quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Banda Raça Negra em indie rock



Não tem muito o que falar quando se ouve  (e se ) os argumentos de Jorge Wagner,  jornalista e idealizador do projeto Jeito Felindie. Trata-se de uma compilação de várias bandas brasileiras de indie-rock, numa releitura de músicas da Banda Raça Negra. Inusitado e criativo. Participaram do projeto, Lulina, Hidrocor, Letuce, Orquestra Super Popular, Radioviernes... entre outros. E dentre as opções de hits da banda, os escolhidos foram por exemplo Cigana, Jeito Felino, É Tarde Demais, Te Quero Comigo e Cheia de Manias.

É evidente  que o pagode dos anos 90 fez parte da infância/adolescência de muitas pessoas e lembranças afetivas vem a tona com algumas melodias. Mesmo o mais ardoroso rockeiro/metaleiro ouviu indiretamente os sucessos de grupos como o próprio Raça Negra, Só Pra Contrariar, Katinguelê,  Malícia, Cravo e Canela, Raça, Art Popular, Os Morenos e por aí vai. Mesmo que fosse para criticar , menosprezar ou “bullynar” os pagodeiros.  E eles (os pagodeiros) estavam em todo lugar, como uma praga musical (no bom sentido), invadiam os lares por ondas radiofônicas e televisivas. Eles queriam se divertir e divertir o público (ok faturar um qualquer também fez parte de alguns mais afoitos). Mas a música, mesmo sendo simples e kitsch em alguns casos, era pop na essência. Pense nuns solos e sons de teclados que adentravam sua alma, e não era Kraftwerk, Joy Division e nem New Order poderia ser a turma do grupo Soweto ou do Molejo na área.  A coletânea me fez lembrar também o pagodeversion, onde o publicitário Tulio Bragança gravou e postou no youtube, versões em inglês de hits do pagode como Marrom Bombom (Brown Goodgood) e Caçamba (Bring the  Caçamba).



A periferia se apropriou disso e muitos daqueles pagodeiros se tornaram músicos, mudaram de vida e seguem vivendo de música até hoje. Quer cultura melhor do que a musical para ter preenchido o tempo e a cabeça dos adolescentes daquela época? Todo o ingrediente do mainstream de bandas pops foi vívido no movimento do pagode. Bandas consideradas undergrounds que não se “vendiam” em troca de uma poesia nas letras, grupos ultra pops que para entreter e vender discos faziam extravagâncias mil (tipo rebolar até o chão, fazer um pagode infantil- vide pimpolho e amarelinha- usar roupas iguais, figurinos brilhantes/coloridos ou usar como adereço os óculos na cabeça). 


A estrada encontra parâmetros com histórias de bandas de outros estilos, por exemplo; início conturbado e difícil de qualquer um que quer viver de música (principalmente no Brasil). Bares vazios, caindo aos pedaços, condições de som péssimas, em morros, no meio de favelas, em bairros chiques também (porquê não?), em inauguração de bocadas, festas beneficentes, quermesses, quiosques na praia, festas em colégios, aniversários , fim de ano de empresas, não importava, chamavam os pagodeiros eles estavam sempre prontos para tirarem sua onda.


E o ritmo viveu seu apogeu e queda com cenas e fatos para se por de igual para igual a qualquer banda independente de Londres. Empresários tresloucados, oportunistas e charlatões  estavam como lobos à espreita com promessas de festivais e faixas em CDs que às vezes nunca saiam. Rivalidade entre grupos, até que existia mas era algo velado e relegado aos bastidores. O que ocorria era mais o olhar meio torto de alguns sambistas tradicionais, mas a música, o mais importante estava sempre lá de fundo. Tempos depois li depoimentos de pessoas importantes do samba, como Leci Brandão, Beth Carvalho e Zeca Pagodinho que disseram não ser contra os grupos de pagode ou a música que fazem, respeitando e até reconhecendo que indiretamente um pequeno espaço foi aberto por eles. Não se esqueçam de que a maioria desses grupos de pagode os tinha como exemplos e ídolos (incluindo Fundo de Quintal como um dos maiores).  


Lançado em 2012, Jeito Felindie foi produzido e organizado pelo jornalista Jorge Wagner e divulgado (abraçado) pelo site Fita Bruta, onde se pode baixar o trabalho (aqui).  Uma justa homenagem a Banda Raça Negra que indiretamente abriu corações e mentes, embalando desde o mauricinho, o favelado , os manos, os alternativos etc... E o importante é que trataram as releituras com seriedade, nada de avacalhar ou tripudiar sobre as músicas da Banda. Acho até que a coletânea levanta, mesmo que de forma minimizada, a questão do preconceito que o pagode sofreu durante anos. Para alguns é difícil deixar a vergonha de lado e assumir que foi atingido pelo samba/pagode do Raça Negra, que como disse minha mãe Dona Dina, refrões grudavam que nem chiclete. Seja um simples pagodeiro, cult ou da “patrulha do bom gosto”. Clique na capa, ouça e tire suas conclusões.


   http://www.mediafire.com/download/iya6w5wes1ug391/V%C3%A1rios+Artistas+-+Fita+Bruta+-+Jeito+Felindie+%5BUm+Tributo+ao+Ra%C3%A7a+Negra%5D.rar



quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Só se for Sem Compromisso



Aqui está um grupo que era sem frescura, pagode na cara e na vontade. Sem Compromisso mas compromissado com a música e com o público. A empatia do grupo sedava por não forçar a simpatia, se é que me entende. Vou explicar, a formação (a primeira e original)  tinha em seu quadro pessoas interessadas em tocar, em fazer música. Não se focavam em figurinos, em rebolar, em ter gente com “rostinho bonito”, branquinho, pretinho, novinho ou coroa não interessava essa parte.

E o começo foi em Itaquera, Zona Leste de São Paulo no ano de 1986. Após os jogos do time de várzea chamado Bom Gole F.C. os amigos se juntavam para fazer a batucada. Mas o grupo ainda não tinha nome até que Maurão soltou a frase “só toco se for sem compromisso” o batismo estava feito, sem querer. E de tanto tocar, a experiência e afinação foram chegando juntamente com os elogios do público. Graças aos contatos de Marcão e Maurão o grupo começou a tocar em vários bares e locais em São Paulo. Até que em 1992 lançaram duas faixas na coletânea da Zimbabwe chamada Pagode de Primeira vol 1, com as músicas Tributo a Paulicéia e o uma que se tornou hit nos pagodes , Pura Vaidade. No ano de 1994 lançaram seu primeiro solo intitulado Parte Desse Jogo também pela Zimbabwe Records. Não poderia deixar de citar o contexto.  Na década de 90 o pagode romântico estava em alta e grupos como Só Pra Contrariar, Negritude Jr. , Raça Negra por exemplo, vendiam discos igual água.

Até o ano de 2001 a formação do grupo era Marcão (violão), Maurão (surdo), Chiquinho (reco-reco), Elton Pizzinha (tantã), Zé Pretinho (repique), Dymy (percussão), Fabinho (pandeiro) e Marcelinho (cavaco/vocal).  Depois de 2001 as coisas começaram a se desgastar internamente, houve um racha e o grupo se desfez. Mas Marcelinho era o dono da marca e do nome Sem Compromisso. Com isso foi formado um novo grupo, somente com Marcelinho da formação original, que deu certo. Já que o vocal (que na minha opinião muitas vezes é a identidade do grupo) permaneceu, assim como os grandes sucessos acompanharam a nova formação (ficou até fácil durante um tempo).  Entraram Bigú (percussão), Andrezinho (percussão), Diego (violão) e André (cavaquinho). Só um detalhezinho, que o André saiu recentemente para comandar o cavaco no grupo Deu Samba na Cabeça e em seu lugar entrou Ney. 

A gravação  do DVD em Recife-PE em 2006 com a nova formação foi importante pois provou que o grupo ainda tinha lenha pra queimar. Quer dizer o nome é muito forte e até hoje se falam que o grupo Sem Compromisso estará em algum local (hoje em dia mais modestos e pequenos) o público vai. Lançaram oito álbuns e um DVD  (gravado no Recife-PE). Parte Desse Jogo (1994/Zimbabwe Records), Pra Ficar (1996/RDS/Zimbabwe), Felicidade Escondida (1997/RDS/Zimbabwe), Assim é o Nosso Jeito (1998/WEA), A Toa Pra Te Amar (2000/WEA), Ao Vivo (2001/WEA), Tá Escrito (2003/Atração Fonográfica), Meu Nome é Samba (2008/Zaid Records), Sem Compromisso (2012/Radar). 

Estão nos planos do grupo a gravação de um segundo DVD e um CD com produção de Diego Honorato violonista e integrante do grupo. O CD tem previsão para se chamar Ferro e Fogo tem a participação técnica de Leandro Lehart e a volta do pandeirista Fabinho que fez parte da formação original do Sem Compromisso.

O Blog dimiliduques deixa de aperitivo o primeiro trabalho do grupo, Parte Desse Jogo,  gravado em 1994 pela Zimbabwe Records. Teve a produção e arranjos de Maestro Jobam e o apoio de Luiz Carlos da banda Raça Negra. Nesse álbum muitas músicas se destacaram, Mariana Parte Minha (Papapacaça/Salgadinho), Parte Desse Jogo (Chiquinho dos Santos/Fábio), Divã (Marcelinho/Zé Pretinho/Elton/Chiquinho), Súplica Paixão (Marcelinho / Maurão/Pizzinha) e Pura Vaidade (Osvaldo Babão/Silvia Poeta/Zé Nivio). 

Clique na capa, mas sem compromisso



http://www32.zippyshare.com/v/14470518/file.html




terça-feira, 23 de setembro de 2014

Artefinalistas do bom samba



Esse é um grupo que tenho o maior carinho, respeito e admiração; Arte Final. O grupo surgiu em 1980 onde a rapaziada se reunia após o futebol para tomar uma cervejinha, conversar e tocar samba.  O nome do grupo se deu por votação e o nome sugerido por Zé Carlinhos foi o escolhido, o nome tem a ver com sua profissão, desenhista projetista. O grupo tem entre seus componentes sambistas oriundos de escolas de samba de São Paulo, então a musicalidade já era fértil no terreiro. Pela Camisa Verde e Branco os integrantes, Ivan (vocal), Manezinho (repique) e Valtinho (timba), na Barroca Zona Sul, Bainaninho (cavaco e banjo)e Waldir (violão de 6/7 cordas), da Vai-Vai Zé Carlinhos (pandeiro). No ano de 2009 infelizmente o vocalista e compositor Ivan veio a falecer de infecção generalizada, deixando muito triste a família do samba. 

O blog dimiliduques fala hoje mais precisamente do LP Reunião de Amigos , lançado em 1989 de forma independente (relançado depois em 1990 pela Continental). Eu sou suspeitíssimo para falar desse disco, pois fez parte da minha formação musical e adolescência. E o título Reunião de Amigos me remete aos churrascos com pagode regados a cerveja, caipirinha e tubaína, que fazíamos na casa dos amigos ao som deste LP.

De produção bem acabada e boas músicas, com destaque para os metais e coral. Os arranjadores Pique Riverti  e François Lima eram da banda de apoio do grupo, justamente no Sax e Trombone respectivamente (instrumentos que tocaram também na gravação). Além do próprio grupo tocando outros músicos convidados foram : Edmilson Capelupi  (violão de 6/7), Biro do Cavaco (cavaquinho),Osmir Manga (bateria), Mané (efeitos), Erismar do Espírito Santo (baixo), Tenersom e Gil (pistons), Silvinha (piano), Pique Riverti (teclados ), Nene, Nana e Valéria (coral). A produção executiva ficou por conta de Jorge Hamilton. 




Curiosidades: o show de lançamento foi no Centro Cultural de São Paulo, ou seja juntaram arte e cultura (e teve críticas favoráveis na mídia). Juninho do Banjo (ex- grupo Katinguelê) fez parte da formação no disco Alto Astral, disco esse lançado em LP e CD saiu com duas capas diferentes (ao lado).

Outra coisa bacana neste disco são os encartes (mais uma vez agradeço ao Marcelo de la Veiga da comunidade Bandeira do Samba). Fotos do grupo junto a nata do samba paulista, como integrantes do grupo Samba 6, Branca Di Neve, Reinaldo, Mário Sérgio, Rick Batera, Reinaldo, Dhema e outros mais. No disco além de composições próprias, há músicas de Arlindo Cruz, Jairo Bom Ambiente, Franco, Marquinho PQD, Mário Sérgio, Capri e mais. Difícil destacar alguma música, mas quando vejo a capa lembro logo da introdução de Reunião de Amigos e das faixas Horas dos Seu Tempo, Bruna e Falso Amor, mas cada qual tem sua beleza. 

Atualmente apresentações do grupo são raras, da última vez que os vi tocando, contavam com três integrantes da formação original, Zé Carlinhos, Baianinho e Valtinho. E a formação tinha também  Edu (violão), André Skilo (percussão), Marcelo Bianca (percussão) e Pitú (percussão). Lançaram ao todo quatro discos, Pagode Esperto (1987/Polygram), Reunião de Amigos (1989/Independente/Continental), Renascer (1993/JWC), Alto Astral (1994/Paradoxx) e Ao Vivo – 20 Anos de Firmeza Total (2005/Blue Sky Music).

Link cedido pela Comunidade/Grupo no face, Bandeira do Samba...clique na capa!

http://www.4shared.com/zip/ByVcVHuvba/1989_-_Reuniao_de_Amigos.html




segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Os mistérios do Cravo e Canela



Informações desencontradas, pistas obscuras, fatos ocultados, datas imprecisas, parece filme policial mas é sobre um grupo de samba/pagode/suingue que estou falando. O grupo Cravo e Canela e desde já dou minha pequena contribuição, mas as fontes não foram ouvidas, por isso me baseio em conversas, reportagens e outros escritos na internet. 

Vamos lá, oficialmente o grupo começou no bairro da Barra Funda em São Paulo capital,  em 1981.  A primeira gravação foi no começo de 1985, um compacto simples com as músicas Lamento Nega e Tereza Raquel. Mas tem um mistério, por exemplo, existiu mais um grupo Cravo e Canela que lançou em 1977 um disco com o título Preço de Cada Um (aqui). Seria o mesmo grupo ou mera coincidência? Uns dizem que o disco mencionado é o mesmo grupo com a formação modificada, outros dizem se tratar de outro grupo sem ligação nenhuma com o conhecido Cravo e Canela... enfim dou  minha opinião para tentar elucidar essa história. Nenhum dos componentes do Cravo e Canela paulista aparece na capa de 1977, difícil uma mudança de formação tão radical assim. Nem nas composições ou ficha técnica se tem alguma pista de participação indireta de algum deles. Tudo indica tratar-se de outro grupo, pois esse de 1977 é oriundo do Rio de Janeiro.  E tem também o dado oficial de que grupo Cravo e Canela de São Paulo começou suas atividades em 1981. 
  
Retomando, eles lançaram um total de seis álbuns e dois compactos simples. Porém nas pesquisas as datas não são tão confiáveis, já que em alguns lugares elas divergiam entre si. Mas intuitivamente coloco os compactos : Lamento Nega / Tereza Raquel (1985) ,Sinais e Ideais / Apoteose do Samba  (1987). LPs/CDs : Cravo e Canela (1985), Made In Sampa (1989), Sabor de Paz (1993), Coisa Boa Demais (1994), Novidades e Reprises (1996) e Baseados em Fatos Reais (1998). Aqui outra surpresa, o álbum Novidades e Reprises existe em duas versões, uma no formato de LP de 1991 (aqui) e CD em 1996 (aqui), detalhe: algumas músicas que tem no primeiro não aparecem no segundo... confuso não?. 

O grupo ficou super conhecido entre 1993/1994 com a música Lá Vem o Negão, aquela do refrão “Lá vem o negão, cheio de paixão, te catar, te catar, te catar, querendo ganhar todas menininhas, nem coroa ele perdoa nãããõ” essa é uma composição do sambista Zelão. Essa música saiu no LP Sabor de Paz da Zimbabwe Records que ganhou disco de ouro e de platina. O grupo levava um samba mais puxado para o samba rock e swing. Gravaram algumas joias raras no estilo como as músicas; Manda o Seu Namorado Embora, Apoteose do Samba, Nega de Canecalon e Gato com Pato.   Não podia deixar de citar a balada Tereza Raquel que rolava bastante nos bailes e no rádio, principalmente nos programas Black de São Paulo.

O blog dimiliduques coloca a disposição o compacto e o LP ambos de 1985 (tem em comum a mesma gravação da faixa Tereza Raquel). Os arranjos do LP ficaram a cargo de Eduardo Assad e foi gravado em São Bernardo do Campo-SP no estúdio Copacabana. A gravadora é Som/Copacabana e outra curiosidade é que na contracapa tem um agradecimento a equipe de som Chic Show. 

Já o compacto teve arranjos do próprio grupo que também tocou em estúdio.  Fizeram parte da formação do grupo Nenê da Timba (percussão), Chiquinho (pandeiro), Mel, Luiz Carlos,  Marinho Ribeiro (violão), Carlinhos Leite (violão), Junior (guitarra) e Joel (reco-reco). Sei que há poucos dados para um grupo de sucesso, mas como dizem: é o que há para o momento, conforme informações eu achar (se as achar) vou atualizando. A última aparição do grupo foi num programa da rede Record de televisão no quadro Por Onde Anda?. Onde revelaram entre outras coisas, as profissões que cada um seguiu após fim do grupo. Dessa reunião dos ex componentes para a gravação do programa surgiu a ideia de voltar aos palcos, será que acontece?


 Clique na capa e adicione cravo e canela

http://www23.zippyshare.com/v/18966/file.html







quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Uma grande Família & Cia


Numa conversa informal com o Paulo Roberto Ferracini Junior (Juninho Ferracini) da comunidade Planeta do Samba (orkut e Facebook), nos pegamos a exaltar o pagode dos anos 90. E dentre os grupos lembrados, lamentamos a atenção dada aos grupos menores, menores não! menos conhecidos e divulgados. Alguns desses nem chegaram a gravar oficialmente, outros só gravaram um álbum ou uma faixa em festivais e desfizeram-se. Diversos ainda lançaram mais de um trabalho, fizeram um relativo sucesso e também sumiram. Se tornaram raros alguns discos e CDs desse pessoal e uma parte da história do pagode/samba esta  por aí viva esperando alguém que refaça esse caminho e documente isso para que não se perca para sempre. 

Através de contatos na internet você acaba achando pessoas como o Juninho, Marcelo de La Veiga do Bandeira do Samba, Almir Espindola, Cleber Pereira, Ademir Neres, Ivan, Marcos Antunes (Mortão), Robson Sá, Ricardinho Silveiro, Jr Belo, Hevandro Pereira, Marcio Diversão... (bom se for citar vou gastar várias linhas), mas são esses caras e outros mais, que indiretamente mantém a memória do pagode viva, nem que seja um lampejo. Nas palavras do próprio Juninho: “Eu me importo muito com grupos de pouca expressão, mais do que com os grandes grupos, tenho boas coisas de grupos conhecidos... mas prefiro os que são raros como grupo Amizade, Grupo Serra Samba etc e tal”.

E digo mais, nostalgia não é vergonha nenhuma,  quantas pessoas se emocionaram quando viram aquele vídeo antigo de pagode no Youtube ou quando baixaram um LP antigo de algum grupo querido?. Garanto que centenas, esses dias ouvi até uma provocação, a pessoa comentou numa postagem que o movimento do Pagode dos anos 90 foi maior que o da Jovem Guarda e do Rock Nacional. Mas tirando as devidas proporções tem o seu encanto e importância, querendo os críticos ou não, o pagode marcou seu terreno na música brasileira. 

Nem sempre quantidade foi sinônimo de qualidade, por isso sim, surgiam os aproveitadores, oportunistas, mas esses caiam logo, o ruim é que julgavam um por todos, a tal generalização foi péssima  para o pagode principalmente nos anos 90. Situo o ano porque há uma diferença entre o pagode feito nos anos 80 e o dos 90, o primeiro tem local de origem no Rio de Janeiro, é mais tradicional e influenciado por compositores ligados as escolas de samba e o segundo mesmo advindo do Rio foi formatado em São Paulo e enveredou pelo caminho pop e comercial. 

O Pagode dos anos 90 foi uma cena musical e sofreu do mesmo mal de qualquer outro, teve ápice de criatividade, fase da superexposição, teve a época da ressaca criativa. Houve a mistura com o Showbusiness onde os empresários prometiam e não cumpriam. Sem esquecer a fase das vacas gordas/magras, arroz de festa, fase de monotonia onde todo grupo parecia uma cópia do outro. Depois aconteceu a famosa peneira natural onde o talento contava mais que a aparência. Outra característica foi  a panela, onde só entravam os grandes e famosos, suprimindo a margem quem estava começando de maneira amadora.  Alguns produtores a procura do ouro das vendagens, faziam mistura de ritmos em seus arranjos. Teve a etapa do abandono, negação e a fase do revival. Mas mesmo com o orgulho ferido, os amantes do pagode e do samba seguem firmes pelo Brasil afora. 

Vamos falar hoje do grupo Família e Cia, que surgiu no final dos anos oitenta na baixada santista em São Paulo. A cidade tem samba na veia e alguns grupos que fizeram e fazem sucesso, saídos de lá são: Karametade, Tempero, Da Melhor Qualidade, Feitiço, Matéria Prima, Improviso, Don Benê e Banda Axé e até o Sombrinha que fez parte do Fundo de Quintal é de lá também. Mas enfim o grupo Família e Cia tem um swing contagiante com algumas pitadas de pagode e de MPB. Curiosidades; o grupo depois mudou o nome para Grupo Família tirando o Cia. E a música Ela Virou Sereia que fez muito sucesso, não está nesse trabalho, ela saiu no segundo LP gravado em 1995 na Paradoxx Music intitulado Tudo é Magia. Depois numa coletânea em 2002 da Paradoxx Music chamada 12 Sucessos do Pagode volume 2.

O blog dimiliduques posta o LP gravado pelo grupo em 1991, saiu com o título de Amigos pela gravadora  JWC. É um trabalho muito sólido, coerente, com arranjos de Maestro Jobam (in memorian) e Ivan Paulo. Os músicos participantes são: Fernando Merlino (teclados), Jobam (guitarra), Ivan Paulo (baixo), Téo Lima e Toca Martins (bateria), Gonzales (percussão), Baiano (surdo), Tião Mistura Fina (tantã), Paulinho (trumpete), Luizão Ramos (sax tenor), Zeca (trombone), Lyana , Elianete, Paulo Santana e Jorge Santana (coral).  As faixas são muito boas, destaco o coral bem trabalhado, arranjos e o vocalista Joãozinho mandando muito bem. Das músicas as minhas preferidas são o sambalanço Musa (conhecida como Carol composição de Douglas Periquito e Don Benê), B com A (Serginho e Wando) que tem uma pegada meio baiana, a canção Família (Alex) tem vocais bem feitos e é mais MPB, Raios do Meu Peito (Gastão Lamounier e Junior Mendes) outro swingaço. E mais... uma regravação de Tudo Era Lindo de Carlos Dafé e a faixa Alô Rapaziada (Serginho e Wando) que eu pensava que era de domínio público pois a letra é um momento de celebrar o aniversario de alguém e já ouvi em várias rodas de samba. A formação do grupo era: Joãozinho (vocal), Betinho (tantã), Gony (timba), Tatá (violão), Riva (cavaco), Dô (pandeiro) depois entraram Borracha (percussão) e José Panchito (bateria).

Agradecimentos especiais a Juninho Ferracini pelo link e foto das capas.