sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Public Enemy, Quando a postura era exemplo no rap

Nunca havia reparado, mas eu que tanto gosto de rap não postei nada de Public Enemy e Eric B. e Rakim. Um dos motivos foi um lapso musical mesmo,outro motivo é que há tanto material desses artistas na internet que acabei voltando minha atenção a outros nomes no blog dimiliduques. Enfim meu gosto musical “repeiro” não seria o mesmo se não fosse esses dois LPs dos artistas citados acima, lógico que incluo tantos outros, como NWA, Kool Moe Dee, Biz Markie, Whodini, Racionais e por aí vai.

Então vamos por parte, comecemos pelo Public Enemy que angariou milhares de fãs aqui no Brasil. Nos meus tempos de MC os caras eram o espelho para muitos raps radicais (radical na nossa época era quem falava a verdade, nua e crua com consciência e alguns palavrões etc e tal).

Sempre admirei aquele símbolo do Public Enemy, com uma mira, quando aparecia nos filmes nas camisetas dos protagonistas. Aqui em São Paulo essas quinquilharias do grupo eram facilmente achadas na rua 24 de Maio, eu tive boné, camiseta e um colar... Os caras vieram no Brasil no auge, era o ano de 1991 e o local era o Ginásio do Ibirapuera, meus manos do grupo RDS (Retratos do Sistema), PESO, Kverna e Tiza foram e eu não tive a grana para comprar o ingresso. 

Pelo menos nesse ultimo show deles no Brasil em 2014, no Parque Tietê eu pude vê-los de perto e curti o show com as clássicas Dont Believe The Hype, Fight the Power e outras mais. A formação contou além de uma banda de apoio afinadíssima, com bateria (Atiba Motta), baixo (David Reeves) e guitarra (Khari Wynn), com os dançarinos soldados, Chuck D., Flavor Flav e DJ Lord.

O primeiro LP do P.E. que eu tive acesso foi o Fear of a Black Planet de 1990, um disco de certa forma experimental, com muitas vinhetas, mas pesado e com uma capa colorida, estilizada. Porém como fã,  acabei indo atrás de outros trabalhos do grupo. E eis que descobri o LP de 1988 chamado It Takes a Nation Of Millions To Hold Us Back, esse sim o melhor do grupo na minha opinião. Ele foi escolhido como um dos melhores 50 discos de todos os tempos pela Revista Rolling Stone. Então o blog dimiliduques vai postar o próprio.

Já invertendo a ordem das coisas, cito as faixas que são essenciais em minha opinião; Bring The Noise chama muito atenção pelo caos que passa em sua base instrumental, com sobreposição de bits, scratchs e sirenes. Don’t Believe The Hype é outra clássica do grupo, sem comentários, letra viajante onde cita o islã e base contagiante. Na faixa Terminator X The Edge of Panic, mais parece uma intro, uma montagem onde o DJ mostra todo seu talento. Na faixa Caught, Can We Get a Witness o sampler louco de Bar Kays (Son of Shaft), que depois foi usado magistralmente pelo grupo Bomb The Bass na musica Beat Dis. Na Show Em Watch Got , Flavor Flav repetindo de fundo o titulo da musica e um constante solo de sax dão o clima de experimentalismo numa faixa de duração pouco menos de um minuto. 

Essas faixas curtas seriam bastante usadas em 1990 no LP Fear of a Black Planet. Em She Watch Channel Zero o flert com as guitarras pesadas que tiveram seu auge no encontro Public Enemy e Anthrax quando a banda de metal incluiu em seu disco a música Bring the Noise. Na Night of the Living Baseheads, aqui as bases estavam começando a imprimir o estilo deles, com muitas colagens, viradas, scratchs e lógico James Brown, na letra a epidemia de crack que entre os afro americanos. E o instrumental onde um som piano é o destaque em Black Steel in The Hour of Chaos? simplesmente louca. Esse disco é seminal mano! Se liga na faixa Rebel Without a Pause, a primeira feita para o disco, é outra daquelas pauladas onde você era levado a dançar na roda de break nas festas dos anos 90. O titulo da música se refere ao filme Rebelde Sem Causa que viria a se tornar um ícone cultural por ter em seu elenco o ator James Dean.

Resumidamente a história do grupo teve início em 1982 em Long Island, Nova Iorque, quando Chuck D (Carlton D. Raidenhour) formou-o junto como DJ Terminator X (Norman Rogers), Flavor Flav (William Drayton) e Professor Griff (Richard Griffin). A intenção era levar para o rap críticas sociais e discussões políticas e o nome Inimigo Publico caia bem nesse quesito. Fizeram então a inclusão de temas como o racismo, as condições do negro afro americano, críticas as grandes mídias ou como gostávamos de cantar nas letras aqui no Brasil, o sistema!. E  eles conseguiram dar vazão a esses pensamentos em forma de música.O estilo dos caras era meio carrancudo, sérios e, até meio contraditório, com uns guarda costas/soldados dançarinos nos shows.

O membro Professor Griff foi expulso do grupo em 1990 depois de fazer comentários antissemitas, chegou a gravar um trabalho solo. Em 1992 a escritora e ativista Soulja Sister acabou de certa forma cobrindo essa lacuna deixada por Griff até 1992.
E sobre o fora de série DJ Terminator X , eu meus amigos discutíamos se ele era branco ou negro e como era a pronúncia do seu a.k.a.  (pronuncia-se tormineira ekis), coisas de adolescente. O DJ saiu em 1998 e entrou em seu lugar o DJ Lord.

A gravadora era a Def Jam Recordings/Columbia e foi através do disco de 88 que o grupo teve mais destaque e se transformaram num fenômeno de vendas (1 milhão!)  e de crítica. Ele foi gravado nos estúdios Chung King Studios, Greene Street Recording e Sabella Studios. A produção executiva foi de Rick Rubin que foi produtor entre outros de Beastie Boys, Slipknot, Red Hot Chilli Peppers e outros monstros. Não podemos deixar de citar a participação indiscutível dos produtores unidos chamados The Bomb Squad.

Se liga na capa! Flavor Flav e Chuck D numa cela de cadeia. Depois dele hip hop teve modificações depois dessa pedrada. Não que ele seja a pedra fundamental do hip hop, nada disso. Os temas mais políticos/sociais cantados de maneira contundentes mas também na questão musical e de samplers. Pois o trabalho do Pulbic Enemy pode ser encarado naquela altura como algo novo e diferente do se vinha fazendo até então, mais um elo da corrente do rap.  Chuck D vinha em plena combustão e evolução, seguindo inconscientemente os passos de letristas respeitados como Rakim e KRS ONE. E a peça de equilíbrio nesse jogo era Flavor Flav, que jogava água fria com suas interjeições as vezes irônicas.


Eles nem se encaixam muito no rótulo de gangsta, apesar de ter uma postura visual semelhante. O som do grupo era agressivo, denso, cru onde letra e batida se tornavam um só. Por isso em minha opinião o NWA é o segundo melhor mas o Public Enemy is number one! Eles lançaram ao longo da carreira 14 álbuns e inúmeros singles.


I Don't Believe que você não vai clicar na capa!









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