quinta-feira, 28 de julho de 2016

Pagode 2000 do Recado's Bar



A história desse CD remonta 1997, aqueles festivais de pagode que pipocavam pela cidade de São Paulo no seu auge. Uns eram nitidamente para arrecadar dinheiro para o organizador, outros poucos tinham certa intenção de caça talentos. Um desses festivais aconteceu no Recado´s Bar, ficava em Diadema próximo ao terminal de ônibus e seu dono era o Silvino Moura. O grupo o qual eu fazia parte, Samba Primazia, foi disputar essa contenda para tentarmos gravar uma faixa no "pau de sebo" (como eram chamadas essas coletâneas), esse era o prêmio. 

A maioria dos grupos ali do nosso bairro, Pedreira, zona Sul de São Paulo, já haviam gravado ao menos uma faixa a exemplo do Aquela Imagem, Pixote, Luz e Poesia, Sentimento de Posse e Sorrindo Assim. Então era a nossa chance e lá fomos nós... Inscrições, identidades, taxas e os ingressos. Cada grupo deveria vender uma base de 50 ingressos por fase e a regra era ou vendiam TODOS os ingressos ou davam em dinheiro o total da carga de ingresso. Ou seja era suar para vender todos e assim cada um do grupo ficava com um pouco e aqueles menos hábeis em vendas (eu por exemplo) tinham que apelar para família ou outro integrante mais desenrolado na questão. E isso era só a primeira etapa, não me lembro quantas foram, eu acho que foram três. 

Como estratégia de vendas colocaríamos um ônibus  a disposição no dia do festival para quem quisesse ir. Enchemos todas as vezes que fomos nos apresentar. Os amigos e amigas com faixas de apoio , gritaria, cantando juntos e nos incentivando. Era tenso, dava trabalho mas ao mesmo tempo era prazeroso. O esquema quase amador, por exemplo na primeira noite nosso figurino nós mesmos tivemos a ideia maluca: todos com camisas brancas e pedimos para nosso amigo e desenhista Bad fazer uma aerografia de personagens de desenho animado tocando um instrumento de samba, lembro que o meu era o Pica Pau e o do Jhonny era o Capitão Caverna! O detalhe que disputamos esse festival na primeira fase sem violão, somente na final o Dorival Savioli do grupo Sorrindo Assim veio nos dar uma força.  Lembro que numa das noites as juradas eram do grupo Charme Samba e depois elas tocaram ao vivo a música No Gain, No Pain da Betty Wright em forma de samba! . 

Nas disputas, em meio a muitos grupos lembro de um dos melhores que era o Grupo Poema de Lis que tinha como integrantes compositores como Fernando Nunes, Barriga, Edu e Mito. Outros grupos os quais conhecíamos: Grupo Volta Por Cima e Grupo Acima da Ilusão que tinha um pessoal de Diadema e Vila Lola , Grupo Puro Desejo que eram amigos chegados  (Jean, Jadson Pi, Alemão e Nando) eram da Vila Guacuri, Grupo Meninos do Samba do Jair, Léo e  Gígio que eram do morro Santa Lúcia e o União de Família era de Eldorado. Havia outros grupos, mas não chegamos a cair na mesma chave e só nos encontramos no estúdio. 

Falando em estúdio, ele ficava no bairro do Brooklin, na produção era o Fernando, o qual conhecia de vista dos pagodes da vida. Os músicos da percussão e cavaco eram os integrantes do grupo Samprazer, lembro que o Billy SP nos ajudou muito no estúdio na hora da gravação, descontraindo e incentivando a galera. No sax e teclados era o Serginho que fazia banda com o Pixote e morava no nosso bairro. E na bateria era o Luizão e o baixo se não me engano era o Marcel.

Algumas curiosidades: A faixa 5 por exemplo, é do grupo Fonte da Nova Semente e a voz é do Sandrinho ex grupo É d+, a música chegou a sair na revista Ginga Brasil nº 44. Outro detalhe, na faixa 7, Desejo, o vocalista teve um problema e não conseguiu ir ao estúdio, então o próprio Billy SP cantou e gravou a voz. O grupo samba Primazia disputou o festival com a música Pura Loucura (Mito/Valdé/Gildo) mas optou por gravar Meu Desejo que era composição dos componentes do grupo, aliás a música Pura Loucura, foi gravada pelo grupo Katinguelê com o nome de Teu Ciúme no CD Essência 2016.

Pegamos uma cota de CD para vender, apesar do nome da coletânea ser Pagode 2000 ela saiu em 1997 e a gravadora era a pequena Maracanã Gravações Edições e Comercio de Discos. Enfim apesar de participar ativamente do processo de gravação eu acabei esquecendo vários detalhes, por exemplo não lembro quem tocou violão no CD. As fotos foram tiradas nas ruas próximas ao estúdio mesmo, improvisadamente.  Nenhum desses CDs sobrou em minhas mãos e já perguntei para varias pessoas daquele tempo, ninguém tem mais, esse eu achei perdido e sem capa em meio aos meus. A capa me enviaram recentemente via celular/redes sociais. Por isso que ele esta com as informações incompletas, faltam alguns nomes de músicas e de grupos, sem contar que a contracapa esta totalmente bagunçada. 

Mas das que eu lembro tinha: Grupo Volta Por Cima com Nega Sacana, Grupo Puro Desejo com duas faixas Abandonar da Paixão (Dorival Savioli/Marquinho Filô/Tchelo Santos) e Tentação (Dorival Savioli/Tchelo Santos/Jadson Pi/Jean David), Grupo Fonte da Nova Semente (faixa com o nome igual) Tentação (Delcio Luiz/Paulinho Carvalho), Grupo Meninos do Samba com a música Olhos da Separação (Jerry/Mito)  e o Grupo Samba Primazia com a faixa Meu Desejo (Ari Bazão/Tchelo Santos/ Dorival Savioli). 

A gravação nesse festival nos deu muita alegria, com a faixa fazendo um sucesso por onde passávamos, abrindo muitas portas e nos incentivando a tocar e compor mais. Foi o primeiro passo de muitos  que iríamos dar rumo ao objetivo que era um trabalho solo.



Mandando um recado Clique na capa

http://www.mediafire.com/download/2a5zr2zz3psibbs/Colet%C3%A2nea+Pagode+2000+%281997%29+festival+do+Recados+Bar+Diadema+SP+by+tchelo.rar






sexta-feira, 22 de julho de 2016

Cor da Pele sem desengano

O Grupo Cor da Pele era o que chamávamos de primeiro Dream Team do pagode, um grupo formado com músicos experientes e com a sincera intenção de ser uma fábrica de hits, um dos TOPs. Porém nem sempre a receita do sucesso é de fácil acesso (rimou!), se fosse assim muitos a venderiam para programas de culinária. O grupo marcou época lançando dois CDs (1994/Paradoxx e 1996/BMG/RCA) e suas produções em estúdio eram de certa forma libertárias e feitas com o esmero e exigências de qualidade do músico e produtor Prateado, que também era um dos integrantes. 



Um dos riscos (calculados eu acho) que a carreira do grupo correu, além dos integrantes escolhidos a dedo e talentosos, tinha também o repertório, calcado em algumas regravações, swings e baladas, isso não abriu muito o leque para o chamado samba mais tradicional ou partido alto, mas era o estilo que imprimiram ao seu trabalho e seguiram a risca, não abrindo mão de sua identidade musical. 


Algumas letras continham um sarcasmo que poderia ser entendido por muitos com mau gosto, como as músicas O Chato (Bira Hawai/Luiz Antonio), Olha o Gordo (de 1994) e Caboclo Feio (Rick/Prateado), mas de certa forma eram experimentais, misturando sambalanço e black music. Outro ponto alto desse trabalho especificamente é a entrada do cantor Aldino, considerado por muitos do meio, um dos melhores vocalistas do pagode. O grupo teve com integrantes, entre idas e vindas e trocas de formação: Prateado, Rick Batera, Juninho, Luizão, Paulinho, Nenê da Timba, Marcos Arcanjo, Lobão Ramos e Carlinhos Gonzales.


Na música O Chato os caras tiveram a ousadia e cantaram no refrão: Chato! Chato Pra CARALHO! Muito Chato!... pagode revolucionando! O blog dimiliduques põe a disposição o segundo álbum gravado em 1996 pela BMG produzido por Wilson Prateado e Arnaldo Saccomani. Desse trabalho muitos sucessos radiofônicos como: Resumo da Felicidade (Carica/Prateado), Eu Te Amo (Carica/Prateado) e Desengano (Aldino/Paulinho). Mas eu citaria outras músicas também, como Vida (Aldino/Paulinho), O Chato (Bira Hawai/Luiz Antonio), Me Leva Daqui (Aldino/Paulinho), Ilha da Felicidade (Carica/Prateado), Preciso Desse Amor (Prateado) e a regravação de Outra Viagem (Prateado e Fernando Paz) sucesso com o grupo Só Preto Sem Preconceito. O grupo se desfez em meados de 98 deixando o sucesso Desengano pra sempre guardado nas lembranças e muito respeito por onde passou.


Clique na capa abaixo e deixe de ser chato pra caralho! rs







quinta-feira, 21 de julho de 2016

Repost: Foi do improviso que nasceu o samba desse grupo



O grupo Improviso surgiu no estado de São Paulo, mais precisamente na baixada santista no início dos anos 90. E segundo contam, o nome vem da habilidade dos componentes em tocar a mesma música mas de várias formas, nunca se repetindo, só no improviso. No começo era apenas um encontro informal de amigos  para tocar samba no bairro do Boqueirão e em festas de amigos.  A região da baixada santista sempre fez parte do samba e pagode, são de lá por exemplo os grupos Da Melhor Qualidade, Tempero e Karametade.

Com o convite para tocar em vários barzinhos o grupo começou a levar mais a sério e apurar o lado musical. Até que a partir de 1993 era o grupo da casa na churrascaria/bar Cachaça Brasil, lugar que se tornou um dos melhores points do pagode na baixada. 

Com o boca a boca e muito suor conseguiram assinar com a gravadora JWC e lançaram o primeiro trabalho solo do Grupo Improviso. O ano era 1994 e o disco foi intitulado “É Bom Sambar”, que o blog dimiliduques deixa a disposição. É uma pena não saber mais detalhes sobre os músicos participantes, já que não possuo os encartes.  Os arranjos foram feitos por Mauro Diniz e Jorge Cardoso.

Faço essa postagem excepcionalmente por ser um disco muito bem feito, lembro da música Paixão Sem Dor de composição de Mario Sérgio, Luizinho SP e Carica, com aquele belo solo de violão na introdução. Mas outros destaques são os partidos Edith (Delcio Luiz/Paulinho Carvalho/Geraldão), Onde Cabe o Amor (Rubens Gordinho/Clovis Santanna/Santaninha/Barbosinha) e É Bom Sambar (Delcio Luiz/Paulinho Carvalho) e a faixa Cartomante (Douglas) que fez sucesso. 

Dentre outros compositores que entraram no disco temos  Roberto Serrão, Paquera, Guilherme Nascimento, Cuca, Arlindo Cruz, Marquinho PQD, Marcelo e Marcio (componentes do grupo). Eles ainda lançaram um segundo trabalho em 1997 pela Warner/Continental, saiu com o título de “Sentidos”.  O grupo era formado por Junior (violao e voz), Marcelo (banjo), Marcio (cavaco e voz), Wagner (pandeiro), Ivo (timba e voz), Dinei (repique de mão) e Douglas (bateria).

link



*Agradecimentos a comunidade no facebook Bandeira do Samba (Marcelo de La Veiga) e ao canal do Youtube Samba e  Pagode 90

terça-feira, 19 de julho de 2016

Bruno Maia swingueiro romântico

O cantor Bruno Maia é natural do Rio de Janeiro e é daqueles do time do suingue e romantismo. Grata surpresa quando achei esse trabalho, cheio daqueles arranjos nostálgicos, bem anos 90. Com bastante sambalanço e teclados e metais entrecortando a harmonia. Vem ali na praia dos primeiros trabalhos de Serginho Meriti, Joãozinho Carnavalesco, Mariano Brow, Branca Di Neve, Dom Benê, Bedeu, Dhema, Faeti, Luiz Vagner etc... Seria meio que da segunda geração do swing, depois de Carlos Dafé, Black Rio, Cassiano, Hyldon, Toni Tornado, Tony Bizarro, Originais do Samba, Bebeto, Tim Maia, Jorge Ben...

De voz bem marcante e forte, Bruno Maia canta afinado, talvez faça jus ao sobrenome famoso, mas ele não tem nenhum parentesco de sangue, apenas uma boa coincidência da vida com o Maia do Tim.

O blog dimiliduques põe a disposição o LP gravado em 1990 pela gravadora Tropical Produções Artísticas (TPM) sob licença da Polygram. Um LP bem produzido na sua simplicidade. Mas musicalmente bem interessante, swing balançado e romantismo que flerta com a MPB. Foi gravado nos estúdios Transamérica com direção de Milton Manhães. A coordenação de produção foi de Adilson Victor com arranjos de Evaldo Santos.

Bruno Maia em seus shows era acompanhado pelos músicos Aloisio Jacaré (guitarra), Edival (bateria), Luiz Bunn (saxofone), Gilsinho (trompete) e Divino  (teclados). É um disco bem prazeroso de se escutar, te remete a uma época, uns podem dizer que seja datado, mas, em minha opinião, isso não desmerece em nada um disco. O repertório foi muito bem escolhido: a balada swingada Pensem em Mim (Piter), swing maneiro Preta da Ladeira (Jorge Santana, Paulo Santana e Betão), uma levada black em Sou do Cais (Beto Corrêa/Franco), outro swingão Tiririca (Beto Correa), a balada com uma linda linha de baixo Olhos da Paixão (Adilson Victor/ Mauro Diniz), outra balada com nome de mulher Malce (Beto Correa), Se Não For Amor (Jorge Santana, Paulo Santana e Angela Santana) swing estilo os gravados por grupos de pagode dos anos 90, a romântica depois regravada por Royce do Cavaco, Meu Calor (Cesar Veneno/Carlinho Verneck), a faixa De Mim é a mais samba de todas, composição de Jorge Aragão e por último a minha preferida, a balada Amor de Calça Jeans (Bandeira Brasil). É isso um cantor com swing , sua discografia conta com quatro trabalhos: Bruno Maia (1990 /TPM Tropical Prod. Musicais), Agora é Pra Valer (1993/TPM Tropical Prod. Musicais), Swing e Balanço (2006/Diamond Records), Iluminado (2012/independente).

Agradecimentos a comunidade Bandeira do Samba no facebook a qual disponibilizou essa raridade.

 

          


               



Repost: Chilão e Johnny - Loves Collection

Essa postagem vale muito pela nostalgia, literalmente! A dupla Chilão e Johnny tem história na black music de São Paulo. O primeiro fez parte da Equipe Zimbabwe (eu jurava que ele era da Chic Show!) e o segundo tem uma historia nos bailes black desde a década de 70. Eles lançaram essa coletânea de melodias pela gravadora Columbia, que depois saiu em CD pela Sony e  também pela pequena Rhythm and Blues. Não sei a data correta, mas deve ser algo ali na metade dos anos 90. Se repararem bem, o estilo da roupa dos caras na capa esta bem para o rappers americanos do inicio de 90, tanto que o Chilão (a direita) esta a cara do Ice Cube. Chegaram a fazer uma outra coletânea de Samba Rock com o título de Rhythm Rock com capa semelhante, pela gravadora Rhythm and Blues.

Agradecimentos ao blog http://equipepiratadobom.blogspot.com.br/ 


segunda-feira, 18 de julho de 2016

Bis do Biz...só no vapor do hip hop

Estava adiando (nem sei o porquê) a postagem desse play, mas depois de já tê-lo perdido do HD , resolvi de uma vez por todas resenhar. Já escrevi sobre o Biz Markie em outra oportunidade (leia aqui) mas hoje é o sobre o LP Goin’ Off. Mano, viagem! só posso falar isso, sempre sou transportado para 89 com esse disco, tudo bem ele foi lançado em 88 mas só um ano depois tive acesso ao mesmo. E isso foi através dos plays do meu tio João Galo, mais conhecido como Função, aliás vários discos e músicas que escutei na minha adolescência  foi tudo culpa dele (que bom!).

O álbum Goin’ Off do rapper Biz Markie foi gravado entre 1987/1988 pela gravadora Cold Chillin/Warner Bros Music. Foi o primeiro da carreira do rapper e que boa estreia!. Curiosamente as cinco primeiras faixas do disco, inclusive o hit Vapors, foram compostas por outro rapper (e amigo pessoal de Biz), Big Daddy Kane.

A produção ficou a cargo do legendário DJ Marley Marl e participação nos vocais de TJ Shawn integrante da Juice Crew All Stars. O scratchs foram do primo de Biz Markie e seu parceiro nos shows, Dj Cool V.  Eu gosto muito do álbum todo, já que ele me remete a minhas tardes com o 3 em 1 ligado escutando vinis de rap. Mas sempre há aquelas faixas em que você tirava a agulha e colocava do começo, eu fazia isso com Vapors, Goin’Off, Albee Square Mall, Returno of The Biz Dance e Cool V’s Tribute To Scratching.

A masterização é um caso a parte, feita pelo engenheiro de som Herb Powers Jr. , o cara dominava as primeiras caixas de ritmo da época, as TR 808/909 abusando dos seus graves altos (loud), agudos nítidos e graves profundos nos chamados pumping bass (baixo sintetizado com efeito “bombado”), o técnico já trabalhou em discos de LL Cool J,  Ted Pendergrass, Blue Magic, Toni Braxton, Keith Sweat e J.R. Funk And The Love Machine.

A capa é espalhafatosa, mostra a imagem do rapper refletida num daqueles espelhos que eram atração nos parques de diversões. A fotografia e design da capa é de George Du Bose que já realizou trabalhos com B52’s, Ramones, Atlantic Star e Kid Creole And The Coconuts.

Alguns especialistas em rap opinam que as letras desse trabalho eram um pouco óbvias e rudimentares, mas foi o retrato de uma época, a maioria dos rappers de então não eram de todo politizados e a rima mais lúdica e egocentrista prevalecia nas letras. Somados a isso sua interpretação, com melodias em desafino, seu humor e seu improviso, Isso poderia rumar para perda de identidade das ruas, mas ao contrário só fortaleceu sua música. Sem dúvida o disco é um dos grandes clássicos da era de ouro do Hip Hop, considerado um dos top 100 da revista Source de New York.

Fontes, sites: Allmusic, Discogs, Wikipédia, MTVartists, disco-disco, blog Lost Jewells e Nerdtorius

Sinta os vapores clicando na capa!







sexta-feira, 15 de julho de 2016

Os Meninos do samba , meninos do Rio

“Nem só de rap vive o homem” *frase criada a esmo para iniciar texto em blog. Gosto muito de rap, acho que a primeira vez que senti um ritmo em que valeria a pena se envolver de corpo e alma foi o rap em minha vida. Antes disso observava alguns dos meus primos curtindo rock nacional (Paralamas, Ira!, Titãs) e internacional (Led Zeppelinn, Tears For Fears, Simple Minds) e até mesmo os pesos de Iron Maiden e Black Sabbath. Logo depois meu tio e seu estilo função com os Samba Rocks e melodias (outra virada em minha alma musical). Os sertanejos de meu pai com Trio Parada Dura, Léo Canhoto e Robertinho e Tonico e Tinoco. Depois os amigos curtindo um samba de Zeca Pagodinho, Fundo de Quintal e Beth Carvalho. Até os "bregas" de minha mãe com Carlos Alexandre, Amado Batista  e Paulo Sérgio, contribuíram para o caos do meu gosto musical. Melhor assim , mais tarde conseguiria dar o devido respeito aos diversos ritmos, sem aquele preconceito de “não conheço, não ouvi e não gostei”.

Mas beleza! chega de enrolação e vamos focar. Já que é de lei “ecletizar” o blog dimiliduques! Hoje a postagem é da coletânea Os Meninos do Rio. Menino do Rio foi um filme na década de 80 com trilha sonora de rock nacional, mas nesse caso do título  foi apenas uma brincadeira irônica, pois a trilha aqui é Samba! E do bom! Cantada por “jovens senhores” da velha guarda.

Detalhe é que cada faixa é um pout porri de três a quatro músicas, sabe aquela coisa das rodas de samba organizadas por quem manja do assunto... Alguns nomes conhecidíssimos por quem curte “samba de raiz” nomenclatura que eu acho um pouco pomposa e até fora de contexto, mas que serve por ora, para dar diretriz a um samba verdadeiro. Tem Monarco, Aluizio Machado, Dona Ivone, Nelson Sargento, Jair do Cavaquinho, Elton Medeiros...resumindo só bamba.

Gosto de várias faixas, mas sempre me chamaram a atenção os arranjos e a beleza dos pout porri Pecadora/Colete Curto/Remando Contra a Maré/Falange do Erê, Maria Rita/O Sol Nascerá/Menino de 47, Chinelo Novo/E Baiana/Nos Combates Desta Vida/A Vovó Chica/Vai Vadiar e Minha Filosofia/Agoniza Mas Não Morre/Vou Partir.


A coletânea foi lançada pela gravadora Carioca Discos em 2000 com produção artística de Paulinho Albuquerque, direção musical e arranjos de Claudio Jorge (violão) e Wanderson Martins (cavaco). Com a cama maravilhosa dada por músicos como Marcelinho Moreira, Ovídio, Gordinho e Armando Marçal (percussão), Carlinhos Sete Cordas (Violão de 7) e no coral temos Martnália, Analimar, Ari Bispo, Jurema de Cândia, Viviane Godói, Copacabana, Marcelinho Moreira e Ovídio.

Clique na capa ...samba...calor que provoca arrepios!





quinta-feira, 14 de julho de 2016

Repost: Biz Markie, um rapper comediante que não é comédia

A primeira coisa que me vem a cabeça quando ouço o nome Biz Markie é : Vapors e Just a Friend. Mas o cara é um rapper de calibre pesado. Nasceu em Nova Iorque em 08 de Abril de 1964 e seu nome de batismo é Marcel Theo Hall. Começou a carreira em 1985 como beatboxer para a rapper Roxanne Shanté. Tem sua origem no Harlem e mais tarde mudou-se para Long Island. E lá começou a rimar, seus versos eram quase sempre espirituosos e bem humorados. Depois fez parte do coletivo Juice Crew com, Marley Marl, MC Shan,  Big Daddy Kane e Kool G Rap, maioria moradores de um dos berços musicais do rap, numa espécie de COHAB, a Queenbridge House's, no bairro do Queens.

O blog dimiliduques saca da caixa de plays, o Diabolical Biz Markie – The Biz Never Sleeps de 1989. Outra daquelas capas chamativas , que quando passa pela sua juventude você dificilmente a esquece. Traz o artista, Biz Markie, transvestido de cientista , bem a seu estilo pateta e maluco. Esse disco saiu aqui no Brasil pelo selo da Warner Bros e ao contrário do primeiro (Goin Off), esse não teve a participação do produtor Marley Marl. Biz Markie quis fazer do seu jeito, juntamente com seu primo, o DJ Cool V.  

Desse LP destaco a já famosa e um dos seus maiores sucessos, Just a Friend, exemplo de música que se mostra chata no começo e de refrão meio desafinado (óbvio que propositadamente), mas que tem um efeito devastador (no bom sentido) nas caixas acústicas e na pista de dança dos bailes. Digamos que ela foi a responsável pelo reconhecimento mundial do nome Biz Markie, depois de um 9º lugar na Billboard. Uma curiosidade é que o refrão é de uma música de Freddie Scott (You Got Waht I Need).

Outras duas faixas também legais são: She’s Not Just Another Woman (Monique) que tem um clima suave, mas malandreado e outra é a Mudd Foot com um sampler de sax jazzístico bem sacana.  A Me versus Me é um entrelaçado de beatbox, especialidade dele. Outro destaque é a My Man Rich, com um looping de contra baixo contagiante. E tem também a engraçadinha The Dragon, que pasmem, fala sobre flatulência! Agora a minha preferida do disco é Check It Out, com sampler grooveado e a levada meio desengonçada de Biz que dá um puta efeito.

Os rappers mais nervosos da época não o levavam tão a sério, mas ele angariava fãs por onde passava. Só depois de um tempo começaram a entender sua maneira de fazer música e até se tornou influente em alguns segmentos undergrounds.

Apesar disso sua carreira sofreu um duro golpe em 1993 no lançamento do álbum I Need a Heircut. Foi processado pelo cantor Gilbert O’ Sullivan por ter usado sem autorização um trecho de sua música Alone Again (Naturally) . Gilbert não só ganhou o processo como a Warner Bros (ligada ao selo Cold Chillin) teve que recolher todos os LP's e K7's das lojas. A partir desse caso, mudaram, de certa forma, as relações de Djs, músicos e gravadoras no mundo hip hop.

Apresentou-se em mega eventos como pré-Oscar Party, Grammy, Super Bown, NBA All Star Weekend e outros. Participou do reality show Celebrity Fit Club em 2005. Uma das suas ultimas aparições (2013) foi uma participação na música da banda de indie rock The Flaming Lips.

Atualmente Biz Markie é multimídia, participa de comerciais de grandes empresas como Pepsi, Budweiser, Microsoft e Heineken. É Disk Jockey, animador, ator, humorista e se apresenta em eventos diversos, chegando a fazer 200 deles por ano. Também figurou em aparições no programa infantil da Nick Jr. com o personagem Yo Gabba Gabba. Tem seu nome ligado a produtos para crianças e em seu site oficial vende tênis, camisetas e até trechos de sua voz/beatbox para chamadas de celular.  E assim o old school Biz Markie vai levando a vida e faturando.

 Clique na capa justamente amigo




quarta-feira, 13 de julho de 2016

Eu DJ?

Quem nunca sonhou em ser jogador de futebol, DJ ou cantor de sucesso atire a primeira pedra...calma! não precisa tacar tijolo também! Jogador joguei pouco na época que existia a posição ponta direita eu era um, camisa 7 que corria muito tipo Euller o filho do vento, mas me inspirando no Muller do SPFC! Passou...adolescência chegou e ser DJ era minha meta!. 

Já com 13 para 14 anos ia aos bailes e me interessava mais as sequências musicais , os discos de vinil, a aparelhagem do que outra coisa que rolava, como as gatinhas (quer dizer nesse caso sempre me envolvia rs), as danças e outros aditivos a mais do baile. Cheguei a colecionar discos de vinil com um “amigo” o Dão, só que ele provou ser um “Drão” e roubou meus vinis , vendeu para outras pessoas e sumiu. 

Ainda fiz parte de uma equipe junto com um colega do primeiro grau do colégio Ayres Neto, o Paulo PESO, a nunca famosa Equipe Som Black  - O Som de Sampa, outra vez meus vinis se espalharam, me enrolaram e fiquei a ver navios. Por último tentei a vida de cantor e me dei mais ou menos bem, primeiramente escrevi, cantei e gravei rap nos grupos Dimensão Rap, RDS (Retrato do Sistema), Organização Brutal, Posse Símbolo Negro e Mente Aberta. Depois como letrista tive músicas gravadas pelos manos do Alvos da Lei (Cena do Loco) e Jamal (Lunático). Tempos depois me enveredei para o samba/pagode e alguns grupos gravaram composições/parcerias minhas como o Grupo Eterna Aliança (Só Seu Beijo) e Grupo Karicia (Romance Virtual) e cheguei a gravar/cantar/compor quatro faixas em coletâneas com os grupos Filosofia do Amanhã/Samba Primazia e um CD solo com o Grupo Puro Prazer.

Bom essa introduçãozona para quê? Enfim para postar um arquivo que achei perdido, descrito como DJ TCHELO. Escutando aqui é uma coletânea de “produções” e exercícios que fiz fuçando o programa Virtual DJ. 
Nessas pseudo produções usei um pouco de musica brasileira e procurei misturar com hip hop e dance dos anos 80/90. Então tem umas coisas malucas, experimentalismos  com , funk, MPB, Dance Music e bases de rap. Está mais para aqueles vinis tipo DJ Construction, na verdade é apenas uma tiração de onda in loco.  Tudo quando é na fase de descoberta é legal, depois enjoei do programa, mas um desses na década de 80 ia fazer estragos no bom sentido.


Clique na capa mas...Advertência! contém sambadas, deslizadas e atravessadas.