sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Elaine Machado puramente raça brasileira



A sambista Elaine Machado nasceu na Tijuca-Rj mais precisamente no hoje Morro do Borel. Desde pequena ela já cantava e aos 17 anos resolveu se arriscar nu show de calouros no Cassino do Chacrinha. Se deu bem e ficou em segundo lugar, participando várias vezes. Isso tudo escondido de seus pais, já que mulher cantando naquela década de 70 era mal vista. Aos 20 anos se casou e deu uma parada, retornando depois da separação, a cantar em hotéis e rodas de samba cariocas. Nos anos 80 na roda de samba Casa de Bamba de Vila Isabel conheceu alguns sambistas que iriam lhe ajudar na carreira, entre eles Beto Sem Braço, Martinho da Vila e Tião Graúna. Desses, Beto Sem Braço se tornou uma espécie de padrinho artístico da moça, a levando para cantar na quadra do Cacique de Ramos e de muitas escolas de samba do Rio de Janeiro. 

 E assim começou participando de um LP da gravadora RCA em 1980 chamado Forró com Malícia na faixa Pra Tirar Coco (Beto Sem Braço/Jorginho Saberás/Bevilaqua), curiosidade que nesse LP seu nome saiu grafado erroneamente como Eliane e sem o sobrenome. Consta ainda um LP nesse mesmo ano da gravadora Keitel intitulado Samba de Roda de Salvador com a faixa Dona de Casa e novamente seu nome saiu com a grafia errada: Elane (sic). Participou em 1984 no LP Funeral de Um Ricardão, do sambista Dicró, na música Uso e Abuso (Dicró e Nilo Bahia). Em 1988 lançou o segundo LP solo pela RGE, intitulado Tempo de Festa.  Mas retrocedendo no ano de 1985, que foi o grande trunfo de Elaine Machado,  a gravação das faixas Pingueira (Elaine Machado/ G Martins e Matias de Freitas) e a faixa título da coletânea Raça Brasileira (Elaine Machado/Zé do Cavaco e Matias de Freitas).  Esse LP lançado pela  RGE teve vendagem acima da média, fato esse que abriu os olhos das gravadoras para o pagode dessa turma. Para se ter uma ideia da relevância da coletânea, ela tinha a participação de Zeca Pagodinho, Mauro Diniz, Pedrinho da Flor e Jovelina Perola Negra todos em começo de carreira. 

Elaine Machado tem uma voz forte e afinada, até hoje anima as rodas de samba. Podemos dizer que era uma voz que não ficava nada a dever para as consagradas Beth Carvalho e Alcione. O esperado sucesso não veio nas proporções que merecia, mas todos que são do “movimento samba” a conhecem e lhe dão o devido respeito e reconhecimento. 

O dimiliduques coloca a disposição o disco da Elaine Machado, que foi lançado pela RGE em 1986 chamado Jeito Maneiro. Com arranjos de Ivan Paulo, coordenação de produção de Marcos Salles e foi produzido e dirigido por Milton Manhães.  Gravado no épico estúdio Transamérica no Rio de Janeiro em Fevereiro/Março de 1986. Na contracapa há uns interessantes agradecimentos:  A Tendinha da Maria e Irene , Maria telefonista e Jadir guarda.  Dos músicos participantes muita gente de gabarito, como Sombrinha no violão de 7, Mauro Diniz no cavaco, Sivuca no acordeom e na percussão/pandeiro tem o Bira de Souza, seria o Bira da Vila? e outros (ao final vide ficha técnica).

Dentre as faixas destaco; Moenda (Nei Lopes) samba bem ligeiro e com pegada,  Jeito Maneiro (Mathias de Freitas e Zé Maria de Angola) que tem um belo solo de cavaco e levada que lembra os pagodes da Jovelina Perola Negra, Comida Boa (Jaiminho da Vila) partido alto do bom, Calanguear (Totonho/Efson) um calango com balanço forrozeiro bem ao gosto do Milton Manhães  e  Prendas do Lar (Marquinhos Lessa e Almir Araujo) essa com uma melodia triste, letra meio melancólica com um lindo solo inicial de flauta. É um disco bem produzido, com uma sonoridade bem samba dos anos 80, ouso compara-lo nesse quesito ao do Zeca Pagodinho lançado no mesmo ano.

Agradecimentos das informações da ficha técnica para Sandraiky Pissardini do blog http://sambandonovinil.blogspot.com.br/  

Não deixe virar poeira clique na capa e baixe

http://www.mediafire.com/download/gmbten3s8yun27n/Elaine+Machado+-+Jeito+Maneiro+1986.rar


 


Um comentário:

Marcelo S. Costa disse...

Agradecemos a preferencia ....fique a vontade