segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Samba Rock direto e reto no dimiliduques


Outra vez falar de samba-rock? Lógico e olha que em breve poderá se tornar patrimônio imaterial da cidade de São Paulo. É um ritmo? é uma dança? É tudo isso e muito mais! É suingue é swing. Já foi chamado de Jovem Samba, Sambalanço e Suingue, desde o encontro das guitarras e baixos elétricos com os couros do samba de morro. A soul music americana e o funk também teve influência com seus arranjos, principalmente com Tim Maia e o movimento Black Rio. Nos bailes black de São Paulo a coisa fervilhava e a hora das rasteirinhas era plenamente esperada.
Nos anos 90 a coisa deu uma esfriada, somente guerreiros ainda alçavam sua bandeira como Bebeto, Branca Di Neve, Luiz Wagner, Bedeu e outros que continuavam na ativa mesmo nas torrentes ondas contra. Nos anos 2000 pode-se dizer que aconteceu um revival como a formação da banda Clube do Balanço e artistas como Simoninha, Max de Castro, Jair Oliveira...trazendo essa influencia soul e sambarockeira misturada com pitadas de MPB.

Blog pessoal tem dessas coisas, não é segredo que por aqui você encontrara vez por outra uns discos de rap , uns de samba rock, melodias românticas, além dos já tradicionais pagodes e sambas. Mas aqui no blog dimiliduques, tudo é feito com carinho e cuidado, como nessa coletânea com 34 músicas divididas em dois volumes  de Suingue e Samba Rock. Colocamos algumas novidades que vieram pelo ar e nos ARquivos amigos e outros suingues mais antigos que achamos nos baús da vida.

E saber que cada vez mais grupos, bandas e cantores abrem espaço no seu repertório para colocar um samba rock e outro é muito legal. Lógico que é pouco, mas um passo é melhor que nada. Não vou aqui levantar discussões do tipo: “tá na moda, por isso os produtores indicam ao artista colocar no set list”. Esse “tá na moda” então faz tempo hein...desde os anos 60 com Jorge Ben?, bailes black? Anos 70/80?. Deixa pra lá, o importante é que o samba-rock vem ao longo de sua história conquistando mais e mais seu espaço merecido. É passado de geração por geração, algo mais nítido no meio da negritude, mas não há segregação e sim acolhimento, musical e emocional!
Viva o samba rock e o suingue brasileiro!
http://www.mediafire.com/file/klmiv27i5a4fyro/Swing+%26+Samba+Rock+sele%C3%A7%C3%A3o+Dimiliduques.+vol+1++by+tchelo.rar

Abaixo lista de músicas do volume 1


http://www.mediafire.com/file/ac7zokx512esxvc/Swing+%26+Samba+Rock+sele%C3%A7%C3%A3o+Dimiliduques+vol+2+by+tchelo.rar
Abaixo lista de músicas do volume 2

Forró com pagode, forrogode.




Quando se fala de forrógode pode ser que tudo não passou de uma moda passageira, mas na verdade tem muito mais por trás. A confluência entre os ritmos passa por suas origens europeias e africanas e desagua no Brasil, numa música do povo. No livro Partido Alto de Nei Lopes, li que essa influência do forró no samba veio com os migrantes nordestinos para os morros e favelas do Rio de Janeiro. Numa época em que a população ainda se formava em aglomerações populacionais, por volta da década de 40. Anteriormente já havia muitos nordestinos que vieram na explosão demográfica na década de 20 quando o Rio de Janeiro era capital do Brasil,e por aqui fixaram residência. 


Um dos locais mais frequentados era a área central e dos portos na cidade do Rio de Janeiro, onde negros , nordestinos, marinheiros, estivadores conviviam. E a música muitas vezes refletia essa mistura, imagino a cena onde um vizinho, um amigo nordestino com sua sanfona e um sambista com seu pandeiro ou tamborim versavam e faziam música de improviso. No que se diz respeito aos versos de improviso, importante notar que na cultura nordestina tinha além do forró, xote, xaxado, lundu, baião, os ritmos coco e embolada que eram fortemente calcados em versos criados na hora. 


Um dos grandes da música nordestina, Luiz Gonzaga tinha alguns laços no morro de São Carlos no Rio, seu filho Gonzaguinha foi criado lá. Outros artistas na década de 50 deram continuidade a veia nordestina foram Dominguinhos que tempos depois participou de discos de muitos sambistas. E Jackson do Pandeiro, que só de carregar pandeiro no nome artístico os sambistas ficaram de olho, e volta e meia Jackson é lembrado em regravações e citações em letras de sambas. 


A mistura se dá na métrica, na divisão rítmica , nos temas das letras e principalmente na incorporação dos instrumentos como a sanfona, o triângulo e zabumba  misturados com surdo, tamborim, cavaco, já o pandeiro é um instrumento comum aos dois ritmos.


O termo forrogode é recente, da década de 80 e um dos primeiros a usar o nome e a gravar um trabalho mais voltado ao estilo que misturava samba e forró foi o cantor carioca Elson do Forrogode em 1987 com o lançamento do LP intitulado Forrogode. O próprio diz que a palavra forrogode foi sua criação e a ideia surgiu em suas andanças pelo Brasil e pelo fato de gostar muito dos dois ritmos. Mas podemos também considerar o coco uma das primeiras manifestações que tinham como influencia o samba e o forró, o próprio Bezerra da Silva antes de ser sambista, gravou os seus dois primeiros discos; o Rei do Coco I e II. O certo é que nos anos 80 muitos sambistas/pagodeiros em seus trabalhos solos colocavam um forró com pegada de pagode. Mas antes já tinha sambista fazendo essa mistura, é o caso de Tião Motorista em 1977 com a música Beira Rio e Clara Nunes gravou de Sivuca o forró Feira de Mangaio em 1978. O dimiliduques faz uma..uma não! duas! coletâneas de algumas dessas músicas, para ilustrar um pouco mais a conversa. 

Clique nas capas e Muito forró e muito samba...para todos...for all!


https://www.mediafire.com/view/b92kmz88293zr2k/Volume%201%20Forrogode.rar

Abaixo as musicas do volume 1



https://www.mediafire.com/view/y05q654crrp44o5/Volume%202%20Forrogode.rar

 Abaixo as musicas do volume 2

 

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

1º Festival de Pagode do Só Pra Contrariar

A casa de shows e choperia Só Pra Contrariar ficava em ótima localização para a vida boemia de São Paulo, no bairro do Bexiga. O seu dono era o empresário Jorge Hamilton e por lá passaram grandes sambistas que depois se consagrariam. Como os grupos Sampa, Art Popular, Sampagode, Da Cor do Pagode, o cantor Betho Guilherme e muitos outros.


Em 1988 e 1989 a casa lançou duas coletâneas com o nome de Só Pra Contrariar e Seus Convidados (volumes 1 e 2) essas duas com grupos que volta e meia tocavam na casa. E em 1991 ainda saiu a coletânea O Melhor do Só Pra Contrariar e em 1992 aconteceu o 1º Festival de Pagode do Só Pra Contrariar, todos esses discos saíram pela gravadora de Jorge Hamilton chamada JWC (depois mudou o nome para Jota Haga).

O blog dimiliduques coloca a disposição o LP do festival de 1992. Ele aconteceu em meados de 1990 no palco da própria choperia principalmente a sextas feiras.  Muitos grupos bons saíram nessa coletânea; temos o grupo Beira Rio onde o cantor Belo era cavaquinista, e por incrível que pareça não foi ele quem cantou a faixa Swing Pra Mulher (Zezinho/Marcelo Aranha). Os Magnatas do Pagode foi um dos que tiveram a música mais divulgada do LP, Doce Mania (Zezinho Cipó) e até hoje figura no arquivo de samba das emissoras de rádio. 

Outro grupo de destaque era o Grupo Cultural Samba com a faixa Saudade (Carlinhos Azevedo) da região da zona Sul de São Paulo que tinha entre seus integrantes  Dendén (violão), Tiguera (cavaco), Reginaldo (reco) e Maurinho (repique), depois lançariam um solo pela própria JWC. Outros grupos os quais eu conhecia eram: Plena Confiança do ótimo vocalista Ailton, sua música Sem Mistérios,Nem Fronteiras (Tinho/Gildão/Nenê) também era uma das melhores da coletânea, eram de Diadema. O grupo Luz e Poesia do Beto do pandeiro com a música Vilão  que chama a atenção pelos nomes dos compositores (Du's Betu's/Tião Samba Clube) eram da região sul, no Jardim Miriam. E o ótimo grupo Sentimento de Posse (do cavaquinhista Paulinho e do vocalista Evandro) era do bairro da Pedreira, teve também umas das faixas mais comentadas do disco Louca Por Mim (Salgadinho/Dal/Juninho do Banjo)


Outro que tive a oportunidade de conhecer foi o pessoal da zona Leste, o grupo K Entre Nós, muito versáteis no palco, lançaram a dançante Inspiração de Um Poeta (Adriana Moreira). O Grupo Naturalidade um dos únicos que representaram com um partido alto, Este Ser (Titi do Cavaco/Washington Cantareira), era da zona Norte pelos lados do Tucuruvi e se não me engano, fazia parte o Fabinho Natura (carece de fontes) compositor de mão cheia de entre outras Eterna Lua de Mel e Sempre Vai Haver Amor do Grupo Malícia.

Completavam o time os grupos Oitava Cor, esse nome depois viria a batizar vários outros grupos em São Paulo e no Rio Grande do Sul. Serra Samba (com o figurino da foto bem clichê na época) , Grupo Alforria, sempre achei esse nome forte e eles e entraram com o swing Raro Brilhante (Carlinhos Alforria). E o Grupo Bem Bolado, esse já bem conhecido, em tempo; toda improvisação no pagode tem o nome de “bem bolado” era bem comum um grupo que não tinha nome usar esse provisoriamente, chegaram a gravar outra faixa, Meu Sentimento (Edson Fumaça) na coletânea Sabor Brasil da Transcontinental.  


Conversando com o Renato Tiguera que fez parte do grupo Cultural Samba, ele nos contou algumas curiosidades. Por exemplo o grupo Magnatas do Pagode que era do interior de São Paulo (Araraquara) não chegou a participar efetivamente do festival, foi convidado pelos organizadores. Os jurados do festival eram integrantes e sambistas que tocavam na casa e o empresário Jorge Hamilton. Eram quatro grupos por chave que participavam com duas músicas inéditas cada e ninguém participou com banda (contrabaixo/bateria e teclados). Os grupos depois, não tiveram acesso a quantos Lps foram prensados e nem tiveram direito a cotas e direitos financeiros de vendagens. Um dos grupos que participaram, não passaram de fase, mas que depois conseguiram seu espaço foi o Mi Menor da zona Leste e SP. Segundo Tiguera "as gravações aconteceram num estúdio no bairro da Bela Vista, uma tiração de sarro, com todos os grupos presentes, tinha até fila! era nossa primeira experiência em estúdio, um pouco de tensão, mas foi marcante e muito legal". Ele puxou da memória alguns dos músicos participantes, já que o LP que eu possuo esta sem os encartes onde consta a ficha técnica; Edmilson Capelupi (Arranjos e Violão), Marcio Hulk e Biro do Cavaco (cavaco), Delcio Luiz (banjo), Bororó Felipe (baixo), Fred (surdo), Edu Neto (teclados), Fumaça (pandeiro), Paulinho Sampagode (tantan) e Camilo Mariano (bateria). O disco teve alguma repercussão no meio dos pagodes e  abriu várias portas para os grupos participantes. A qualidade musical do disco é indiscutível, os músicos e arranjadores souberam delinear o som, resultando num trabalho profissional e bem feito.






Clique na capa e bora sambar







Repost: Tim Dog, um dos primeiros cachorros loucos do rap americano

O rapper Tim Dog tinha um timbre nervoso, um agudo abafado que fazia com que seus raps tivessem todo um clima de revolta. A levada era aquela noventista, na cadências dos bits e no ritmo.  Quando tinha meus 16 anos, lembro que ainda cantava rap com os manos DJ Claudinho, PESO e Reni C.  esse play rolava direto. E tinha ali uma instrumental da hora que a gente fazia umas rimas em cima, era a faixa Step To Me.

Obviamente não entendíamos muito de inglês, mas dava pra ouvir em músicas (Fuck Compton por exemplo)  alguns xingamentos endereçados aos manos do grupo de rap NWA, CMW, Dj Quik,  Eazy-E, Ice Cube e para o rapper Ice T. Tim Dog abusava dos "fucks", "bitchs" e "shits". É um daqueles discos em que o selo de advertência "Parental Advisory Explicit Lyrics" era obrigatório. A produção ficou a cargo do próprio Tim Dog e de Kool Keith, Ced Gee, TR Love e Moe Love, todos eles integrantes do grupo Ultramagnetic MCs, exceção feita a duas faixas produzidas por Bobby Crawford do grupo Ol Skool.

Nascido Tomothy Blair, Tim Dog era um rapper da costa Leste dos EUA, mais precisamente de New York, Bronx e fez parte de uma das maiores tretas do rap americano. Ele teve a coragem de bater de frente com os rappers que estavam fazendo sucesso na época no estilo gangsta. Culminando no ódio musical entre as costas leste e oeste (que por vezes extrapolou para tiros e mortes).  Exemplo disso foi a treta dos primórdios Boogie Dawn Productions x Juice Crew, das rappers Lil Kim e Foxy Brown,  Ice Cube contra NWA, The Game x 50 Cent e por aí vai. E uma das mais notáveis e trágicas (onde e ambos acabaram mortos a tiros) envolveu os rappers  Notorious B.I.G.  (Costa Leste) e Tupac Shakur, que deram continuidade a essa briga dentro das gravadoras rivais Bad Boy Records de Sean Combs (Puff Daddy) e Death Row de Suge Knights.

O blog dimiliduques põe a disposição o seu primeiro álbum, Penicillin on Wax de 1991 da gravadora Columbia, pelo selo Ruffhouse (ligada a multinacional Sony). A maioria das músicas tem uma pegada mais para frente. Além das já citadas acima, tinha uma faixa Secret Fantasies em que a instrumental é permeada de gemidos como numa transa. Já em Michelle Conversation é simplesmente uma conversa telefônica que parecia uma voz infantil, era uma de suas “homenagens” fazendo piada com a voz da cantora de R&B Michel’le, da cidade de Los Angeles. Tem também uma vinheta, que usa a voz do falecido comediante  Robin Harris na faixa Robbin Harris Shit, em que ele diz Fuck Compton.

O rapper TIm Dog morreu aos 46 anos no dia 15 de fevereiro de 2013, devido a um mal súbito provavelmente por complicações ligadas a sua diabetes. Na época cogitou-se até que seria um golpe de marketing ou que ele estaria se escondendo para não pagar uma dívida em dinheiro (processo que perdeu no tribunal). Mas mesmo sem um atestado de óbito e por sua família ter ficado de luto em silêncio, a verdade veio a tona e Tim Dog não esta mais entre nós. 




Repost: Lig lig lig... quem nunca ouviu esse começo da Melô do Patinho?

A dupla MC Kooley C e DJ KJ são oriundos da Florida e ficaram famosos aqui no Brasil pela melô do Patinho (Big D). Chegaram a fazer shows no Brasil em apresentações no Club House em Santo André  e no ginásio do Palmeiras em 1988. O grupo lançou dois singles em 1986 com os titulos de Lets Get This Party pelo selo Beware  Records e Started,Just Luke and Listen / Shery and Donno pelo selo Luke Skyywalker Records .O blog dimiliduques põe para todos o LP  com a citada famosa música Big D, lançado em 1988 intitulado Our Time Nas Come pela Beware Records (no Brasil saiu pela All Disc /Eldorado) .

Cara, namorei esse vinil por muito tempo, passava numa loja ali em Santo Amaro, na zona sul de São Paulo. Mas meu ordenado de office boy não dava pra comprar, então meu tio Galo arrumou pra mim. Não vou dizer que fiquei decepcionado, na verdade o disco era fortemente influenciado pelo Miami Bass e Electro Boogie. Gostava mais das músicas Big D e Know U Better.  São boas recordações ao olhar a capa de fundo marrom com os dois artistas a frente e o selo “Incluindo o sucesso Melô do Patinho”.
 
Mas enfim, o Miami Bass ainda não era tão difundido na época e eu curtia mais o que a gente costumava chamar de balanço. Nos arranjos rápidos os caras usavam muitos sintetizadores, scratchs e a bateria eletrônica TR-808. Mas mesmo assim o disco era bem produzido e Kooley C. mandava bem na rima e no ritmo. Hoje olhando para trás, os caras estavam lançando uma semente que deu frutos juntamente com Steady B. , Dynamix II, 2 Live Crew, JJ Fad,  Rodney O, Sir Mix-A-Lot e outros.

Atualmente, Kooley C, mora no sul da Flórida é um conceituado produtor, já trabalhou com novos nomes, como Pretty Rick e Pitbull.

Clique na capa sem afinar a voz

http://www.4shared.com/rar/ZIN1DlMlce/Dj_Kj__Mc_Kooley_C_-_Your_Time.html


segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Repost: Pé Moleque um grupo mais que amigo



O grupo Pé de Moleque tem origem na região do Jabaquara, Zona Sul de São Paulo em 1990. Quando uns amigos que andavam juntos na escola e dançavam break resolveram montar um grupo de samba. E frequentando do outro lado da cidade, as tardes de pagode no Camisa Verde e Branco a inspiração falou mais alto e ali encontraram o ambiente propício para levar a ideia adiante. A primeira gravação foi em 1991 , uma faixa no LP/coletânea do Choppapo. A música em questão era a Carente de Paz composição de Helder Celso/Rogerinho (que já havia ganhado um festival no próprio Botequim do Camisa). A coletânea do Choppapo era uma daquelas bem fortes,  com vários grupos bons como Exaltasamba e Katinguelê. O Pé de Moleque foi um dos que se destacou e se apresentou por vários locais em São Paulo. 

Em 1993 veio a chance de gravar um solo, pela até então recente gravadora, Paradoxx Music. Lançaram  o LP “Mais Que Amigo” e logo de primeira causaram uma ótima impressão. Diretamente do Studio 464 no Rio de Janeiro com arranjos de Mauro Diniz, o resultado ficou muito bom. O blog dimiliduques põe mais esse tesouro do pagode noventista a disposição.

Na capa o figurino foi bem colorido com camisões que na época eram a moda da juventude pagodeira. Fotos do saudoso Aki Morechita que fez várias capas não só de pagode mas de sertanejos nessa época O design foi do Luiz Cordeiro o famoso Katmandu. E até os cabelos tiveram a mão dos salões do Toninho Black Power um dos pioneiros do black power das grandes galerias em São Paulo.

Se liga no time de feras como músicos. O arranjador Mauro Diniz também tocou banjo, cavaco e violão, Helder Celso no cavaco, Jorge Simas violão de 7 cordas, Bororó contrabaixo, Lobão Ramos nos teclados, Jorge Gomes na bateria,  Felipe D’angola surdo e percussão, Mokita no pandeiro, Reinaldo Batera no repique e percussão e  Macalé percussão. 

Na época da gravação o grupo era formado por Helder Celso (vocal e cavaco), Mokita (pandeiro), Rogerinho (tamborim), Odair Odamoleque (timba), Josenario Mascarenhas (violão de 6), Pelé (surdo) e Nikimba (reco). Uma curiosidade é que os integrantes Mokita e Helder Celso (na época ainda Elder), são filhos do locutor Moisés da Rocha, grande defensor do samba na rádio USP FM de São Paulo.

Destaques para as músicas Mais que Amigo (Mokita/Helder Celso/Rogerinho/Nikimba) Tá na Hora (regravação do swingueiro Bedeu), Por Onde Ir (Mokita/Helder Celso), Carente de Paz (Helder Celso/Rogerinho), aqui com um arranjo um pouco modificado. Mas o LP inteiro é de bom gosto, incluindo as faixas; Fundamentos do Amor (Adilson Bispo/Borracha/Pelezinho) , Nas Pegadas de Um Amor (Mauro Diniz), Pra Que Sentir Solidão (Helder Celso/Rogerinho) e os partidos Festa na Cozinha (Juninho/Salgadinho/Papacaça/Dal), Luz da Poesia (Helder Celso/Chiquinho dos santos) /Meu Sambista Meu Amigo (Carica/Soró/Luizinho SP) e Velhos Arvoredos (essa última do grande sambista Wilson Moreira).

O grupo ainda lançou mais um ótimo CD intitulado Um Novo Olhar em 1996. E fez parte dos grandes do pagode, até metade dos anos 2000 ainda fazia shows mas depois disso o grupo deu uma parada.

Clique na capa e prove o doce pagode





sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Intuitivamente pagodeando

O grupo Intuição foi fundado em 1996 numa junção de pagodeiros da capital, do ABC (Diadema) e do interior de São Paulo (Presidente Epitácio e Presidente Prudente). O grupo se apresentava como grupo mistura e Cor, porém esse nome já estava sendo usado e na procura de um nome um dos integrantes disse para se usar a intuição, pronto estava batizado o novo grupo.

Eles eram figurinhas carimbadas nas rodas e nos palcos de pagode, principalmente em São Paulo.  E nessas apresentações, muitas vezes culminava com a abertura de shows de grupos já firmados na cena como Art Popular, Katinguelê, Exaltasamba, Negritude Jr. Isso era uma enorme responsabilidade, mas indiretamente dava um fôlego e maior experiência para um grupo iniciante. Era meio que uma prova de fogo em que eles passaram e conquistaram seu espaço musical, com elogios do publico e outros frequentadores da noite paulistana.

Mesmo contando com onze componentes, havia uma vantagem; é que os músicos de banda (contra baixo/bateria/teclados/percussão geral) eram integrantes, não havendo necessidade de contratar freelances, o que muitas vezes causa um desgaste se não tiver a devida organização administrativa. Falo isso por ter feito parte de um grupo e por experiência própria posso afirmar, correr atrás, marcar shows, cuidar de cachê, local de ensaio, contratar banda e outros detalhes burocráticos, tem que ser feito por alguém de fora, pois sobrecarrega qualquer um que tente ser músico e ao mesmo tempo empresário ou uma espécie faz tudo.

E nessa parte o grupo Intuição parecia ter vivido uma das melhores fase em 1997, quando estavam nas mãos de Marcelo Pedroso e Riverte Santos. Quem curtia os pagodes na noite poderia encontrar eles nas melhores casas do ramo, como: Mistura Brasileira, Choperia Polo North, Alpendre, Consulado da Cerveja, Caipilona, Birinight etc... A exposição teve um resultado positivo e essa agenda aumentou mais quando no ano seguinte aconteceu o lançamento do CD nas lojas e a música Amor Que Eu Nunca Vi  rolando nas rádios. O trabalho de divulgação aumentava o leque de aparições do grupo em programas de TV como Flash de Amauri Jr. e  Programa Raul Gil.

O blog dimiliduques deixa para vocês o 1º trabalho, intitulado Doce Sabor, lançado em 1998 pela Zimbabwe Records / RDS. O grupo tinha a seguinte formação: Alaim (baixo), Marcos Mortão (pandeiro e voz), Renatinho (cavaco e voz), Fabio Tchê (violão), Anderson (voz), Junior (percussão), Roquinho (percussão), Julio (teclados) e Jeferson (banjo, percussão e voz). O trabalho foi gravado no Rio de Janeiro (estúdios Impressão Digital e Chorus) e produzido por um dos “magos” do pagode 90, Bira Haway. No cast de músicos participantes na gravação temos: Evaldo Santos (arranjos e teclados), Prateado (contra baixo), Paulão (violão), Camilo Mariano (bateria), Alceu Maia(cavaco) , Marcelo Lombardo (banjo), Pirulito (surdo), Leandro Sapucahy (tamborim, jimbrau, timbau, pandeiro, ganza e assistente de produção), Laizy Sapucahy (tumba e tamborim), Marcos Vinicius Bigode (tantan), Bira Haway (tamborim), Eliana, Elizeth, Elianeth, Eliete, Antonio Cunha e Moisés Costa (coro).

Destaco as faixas:  Amor Que Eu Nunca Vi (Delcio Luis/Carlito Cavalcanti), que foi o carro chefe do disco, um arranjo bem legal onde na introdução um baixo brinca e o comecinho vem um cavaquinho, sons de teclados dando um clima para o vocal Marcos Mortão deslizar numa bela interpretação.

Amor Selvagem (Edu/Mito) muito legal a melodia dessa música com dissonantes indo e voltando, com um refrão pra cima bem ao estilo do compositor Mito integrante dos grupos Toke Divinal e depois Refla.

Sabor Hortelã (Luis Claudio Picolé/Marcio Paiva) é um pouco mais balançada, repare quando acontece um crescente da metade para frente e rola um breque, refrão alegre, bom tocou no rádio e foi sucesso.

De Novo a Festa (Arlindo Cruz/Sombrinha) essa foi regravada num tom diferente em 2003 com o nome Um Sim Pra Quem Te Gosta no disco Pagode do Arlindo Ao Vivo de Arlindo Cruz.

Paixão que Me Faz Viver (Arlindo Cruz/Marquinho PQD), pegada mais astral, a composição tem toda a poesia de PQD e a harmonia sempre certeira de Arlindo.

A Sacolejo é um partidinho peculiar do pagode noventa, com um andamento mais cadenciado que os partidos da antiga, essa é legal porque ficou ali no meio, nem muito rápida e nem devagar.


Enfim um trabalho equilibrado, simples na sua concepção, mas bem produzido em se tratando do primeiro solo de um grupo. Só a capa que achei um pouco estranha a primeira vista, é que Jayme Ribeiro fez a capa digitalmente e ficou datada com os recursos tecnológicos daqueles anos 90, muito brilho, colagens e montagens. Tive a percepção de que a viagem na criação foi; uma pessoa “pensando” em letras, poesias e usando a Intuição. 

Eles ainda lançariam em 2000 o CD Caixa Postal mudando a nomenclatura para Yntuição, produzido por outro craque pagodeiro, o contra baixista Wilson Prateado. Em 2001 participaram da coletânea Melhores do Ano idealizada por Pelé Problema, com a música Desengano ao lado de Royce do Cavaco. Em meados de 2003 o grupo parou suas atividades por problemas internos. O vocalista Anderson , o cavaquinhista Renatinho e o pandeirista JR montaram outro grupo e continuaram usando o nome Intuição no estado do Rio Grande do Sul chegando a gravar em 2006 o trabalho Ao Vivo -Tempo de Amar. Agora em agosto de 2016 o grupo Intuição esta retomando a carreira com o vocalista Marcos Mortão (agora com o nome Max), Dave (vocal), Niki (pandeiro), Fabio Tchê (violão) e Rodrigo Gigio (cavaco), o EP esta intitulado de O Couro Vai Comer.

Clique na capa vai que vai...