quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Grupo Arpejo onde o berço do samba foi, literalmente, na maternidade

O Grupo Arpejo foi formado em 1996 em São Paulo e tinha componentes de bairros distintos, como por exemplo, Vila Nhocuné, zona Leste, Vila Clementino, Vila Mariana, Jardim Campanário e Jabaquara na zona Sul.  Mas o nascimento mesmo foi na Vila Clementino, tudo começou na Maternidade Amparo Maternal onde o vocalista Abraão Paiva trabalhava. Um amigo, Reginaldo Silva de Paula, o Viola, sabendo que ele gostava de compor inscreveu sua música, Querubim, no Festival dos Bancários. Nesse mesmo festival ele conheceu o Alexandre Paião do cavaco e para representar a música ao vivo teriam que ter um grupo. Então rapidamente Abraão chamou Wado do pandeiro, Paião chamou o Laércio do banjo que por sua vez trouxe o Mola para tocar tantan e o Carlinhos para o rebolo, estava formado o time. Mas e o nome? Num bate papo surgiu Arpejo, pois procuravam um nome que associasse o grupo com a música e com o samba. A palavra arpejo significa uma técnica musical, um acorde em que sua nota é tocada sucessivamente repetidas vezes.

Folder do CD coletânea Paulicéia Musical
Numa reunião de amigos quase que na pressa, de repente nasceu uma vontade de levar mais a sério o trabalho. Foi quando o grupo começou a ensaiar com bastante afinco e dedicação para tocar nas casas de samba e participar de vários festivais de pagode na cidade de São Paulo. Um dos primeiros festivais em que o Arpejo teve êxito, foi o já citado dos bancários, isso foi em 1996, era uma coletânea onde vários estilos musicais participaram como: rock, MPB e samba. No júri tinha músicos como Adilson Godoy e Zimbo Trio e na noite de encerramento a banda Titãs tocou. O grupo  Arpejo, como único representante do samba,  conseguiu o primeiro lugar em arranjo e quarto lugar geral como melhor música. A gravação do samba intitulado Querubim (Abraão Paiva) teve o registro ao vivo para a coletânea do CD 1ª Paulicéia Musical e chegou a tocar na Band FM no programa do Benê Alves.



Capa do Festival da 105 FM
Outro festival, muito especial, foi feito pela rádio 105 FM, chamado de “1º Festival de Sambas e Pagodes da 105,1 FM É Só Alegria”, o forte da sua programação era o rap mas aos poucos o samba/pagode se tornou um dos segmentos da emissora. Foi considerado um dos maiores festivais do gênero e teve a inscrição de mais de 3000 grupos. As eliminatórias desse festival foram feitas no palco da escola de samba Rosas de Ouro, onde cada grupo apresentava duas músicas, uma aleatória como abertura e uma outra inédita.   Como jurados do festival estavam Eliana de Lima, Almir Guineto e outros artistas do meio do samba. O Grupo Arpejo ficou em primeiro lugar com a música Eu e Você (Abraão Paiva/Alexandre Paião). Eles foram até o estúdio Artemix gravar, onde o arranjador do trabalho era o grande maestro Adilson Victor, com participação de músicos como por exemplo Paulinho Bonfim na bateria e Lobão Ramos nos teclados.  O CD foi lançado pelo selo Butiquim no ano de 1997. Sucesso instantâneo e carro chefe da coletânea, a faixa abriu muitas portas para o grupo, que viajou e fez muitos shows , muitas conexões 105. Não só em São Paulo, mas também interior do estado, como em Sorocaba, onde tinham muitos fãs. Até hoje a música deles é cantada nas rodas de samba de São Paulo e até do país.





Acima o grupo na TV Gazeta 



Tempos depois (1998) tiveram uma proposta para lançar um CD solo, pela gravadora Sony Music que era dona do selo Butiquim. Porém dois anos se passaram e não entraram num acordo comum então a rapaziada teve que correr atrás para tentar  gravar e lançar o trabalho de forma independente. Mesmo em meio a essa decepção ainda tiveram a ajuda enorme do locutor da Gazeta FM,  Marcelo Luiz, que levou algumas vezes o grupo para se apresentar no programa de TV chamado Ligação, onde foi um sucesso.

Então resolveram em 2000, já com repertório escolhido, chamar o músico Ronaldo Gama para efetivar o trabalho e fazer os arranjos. Bom frisar que Ronaldo Gama foi de suma importância para o grupo, pois ajudou não só profissionalmente, mas com sua amizade. Ele colaborou e muito com seu conhecimento musical e conseguiu captar o estilo e a essência musical das composições do Arpejo. Para a gravação foi escolhido o estúdio M.S. (Moving Sound) da família Benes que fez a parte técnica; Dezinho, Fabio Benes, Flavio Benes e Nelson Benes. Os músicos foram aqueles que já eram mais conhecidos e próximos do pessoal do grupo Arpejo, tocando na noite e dos bastidores da música. Tinha o Stenio (cavaco), B.A. (bateria), Michel Fujiwara (violão/cavaco), Ronaldo Gama (baixo),   Mauro Boim (trompete), Mauricio Boim (trombone), Amintas (sax),Victor Ferraz (sax), Marquinhos (trombone),  Marquinho Percussa (tantan e pandeiro), Láercio (banjo),Vitor Alves (bateria), Ed Wath (teclados), Dorca, Jorge Canti, Gerusa e grupo Arpejo (coral). As dificuldades em encontrar um selo para fazer o trabalho burocrático de distribuição acabaram atrapalhando os planos do Grupo Arpejo, o que talvez desmotivou e acabou obrigando o grupo a parar as atividades em 2002. Nessa época a formação do grupo era Laércio vocal/banjo, Alexandre Paião vocal/cavaco, Abraão Paiva vocal/complementos, Carlinhos do rebolo, Wado Du Pand vocal/pandeiro/percussão, Vinícius Mola no tantan, Carlinhos vocal/repique/rebolo, Jorginho bateria e Elizeu no violão.

O blog dimiliduques em parceria com a comunidade no facebook, Planeta do Samba (Juninho Ferracini)  conseguiu contato com um dos ex-integrantes do Arpejo, Laércio, que relembrou  muitos fatos importantes. Através desse contato falamos também com Abraão Paiva, atualmente Brão Paiva,  que foi primordial nas informações desse texto.  Juninho do Planeta do Samba tinha o arquivo contendo o áudio do CD do grupo o qual não saiu oficialmente (iria sair com o título de Sonorização), que disponibilizamos aqui. Sobre as fotos da capa, não teve uma foto oficial, o projeto era colocar instrumentos musicais,  “a nossa imagem era realmente tocar um bom samba, então nossa capa era a música” nos contou Laércio.

Analisando o trabalho solo, não é tão comercial, esse não foi o apelo, é um disco em boa parte romântico com boas melodias e boas letras. Até um pouco dessemelhante se comparado aos fáceis refrãos, bem comuns nos pagodes dos anos 90, é um disco que contém uma poesia. Além disso eles tiveram a expertise de deixar um espaço para bons partidos para equilibrar o clima. No geral esta bem produzido, bem tocado, com um bom corpo no instrumental na maioria das faixas, principalmente a harmonia dos teclados e contrabaixo. Entre as faixas tem uma nova versão do sucesso Eu e Você, com um sax dando um clima legal e o Abraão arrebentando no vocal, aliás muito bom cantor, timbre diferente e afinado. 

Os destaques na minha opinião são a primeira faixa Como é Bom , o partido Gandaia, na música Eu Queria tem dissonantes melódicos e boa letra. Já a letra de Dragões (Abraão Paiva) é bem diferente das composições de que estamos acostumados no pagode, uso de símbolos distintos como trânsito e navios. Querubim é outra faixa que mesmo com uma melodia não casual tinha potencial para tocar na rádio. E no encerramento a música, Sonorização, até o título já é meio diferente, tem uma pegada legal. Vale a pena reviver esse grupo que marcou seu nome no terreno do pagode paulista e na música.

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5 comentários:

Unknown disse...

Valeu adorei a matéria muito bem contada a história do grupo arpejo um grande abraço a todos do laercio do banjo g.arpejo

Laercio Fabiano disse...

Valeu adorei a matéria muito bem contada a história do grupo arpejo um grande abraço a todos do laercio do banjo g.arpejo

Viviane Camilo disse...

Eu simplesmente amo todas as músicas. Deveriam ter uma oportunidade de mostrar esse lindo trabalho.

Cezar Sorocaba disse...

Bela matéria. Parabéns, sucesso..

Marcelo S. Costa disse...

Muito obrigado a todos que leram e para os que irão ler!