quarta-feira, 21 de maio de 2014

Katinguelê, sempre na área



O grupo Katinguelê começou em 1984 na Pedreira, zona sul de São Paulo. O nome quer dizer criança iniciante na capoeira e foi dado por um amigo. O grupo tocava nas casas e rodas de samba da zona sul, como Dallas, Democrata e outros. Mas no começo da década de 90 uma casa em especial mudou os rumos musicais do grupo. Era o Choppapo em São Bernardo do Campo e o dono Sr. Augusto deu uma força para os rapazes.

Primeiro deixando-os como grupo da casa, depois gravando a faixa Doce Sabor no LP 1º Festival do Choppapo em 1991. Mesmo no meio de feras (no LP entre outros tinha Exaltasamba, Eliana de Lima, Gr. Geração e Pé de Moleque) a repercussão da música foi extraordinária. Tanto foi que o Sr. Augusto resolveu bancar um disco solo do Katinguelê. Assim surgiu o Bem no Íntimo em 1992 gravado de forma independente pelo selo Choppapo. A capa chama muito a atenção, usando uma fonte bem moderna para a época , com cores chamativas mas com certo equilíbrio e combinação. 

É um disco que podemos dizer, puro, usaram o mínimo de recursos, mas bem aproveitados. Os arranjos foram do saudoso Maestro Jobam. E os  músicos participantes foram Mario Testoni nos teclados, Fabio Canela tocando contrabaixo, Serginho na bateria e pandeiro, Brucutu no surdo,  Wagner no cavaco, Breno fez violão de 6/7 cordas, Salgadinho mandou bem no cavaquinho base/solo, Juninho no banjo, Udi no pandeiro, Nino repique, Téo reco-reco, Mario tantan e Freddy percussão geral.  Nas composições os integrantes do grupo como Breno (que é irmão do Péricles), Salgadinho e Juninho mostraram que tinham muito futuro.  Mas constavam também composições de Claudinho Oliveira, Péricles (que assinava Preckão), Papacaça, Chiquinho dos Santos e outros. 

Um repertório musicalmente bem escolhido, onde todas as músicas tem sua beleza. Destaque para Bem no Íntimo, Feitiço no Cais, Deusa ou Menina, Novo Amor, Eleni, Silêncio da Noite... Enfim é muito bom esse primeiro trabalho do grupo. Além do Bem No Íntimo de  1992, outros quatro álbuns na minha opinião são os tops do grupo, muito bem feitos e produzidos. São eles: Meu Recado (1994), No Compasso do Criador (1996), Mundo dos Sonhos (1997) e Na Área (1998). Da primeira formação saíram Juninho e Salgadinho, o primeiro segue carreira no pagode gospel e Salgadinho também enveredou pelo gospel e esta no projeto Amigos do Pagode 90. O Katinguelê até 2013 tem em sua discografia 10 álbuns gravados e perto dos 8 milhões de cópias vendidas. O grupo continua na área fazendo shows , agora com o novo vocalista Diguinho.

Bem no íntimo você esta louco para clicar  na capa

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terça-feira, 20 de maio de 2014

Os bons ventos do Soweto



O grupo começou em  1987 na zona leste de São Paulo, com o nome de Sob Medida. Tempos depois, descoberto que já tinha um grupo em Campinas-SP se apresentando com esse nome resolveram mudar.  Então escolheram Soweto, que vem de uma música do cantor Djavan, gravada no LP Não é Azul Mas é Mar.  O nome escolhido é forte, baseando-se na letra que diz “o negro precisa ser forte pra conquistar o seu espaço” e que o bairro Soweto é onde Nelson Mandela morou.  Um local onde a luta pelo apartheid era feroz.  

Dos componentes da formação clássica, três eram da Zona Leste (Buiu, Claudinho Oliveira e Criseverton)  e três da Zona Sul (Belo, Marcio e Digo).  Apareceram pela primeira vez na gravação de duas faixas na coletânea Sampa dá Samba em 1994. A gravadora era a Eldorado , no volume 1 gravaram Marcas da Saudade e no volume 2, Sem Rodeios.  Um lance decisivo para o Soweto, foi quando Buiu trouxe para o grupo o colega de escola, o vocalista Belo que tocava cavaco no grupo Beira Rio de Diadema. Isso se revelaria mais tarde, crucial tanto para o bem quanto para o mal do Grupo Soweto.

No ano de 1995 eles gravam o álbum Vento dos Areais pela gravadora independente Five Star/Chic Show. E é esse o play que o blog dimiliduques deixa pra vocês. Nesse LP ainda há a presença de Robson Buiú que até canta a música Queria Te Conhecer. Buiu morreu assassinado em julho de 1997, numa tentativa de assalto,  antes do lançamento do segundo disco, o ótimo Refém do Coração, que pôs definitivamente o nome do grupo no cenário nacional.

Mas voltando ao primeiro álbum, que é simples, mas feito com verdade, com alma. O diferencial pode se notar nas letras e melodias de Claudinho Oliveira e no vocal bem feito por Belo.  E olha que Belo nem era o vocalista oficial, fato esse que se deveu a insistência de Claudinho Oliveira e o restante do grupo.

 Outros autores também tiveram suas músicas gravadas, como Chiquinho dos Santos (Pura Solidão, Seu Jeito de Ser/Semente Sem Cor), Minho/Marcinho (Queria Te Conhecer), Carica e Prateado (Santa Luzia) e Robson Buiu que fez parceria com Claudinho Oliveira em A Rolinha/Passarinho e Missão de Paz, essa também de Criseverton.

O estúdio era o Curumim ali na Barra Funda e a direção executiva e artística respectivamente a cargo de duas pessoas envolvidas nos bailes black: Fião e Carlos Familia. Os arranjadores foram Lobão Ramos, Prateado e Reinaldo Chulapa. Na lista de músicos além dos arranjadores (Lobão nos teclados,  Prateado e Chulapa no contra baixo) temos Marquinhos Carvalho no violão,  Carica tocou banjo e cavaco, nas mãos de Carlinhos Gonzalez  ficaram o surdo, congas e ganzá, João no pandeiro e Gazu no tantan, repique e rebolo. Um disco feito na humildade , mas com a vital força de vontade, que sempre marcou o início dos grupos de pagode. 

Clique na capa e brise nos ventos areais

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quarta-feira, 14 de maio de 2014

Sombrinha de São Vicente, o Montgomery do samba



Pintura na Tela é primeiro LP solo do músico, cantor e compositor Sombrinha. De nome diferente (Montgomery Ferreira Nunis) ele é paulista de São Vicente, nasceu em 30 de agosto de 1959. Não sei porque mas o nome de batismo dele, Montgomery me lembra nome de sargento americano. Mas se assim fosse sua trincheira era a roda de pagode, o fuzil o cavaco, morteiros de surdo e seu exército defenderia a bandeira do samba.  

Toca desde os 7 anos idade, vindo de uma família de músicos onde seu pai organizava rodas de choro em casa. Aos 14 anos ganhou do pai, um violão de 7 cordas e dedilhou/dedicou sua vida as cordas. Começou a carreira tocando nas casas noturnas da cidade de Santos com o grupo Nova Força e aos 18 anos gravou com Baden Powell e Originais do samba. Depois em 1978 foi para o Rio de Janeiro e sua carreira seguiu firme quando participou da fundação/formação do grupo Fundo de Quintal. No grupo ele começou tocando violão de 7 cordas e depois passou para o cavaquinho e vocais. Suas composições se fizeram presentes nos trabalhos do grupo e com outros interpretes. Em 1991 ele saiu do grupo Fundo de Quintal para se lançar solo, gravando pela RGE. E até o momento tem quatro álbuns solos gravados.

Uma das tabelinhas musicais mais interessantes do samba era escutar Arlindo Cruz e Sombrinha dividindo uma música no Fundo de Quintal. Tanto é que em 1996, eles fizeram uma dupla de sucesso, lançando cinco trabalhos juntos.

O blog dimiliquduques fala desse segundo trabalho solo de Sombrinha, com o título de Pintura na Tela, lançado em 1994 pela RGE. Tem arranjos de Ivan Paulo e um time de respeito na retaguarda. No cavaco Márcio Hulk Almeida, violão de 6 - Sombra, violão de 7 - Luizinho 7 cordas, banjo - Arlindo Cruz, baixo – Bororó, teclados - Lobão Ramos, bateria - Wilson das Neves, surdo – Gordinho, tantan - Mauro Braga, repique de mão, tamborins e ganzá – Marcelinho Moreira e pandeiro – Paulinho da Aba. Tem participação de Mestre Marçal e nas composições além do próprio Sombrinha que é letrista de mão cheia. Tem também composições de Sombra, Marquinho PQD, Jorge Aragão, Franco, Luiz Carlos da Vila, Arlindo Cruz, Adilson Victor e outros. 

Destaque para regravação de Pressentimento e Pintura Sem Arte (essa última  gravada por Alcione). Mas outras faixas também merecem destaque como Maçã do Amor, Marcas no Leito, Nas Águas do Prazer, Deserto de Magoa e assim vai... A capa para época era até legal, mas olhando hoje parece um retrato falado, mas enfim o título tinha a ver com o contexto. Agora uma coisa é certa falando em arte, as letras desse LP são verdadeiros poemas. 

Tire seu cavalo da sombra e clique na capa

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sexta-feira, 9 de maio de 2014

A base racionalista é só som bom e das antigas



Cara eu achei essa coletânea, navegando no blog http://djpanteraoldschool.blogspot.com.br, e realmente é uma pérola e ao mesmo tempo um arquivo para conhecimento musical.  O grupo de rap Racionais MC’s (mencionado aqui) sempre foi respeitado por suas letras, postura e talento. Mas um elemento ali também é um dos responsáveis pelo som dos caras. E o responsável é o mano DJ Kleber ou KLJay, sim, porque quem tem mais conhecimentos em música , na maioria dos grupos são os DJs. São eles que “pescam” a ideia dos letristas e dos membros do grupo. E passar todo o clima de uma letra numa instrumental bem produzida é a meta. Uma letra mais divertida requer um instrumental mais pra cima, mais dançante, uma letra mais séria um som mais sinistro enfim... Inspiração. E eles tem também o "poder" de transformar um loop , um pedacinho de uma música que aos ouvidos menos treinados, não tem nada a ver, virar o componente chave da base. Como um alquimista que mistura suas químicas, o DJ mistura sons, batidas e retalhos musicais. São eles também que cavoucam os confins dos sebos atrás de raros vinis e dão valor a todo um contexto, desde a capa, o som, onde foi gravado, os músicos, a época, os chiados etc...  Eis aqui uma coletânea com músicas dimiliduques que foram usadas / sampleadas para várias das bases dos Racionais. Muito groove , soul e funk do bom. Sem mais delongas, escute porque o barato é louco.

Clique na capa e sinta o som


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quinta-feira, 8 de maio de 2014

Chora Menino porque aqui o pagode é de 90!



O grupo Chora Menino foi formado em 1982 pelos lados do Jardim Orion/Cidade Dutra na Zona Sul de São Paulo. Tiveram uma primeira oportunidade no 1º Festival de Pagode sambalanço da extinta Manchete FM , isso em 1987. Ficaram em 3º lugar, gravaram a faixa Curtir o Nosso Amor, no LP que saiu pela gravadora RGE. Detalhe; a gravação foi ao vivo no Ginásio do Palmeiras.  Depois eles gravaram o LP Lindas Melodias, pela gravadora Intersom, com destaque para a faixa Rua da Mazela. Eles ainda gravaram mais  trabalhos, tempos depois com os LPs Homenagem (1996), Corpo e Alma (1998)  e O Samba é a Cara da Gente (2012).  

Mas o sucesso veio mesmo com LP gravado em 1992, pela JWC Discos. Curiosidade é que na capa o título esta como Canto das Raças Axé , no selo "Canto da Raça “Axé” e na contracapa Canto da Raça (Axé). E esse é o LP que dimiliduques coloca a disposição. 

Com produção caprichada de Mauro Diniz e Alceu Maia o LP traz composições de Douglas Sampa, Carica, Valtinho J, Sereno, Roberto Serrão, Pelezinho, além dos integrantes do grupo.  As faixas mais conhecidas são a Já Fui Um Aprendiz , Colorido Matiz e a regravação de Curtir o Nosso Amor. Mas prestem atenção na singela Hoje Me Sinto Tão Só e no belíssimo solo de cavaco e na letra poética de Lobo Sem Matilha e no partido cantado em coro, Tributo ao Mestre Guará. Tem uma música de duplo sentido, é a música Cheiro de Terreiro, composta nos moldes da famosa "Bebeto Loteria" do grupo Fundo de Quintal, que diz no refrão “até quem não é de cheirar cheirou”.

É um LP bem legal de se escutar, marcou época e a sonoridade apesar de simples é redonda. A formação na época da gravação era Bahia (vocal e pandeiro), Coruja (banjo), Samuca (cavaco e vocal), Paco (repique), Sombra (violão) e Mungunzá (bateria). O grupo Chora Menino de vez em quando dá as caras e se apresenta, tempos atrás eles foram homenageados no Pagode da 27 que acontece no bairro do Grajaú. Mas outras pequenas homenagens acontecem nas rodas de samba, quando os pagodeiros relembram sucessos e a música Já Fui Um Aprendiz é cantada em coro pelo povo até hoje. 

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