paulo, pelos idos de 1982, e fazer sua carreira. E o que o trouxe foi a vontade de desbravar, já que o movimento Pagode (nos anos 80) no Rio estava com muitas e muitas figuras, já em São Paulo a coisa estava no começo. Bom pra ele que poderia trazer a experiência das rodas de samba que vivenciou e começar um movimento por aqui.

Mas o que chama atenção em Reinaldo é sua voz potente e afinada, que parece cantar sorrindo. Sem contar que seu carisma de ser uma pessoa do bem, gentil, também atrai as pessoas.

Na parte musical além de sempre estar  acompanhado de bons músicos, que fazem questão de tocar com ele, Reinaldo também esta sempre abrindo oportunidades para os mais jovens entrar em sua banda. E seu repertório é outro caso a parte, sempre com ótimas músicas e que parecem ser escolhidas a dedo para sua voz.  E o outro detalhe é que são canções de compositores diversos e não se rende ao banal, sempre apostando em belas canções e letras com certa poesia.

Um momento marcante de sua carreira foi o disco de ouro com Coisa Sentimental de 1989, mas outros êxitos foram os três volumes do Pagode Pra Valer. Esses vinham num formato ao vivo, mas com arranjos e dando ênfase aos instrumentos mais percussivos e harmonia do pagode (cavaco, banjo, violão e violão de 7). Nesses trabalhos dispensaram-se o uso de teclados, baixo e guitarra, por exemplo, instrumentos que sempre foram bem usados em suas produções de estúdio, foi uma volta a raiz literalmente.

O Blog dimiliduques coloca o primeiro trabalho de Reinaldo intitulado Retrato Cantado de Um Amor. Foi lançado em 1986 pela gravadora Continental com direção de produção de Mauro Diniz. Destaques para os sucessos Retrato Cantado de Um Amor (Adilson Bispo/Zé Roberto) e Ô Irene (Reinaldo/ Geovana). Mas tem também as faixas PT Saudações (Jorge Aragão/Paulinho Rezende), Teu Jeito - participação Djane (Arlindo Cruz/Sombrinha/Acyr Marques) e Gostar Como Eu Queria (Arlindo Cruz/Sombrinha). No estúdio teve participação dos músicos; Jorge Simas (Violão de sete cordas), Paulão (Violão), Mauro Diniz (Cavaco e banjo), Luca (Contrabaixo), Evaldo (Teclado), Gordinho (Surdo), Marcos Alcidesd, Claumir e Bira Hawai (Percussão Geral) Waltinho (Bateria), Fuxico (Congas), Felipe (Cuíca), Dinora, Leila, Telma, Tavares, Rixxa, Zelia, Elson, Nô e Bira Hawai (Coral).


Clique na capa Veja Bem nosso post é perfeito pois até nos defeitos sabemos nos superar








sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Repost: É bem maior que um tom é o Mé Maior

Em 1981 amigos e familiares comemoravam o aniversário de um sobrinho e formaram um grupo de samba para tocar nessa comemoração. E esse grupo acabou seguindo e se apresentando numa festinha ali, sendo convidado por outra ali... Até que foram tocar num bar na Avenida Paulista e o grupo ainda se chamava O Musical Paulista. Nesse mesmo bar além de diversos artistas estava o radialista Estevam Sangirardi (um dos precursores do humor no rádio).  Gostando da apresentação do grupo ele os convida a participar de seu programa de paródias “Show de Rádio” na Jovem Pan, onde o mote era o humor e o futebol. Sangirardi com seu jeito brincalhão acabou rebatizando o grupo de Mé Maior, fazendo um trocadilho com a nota musical. Em seu programa ele até anunciava: Para festas em geral, músicos que não dão despesas: já vem jantados!. Diz a lenda também que o nome saiu de um fato corriqueiro, uma noite os amigos estavam reunidos e o garçom servindo a cachaça num copo pequeno e um deles disse: o garçom! tem como trazer um Mé Maior?.  

Bom o importante era que o grupo estava formado e começou se apresentar em diversos locais na capital paulista. Tempos depois eles foram convidados por Benê Alves a participar no LP Pagode Pra Valer Vol. 1 da Bandeirantes (1985/Disco Ban) com a faixa Quero Ver Você Fazer. Com o sucesso, a gravação do primeiro trabalho solo era uma questão de tempo. E chegou em 1991 pela RGE com o LP Raízes do Futuro, álbum esse que consta um dos maiores êxitos do grupo que foi a música Janaína (Doce Presença) de composição do componente Lyra. O blog dimiliduques põe a disposição o LP Pra Você gravado em 1992 pela gravadora BTB. Foi um disco em que o grupo literalmente meteu a mão na massa. A produção foi de Ricardinho e Benê Alves com arranjos de Eduardo Neto e Lyra. 

Além dos componentes do grupo foram convidados como músicos adicionais, Edmilson e Benê Alves no violão, Eduardo Neto nos teclados, Ocimar no contrabaixo e Max na percussão. Nas composições além dos componentes do grupo, músicas de Benê Alves, Antonio Luiz, Gambier, Laércio e Wilson Miranda. O grupo era muito falado no meio do samba por ter uma qualidade musical afiada. Desse disco destaco as balançadas Momentos Lindos (Antonio Luiz/Gambieira)  e Menina Linda (Benê Alves) que tocou muito nas rádios e saiu até em coletânea da Band Brasil. Mas tem outras belas músicas como Chama (Tinho), Elisa (Lyra), Meu Ser (Ricardo Nill) e a regravação de Pra Você (Jerry Fuller versão de Wilson Miranda) que foi sucesso na voz do Trio Esperança. Também gosto muito de Toque Mágico (Lyra) com uma batucada de primeira e coral afinado e pra finalizar se o Fundo de Quintal tem a musica Amizade o Mé Maior tem Amigo (Tinho) que versa sobre o mesmo tema e é muito bacana.

Os componentes do grupo moravam a maioria na região da Vila Santa Catarina na Zona Sul de São Paulo. Na época do disco Pra Você a formação contava com; Ricardinho (vocal, cavaco e teclados), Tinho ( vocal/violão de 7 cordas),Lyra (vocal, guitarra e banjo), Betinho (percussão e bateria), Carlão (vocal e surdo), João (vocal e repique), Miro (vocal e tamborim), Jorge (vocal e reco) e Serginho (vocal e contrabaixo). O grupo tem uma base familiar, forte e unida, das poucas mudanças de formação que teve, entre saídas e entradas podemos citar João Grandão, Tim, Tatu e Jimmy ( cavaco e vocal).

O grupo conta com lançamentos em coletâneas como Pagode Pra Valer vol. 1 (1987/Disco Ban). E teve também destaque em um dos LPs da série de coletâneas da Band FM referente ao programa Band Brasil apresentado por Gleydes Xavier e Benê Alves. Aliás o Tema do programa era do grupo Mé Maior no LP Band Brasil 2 (1990/RGE). A discografia é: Raízes do Futuro (1991/RGE), Pra Você (1992/BTB), Corpo e Alma (1994/Nenê Records), Louco Por Você  (1995/Alpha) e Mé Maior Sucessos (2011/GP Musical). 

Clique no link e beba um litro de mé maior!







http://www.4shared.com/rar/OCvmPTZMce/M_Maior__1992__Pra_Voc.html?




quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Onde há fumaça a fogo, Funk, Soul e Samba



Fui apresentado ao som da Banda Black Rio meio que por acaso, mas como eu amante da música negra, da música bem tocada, da música feita com verdade não conhecia?. É aquela velha história, por mais que você ame um movimento, tem coisas que só serão acessíveis quando uma alma bendita tira do baú e lhe mostra ou realmente naquelas escavações aleatórias você descobre num sebo. Não foi esse o caso, já que o LP de 1977, Maria Fumaça da Banda Black Rio foi desde seu lançamento reconhecido como uma jóia.


Ele é instrumental, talvez esse um dos motivos porque não atingiu o grande púbico. Recentemente houve muito burburinho quando DJs ingleses descobriram essa perola e através disso o disco virou cult e caro na Europa. E essa admiração respingou em influências a bandas como por exemplo Jamiroquai, Incognito e Brand New Heavies Dificilmente quem gosta de boa música fica incólume ao ouvi-lo. Lá pelos idos da década de 90 escutei e nunca mais saiu do meu coração. Na ocasião o Dj Jamal do Alvos da Lei possuía um exemplar e eu curioso pedi para escutar.

Hoje o disco já é figura fácil na net, ganhou versão em CD pela Polygram e ainda bem, quanto mais pessoas conhecerem “eu acho é bom”. Do disco eu conhecia a faixa Maria Fumaça (Oberdan/Luiz Carlos) de um LP perdido em casa, era a coletânea que foi trilha sonora da novela da Globo, As Locomotivas.

A banda foi fundada em 1976 no Rio de Janeiro e era formada Luiz Carlos Santos (bateria e percussão), Jamil Joanes (baixo), Oberdan Magalhães (saxofone), Lucio J. da Silva (trombone), Cristóvão Bastos (teclado), José Carlos Barroso (trompete) e Claudio Stevenson (guitarra). O primeiro LP foi batizado de Maria Fumaça e foi lançado em 1977 pela gravadora WEA/Atlantic. A produção foi do fera Marco Mazzola que é responsável técnico de muitos trabalhos na MPB, como por exemplo Gal Costa, Ney Matogrosso, Elis Regina Raul Seixas, Chico Buarque... O disco além da turma da Black Rio trás a cozinha rítmica de Nene, Geraldo Sabino, Wilson Canegal e Luna.

A capa é bem psicodélica, caleidoscópica, com o retrato dos integrantes em círculo. Tirada pelo fotógrafo Sebastião Barbosa, que no mesmo ano fez a capa do Pra Que Vou Recordar o Que Chorei do interprete Carlos Dafé. 

Como não se encantar com Mr Funky Samba (Jamil Joanes) ou o famoso Baião (Luiz Gonzaga/Humberto Teixeira). Simplesmente maravilhosas! A banda fazia uma mistura entre o soul, funk, jazz com samba. Destaque também para regravação/revisitação a música Na Baixa do Sapateiro (Ary Barroso) e da esplêndida Leblon Via Vaz Lobo (Oberdan) e Metalurgica (Claudio Stevenson/Cristovão Bastos). O instrumental era vertiginoso, num abraço groove total entre guitarra, baixo e bateria, entremeados de ardentes metais e a pitada certeira apimentada de samba. Fora um ar de improvisação libertária e que é assustadoramente técnica.

O tecladista William Magalhães, filho do saxofonista Oberdan Magalhães (falecido em acidente de carro em 1984) formou em 2001 uma nova Black Rio. A formação original acabou se desfazendo depois de um ano desse dia fatídico. A nova formação andou fazendo ótimos shows pro onde passou revisitando musicas clássicas. Na ativa a banda lançou além de Maria Fumaça os LPs Gafieira Universal (1978/RCA Victor) e Saci Pererê (1980/RCA Victor). Tem também os disco em que Black Rio participou como banda, é o caso do disco Bicho Baile Show de Caetano Veloso gravado ao vivo em 1978 no Teatro Carlos Gomes no Rio, só lançado em 2002, pela Universal, na coleção Todo Caetano. 


Clique vai sair fumaça do som




quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Um funk e soul e suas várias versões

Nostalgia eis me aqui. Vou falar hoje sobre o hit Same Beat do godfather of soul James Brown. A primeira vez que a ouvi se não me falha a memória foi num LP chamado Let’s Dance Vamos Dançar da gravadora Rhithym Blues a capa era uma cópia descarada do LP Mr Soul de Charles Wright.  A música em questão é um dos funk/soul mais bem executados que já ouvi, sabe uma batida que empolga, um riff que entra pelos ouvidos e gruda nas memórias afetivas? Então essa música para mim se chama Same Beat.

Muitos podem até dizer, a música fica só repetindo: Same Beat ! Same Beat! . Não é bem assim...além de umas frases soltas em trechos da música,  a combinação e melodia são únicas e as intervenções malucas, desde um trompete praticamente gritando, barulho do público, a um galo cantando. E para dançar ela também funciona como um turbo de adrenalina ou seria um tubo de adrenalina?

Mas afinal Same Beat é de James Brown ou da banda JB’s? os créditos são para Fred Wesley e The JB’s porém a letra, arranjo e produção é de James Brown. A gravadora foi a People Records e a data é fevereiro de 1974, um single de 7” polegadas que fez história.

E há versões mais curtas conhecidas como Part 1 que rolavam mais nos bailes e nas rádios. E tem a Same Beat parts 1,2 e 3 para quem quer se embriagar um pouco mais. Agora se quiser uma overdose é só baixar o arquivo que o blog dimiliduques põe pra vocês intitulado I Want Enough Same Beat’s. Na imagem eu usei uma foto que eu tirei do meu velho walkman. Você encontrará no set list,  versões, regravações , originais e alguns raps em que ela foi usada como sampler principal. Sem contar que James Brown é o artista mais sampleado do hip hop, serviu de base para muita gente. Isso corrobora minha opinião que a pegada Funk dela é tão boa que fez a cabeça da maioria dos DJs, não só do Brasil, mas do mundo.


clique na capa e balance um soul na sala




segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Repost: Racionais um verdadeiro poderio urbano nas rimas

Racistas otários nos deixem em paz... eis o começo de um dos raps que mais abalaram as minhas estruturas. Eu fiquei louco, que base é essa? (descobri depois que era ESG - UFO), Que letra é essa?. Nada mais nada menos do que Racionais MC’s. Já conhecia os manos da coletânea Consciência Black volume 1, com duas músicas (Tempos Difíceis e Pânico na Zona Sul) que acabaram entrando no solo deles posteriormente.  O grupo foi formado oficialmente após as gravações da coletânea (que é de 1988), já que Edi Rock e KL Jay eram uma dupla da zona Norte e Racionais eram somente Brown e Ice Blue da zona Sul de São Paulo.

O primeiro LP solo saiu em 1990 pelo selo Zimbabwe Records, mas tem prensagem que saiu em 1992, já que a gravadora era pequena e fazia o papel de distribuidora conforme a demanda. Gravado nos estúdios da Fieldezz com produção de KL Jay  e co-produzido por Alexandre e Marcelo (2 Habone). Nunca podemos esquecer que o agitador cultural Milton Salles que por um período foi uma espécie de guru e empresário dos manos, é um dos responsáveis pelo surgimento do grupo. Miltão esta inserido como principal figura para o desenvolvimento e andamento do movimento rap em São Paulo e no Brasil. Pode-se dizer que nesse primeiro trabalho a amizade e até a influência ideologica dele permeou algumas faixas. 

O que o Racionais tem de diferente dos outros grupos? Essa era uma pergunta que sempre vinha a tona quando um álbum dos caras era lançado. E na minha humilde opinião, eles sempre inovam. Conseguem se reciclar dentro de um estilo que acaba por segmentar seus artistas. Se o rapper vacila ele acaba atirando a esmo, se repetindo e até se contradizendo. Somente pessoas muito boas no que fazem e com uma visão além do óbvio, conseguem se diferenciar.

E eles inovavam nas letras, compare a evolução literária/construtiva de Mano Brown/Edi Rock/Ice Blue desde esse LP de 1990 até o lançado em 2002, o Nada Como Um Dia Após o Outro Dia. Você verá que mudam os jargões, mudam as palavras usadas (em 1990 um português mais próximo do culto, em 2002 assumiram as gírias e estilo coloquial). O discurso que antes era meio panfletário / revolucionário, assume ares mais equilibrados e até em raros momentos, festeiro. Mas não pense que se acalmaram da verve crítica. Todo trampo dos Racionais você verá um mosaico que fala da violência periférica, injustiça, polícia, miséria,preconceito racial/social e vida criminal.

Os instrumentais do Holocautos Urbano, também são inspirados no G-funk norte americano e samplers de James Brown e funk setentista/oitentista são uma constante. O que se ouvia de influencia no rap era o que o DJ KL Jay trazia aos ouvidos deles e o que os DJs das grandes equipes tinham. Ou seja o que era lançado la fora em 1987 ou 1988 chegava aqui um pouquinho depois para quem tinha acesso e um ou dois anos depois para quem estava a margem da discotecagem. O que pode ter servido de base por exemplo King Tee, Ice T. Boogie Down Productions, Marley Marl, Eric B e Rakim, Biz Markie, LL Cool J, NWA e por aí vai. Essas bases são mudadas ao longo dos anos, conforme novos parceiros são adicionados as produções (cantores e músicos profissionais no álbum Raio X Brasil e produtores do Instituto em Nada como Um Dia...).

No álbum intitulado Holocausto Urbano o clima é de revolução, com ideais de união entre os negros e luta contra a opressão da polícia e elite.  Discurso que seguiu firme e amplificado no trabalho de 1992, o Escolha Seu Caminho, um album que continha duas músicas longas. no Raio X Brasil há uma certa aproximação musical/popular/brasileira com smplers de Tim Maia,participação de figuras do pagode/samba e rádios de outros segmentos, a Jovem Pan rolando faixas como Homem na Estrada. Tudo isso deu impulso  ao recordista de vendas de 1997, Sobrevivendo no Inferno, um caso a parte no rap brasileiro.

Voltando ao LP de 1990, o cotidiano violento dos justiceiros na letra de Pânico na Zona Sul, combinando com sampler de Mind Power de JB’s. O preconceito racial histórico/brasileiro ocultado, mas colocado para fora em Racistas Otários que tem a frase certeira “...que negro branco e pobre se parecem mas são iguais...” .  Na letra de Tempos Difíceis e Beco Sem Saída a voz seriamente grave de Edi Rock dando um alerta para o mundo. A herança hedonista de NWA e Eazy E em Mulheres Vulgares, essa base me lembra as produções do Gran Master Ney. E o fosso social e o sotaque bandido/paulistano na criativa Hey Boy.

Para mim um marco do rap nacional, um disco que é símbolo de uma época, o começo dos anos 90 e do hip hop nervoso de São Paulo, faz parte da minha história no rap.

Clique e sinta o clima noventista do rap







quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Grupo Arpejo onde o berço do samba foi, literalmente, na maternidade

O Grupo Arpejo foi formado em 1996 em São Paulo e tinha componentes de bairros distintos, como por exemplo, Vila Nhocuné, zona Leste, Vila Clementino, Vila Mariana, Jardim Campanário e Jabaquara na zona Sul.  Mas o nascimento mesmo foi na Vila Clementino, tudo começou na Maternidade Amparo Maternal onde o vocalista Abraão Paiva trabalhava. Um amigo, Reginaldo Silva de Paula, o Viola, sabendo que ele gostava de compor inscreveu sua música, Querubim, no Festival dos Bancários. Nesse mesmo festival ele conheceu o Alexandre Paião do cavaco e para representar a música ao vivo teriam que ter um grupo. Então rapidamente Abraão chamou Wado do pandeiro, Paião chamou o Laércio do banjo que por sua vez trouxe o Mola para tocar tantan e o Carlinhos para o rebolo, estava formado o time. Mas e o nome? Num bate papo surgiu Arpejo, pois procuravam um nome que associasse o grupo com a música e com o samba. A palavra arpejo significa uma técnica musical, um acorde em que sua nota é tocada sucessivamente repetidas vezes.

Folder do CD coletânea Paulicéia Musical
Numa reunião de amigos quase que na pressa, de repente nasceu uma vontade de levar mais a sério o trabalho. Foi quando o grupo começou a ensaiar com bastante afinco e dedicação para tocar nas casas de samba e participar de vários festivais de pagode na cidade de São Paulo. Um dos primeiros festivais em que o Arpejo teve êxito, foi o já citado dos bancários, isso foi em 1996, era uma coletânea onde vários estilos musicais participaram como: rock, MPB e samba. No júri tinha músicos como Adilson Godoy e Zimbo Trio e na noite de encerramento a banda Titãs tocou. O grupo  Arpejo, como único representante do samba,  conseguiu o primeiro lugar em arranjo e quarto lugar geral como melhor música. A gravação do samba intitulado Querubim (Abraão Paiva) teve o registro ao vivo para a coletânea do CD 1ª Paulicéia Musical e chegou a tocar na Band FM no programa do Benê Alves.



Capa do Festival da 105 FM
Outro festival, muito especial, foi feito pela rádio 105 FM, chamado de “1º Festival de Sambas e Pagodes da 105,1 FM É Só Alegria”, o forte da sua programação era o rap mas aos poucos o samba/pagode se tornou um dos segmentos da emissora. Foi considerado um dos maiores festivais do gênero e teve a inscrição de mais de 3000 grupos. As eliminatórias desse festival foram feitas no palco da escola de samba Rosas de Ouro, onde cada grupo apresentava duas músicas, uma aleatória como abertura e uma outra inédita.   Como jurados do festival estavam Eliana de Lima, Almir Guineto e outros artistas do meio do samba. O Grupo Arpejo ficou em primeiro lugar com a música Eu e Você (Abraão Paiva/Alexandre Paião). Eles foram até o estúdio Artemix gravar, onde o arranjador do trabalho era o grande maestro Adilson Victor, com participação de músicos como por exemplo Paulinho Bonfim na bateria e Lobão Ramos nos teclados.  O CD foi lançado pelo selo Butiquim no ano de 1997. Sucesso instantâneo e carro chefe da coletânea, a faixa abriu muitas portas para o grupo, que viajou e fez muitos shows , muitas conexões 105. Não só em São Paulo, mas também interior do estado, como em Sorocaba, onde tinham muitos fãs. Até hoje a música deles é cantada nas rodas de samba de São Paulo e até do país.





Acima o grupo na TV Gazeta 



Tempos depois (1998) tiveram uma proposta para lançar um CD solo, pela gravadora Sony Music que era dona do selo Butiquim. Porém dois anos se passaram e não entraram num acordo comum então a rapaziada teve que correr atrás para tentar  gravar e lançar o trabalho de forma independente. Mesmo em meio a essa decepção ainda tiveram a ajuda enorme do locutor da Gazeta FM,  Marcelo Luiz, que levou algumas vezes o grupo para se apresentar no programa de TV chamado Ligação, onde foi um sucesso.

Então resolveram em 2000, já com repertório escolhido, chamar o músico Ronaldo Gama para efetivar o trabalho e fazer os arranjos. Bom frisar que Ronaldo Gama foi de suma importância para o grupo, pois ajudou não só profissionalmente, mas com sua amizade. Ele colaborou e muito com seu conhecimento musical e conseguiu captar o estilo e a essência musical das composições do Arpejo. Para a gravação foi escolhido o estúdio M.S. (Moving Sound) da família Benes que fez a parte técnica; Dezinho, Fabio Benes, Flavio Benes e Nelson Benes. Os músicos foram aqueles que já eram mais conhecidos e próximos do pessoal do grupo Arpejo, tocando na noite e dos bastidores da música. Tinha o Stenio (cavaco), B.A. (bateria), Michel Fujiwara (violão/cavaco), Ronaldo Gama (baixo),   Mauro Boim (trompete), Mauricio Boim (trombone), Amintas (sax),Victor Ferraz (sax), Marquinhos (trombone),  Marquinho Percussa (tantan e pandeiro), Láercio (banjo),Vitor Alves (bateria), Ed Wath (teclados), Dorca, Jorge Canti, Gerusa e grupo Arpejo (coral). As dificuldades em encontrar um selo para fazer o trabalho burocrático de distribuição acabaram atrapalhando os planos do Grupo Arpejo, o que talvez desmotivou e acabou obrigando o grupo a parar as atividades em 2002. Nessa época a formação do grupo era Laércio vocal/banjo, Alexandre Paião vocal/cavaco, Abraão Paiva vocal/complementos, Carlinhos do rebolo, Wado Du Pand vocal/pandeiro/percussão, Vinícius Mola no tantan, Carlinhos vocal/repique/rebolo, Jorginho bateria e Elizeu no violão.

O blog dimiliduques em parceria com a comunidade no facebook, Planeta do Samba (Juninho Ferracini)  conseguiu contato com um dos ex-integrantes do Arpejo, Laércio, que relembrou  muitos fatos importantes. Através desse contato falamos também com Abraão Paiva, atualmente Brão Paiva,  que foi primordial nas informações desse texto.  Juninho do Planeta do Samba tinha o arquivo contendo o áudio do CD do grupo o qual não saiu oficialmente (iria sair com o título de Sonorização), que disponibilizamos aqui. Sobre as fotos da capa, não teve uma foto oficial, o projeto era colocar instrumentos musicais,  “a nossa imagem era realmente tocar um bom samba, então nossa capa era a música” nos contou Laércio.

Analisando o trabalho solo, não é tão comercial, esse não foi o apelo, é um disco em boa parte romântico com boas melodias e boas letras. Até um pouco dessemelhante se comparado aos fáceis refrãos, bem comuns nos pagodes dos anos 90, é um disco que contém uma poesia. Além disso eles tiveram a expertise de deixar um espaço para bons partidos para equilibrar o clima. No geral esta bem produzido, bem tocado, com um bom corpo no instrumental na maioria das faixas, principalmente a harmonia dos teclados e contrabaixo. Entre as faixas tem uma nova versão do sucesso Eu e Você, com um sax dando um clima legal e o Abraão arrebentando no vocal, aliás muito bom cantor, timbre diferente e afinado. 

Os destaques na minha opinião são a primeira faixa Como é Bom , o partido Gandaia, na música Eu Queria tem dissonantes melódicos e boa letra. Já a letra de Dragões (Abraão Paiva) é bem diferente das composições de que estamos acostumados no pagode, uso de símbolos distintos como trânsito e navios. Querubim é outra faixa que mesmo com uma melodia não casual tinha potencial para tocar na rádio. E no encerramento a música, Sonorização, até o título já é meio diferente, tem uma pegada legal. Vale a pena reviver esse grupo que marcou seu nome no terreno do pagode paulista e na música.

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sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Public Enemy, Quando a postura era exemplo no rap

Nunca havia reparado, mas eu que tanto gosto de rap não postei nada de Public Enemy e Eric B. e Rakim. Um dos motivos foi um lapso musical mesmo,outro motivo é que há tanto material desses artistas na internet que acabei voltando minha atenção a outros nomes no blog dimiliduques. Enfim meu gosto musical “repeiro” não seria o mesmo se não fosse esses dois LPs dos artistas citados acima, lógico que incluo tantos outros, como NWA, Kool Moe Dee, Biz Markie, Whodini, Racionais e por aí vai.

Então vamos por parte, comecemos pelo Public Enemy que angariou milhares de fãs aqui no Brasil. Nos meus tempos de MC os caras eram o espelho para muitos raps radicais (radical na nossa época era quem falava a verdade, nua e crua com consciência e alguns palavrões etc e tal).

Sempre admirei aquele símbolo do Public Enemy, com uma mira, quando aparecia nos filmes nas camisetas dos protagonistas. Aqui em São Paulo essas quinquilharias do grupo eram facilmente achadas na rua 24 de Maio, eu tive boné, camiseta e um colar... Os caras vieram no Brasil no auge, era o ano de 1991 e o local era o Ginásio do Ibirapuera, meus manos do grupo RDS (Retratos do Sistema), PESO, Kverna e Tiza foram e eu não tive a grana para comprar o ingresso. 

Pelo menos nesse ultimo show deles no Brasil em 2014, no Parque Tietê eu pude vê-los de perto e curti o show com as clássicas Dont Believe The Hype, Fight the Power e outras mais. A formação contou além de uma banda de apoio afinadíssima, com bateria (Atiba Motta), baixo (David Reeves) e guitarra (Khari Wynn), com os dançarinos soldados, Chuck D., Flavor Flav e DJ Lord.

O primeiro LP do P.E. que eu tive acesso foi o Fear of a Black Planet de 1990, um disco de certa forma experimental, com muitas vinhetas, mas pesado e com uma capa colorida, estilizada. Porém como fã,  acabei indo atrás de outros trabalhos do grupo. E eis que descobri o LP de 1988 chamado It Takes a Nation Of Millions To Hold Us Back, esse sim o melhor do grupo na minha opinião. Ele foi escolhido como um dos melhores 50 discos de todos os tempos pela Revista Rolling Stone. Então o blog dimiliduques vai postar o próprio.

Já invertendo a ordem das coisas, cito as faixas que são essenciais em minha opinião; Bring The Noise chama muito atenção pelo caos que passa em sua base instrumental, com sobreposição de bits, scratchs e sirenes. Don’t Believe The Hype é outra clássica do grupo, sem comentários, letra viajante onde cita o islã e base contagiante. Na faixa Terminator X The Edge of Panic, mais parece uma intro, uma montagem onde o DJ mostra todo seu talento. Na faixa Caught, Can We Get a Witness o sampler louco de Bar Kays (Son of Shaft), que depois foi usado magistralmente pelo grupo Bomb The Bass na musica Beat Dis. Na Show Em Watch Got , Flavor Flav repetindo de fundo o titulo da musica e um constante solo de sax dão o clima de experimentalismo numa faixa de duração pouco menos de um minuto. 

Essas faixas curtas seriam bastante usadas em 1990 no LP Fear of a Black Planet. Em She Watch Channel Zero o flert com as guitarras pesadas que tiveram seu auge no encontro Public Enemy e Anthrax quando a banda de metal incluiu em seu disco a música Bring the Noise. Na Night of the Living Baseheads, aqui as bases estavam começando a imprimir o estilo deles, com muitas colagens, viradas, scratchs e lógico James Brown, na letra a epidemia de crack que entre os afro americanos. E o instrumental onde um som piano é o destaque em Black Steel in The Hour of Chaos? simplesmente louca. Esse disco é seminal mano! Se liga na faixa Rebel Without a Pause, a primeira feita para o disco, é outra daquelas pauladas onde você era levado a dançar na roda de break nas festas dos anos 90. O titulo da música se refere ao filme Rebelde Sem Causa que viria a se tornar um ícone cultural por ter em seu elenco o ator James Dean.

Resumidamente a história do grupo teve início em 1982 em Long Island, Nova Iorque, quando Chuck D (Carlton D. Raidenhour) formou-o junto como DJ Terminator X (Norman Rogers), Flavor Flav (William Drayton) e Professor Griff (Richard Griffin). A intenção era levar para o rap críticas sociais e discussões políticas e o nome Inimigo Publico caia bem nesse quesito. Fizeram então a inclusão de temas como o racismo, as condições do negro afro americano, críticas as grandes mídias ou como gostávamos de cantar nas letras aqui no Brasil, o sistema!. E  eles conseguiram dar vazão a esses pensamentos em forma de música.O estilo dos caras era meio carrancudo, sérios e, até meio contraditório, com uns guarda costas/soldados dançarinos nos shows.

O membro Professor Griff foi expulso do grupo em 1990 depois de fazer comentários antissemitas, chegou a gravar um trabalho solo. Em 1992 a escritora e ativista Soulja Sister acabou de certa forma cobrindo essa lacuna deixada por Griff até 1992.
E sobre o fora de série DJ Terminator X , eu meus amigos discutíamos se ele era branco ou negro e como era a pronúncia do seu a.k.a.  (pronuncia-se tormineira ekis), coisas de adolescente. O DJ saiu em 1998 e entrou em seu lugar o DJ Lord.

A gravadora era a Def Jam Recordings/Columbia e foi através do disco de 88 que o grupo teve mais destaque e se transformaram num fenômeno de vendas (1 milhão!)  e de crítica. Ele foi gravado nos estúdios Chung King Studios, Greene Street Recording e Sabella Studios. A produção executiva foi de Rick Rubin que foi produtor entre outros de Beastie Boys, Slipknot, Red Hot Chilli Peppers e outros monstros. Não podemos deixar de citar a participação indiscutível dos produtores unidos chamados The Bomb Squad.

Se liga na capa! Flavor Flav e Chuck D numa cela de cadeia. Depois dele hip hop teve modificações depois dessa pedrada. Não que ele seja a pedra fundamental do hip hop, nada disso. Os temas mais políticos/sociais cantados de maneira contundentes mas também na questão musical e de samplers. Pois o trabalho do Pulbic Enemy pode ser encarado naquela altura como algo novo e diferente do se vinha fazendo até então, mais um elo da corrente do rap.  Chuck D vinha em plena combustão e evolução, seguindo inconscientemente os passos de letristas respeitados como Rakim e KRS ONE. E a peça de equilíbrio nesse jogo era Flavor Flav, que jogava água fria com suas interjeições as vezes irônicas.


Eles nem se encaixam muito no rótulo de gangsta, apesar de ter uma postura visual semelhante. O som do grupo era agressivo, denso, cru onde letra e batida se tornavam um só. Por isso em minha opinião o NWA é o segundo melhor mas o Public Enemy is number one! Eles lançaram ao longo da carreira 14 álbuns e inúmeros singles.


I Don't Believe que você não vai clicar na capa!









quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Repost: Inovasom no Rap era com essa dupla do barulho DAS EFX

Os dois manos do DAS-EFX formaram a dupla em 1988, enquanto Skoobs ou Books nasceu em Nova Iorque,   Krazy Drayzy é da vizinha Nova Jersey. O nome vem da junção da letra D tirada do apelido de Drazy e o A de "and" e o S de Skoob, enquanto EFX significa efeitos. Depois de serem vistos em um concurso, por Parrish Smith, membro do grupo EPMD, o mesmo deu uma ajuda para gravarem seu 1º trampo em 1992. Que é o CD que postamos aqui, chamado Dead Serious e saiu pela gravadorea EastWest Records America. Logo de cara ganhou um disco de platina, e o single They Want EFX ficou entre os Top 10 na parada da Billboard.

O duo chamou a atenção por suas rimas loucas que seguem o seu fluxo de consciência, com um flow (levada) diferente de tudo que até então estava no cenário hip hop.  Nos clips usavam muita fumaça,  fogo e  cenários com pouca luz como esgotos, túneis e terrenos baldios. Na vestimenta e estilo também inovaram com cabelos rastafári, roupas folgadas,  macacões militares, botinas, toucas, mascaras de gás, jaquetas ... O que era para ser uma pegada underground, acabou virando referência para muitos rappers. Assisti muito na casa do PESO junto com meu mano Kverna as fitas VHS de clipes do DAS-EFX.

O entrosamento da dupla e seu modo de cantar, dividindo as frases musicais e versos, quebrando o ritmo da batida, voltando no compasso, atropelando, puxando o “erres”, acelerando as rimas e praticamente cuspindo na câmera/microfone, chamaram a atenção. O estilo também ficou conhecido com “iggedy” e influenciou uma gama de rappers da década de 90, tais como Fu-Schnickens, Lords of Underground e Kriss Kross.  No instrumental abusavam dos samplers principalmente de funk do mestre James Brown. Os scratchs ficaram a cargo do DJ Rhythm que também já trabalhou com Mr Tung Twista. Na produção teve as mãos do grupo EPMD, Chris Charity (esse ultimo fez tabalhos para D.Nice, K-Solo, Ice Cube e até para o Korn) e outros mais.  Desse CD de estreia destaco as ritmadas They Want, Mic Checka e Jussumen. Daqueles que eu considero que tem que estar no hall da fama do rap dimiliduques.

O ultimo disco de estúdio saiu em 2003, depois disso ainda fizeram uma turnê europeia em 2007, mas atualmente a dupla esta separada e cada um lançando suas musicas em carreiras paralelas.

Clique na capa e dandarandaranda dan dan








terça-feira, 18 de outubro de 2016

O pagode universitário do Samba nas Coxas

Grupo paulista formado em meados de 1992, na região do Paraíso, zona Sul de São Paulo, resultado de rodas de samba despretensiosas entre amigos. Essas rodas de samba começaram pelos idos de 1990 no colégio Dante Alighieri no festival FICO. Eles se apresentavam com o nome de grupo Brasil Com S. Depois na faculdade FMU no bairro da Liberdade, eram realizadas rodas de pagode nos intervalos das aulas e nos ensaios do Bloco Cascavel. Como os encontros tornaram-se cada vez mais frequentes, resolveram então formar um conjunto batizado por eles de "Samba nas Coxas", um grupo que tocava sem nenhuma pretensão profissional, somente aquela reunião informal, por diversão. 



Com o passar do tempo, formaram um público fiel, que passou a acompanhá-los em todas as apresentações pelos bares e casas noturnas da região de São Paulo como o Lambar, Refinaria e Toca do Coelho. O que era só por lazer, se tornou profissional e o grupo passou a contratar músicos renomados para integrar o conjunto e se apresentar em outras regiões. O nome em questão gera muita curiosidade, já que o senso comum diz que algo feito “nas coxas” é aquilo que é feito de qualquer jeito. Mas não é esse o caso do grupo, a explicação é simples, onde os instrumentos são colocados quando os tocadores estão numa roda de samba? Em cima das coxas é lógico, por isso o nome “Samba nas Coxas”. 



Lembro que alguns integrantes dos grupos de pagode da periferia tinham certo receio do Samba nas Coxas, pensando em se tratar de mais uma jogada de marketing o tal pagode universitário ou "uns boyzinhos brancos tentando tocar samba". Porém esse preconceito e desconfiança acabaram depois de se ouvir a qualidade deles e principalmente por ter o apadrinhamento e o "carimbo de aprovação" do grupo Sensação.



O primeiro album do grupo “Samba nas Coxas” foi lançado em 1994 pela gravadora Polygram, não tinha título mas ficou conhecido por Sabor do Pecado ou Procura-se Um Amor. Entre as músicas destacaram-se "Procura-se um amor" (Carica e Prateado) essa que tempos depois foi regravada e novamente estourou com Belo. E a bonita e já clássica "Só Dá Eu e Você" (Arlindo Cruz e Franco), sucesso nas rádios. Mas o disco todo é bem legal, eu destacaria também outras músicas: Parceria (Douglas Sampa/Acyr Marques) uma linda poesia que fala de amizade e composição, Negro é Raiz (Thelo do Reco/Fred) um samba bem swingado, Sabor do Pecado (Alceu Maia/Sara Benchimol) cantada toda em coral. Perco a Razão (Salgadinho/Juninho/Papacaça) essa da rapaziada do Katinguelê, eu conhecia essa do 2º Festival da choperia Só Pra Contrariar em que o grupo Sorrindo Assim a defendeu. E tem também a regravação da linda Céu de Pudor, Mar de Paixão (Jorge Aragão/Franco) que foi sucesso nas voz de Roberto Ribeiro e era muito cantada nas rodas de samba. E para encerrar as minhas preferidas, os partidos Fumaça (Carica/Prateado) que conta uma história de cachaceiro que acontece em várias periferias e Fraco no Jogo do Amor (Carica/Prateado/Luisinho) outro samba hilário comparando amor/esporte e um atleta meio azarado na parte amorosa. Essas últimas duas músicas eu conhecia antes da gravação, numa das rodas de samba do grupo Filosofia do Amanhã em que o Juninho do Banjo sempre aparecia e as cantava, até pensava que era de autoria dele. 



A produção do CD foi de Lobão Ramos, Prateado e Arnaldo Saccomani, gravado nos estúdios Artmix e Curumim. Os músicos que participaram, além de Prateado no baixo e Lobão nos teclados, foram em boa parte integrantes do grupo Sensação: Gazu (repique/tantan), Carica (cavaco), Rick (bateria e ganzá), João (pandeiro), Luizinho SP (banjo), Celso (violão/guitarra). Na época o grupo Samba nas Coxas era formado por Thelo do Reco (sic), Wlad no pandeiro, Daniel tantan,  Fernando “Fufi” no banjo e Frederico “Fred”no cavaco, na banda de apoio tinha Marcos na bateria, Christian tantã de marcação, Alê percussão, Jorge no violão e Hamilton no contra baixo.



O grupo se apresentou em diversos programas de TV como Raul Gil e Hebe Camargo e ainda foi tema de reportagem na revista VEJA que falava do fenômeno “pagode universitário paulista”.



No auge da carreira, final dos anos 90, o Samba nas Coxas decide acabar com as atividades do grupo, retornando somente em 2003. Em 2004 eles gravaram o novo trabalho, intitulado Recomeço. E a formação era; Tchelo, David, Jairzinho e Anderson. O grupo lançou três álbuns na carreira; Samba Nas Coxas (Polygram/1994), Esquece e Vem (Fieldezz/1997) e Recomeço (Rio 8 Fonográfico/Tratore/2004). 


Curisosidades: Wladimir Marinho, o Wlad, integrante do grupo foi puxador do Bloco Cascavel que desfilava nos carnavais na região da paulista/ Jardins e no “Pholianafaria”. O integrante Tchelo, formado em educação física, é muito respeitado e tem uma carreira vitoriosa como técnico do futebol, principalmente feminino. Marcello Frigério, como é conhecido no meio futebolístico tem vários títulos no currículo, como por exemplo campeão paulista com a equipe feminina do Palmeiras e mundial com a Seleção do Brasil Feminina Universitária, ambos em 2001. Ele também tem passagens por Juventus, São Bento de Sorocaba, São Caetano, Palmeiras por quatro vezes, São Paulo, Seleção Brasileira Universitária, Seleção Africana, Atlético Oristano da Itália, enfim, uma carreira sólida no futebol feminino. Já no futebol masculino ele treinou o profissional da Inter de Limeira, numa rápida passagem em 2005, as categorias de base do Palmeiras, do infantil e do juvenil. Em 2016 passou por Atlético de Sorocaba e depois no Sport Club Atibaia.



Agradecimentos: Juninho Ferracini (Planeta Samba), Paulinho (Sentimento de Posse), Thelo do Reco, blog samba nas coxas e Revista Ginga Brasil.




Samba das coxas a cabeça, clique na capa










domingo, 16 de outubro de 2016

Repost: Derek B , esse é bala na agulha


Bullet From a Gun, hoje numa tradução mais ao pé da letra seria: Bala na agulha. Esse era o título do primeiro álbum do rapper britânico Derek B. 

Derek Boland nasceu em 15 de Janeiro de 1965 em Londres, começou a carreira aos 15 anos como DJ e chegou a comandar programas em rádios piratas até ter a sua própria estação.  Foi um dos primeiros artistas ingleses no estilo hip hop a ficar no TOP 20 das paradas do Reino Unido. E também um dos primeiros rappers a se apresentar no programa da rede BBC; Top of the Pops. Trabalhou depois como produtor, atuando com gente importante do mundo hip hop, como Eric B e Rakim. 

Era dificil um rapper britânico conseguir seu espaço se mantendo no país de origem, mas Derik foi exceção. Outros rappers de lá tiveram que atravessar para a américa e mostrar seu talento. É o caso de Slick Rick que fez historia no hip hop. Teve o Young MC mas ele veio ainda criança para a américa. Conheço pouco o rap da terra da rainha, mas poderia citar tambem dois que são bons o Tricky e o Roots Manuva.

Eis aqui no blog dimiliduques o LP de Derk B lançado em 1988 pelo selo Tuff City Records / Tuff Audio - aqui no Brasil pela gravadora Polygram/Mercury.

Ver a capa desse LP me trás muitas recordações boas, tem sabor de infância, gostinho de tubaína e pão com “mortandela”. Rolar esse vinil no 3 em 1 lá de casa era de lei. Lógico que a música mais tocada era Bullet From A Gun, que era sucesso nas rádios e bailes blacks de São Paulo.  Esse rap já começa arrebentando, com uma entrada bem criativa, sons de passos e uma voz sinistra tipo Darth Vader, em seguida vem as primeiras batidas do instrumental, um loop e a voz agressiva de Derek B.

Mas tinha outra que eu adorava também, era a Good Groove como o próprio nome diz, "grooveada". A faixa Sucess tinha todo um clima soturno, bem legal. Na Derek B's Got, samplers de James Brown dão o tom. Get Down também tinha lá sua beleza, citando a música dos Jackson's Five, I Want You Back. E até um sampler do famoso riff de guitarra do rock Smoke on The Water do Deep Purple rolou na faixa All City. Em Rock The Beat, outra daquelas guitarras funkeadas estilo JB's. E a minha preferida era Alright Now, mano que batida de ladrão e que instrumental louco, reparem no bongô dando toda a dinamica.. 

Derek, infelizmente faleceu no dia 15 de Novembro de 2009 aos 44 anos, vítima de um ataque cardíaco.

Agradecimentos e créditos do link para o blog http://hiphopraiz.blogspot.com


Mire e Clique na capa







sábado, 15 de outubro de 2016

Repost: Swingueira 2

Falar mais do mesmo nem sempre é bom, mas nesse caso é um prazer. Mais um volume da coletânea Mestres do Swing.  Alguns já foram abordados na coletânea anterior e outros novos entraram. Como por exemplo o saudoso Bedeu que nos deixou em 1999,  autor de várias perolas do swing e samba rock. Bedeu que era gaúcho de Porto Alegre. Falando em Rio Grande do Sul, tem o Luiz Vagner Guitarreiro ótimo musico, compositor que fez sua vida por lá e depois pelo Brasil. Ele foi parceiro e tocou na banda  de Jorge Ben, a consideração era tanta que Jorge fez uma música em sua homenagem. Aliás Jorge (mestre dos mestres) também dá as caras nessa coletânea com a maravilhosa A Lua É Minha. E tem muito mais, Don Beto,  Tony Tornado, Gerson King Combo, Hyldon e a dupla Lincoln Olivetti e Robson Jorge. E os quase desconhecidos Tony Blue, Tom Saga e até uma banda, a Passport , completam a swingueira. 

clique na capa


Nas fotos da esquerda para direita no sentido horário Bedeu, Lincoln Olivetti & Robson Jorge, Carlos Medina, Don Beto, Tony Blue, Gerson King Combo, Tony Tornado, Tom Saga, Paulão da Tinga, Marku Ribas, Luiz Vagner, Jorge Ben e Hyldon.


Abaixo a Set List


quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Boogie Down Productions da raiz gangsta, a não violência

A história do grupo Boogie Down Productions é bem vasta, mas os eixos centrais sempre foram o DJ Scott La Rock e o vocal KRS One. O mais interessante é que KRS  era quem mais aparecia nas capas, dando a entender sua liderança natural. E o DJ Scott La Rock era a base instrumental  que dava sustança musical com seus bits influenciados em musica Jamaicana (riddim). Importante notar que o BDP foi um misto de grupo e posse (organização ou coletivo de hip hop), por sua formação passaram artistas como: D.Nice, Mad Lion, Lee Smith, Run, Channel Live, McBoo, Ms. Melodie, Scottie Morris, Tony Rahsan, Willie D., RoboCop, DJ Red Alert, Jay Kramer, D-Square, Rebekah Foster,Harmony, Kenny Parker, Jamal-ski e Sidney Mills.

O Boogie Down era do South Bronx e entre 1986/1987, eclodiu uma guerra, a chamada guerra da ponte, pois do outro lado se situava o Queens. No conjunto habitacional Queensbridge havia a posse Juice Crew dos rappers Marl Marley, Kool G Rap, MC Shan, Roxanne Shanté, Blaq Poet, Craig G. e outros. A treta era porque os rappers do Queens falavam em suas letras que o hip hop havia nascido lá e não no Bronx. 

Daí que no disco Criminal Minded (um dos mais pesados do Boogie Down), KRS  e cia responderam agressivamente atacando os rivais nas letras dos raps, principalmente na faixa The Bridge is Over resposta a The Bridge de MC Shan, que era primo do produtor Marl Marley. A guerra que era de palavras acabou virando coisa séria com o assassinato do DJ Scott La Rock (27 de agosto 1987) dentro do seu carro. Ele estava em meio as gravações do segundo álbum By All Means Necessary, e é este que o blog dimiliduques vai postar.

O album já traz uma forte cena na capa, imitando uma famosa foto que saiu na revista Ebony de setembro de 1964. Na foto aparecia o líder negro Malcolm X olhando numa janela e segurando uma arma. O próprio título do album é copiado de uma frase dita por X; “por qualquer meio necessário”.

A foto da capa do LP foi feita por Doug Rawel que também trabalhou em capas para Whodini , Kool Moe Dee ,DJ Jazzy Jeff e Fresh Prince, Steady B, Schoolly D,New Edition, TKA e outros.

A morte do DJ e produtor La Rock foi um grande baque 
para o BDP, com isso Kris Parker ou KRS One ,que na época tinha 22 anos de idade, refletiu e decidiu fazer uma trégua , colocando nas letras assuntos mais conscientes.    Aliás a sigla KRS ONE  é na verdade a tag para Knowledge Reigns Supreme Over Nearly Every que em livre tradução significa algo como; conhecimento supremo reina quase   sobre todo mundo.

Os temas  variaram entre AIDS,sexo seguro,corrupção do governo,corrupção policial,envolvimento do governo com o narcotráfico e por fim criticava a violência no hip hop.  

O álbum By All Means Necessary poderia ter significado o fim do grupo, mas parece que a figura de Scott e sua morte brutal teve um efeito contrário, deu um ânimo a mais aos integrantes e ele se fez onipresente. Teve seu lançamento em 1988 pela gravadora Jive Records e ganhou disco de ouro na época. Algumas participações no estúdio Power Plays, foram na mixagem de D. Nice, Kool Moe Dee e DJ Red Alert.
 
Destaques para as faixas My Philosophy, com sampler de Stanley Turrentino. Ya Slippin vale mais pela curiosidade da produção que usou"Smoke on the Water" do Deep Purple.   Stop the Violence é clássica, é o hino de paz do hip hop. I’m Still #1 tem um beat legal, KRS One representa no vocal. A faixa Jimmy é realmente estranha ou no mínimo diferente em seu instrumental e mostrava a técnica vocal apurada de KRS,essa letra fala sobre AIDS e em usar acamisinha no seu “Jimmy”. A faixa T’cha T’cha é pesada, grave, fazia tremer as caixas JBL   nos bailes, tem aquela levada meio ragga que o BDP gostava.

Se no álbum anterior eles plantaram o que pode ter sido uma semente do gangsta rap, nesse deram início a um ciclo de rap mais reflexivo e consciencioso. Óbvio que algumas faixas ainda guardam indiretas aos desafetos, como na faixa I’m Still #1, mas o mantra Stop the Violence falou mais alto. 

Na carreira que durou até 1992, o BDP gravou primeiramente um single chamado South Bronx em 1986 pela B-Boy Records, produzido por Ced-Gee/Scott La Rock e KRS One, era uma resposta a canção The Bridge de MC Shan dando inicio as animosidades. Depois lançaram Criminal Minded (B-Boy Records/1987), By All Means Necessary (Jive Records/1988), Ghetto Music: The Blueprint of Hip Hop (Jive Records/1989), Edutainment (Jive Records/1990), o ao vivo Live Hardcore Worldwide (Jive Records/1991) e o derradeiro Sex and Violence (Jive Records/1992) que marcou a saída de KRS One para a carreira solo, mas aí já é outra história.

Stop tudo que você esta fazendo e clique na capa