quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Boogie Down Productions da raiz gangsta, a não violência

A história do grupo Boogie Down Productions é bem vasta, mas os eixos centrais sempre foram o DJ Scott La Rock e o vocal KRS One. O mais interessante é que KRS  era quem mais aparecia nas capas, dando a entender sua liderança natural. E o DJ Scott La Rock era a base instrumental  que dava sustança musical com seus bits influenciados em musica Jamaicana (riddim). Importante notar que o BDP foi um misto de grupo e posse (organização ou coletivo de hip hop), por sua formação passaram artistas como: D.Nice, Mad Lion, Lee Smith, Run, Channel Live, McBoo, Ms. Melodie, Scottie Morris, Tony Rahsan, Willie D., RoboCop, DJ Red Alert, Jay Kramer, D-Square, Rebekah Foster,Harmony, Kenny Parker, Jamal-ski e Sidney Mills.

O Boogie Down era do South Bronx e entre 1986/1987, eclodiu uma guerra, a chamada guerra da ponte, pois do outro lado se situava o Queens. No conjunto habitacional Queensbridge havia a posse Juice Crew dos rappers Marl Marley, Kool G Rap, MC Shan, Roxanne Shanté, Blaq Poet, Craig G. e outros. A treta era porque os rappers do Queens falavam em suas letras que o hip hop havia nascido lá e não no Bronx. 

Daí que no disco Criminal Minded (um dos mais pesados do Boogie Down), KRS  e cia responderam agressivamente atacando os rivais nas letras dos raps, principalmente na faixa The Bridge is Over resposta a The Bridge de MC Shan, que era primo do produtor Marl Marley. A guerra que era de palavras acabou virando coisa séria com o assassinato do DJ Scott La Rock (27 de agosto 1987) dentro do seu carro. Ele estava em meio as gravações do segundo álbum By All Means Necessary, e é este que o blog dimiliduques vai postar.

O album já traz uma forte cena na capa, imitando uma famosa foto que saiu na revista Ebony de setembro de 1964. Na foto aparecia o líder negro Malcolm X olhando numa janela e segurando uma arma. O próprio título do album é copiado de uma frase dita por X; “por qualquer meio necessário”.

A foto da capa do LP foi feita por Doug Rawel que também trabalhou em capas para Whodini , Kool Moe Dee ,DJ Jazzy Jeff e Fresh Prince, Steady B, Schoolly D,New Edition, TKA e outros.

A morte do DJ e produtor La Rock foi um grande baque 
para o BDP, com isso Kris Parker ou KRS One ,que na época tinha 22 anos de idade, refletiu e decidiu fazer uma trégua , colocando nas letras assuntos mais conscientes.    Aliás a sigla KRS ONE  é na verdade a tag para Knowledge Reigns Supreme Over Nearly Every que em livre tradução significa algo como; conhecimento supremo reina quase   sobre todo mundo.

Os temas  variaram entre AIDS,sexo seguro,corrupção do governo,corrupção policial,envolvimento do governo com o narcotráfico e por fim criticava a violência no hip hop.  

O álbum By All Means Necessary poderia ter significado o fim do grupo, mas parece que a figura de Scott e sua morte brutal teve um efeito contrário, deu um ânimo a mais aos integrantes e ele se fez onipresente. Teve seu lançamento em 1988 pela gravadora Jive Records e ganhou disco de ouro na época. Algumas participações no estúdio Power Plays, foram na mixagem de D. Nice, Kool Moe Dee e DJ Red Alert.
 
Destaques para as faixas My Philosophy, com sampler de Stanley Turrentino. Ya Slippin vale mais pela curiosidade da produção que usou"Smoke on the Water" do Deep Purple.   Stop the Violence é clássica, é o hino de paz do hip hop. I’m Still #1 tem um beat legal, KRS One representa no vocal. A faixa Jimmy é realmente estranha ou no mínimo diferente em seu instrumental e mostrava a técnica vocal apurada de KRS,essa letra fala sobre AIDS e em usar acamisinha no seu “Jimmy”. A faixa T’cha T’cha é pesada, grave, fazia tremer as caixas JBL   nos bailes, tem aquela levada meio ragga que o BDP gostava.

Se no álbum anterior eles plantaram o que pode ter sido uma semente do gangsta rap, nesse deram início a um ciclo de rap mais reflexivo e consciencioso. Óbvio que algumas faixas ainda guardam indiretas aos desafetos, como na faixa I’m Still #1, mas o mantra Stop the Violence falou mais alto. 

Na carreira que durou até 1992, o BDP gravou primeiramente um single chamado South Bronx em 1986 pela B-Boy Records, produzido por Ced-Gee/Scott La Rock e KRS One, era uma resposta a canção The Bridge de MC Shan dando inicio as animosidades. Depois lançaram Criminal Minded (B-Boy Records/1987), By All Means Necessary (Jive Records/1988), Ghetto Music: The Blueprint of Hip Hop (Jive Records/1989), Edutainment (Jive Records/1990), o ao vivo Live Hardcore Worldwide (Jive Records/1991) e o derradeiro Sex and Violence (Jive Records/1992) que marcou a saída de KRS One para a carreira solo, mas aí já é outra história.

Stop tudo que você esta fazendo e clique na capa









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